O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estão em empate técnico em um eventual segundo turno da disputa ao Palácio do Planalto, segundo apontou a pesquisa Nexus/BTG, divulgada hoje.
Na simulação, Lula aparece com 47% das intenções de voto contra 44% de Flávio. Brancos, nulos e os que não escolheriam nenhum dos nomes somam 8%, enquanto 1% dos eleitores não souberam ou não responderam.
Comparado ao levantamento anterior, Lula permaneceu estável com os mesmos 47% registrados em 29 de junho. O senador também repetiu o índice da última rodada e manteve seus 44%.
Já em uma eventual disputa direta com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o atual presidente venceria. O petista vai a 47% contra 40% de Zema. Do total de entrevistados 11% disseram votar em branco, nulo ou em nenhuma das opções, enquanto 2% não souberam ou não responderam ao levantamento.
Lula x Ronaldo Caiado
O instituto mediu ainda um confronto direto com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). Nesta configuração, Lula também tem vantagem, com 47% das intenções de voto contra 38% de Ronaldo Caiado. Neste cenário, brancos, nulos e nenhum somam 13%, e 2% não souberam ou não responderam.
Lula x Renan Santos
Em uma última simulação apresentada, Lula pontua 49% contra o coordenador do MBL, Renan Santos (Missão), que aparece com 35%. O cenário também representaria vitória do petista. Os eleitores que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum dos nome representam 14% nesta hipótese. Aqueles que não souberam ou não responderam somam 2%.
Metodologia
A Nexus/BTG entrevistou 2.003 eleitores, entre os dias 10 e 12 de julho, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-07981/2026.
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que o Brasil não pretende continuar como simples vendedor de matéria-prima e quer se tornar exportador de conhecimento, tecnologia e produtos industrializados, uma corrida silenciosa já está redesenhando o controle empresarial das terras raras brasileiras.
Entre os oito empreendimentos mais maduros identificados pelo Capital Digital, apenas um está em produção comercial. Todos são conduzidos, controlados ou estão em processo de integração com grupos estrangeiros, principalmente australianos, canadenses e norte-americanos. Ao redor deles, pelo menos outras 20 frentes de exploração e projetos ainda iniciais revelam a disputa para assegurar, desde agora, direitos sobre áreas consideradas estratégicas.
O Brasil preserva formalmente a soberania sobre seu subsolo, uma vez que os recursos minerais pertencem à União e sua pesquisa e exploração dependem de autorização pública. O que ainda não está assegurado, entretanto, é o controle nacional sobre a cadeia econômica e tecnológica construída a partir desses recursos.
O contraste ganhou força depois de Lula reunir ministros e representantes do setor na sexta-feira (10) e declarar que o Brasil não quer ser apenas vendedor de minerais. Segundo o presidente, a estratégia será transformar o país em exportador de conhecimento e estabelecer parcerias que assegurem pesquisa, processamento e agregação de valor em território nacional.
O diagnóstico preparado para subsidiar a Estratégia Nacional de Terras Raras reconhece exatamente esse risco. O estudo apresentado pelo Ministério de Minas e Energia estima que o Brasil concentra 21 milhões de toneladas em reservas, equivalentes a 23,1% dos recursos globais considerados no documento, mas lembra que o país já extraiu e exportou terras raras no passado sem capturar o valor das etapas industriais posteriores. A repetição do modelo de exportação de recursos pouco processados é apontada como o risco estratégico central.
Corrida regulatória
A pressão sobre as áreas brasileiras aparece com clareza nos dados da Agência Nacional de Mineração. Em 2025, foram protocolados 655 requerimentos relacionados à pesquisa de terras raras. Apenas entre janeiro e 8 de junho de 2026, outros 401 pedidos deram entrada na agência. Os números não representam necessariamente 1.056 empresas diferentes nem o mesmo número de futuras minas, porque uma única companhia pode apresentar dezenas de requerimentos para áreas distintas. Ainda assim, demonstram que a disputa por direitos de pesquisa se intensificou.
