Blog da Folha
A eleição para as duas vagas do Senado em Pernambuco tem deixado de lado a tradição de vínculo entre postulantes à Casa Alta e ao Palácio do Campo das Princesas. Com grupos políticos apoiando nomes de palanques diferentes, cada candidato começa a costurar caminhos próprios para conquistar alianças e angariar votos.
Do mesmo partido da governadora Raquel Lyra (PSD), o prefeito de Itapissuma, Júnior de Irmã Teca (PSD), cravou apoio à reeleição do senador Humberto Costa (PT), que integra a chapa do principal opositor da gestora, o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB).
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Segundo o chefe do Executivo municipal, o apoio ao senador petista estava definido antes mesmo das definições das chapas e foi motivada pela parceria do parlamentar na destinação de recursos.
“A gente já tinha fechado com Humberto Costa porque ele transferiu para Itapissuma, através de emendas parlamentares, R$ 1 milhão. Quando dá a palavra, fica muito ruim voltar atrás, principalmente quando tem gesto para o município todinho. Seria ingratidão. E na política a gente tem que retribuir os gestos”, declarou o gestor.
Júnior justificou que o apoio não representa uma rejeição aos candidatos apresentados pela governadora para disputar o Senado na chapa governista e não enfraquece a gestora perante os eleitores, por avaliar que os investimentos do governo do estado feitos no município influenciam o voto.
O prefeito frisou que declarou apoio ao deputado federal Túlio Gadêlha (PSD), por indicação de Raquel Lyra. “Ela disse: ‘a segunda vaga eu não abro mão’. A gente escolheu Túlio, entre as duas opções postas. Preferi Túlio por ser do meu partido, por ser do PSD”, relatou.
Além de Túlio Gadêlha, a chapa governista inclui o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que foi ignorado nas escolhas de Júnior de Irmã Teca, e do prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro (PSD), herdeiro político da governadora Raquel Lyra no município.
Em entrevista ao SBT News, Gadêlha minimizou a divisão entre candidaturas identificadas com o campo progressista e disse acreditar na eleição de dois senadores ligados ao Lulismo.
“Tenho certeza que elegeremos em Pernambuco dois senadores progressistas que vão ajudar o presidente Lula que vão fazer grandes debates no Senado e que vão sobretudo trazer mais investimentos que faz grandes obras de Pernambuco”, avaliou.
Ao falar sobre o cenário nacional, o deputado alegou que sua candidatura permite uma combinação entre o apoio ao presidente Lula e à governadora Raquel Lyra e afirmou que pretende atuar sem depender de uma composição homogênea para o Senado.
“É um movimento que apoia Lula e apoia Raquel. Eu tenho toda a liberdade de defender o presidente Lula, o campo progressista e a governadora não faria esse convite se não considerasse a importância desse apoio”, avaliou.
Túlio anunciou que apresentaria seus suplentes ontem, mas o evento acabou cancelado. De acordo com informações do Blog Cenário confirmadas pela Folha de Pernambuco, o vice-presidente estadual do PSD, André Teixeira Filho e a ex-deputada Dulci Amorim devem compor a primeira e segunda suplência de Túlio, respectivamente. Ambos teriam sido indicados diretamente pela governadora Raquel Lyra.
A movimentação ocorre em meio a uma fragmentação também na chapa de oposição. Após definir o ex-vereador Abel Cabral como primeiro suplente, a candidata Marília Arraes (PDT), integrante da Frente Popular de Pernambuco, liderada por João Campos, perdeu o apoio de prefeitos e líderes políticos ligados ao presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Álvaro Porto (MDB).
O grupo ainda não definiu para quem irá apoiar no lugar de Marília, mantendo apenas o senador Humberto Costa (PT) como candidato ao Senado.
Candidato avulso pelo PL, o deputado federal Mendonça Filho (PL) é quem pode se beneficiar da fragmentação, atraindo eleitores mais à direita. Ele já acumula o apoio do Podemos e do Novo, além do grupo do presidente do União Brasil em Pernambuco, Miguel Coelho. Todos integram a base da governadora Raquel Lyra.
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