Integrei, ontem, o grupo de jornalistas que passaram suas experiências aos estudantes de Jornalismo de faculdades do Recife, João Pessoa e Caruaru no primeiro Festival Nacional de Jornalismo, promovido pela Engenho Comunicação, da jornalista Kátia Cubel, com atuação nacional, com destaques nos mercados de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.
Realizado no auditório da OAB, o evento foi aberto pelo prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), seguido de saudações da presidente da OAB no Estado, Ingrid Zanella, e do superintendente do Banco do Nordeste em Pernambuco, Hugo Luiz de Queiroz. Cubel fez a primeira fala aos jornalistas e de forma muito feliz destacou o papel da imprensa comprometida com o bom e verdadeiro jornalismo.

“O jornalismo é um remédio para as fake news, uma ciência de registro de fatos”, destacou. “A rede social democratizou a informação, mas o jornalismo tem ciência, e a gente precisa realçar isso para manter, para alimentar e destacar perante a sociedade a credibilidade que vem do jornalismo e não das fake news”, acrescentou.
A programação, construída em parceria com acadêmicos e professores de cursos de Jornalismo, refletiu-se no público. Muitos estudantes tiveram a oportunidade de ouvir e interagir com grandes nomes da profissão, como Breno Pires, da revista Piauí; Basília Rodrigues, do SBT News; e o experiente Francisco José, célebre repórter.

Participei de uma mesa sobre a temática do futuro do jornalismo em Pernambuco ao lado da editora-chefe da Folha de Pernambuco, Leusa Santos, e de Laurindo Ferreira, diretor de jornalismo do Sistema de Comunicação Jornal do Commercio (SCJC).

Aos futuros jornalistas, jovens estudantes que lotaram o auditório da OAB, tive a preocupação de centrar minhas ideias em três pilares básicos: o jornalismo analógico e o digital, a vocação para a profissão e a necessidade de ousar num mercado tão competitivo como o de hoje.
Disse que a internet acabou com o conceito de jornalistas nacionais e regionais, porque qualquer veículo, mesmo localizado numa aldeia nordestina, passa a ter relevância se gerar uma notícia de impacto, pelo poder do seu compartilhamento não apenas no Brasil, mas no mundo, graças às ferramentas digitais.

Sobre a mudança do jornalismo analógico para o digital, com o advento da internet, relatei as dificuldades no início de carreira no Diário de Pernambuco nos anos 80, quando as ferramentas mais velozes ao nosso dispor em reportagens que exigiam viagens a locais distantes eram o telex e o fax.
“Hoje, com um smartphone nas mãos faço textos, fotos e vídeos. Instantaneamente, a notícia ganha o mundo no meu blog e pelas redes sociais”, destaquei. Como se tratava de uma plateia com sede de informações sobre o futuro da profissão, deixei uma mensagem em cima da ousadia.
“Agamenon Magalhães dizia que em política feio é perder. No jornalismo, feio é não ousar. Sejam ousados”, preguei, para, em seguida, me colocar como exemplo de alguém que soube ousar ao introduzir no Nordeste o jornalismo digital com a criação do primeiro blog de política na região, há 20 anos.
Também exortei os jovens e futuros jornalistas a lerem muito para entenderem o que é jornalismo e se prepararem para a guerra do mercado de trabalho. Sugeri três livros fantásticos: Chatô, o rei do Brasil, de Fernando de Moraes, Rota 66, a história da polícia que mata, de Caco Barcelos, e 40 anos no ar, do grande e audacioso jornalista Chico José, que roubou a cena no evento com uma palestra sensacional.
O festival foi riquíssimo em conhecimento para os estudantes e trouxe ainda os seguintes painéis: O Papel do Jornalismo, com Breno Pires, da revista Piauí, Carla Egydio, da Ajor, e Patrícia Blanco, do Instituto Palavra Aberta e do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.
O painel “O que o Mercado espera de você” reuniu os jornalistas Eduardo Scolese, da Folha de S.Paulo, Eldo Gomes, do Blog do Eldo, de Brasília, e Felipe Resk, do Diário de Pernambuco, e Rodrigo Rangel, ex-editor do site Platô.
Ainda no painel “Precisão da Informação e o Impacto na Sociedade”, participaram os jornalistas Basília Rodrigues, do SBT News, e Roberta Aureliano, da TV Guararapes.
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