O requerimento é apenas o início do processo. O interessado pede à ANM o direito de pesquisar determinada substância em uma área delimitada. Caso obtenha a autorização, deverá realizar trabalhos geológicos, comprovar a existência do depósito, apresentar relatório de pesquisa, demonstrar viabilidade econômica, obter licenciamento ambiental e requerer a lavra. Grande parte dos pedidos nunca chega à produção.
A explosão de protocolos, portanto, não permite afirmar que o Brasil terá centenas de minas de terras raras. Ela mostra outra coisa: companhias estão tentando conquistar prioridade sobre áreas promissoras antes que o governo conclua sua política nacional e antes que a concorrência internacional aumente ainda mais.
O Capital Digital identificou oito projetos com estágio mais avançado, recursos divulgados ou atividade regulatória relevante. Ao redor deles, pelo menos outras 20 iniciativas, depósitos ou frentes exploratórias aparecem em apresentações empresariais, registros minerários e programas de pesquisa. Nem todas possuem recurso mineral formal, estudo econômico ou autonomia suficiente para serem classificadas como grandes empreendimentos. Juntas, porém, demonstram que a ocupação das novas fronteiras minerais já se estende por Goiás, Minas Gerais, Bahia, Amazonas, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
Nos projetos mais avançados, a extração poderá ocorrer em território brasileiro, mas parte das etapas que concentram maior valor, como separação química, purificação, fabricação de metais, ligas e ímãs permanentes, já está sendo projetada para os Estados Unidos ou para outras instalações no exterior.
Fica a indagação, neste caso: como o governo brasileiro tratará esses empreendimentos levando em conta as informações acima e o desejo de atrair investimentos estrangeiros para o país, na cadeia de maior valor comercial (separação química, purificação, fabricação de metais, ligas e ímãs permanentes)? Clique aqui e confira a matéria completa.
Esta semana, meu podcast ‘Direto de Brasília’, em parceria com a Folha de Pernambuco, terá dupla exibição. Amanhã, como de costume, vai ao ar a entrevista com o ex-governador do Piauí, Hugo Napoleão, que também já foi ministro e senador. Na quarta-feira, a convidada é a líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).
Na pauta de Napoleão, o cenário nacional e o lançamento do seu novo livro autobiográfico, marcado para o próximo mês, “O Parnaíba Tem Feitiço (A Vida de um Piauiense)”. A obra reúne memórias pessoais e políticas do autor, que construiu uma trajetória marcante na vida pública brasileira, narrando episódios de sua infância, formação e das décadas dedicadas ao serviço público.
Nascido em Portland, nos Estados Unidos, Napoleão é advogado. Foi duas vezes senador, três vezes deputado federal, três vezes ministro de Estado e, por dois mandatos alternados, governador do Piauí. Atualmente, ele é filiado ao Partido Social Democrático (PSD) e pertence à Academia Piauiense de Letras (APL).
Na pauta da nova líder do Governo na Casa Alta, as pautas-bombas colocadas em votação pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o distensionamento da relação de Alcolumbre com o presidente Lula e as eleições.
Teresa é professora, pedagoga e sindicalista. Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi deputada estadual por cinco mandatos em Pernambuco. Formada em Pedagogia pela Universidade Católica de Pernambuco, em 1975, iniciou sua carreira profissional na rede estadual de ensino. Ingressou no movimento sindical em 1984 como diretora da Associação dos Orientadores Educacionais de Pernambuco (AOEPE). Em 1993, foi eleita presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe).
Filiada ao PT desde 2000, foi eleita em 2002 à Assembleia Legislativa de Pernambuco com 23 mil votos. Sendo reeleita em 2006 com 37 mil votos, 2010 com 39 mil, 2014 com 38 mil e em 2018 com 31 mil votos. Na Assembleia, presidiu a Comissão de Educação e Cultura da casa. Nas eleições de 2022, foi eleita senadora por Pernambuco, tornando-se a primeira mulher da história a representar o estado no Senado Federal.
O Direto de Brasília vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, incluindo também cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste.
