Polarização derrubou qualidade do Congresso Nacional, diz Vital do Rêgo
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
O que domina a política é a capacidade de falar. O Parlamento é um local de troca de ideias e de soluções consensuais. Mesmo na divergência, deve-se chegar a consensos. Mas, no Brasil, a polarização entre o lulismo e o bolsonarismo está impedindo que as casas legislativas cumpram seus papéis de dialogar e de trabalhar pelo povo.
Essa é a opinião do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro Vital do Rêgo. Ele foi o entrevistado de ontem (12) do podcast Direto de Brasília, comandado pelo titular deste blog. Para Vital, a confusão gerada pela polarização levou a extremismos ideológicos, por si só antagônicos, e que apenas atrapalham o País.
Leia maisO presidente do TCU lamentou que, atualmente, o Congresso Nacional esteja parado. “Não existe pauta no Congresso. Sou de um órgão que tem um respeito enorme pelo Congresso e tenho por ele, minha casa por muito tempo, um respeito imenso, até porque sou presidente de uma Casa que é um braço técnico do Congresso Nacional. Vejo com muita tristeza que nós não estamos fazendo política”, declarou Vital do Rêgo.
O presidente é profundo conhecedor do ambiente legislativo. Entrou para a vida pública aos 25 anos e foi vereador, deputado estadual, federal e senador, pela Paraíba. Em 2014, por indicação do Senado, assumiu o cargo de ministro do TCU, algo que considera o “coroamento” da trajetória. Com a experiência de tantos anos na política, ele salientou que Câmara e Senado estão desalinhados com as necessidades do Brasil.
“É complicado para os presidentes das Casas ter uma agenda positiva para o País, uma agenda que construa teses, reformas e faça melhorias que possam atender ao cidadão. Ao fim e ao cabo, o que eu tenho dito sempre no TCU é: o cidadão é quem importa, é a pessoa que importa”, avaliou.
A politização das taxas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil piorou o cenário polarizado, acredita o ministro, prejudicando algumas cadeias dependentes do comércio com o país comandado, atualmente, por Donald Trump. Entre elas, as mangas e uvas do Vale do São Francisco e o pescado. “Essas cadeias precisam ser apoiadas pelo Governo Federal para que tenham condições de desviar os Estados Unidos de suas rotas e não demitam funcionários”, defendeu.
Vital do Rêgo fez um alerta importante**:** não se deve misturar a economia com a política partidária. “A política vive da economia do momento, define resultados de eleições. Mas a economia não pode se juntar com a política partidária nem com a individualização de pessoas. O ex-presidente Bolsonaro (PL) não precisaria que Trump interviesse aqui para garantir os direitos que ele tem, ao estar sendo julgado”, assinalou.
Obras inacabadas – O presidente do TCU falou sobre o painel de obras federais inacabadas criado pelo Tribunal em 2020. Há construções de mais de 20 anos abandonadas. De acordo com Vital do Rêgo, o levantamento é atualizado a cada seis meses e todo ano o TCU recomenda ao Governo Federal as ações necessárias para diminuir o número de obras inacabadas no Brasil. Atualmente, são 11.500 obras paradas, sendo 70% nas áreas da saúde e da educação. “Muitas vezes, a obra está inacabada por falta de fluxo de caixa. Outras vezes, por desvio doloso, e, em outras, por imperfeições funcionais”, relatou.

João mantém vantagem – O prefeito do Recife, João Campos (PSB), vem mantendo a vantagem nas pesquisas em relação à disputa de 2026 contra a governadora Raquel Lyra (PSD). De acordo com levantamento publicado, ontem (12), pela Paraná Pesquisas, João tem 57% das intenções de voto para governador, contra 24% de Raquel. O bolsonarista Gilson Machado aparece em terceiro com 6,2%.
Mas deve manter pé no chão – Apesar da vantagem, o prefeito deve manter a cabeça fria e o pé no chão, porque faltam muitos meses ainda para as eleições. Não pode se deixar levar pelo clima de “já ganhou”, sob risco de escolher estratégias equivocadas. É bom lembrar que os candidatos que apresentavam vantagens nas duas últimas disputas não venceram (Armando Monteiro, em 2018, e Marília Arraes, em 2022). É continuar trabalhando como se fosse o último colocado.
Saída para exames autorizada – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, ontem (12), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a deixar a prisão domiciliar, no próximo sábado (16), para realizar exames médicos. A autorização foi solicitada pela defesa de Bolsonaro. Ele tem apresentado refluxo e sintomas de “soluços refratários”, segundo os advogados. Moraes liberou a realização de exames, mas cobrou atestado de comparecimento do ex-presidente ao Hospital DF Star, em Brasília. As informações são do g1.

Mais peritos para Caruaru – O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), informou que Caruaru (Agreste), sua cidade natal, receberá quatro novos peritos médicos federais para atuar de forma permanente na agência local do INSS. Segundo ele, as nomeações já estão em processo e integram uma agenda nacional de fortalecimento da Previdência Social, na qual Pernambuco está entre os Estados mais contemplados. O objetivo é reduzir filas, agilizar o atendimento e assegurar direitos.
CURTAS
Contra assédio nos aeroportos – Com o tema “Assédio não Decola”, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (RP), deu início, ontem (12), no Aeroporto de Brasília, à campanha para combater o assédio nos aeroportos nacionais e promover a conscientização de passageiros e profissionais sobre como identificar, prevenir e denunciar esse tipo de violência. O evento contou com autoridades dos Ministérios das Mulheres, Direitos Humanos, representantes de concessionárias e da sociedade civil.
Alepe debate criminalização do Brega Funk – A Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular da Alepe vai promover audiência pública sobre a criminalização de festas e eventos de jovens, em sua maioria negros, em espaços públicos e privados. Com o tema “A Criminalização do Brega Funk e da Cultura Periférica: Quando a festa incomoda mais do que a desigualdade”, a audiência seria hoje, mas foi adiada porque recebeu mais inscritos do que o auditório Sérgio Guerra comporta. A iniciativa é de Dani Portela (Psol), que vai soltar nova data.
Um alívio para Raquel – A deputada Débora Almeida (PSDB), governista, foi sorteada pela Comissão de Justiça da Alepe para relatar o novo pedido de empréstimo, no valor de R$ 1,7 bilhão, encaminhado pela governadora Raquel Lyra (PSD) ao Poder Legislativo. A escolha foi recebida com entusiasmo entre os aliados do governo, que veem na nomeação um sinal positivo para a tramitação do projeto.
Perguntar não ofende: Será que hoje, finalmente, o administrador de Noronha, Virgílio Oliveira, terá a indicação aprovada no Plenário da Alepe?
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