Por Mauro Souza*
O investimento anual em toda a infraestrutura do Brasil (portos, aeroportos, mineração, estrutura digital/data centers, saneamento, transportes terrestres e energia, dentre outros) gira em patamares de U$ 50bi, o que representa 2,2% do PIB.
Especificamente para os setores de portos, mineração e data centers, este investimento anual situa-se em US$ 20 bi (40% do agregado de investimento de toda a infraestrutura do país), com 60% do montante proveniente de Investimento Estrangeiro Direto (IED).
Considerando-se a consecução de alguns vetores estruturais já em marcha, nos próximos anos a expansão destes três “segmentos de ouro” poderá superar, em muito, o ritmo geral do PIB:
Leia mais- Os data centers têm potencial para crescer 13% ao ano, em razão da aprovação do REDATA, que agrega ingredientes capazes de consolidar o Brasil, como o principal hub de processamento de IA da América Latina.
- A mineração aponta um crescimento de 7% ao ano, tracionada pela relevância geopolítica da transição energética e dos minerais críticos (em especial as terras raras e o lítio).
- Os portos tendem a se deparar com uma extensão de investimentos em 8% ao ano, justificada pela pressão do incremento de movimentação de cargas advindas do agro, e do fluxo de minerais críticos.
O efeito direto desta expansão se fará sentir no aumento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), com consequente elevação da capacidade de produção e de geração de empregos. O efeito indireto advirá da redução do “Custo Brasil” e da maior capacidade de inovação. É uma revolução silenciosa, que destravará o comércio exterior e a expansão anual do PIB.
No Brasil, diversos órgãos de pesquisa econômica projetam que, para cada aporte adicional de 1% do PIB em infraestrutura, a taxa potencial de crescimento do PIB sobe de 0,3 a 0,5 pontos percentuais ao ano.
Considerando-se o PIB base do Brasil em 2026 em U$ 2,4 trilhões, e mantida a expansão atual entre 1,8% e 2,0% ao ano, o PIB em 2036 atingirá U$ 2,9 trilhões e em 2046 U$ 3,5 trilhões.
Levando-se em conta o aumento do aporte de IED em portos, mineração e data centers, de forma a cumprir o crescimento anual de investimentos de 8%, 7% e 13% respectivamente, ter-se-á uma alavancagem anual de recursos nesses setores dos atuais U$ 20bi, para U$ 45 bi em 2036 e U$ 85 bi em 2046. Este acréscimo elevará o ritmo de crescimento do PIB para 3,2% ao ano, atingindo U$ 3,3 trilhões em 2036 e U$ 4,6 trilhões em 2046.
Em resumo, mantida a situação atual de investimentos nos setores de portos, mineração e data centers, em vinte anos o PIB brasileiro expandirá 46%. Criadas condições para potencializar o fluxo de IED, poderemos incrementar o PIB, em vinte anos, em 92%. A diferença está no Brasil que desejamos construir para 2046.
A equação para o incremento de IED na infraestrutura brasileira depende, diretamente, da redução do risco para os investidores. Para tal, se faz necessário prover segurança jurídica e mitigar a volatilidade normativa advinda de Agências e Entes Reguladores.
Por esse motivo, será estratégica a proliferação do uso de uma Inteligência Artificial Regulatória (IAR), nos moldes da solução apresentada pela plataforma da JX IA (parceira estratégica da FUNCEX – Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais e do INTR – Instituto Nacional de Terras Raras). Aquela plataforma, uma vez disponibilizada para empresas, investidores e entidades públicas, servirá de bússola para o setor regulatório, atuando diretamente na mitigação do “Custo Brasil” e na redução das incertezas normativas.
É viável construir um projeto de país, a partir de uma revolução silenciosa capaz de potencializar a sua infraestrutura e o seu comércio exterior. Fica o ensinamento de Shimon Perez, de que “o futuro não pertence àqueles que olham para trás, mas àqueles que moldam o amanhã”. Vamos em frente, pois temos um compromisso para com as gerações futuras.
*Engenheiro elétrico com pós-graduação em robótica e mestrado em telecomunicações.
Atuou como gestor do SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados), diretor de tecnologia no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no STF (Supremo Tribunal Federal) e diretor de tecnologia na Presidência da República.
Leia menos