Retransmitem o programa a Gazeta News, do Grupo Collor, em Alagoas, a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras, na Paraíba, e a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid. Ainda a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras naquele Estado, além da LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são o Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
Dedico este artigo ao meu colega o lindo poeta Luís de Camões, o Lula, que era apaixonado os cinco pneus, inclusive o pneu estepe, por Inês posta em sossego
MONTANHAS DA JAQUEIRA – A bola continua rolando até o domingo 4 de outubro, o primeiro tempo das eleições presidenciais. Dizem que é uma vergonha perder para a remada viking de Haaland. Falso. Vergonha é saber que o crime organizado e o crime avulso se alastram em todos os cantos onde canta o carcará e onde cantava o sabiá. Vergonha é observar que a guarda pretoriana da corrupção já está remando em favor dos gângsters do Master e do INSS, assim como ocorreu na operação LavaJato.
O viking norueguês Haaland confessou que, fora dos gramados, gostaria de viver numa fazenda, dirigir um trator na lavoura e alimentar suas vacas leiteiras.
O sonho de consumo dos cafuçus do football é cobrir o corpo de tatuagens, desfilar numa Ferrari envenenada, viver cercado de periguetes e cair na gandaia ao som de um funk da pesada, sempre doidão.
Esta é a diferença de culturas.
Qual o projeto de Nação dos Vikings do poder em Pindorama? Nenhum. O projeto da seita vermelha é distribuir o Bolsa Família em substituição aos empregos, o Gás do Povo, Pé-de-Meia, manipular os índices do IBGE e endividar os alunos do Fies. E mais, bancar bilhões em emendas parlamentares, fomentar a criação de Bets, ampliar o déficit público e abafar os escândalos de corrupção.
Coitado do nosso Brazil! Atualmente com quase 200 anos de idade, o aiatolá do cordão encarnado pretende perpetuar-se no poder para consolidar o legado da dinastia vermelha.
Egresso das cavernas, analfabeto de nascença, o guru da seita vermelha foi adotado pela onda politicamente correta como mascote à prova de tempestades e escândalos, ou seja, menas a verdade, como diz Sua Excelência. Os doutores das universidades beijam suas mãos e o consideram mais sábio que os filósofos gregos, o novo Sócrates, que dizia “só sei que nada sei”. Os doutores das leis o absolvem de todos os pecados, até o pecado original do Petrolão.
Flávio Bolsonaro é o adversário dos sonhos do vermelhão para manter acesa a chama da polarização. Se o patriarca Jair tivesse um pingo de juízo teria apoiado o governador paulista Tarcísio de Freitas como o nome preferencial dos conservadores. Mas, Tarcísio foi preterido na cara dura para Flávio segurar a flâmula do clã. Em segunda opção, o governador Caiado seria um osso duro de roer para as esquerdas. Caiado é agro, o touro é valente.
Mas, agora é tarde, Inês é morta, como diria meu colega o poeta Luís de Camões, o Lula. Os conservadores apostam todas as moedas no segundo turno, na cogitada união de Flávio, Caiado e Zema. Em sendo Flávio um pato manco, o vermelhão também é manco, a começar pela idade. A diferença é que as esquerdas contam com a indulgência do sistema. O vermelhão é o próprio sistema, o vermelhão é um dilúvio, um dilúvio em forma de gente.
Nos bastidores, a disputa pela composição da chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), especialmente em torno da vaga para o Senado, começa a levantar uma nova dúvida: Priscila Krause seguirá como candidata a vice-governadora diante de tamanha desarrumação?
Há quem avalie que toda a pressão e os impasses na montagem da chapa podem acabar respingando justamente sobre Priscila. Entre aliados e observadores da cena política, cresce a percepção de que, diante da necessidade de acomodar interesses partidários, a governadora acabe sacrificando a herdeira política do ex-governador Gustavo Krause.
A hipótese chama atenção porque Priscila abriu mão de seu próprio projeto político em 2022 para fortalecer a candidatura de Raquel ao Governo do Estado. Desde então, assumiu funções e missões relevantes ao longo da gestão. Uma eventual retirada de seu nome da chapa teria custos políticos e poderia ser interpretada como um gesto de pouca lealdade com uma aliada de primeira hora.
