Não há explicação para Raquel seguir usando avião UTI
Não há argumento capaz de apagar o fato central dessa história: um avião comprado com dinheiro público para salvar vidas passou a ser utilizado pela governadora Raquel Lyra (PSD) em seus deslocamentos. E, agora, para manter essa prática sem comprometer completamente o atendimento aeromédico do Estado, o Governo tenta contratar, sem licitação, um serviço que poderá custar até R$ 10,7 milhões aos cofres públicos.
A própria iniciativa do governo acaba sendo uma admissão de que a utilização da aeronave para transportar a governadora cria um problema para a rede estadual de saúde. Se fosse possível conciliar as duas finalidades sem prejuízo ao atendimento, simplesmente não haveria necessidade de uma contratação milionária para suprir a ausência da aeronave.
Leia maisO gasto extra nasce justamente porque o avião que deveria estar disponível para pacientes deixa de cumprir integralmente sua missão.
Por mais que o Palácio do Campo das Princesas tente construir justificativas administrativas, existe uma realidade impossível de ser contornada.
Uma UTI aérea não é um avião executivo. Ela foi adquirida para transportar pacientes em estado grave, equipes médicas e órgãos destinados a transplantes. Em situações como essas, minutos fazem a diferença entre a vida e a morte.
Destinar esse equipamento a viagens da governadora significa reduzir a disponibilidade de um recurso essencial justamente quando ele pode ser mais necessário.
EFEITO PERVERSO – O aspecto mais grave é que essa escolha ainda produz um efeito perverso: além de retirar da população um equipamento estratégico da saúde, obriga o Estado a gastar milhões de reais adicionais para recompor um serviço que já deveria estar garantido pela própria estrutura pública. Em vez de preservar a finalidade da aeronave adquirida para salvar vidas, a solução encontrada foi aumentar a despesa do contribuinte.

A população paga caro – A discussão, portanto, vai muito além do uso de um avião oficial. Trata-se de uma decisão administrativa que inverte prioridades. Enquanto pacientes dependem de uma resposta rápida do sistema de saúde, o governo opta por adaptar toda a estrutura pública para acomodar o uso de uma UTI aérea como transporte da governadora. É uma escolha que, por sua própria natureza, não encontra explicação convincente. Quando um equipamento criado para salvar vidas deixa de cumprir exclusivamente essa missão, quem assume o risco é a população.
Condenada e sem Fies – Ex-primeira-dama de Tamandaré, Sari Corte Real, condenada pela morte do menino Miguel Otávio, teve negado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) pedido para receber crédito estudantil integral pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Ela alegou que cumpria os requisitos previstos na lei e nas regulamentações do programa, como renda familiar bruta per capita inferior a três salários mínimos e desempenho acadêmico mínimo exigido pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O acórdão, que de forma unânime negou o pedido de Sari para acessar o financiamento, foi assinado no último dia 25 de junho.
Pagamentos ilegais – Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do STF, determinaram, ontem, que sete Tribunais de Justiça expliquem, em até 48 horas, pagamentos feitos a magistrados após a decisão da Corte que restringiu os chamados “penduricalhos”. Em despachos praticamente idênticos, os ministros exigem o envio das folhas de pagamento dos últimos quatro meses e alertam que eventual descumprimento das determinações do Supremo poderá resultar no afastamento dos presidentes dos tribunais, além da responsabilização penal, civil e disciplinar.

PIX em pauta nos EUA – O PIX entrou, ontem, no centro da audiência promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a proposta de tarifa de 25% contra produtos brasileiros. Representantes do Tesouro americano questionaram especialistas convidados sobre como o sistema de pagamentos instantâneos pode beneficiar empresas dos EUA e quais possibilidades de cooperação poderiam ser estabelecidas. Enquanto os participantes defenderam uma eventual integração entre o PIX e o sistema americano FedNow, o governo Lula (PT) mantém a posição de que a ferramenta é inegociável e deixou o tema de fora das propostas apresentadas a Washington para tentar evitar o tarifaço.
CURTAS
Flávio adia agenda no Recife – O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cancelou a agenda que cumpriria no Recife na próxima quinta-feira (9). Segundo o presidente do PL em Pernambuco, Anderson Ferreira (PL), o parlamentar precisará permanecer por mais tempo nos Estados Unidos. A legenda informou que uma nova data será anunciada em breve. Entre os compromissos previstos estavam um encontro com pastores e o lançamento da pré-candidatura de Silvio Nascimento (PL) ao Senado.
Zema nega bolsonarismo – O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmou que é anti-PT, mas rejeitou ser identificado como bolsonarista. Em entrevista à CNN, disse que apoiou Jair Bolsonaro (PL) em 2022 apenas por oposição ao PT e destacou divergências, especialmente na condução da pandemia. Zema também defendeu um novo julgamento sobre a anistia do ex-presidente e reafirmou confiar nas urnas eletrônicas, embora defenda um mecanismo impresso para auditoria.
Tebet no Direto de Brasília – A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) é a convidada desta terça-feira do meu podcast em parceria com a Folha de Pernambuco, o Direto de Brasília. Recém-filiada ao PSB e pré-candidata ao Senado por São Paulo, ela falará sobre o cenário político de 2026, sua passagem pelo governo Lula (PT), a disputa eleitoral e os rumos do centro político. O programa será transmitido das 18h às 19h pelo YouTube da Folha, pelo blog e por cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste.
Perguntar não ofende: Quem paga a conta de transformar uma UTI aérea em avião oficial?
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