O futuro da medicina reprodutiva se encontrará no Recife com o 30º Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (CBRA), o maior evento do segmento da América Latina, que acontecerá na capital pernambucana entre os dias 9 e 12 de setembro.
O Brasil, como se sabe, não possui uma lei específica aprovada pelo Congresso Nacional que regulamente a reprodução assistida. A prática é orientada por resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) – atualmente, a Resolução CFM nº 2.320/2022 – e por normas da Anvisa. Embora existam projetos de lei em tramitação, o Código de Ética Médica preenche a lacuna regulatória existente.
Leia maisQuestões como quem pode utilizar a reprodução assistida, idade-limite para os procedimentos, gestação, doação de gametas, “barriga solidária”, destino e descarte de embriões, entre outras, geram polêmicas e dilemas, inclusive de natureza religiosa. É para aprofundar essas discussões e promover a troca de conhecimentos sobre os avanços científicos que o CBRA 2026 reunirá palestras, debates, painéis, cursos, workshops, apresentações de trabalhos científicos e mesas-redondas com renomados especialistas brasileiros, além de um grupo de 13 palestrantes de diversos países da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina, já confirmados para compartilhar experiências e conhecimentos.
Na programação, destaca-se uma parceria para cursos exclusivos sobre infertilidade masculina, com Gilberto Almodin. O médico paraense fez história ao ampliar seus estudos após o nascimento do primeiro bebê de proveta, em 1978. Em 1986, obteve sua primeira gestação por fertilização in vitro com uma equipe totalmente brasileira. Também é o criador de uma técnica inédita no mundo, capaz de devolver a fertilidade a mulheres jovens que se tornaram estéreis após tratamentos oncológicos.
“Teremos essas referências mundiais do segmento para enriquecer o debate sobre o que há de mais avançado na fronteira da ciência. A programação acompanha a evolução da medicina reprodutiva nas últimas décadas e dialoga com a medicina dos quatro ‘P’: preditiva, preventiva, personalizada e participativa, em que o cuidado reprodutivo passa a considerar o paciente de forma integral”, explica a médica pernambucana Altina Castelo Branco, referência na área e presidente do congresso.
Segundo Altina Castelo Branco, a escolha do Recife como sede do congresso reforça o protagonismo de Pernambuco na medicina reprodutiva das regiões Norte e Nordeste. O Estado concentra grande parte da infraestrutura especializada da região e abriga clínicas de referência nacional, consolidando-se como um importante polo de atendimento em reprodução assistida. Ao mesmo tempo, especialistas destacam que o acesso aos tratamentos de alta complexidade ainda representa um grande desafio no país. A maior parte dos serviços de reprodução assistida está concentrada na rede privada, enquanto a oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS) permanece limitada a poucos centros especializados.
As inscrições para o CBRA podem ser realizadas por meio do site oficial do evento.
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