Nos bastidores, também se comenta que o ex-governador Gustavo Krause, pai de Priscila, já teria sinalizado que veria com forte desagrado uma decisão dessa natureza. Ainda assim, interlocutores lembram que Raquel Lyra tem um histórico de tomar decisões sem se deixar constranger por pressões políticas ou pessoais.
Por enquanto, não há qualquer definição oficial sobre mudanças na vice, inclusive comentários em reserva recentes da governadora indicam que Priscila continua sendo tratada como favorita para permanecer na chapa, embora a composição final ainda dependa das negociações políticas em curso.
PESQUISA DESFAVORÁVEL – Mesmo contratada pelo ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, através do União Brasil, partido que preside no Estado, o levantamento do Paraná Pesquisas, com Raquel apenas quatro pontos de vantagem ante João Campos (PSB), o que configura empate técnico, foi recebido sem entusiasmo pela gestora e seus aliados por um motivo muito simples: diante da avalanche de propaganda que a governadora fez nos últimos três meses, culminando no último dia 4, quando a legislação eleitoral impõe restrições, era esperada uma diferença muito maior, superior a dez pontos. A partir de agora, sem poder participar de eventos administrativos nem fazer propaganda, o jogo zerou.
Lavou as mãos – Depois de uma conversa, sábado passado, de mais de duas horas com Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, que disputam a vaga da Federação Progressista para o Senado na chapa governista, Raquel Lyra (PSD) deu uma de Pilatos: lavou as mãos e jogou o abacaxi para a direção nacional da federação. Caberá a Ciro Nogueira e Antônio Rueda, que dividem o poder de mando no colegiado, escolher o nome e comunicar a ela. E pediu pressa. Disse que não aguenta mais tamanha chafurdação.
Cotação para suplência – André Teixeira, ex-secretário estadual de Mobilidade e Infraestrutura, deve ser o primeiro-suplente do candidato ao Senado na chapa de Raquel, Túlio Gadelha, segundo revelou, ontem, a colunista Renata Bezerra de Melo, do DP. Já o deputado federal e empresário Luciano Bivar (MDB) está em alta para a primeira-suplência do senador Humberto Costa (PT).
Na redes, Bolsonaro bate Lula – O senador Flávio Bolsonaro registrou um crescimento de 36,4% em sua base digital no 1º semestre de 2026. Ele acumulou 5,6 milhões de novos seguidores de janeiro a junho. Segundo levantamento da Agência Bites, o crescimento foi impulsionado principalmente em janeiro, depois da confirmação de sua pré-candidatura ao Planalto pelo PL. Isso significa um desempenho três vezes superior ao do presidente Lula, que no mesmo período obteve um ganho de 1,9 milhão de seguidores, um crescimento de 5,1%.
A poderosa Olga – Um dos desafios enfrentados por Raquel Lyra desde o início de seu governo foi a percepção de distanciamento e a dificuldade de transmitir espontaneidade e empatia. Por isso, recorreu a poderosa Olga Curado, infalível na preparação de lideranças políticas no campo da comunicação. Seu trabalho vai além da preparação para entrevistas: envolve comportamento, linguagem corporal, comunicação não verbal e a identificação de características pessoais que podem ser ajustadas para melhorar a conexão com o público. Daí a razão da mudança de postura e comportamento da governadora pelas redes e no contato físico.
CURTAS
O ÚNICO – Em carta ao filho, tornada pública no fim de semana pelo pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi claro ao afirmar que Flávio é seu porta-voz, o único autorizado a falar em seu nome, encerrando qualquer especulação ou tentativa de criar divisões.
FRAGILIDADE – O pré-candidato à Presidência do PSD, Ronaldo Caiado, considerou que a carta de Bolsonaro foi sinal de “extrema fragilidade” da campanha de Flávio. Empatado tecnicamente em terceiro lugar com Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), o ex-governador de Goiás tem intensificado críticas ao filho do ex-presidente para tentar alavancar a própria candidatura na direita.
