O publicitário Thiago Miranda se tornou alvo da Polícia Federal dois dias depois de anunciar o encerramento de sua sociedade no Grupo Léo Dias de Comunicação. A PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão contra ele na última quinta-feira (9), por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, na 10ª fase da operação Compliance Zero.
As investigações apuram a existência de uma estrutura organizada para intimidar jornalistas e pagar influenciadores para atuar de forma coordenada contra o Banco Central, a favor do Banco Master. Miranda já vinha sendo citado durante as investigações por conversas com Daniel Vorcaro, fundador do Master. As informações são do Poder360.
Leia maisInvestigadores da PF encontraram diálogos de março e abril de 2025 em que Vorcaro pedia que o publicitário buscasse informações pessoais sobre a jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo. As mensagens vieram a público cinco dias antes de Miranda anunciar a venda da sua participação societária no Grupo Leo Dias.
No comunicado, publicado na terça-feira (7), em seu perfil oficial no Instagram, o publicitário afirmou que encerrava “um importante ciclo” de sua trajetória profissional. Ele atuou como CEO do Grupo Leo Dias até junho de 2025. Depois, afastou-se do portal, mantendo apenas a participação societária.
“Levo comigo os aprendizados, as amizades, as conquistas e a convicção de que empreender é, acima de tudo, transformar ideias em impacto”, afirmou. Miranda era sócio do portal e, de acordo com a jornalista Samara Schwingel, do Metrópoles, iniciou o processo de transferência da participação societária no final de 2025.

10ª fase
As operações realizadas no meio da tarde da quinta-feira (9), diferentemente das anteriores realizadas no início da manhã, definiram que Miranda era responsável por coordenar um núcleo para espionar pessoas que contrariavam os interesses de Vorcaro.
Em depoimento à PF, Miranda afirmou que conheceu Vorcaro quando o ex-banqueiro ofereceu R$ 3,5 milhões para comprar o Portal de Notícias Léo Dias. Vorcaro teria o interesse de montar um grupo de mídia. Logo depois, o publicitário ofereceu serviços para “gerenciamento de imagem”, com a contratação de influenciadores para defender os interesses de Vorcaro.
Em nota, a defesa do publicitário nega que tenha agido com ilegalidade e que “sempre pautou sua atuação profissional pela legalidade, pela transparência e pelo respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão, não tendo praticado qualquer ato criminoso, tampouco participado de conduta destinada a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros”.
Alvos de Vorcaro
As mensagens trocadas com Vorcaro indicam que Miranda buscou informações sigilosas com base em serviços de venda ilegal de dados pessoais sigilosos. Entre os alvos estão:
• Malu Gaspar: Teve dados sobre sua movimentação bancária violados, com o levantamento de informações de familiares, como seus filhos, bem como de dados patrimoniais e cadastrais;
• Milton Maluhy Filho: Vorcaro pediu um levantamento sobre o executivo do Itaú, alegando que ele estaria “causando muito problema”. Foram colhidas informações financeiras e pessoais de Maluhy;
• Consuelo Dieguez: A jornalista se recusou a retirar as reportagens da Revista Piauí sobre o banco, deixando Vorcaro contrariado. Segundo a decisão, ela orientou que os executivos do banco encaminhassem uma carta à Revista Piauí com os termos que achassem que iriam “refletir a verdade”. Vorcaro mandou os prints das conversas com a jornalista para Miranda;
• Renato Breita: Sócio da consultoria Nord Investimentos, que acabou aceitando remover o conteúdo solicitado. Depois do sucesso da abordagem, Thiago enviou um print da conversa para Daniel Vorcaro, comemorando com a frase: “Mais um arquivado!”
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