PODCAST DUPLO – Conforme ocorreu na semana passada, quando entrevistei a ex-ministra Simone Tebet (PSB), na terça, e o governador do Ceará, Elmano de Freitas(PT), na quarta, esta semana também será de duplo podcast Direto de Brasília, parceria deste blog com a Folha de Pernambuco: amanhã, o ex-governador do Piauí, Hugo Napoleão (PSD), e na quarta a líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT).
Perguntar não ofende: Quando haverá fumaça branca nas Princesas do conclave para o Senado na chapa de Raquel?
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) enviou uma petição ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em que solicita o cancelamento da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e sua transferência ao regime fechado. A ação diz que o ex-presidente descumpriu medidas cautelares ao escrever uma carta, que foi lida pelo seu filho, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). A ação também pede que Flávio pague uma multa de R$ 100 mil por “ato atentatório à dignidade da justiça”.
Bolsonaro está preso desde o ano passado após ser condenado por liderar uma trama golpista contra o resultado da eleição presidencial de 2022. Ele também cumpre uma série de medidas restritivas, uma delas é não se manifestar por meio das redes sociais. As informações são do jornal O Globo.
Em mais um capítulo da crise que sua campanha ao Palácio do Planalto enfrenta por divisões no bolsonarismo, Flávio leu ontem uma carta assinada pelo pai, na qual ele se refere ao filho como seu “porta-voz” e pede apoio à sua pré-candidatura ao Planalto.
O texto atribuído ao ex-presidente, que está em prisão domiciliar pela tentativa de golpe de Estado, não menciona a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), com quem Flávio vem trocando farpas nas últimas semanas.
Na petição, Lindbergh diz que a carta contraria a proibição, determinada pelo STF, de Jair Bolsonaro se manifestar por meio das redes sociais, seja diretamente ou por meio de aliados “A vedação à utilização de redes sociais por interposta pessoa, ademais, já havia sido delimitada por Vossa Excelência (Alexandre de Moraes) em termos que não comportam qualquer dúvida interpretativa: a medida, sob pena de imediata revogação e decretação da prisão.”
O deputado do PT diz ainda que a “redação de carta destinada à leitura pública em transmissão ao vivo nas redes sociais de terceiro é exatamente a hipótese que as decisões deste Juízo buscaram coibir, com advertência expressa das consequências do descumprimento”.
A carta foi divulgada por Flávio, que visitou o pai ontem, durante um pronunciamento transmitido em seu canal no YouTube. No texto, Bolsonaro pede a todos para “deixar de lado as possíveis diferenças” e apoiar seu filho. “O momento é de arregaçar as mangas, deixar de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro. A melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”, diz a carta lida pelo senador.
Na sequência do texto, Bolsonaro se refere ao Flávio como “meu pré-candidato” e “meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”. Após a leitura, Flávio indicou que a carta é um recado do pai para seus aliados. Segundo o senador, o objetivo é barrar movimentos paralelos à sua pré-candidatura.
Lindbergh criticou o conteúdo da carta na ação enviada a Moraes: “O conteúdo da carta possui natureza político-eleitoral, tendo em vista que nela o apenado designa o Senador Flávio Bolsonaro como seu “porta-voz”; declara apoio expresso à pré-candidatura do filho à Presidência da República; e conclama seus apoiadores à união em torno dessa pré-candidatura, qualificando-a como a melhor opção para o país”.
Em mais uma série de agendas pelo interior de Pernambuco, a pré-candidata ao Senado, Marília Arraes (PDT), esteve, hoje, no Agreste, ao lado dos pré-candidatos ao Governo de Pernambuco, João Campos, e a vice-governador, Carlos Costa. Eles participaram de um encontro com loteiros, em Tacaimbó, e receberam apoio de lideranças de Pesqueira, em um evento comandado pelo Delegado Rossine, um dos principais nomes da política local. No final da noite, Marília prestigiou a 34ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns.
Durante o encontro com integrantes da Associação de Toyoteiros e Loteiros, Marília defendeu a valorização dos trabalhadores e a adoção de políticas públicas que garantam o fortalecimento das condições de trabalho da categoria, que presta um tipo de serviço de grande importância para a população do interior. “Perseguir os toyoteiros, os loteiros, é perseguir o trabalhador mais humilde, aquele que acorda cedo para garantir o sustento da família e que também depende desse transporte para exercer o seu direito de ir e vir. Essa é uma escolha política: ou se governa para quem concentra privilégios ou se governa para quem vive do próprio trabalho. Eu escolhi estar ao lado do povo. Foi isso que o presidente Lula fez ao colocar os brasileiros mais pobres no centro das prioridades do país, e é esse compromisso que queremos fortalecer em Pernambuco, com mais investimentos, respeito aos trabalhadores e oportunidades para quem mais precisa”, afirmou.
Na sequência, o trio majoritário seguiu para Pesqueira, onde participou de um grande encontro liderado pelo Delegado Rossine, uma das principais lideranças do município. Durante o ato, Rossine oficializou o apoio político dele e de seu grupo à pré-candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco e à pré-candidatura de Marília Arraes ao Senado.
Muito aplaudida pelo público, Marília destacou a importância da eleição de uma bancada progressista comprometida com a governabilidade do presidente Lula e com a defesa de políticas públicas voltadas à população, ressaltando a necessidade de fortalecer o campo democrático diante dos desafios enfrentados pelo país. “Não basta eleger um presidente comprometido com o povo. É preciso eleger um Congresso que caminhe na mesma direção. Quem tenta enfraquecer o presidente Lula está enfraquecendo as políticas que garantem emprego, comida na mesa, investimentos e oportunidades para o povo brasileiro. Pernambuco pode dar uma resposta clara: eleger uma bancada progressista, democrática e comprometida em derrotar de vez o projeto de retrocesso representado pelo bolsonarismo”, concluiu.
O prefeito de Surubim, Cleber Chaparral (União Brasil), comentou pela primeira vez os rumores sobre uma possível mudança de posicionamento político para as eleições estaduais de 2026. Em entrevista exclusiva ao comunicador Jota Santos, no programa Microfone Aberto, na noite da última sexta-feira (10), durante evento em Casinhas, o gestor confirmou que se reuniu semana passada com o deputado federal e ex-ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), e afirmou que o futuro político do seu grupo dependerá da definição sobre a candidatura de Miguel Coelho (União Brasil) ao Senado.
Segundo Chaparral, durante o encontro também conversou por telefone com o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB). Apesar disso, ressaltou que a prioridade, neste momento, é aguardar o desfecho das articulações envolvendo a Federação União Progressista, que definirá quem ocupará a segunda vaga ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD). “Eu disse ao deputado Silvio Costa Filho que tenho um líder, que se chama Miguel Coelho. Juliana [sua esposa e pré-candidata a deputada federal pelo União] tem essa parceria com Miguel e estamos aguardando essa definição para vermos qual decisão iremos tomar daqui para frente”, afirmou.
Questionado ainda por Jota Santos sobre a possibilidade de deixar a base da governadora e migrar para o palanque de João Campos caso Miguel não seja confirmado na chapa, Chaparral admitiu que o cenário permanece em aberto. “Com certeza, tudo pode acontecer, inclusive nada. Na política tudo é possível”, respondeu. O prefeito destacou, no entanto, que qualquer decisão terá como prioridade os interesses de Surubim.
A ex-prefeita de Casinhas e pré-candidata a deputada federal, Juliana de Chaparral (União Brasil), prestou uma homenagem ao município neste domingo (12), data em que a cidade celebra 31 anos de Emancipação Política. A mensagem foi publicada em suas redes sociais por meio de um vídeo, no qual relembrou sua trajetória administrativa.
“Toda transformação vivida por Casinhas carrega uma história feita de amor, dedicação e muito trabalho. Porque quando a gente ama, a gente cuida. E quando a gente cuida de verdade, o cuidar deixa de ser uma obrigação e passa a ser uma missão. Porque nenhuma obra vale pelo concreto, mas pelas vidas que transforma”, declarou a ex-prefeita.
Por fim, Juliana agradeceu ao povo casinhense. “Essa história nunca foi construída sozinha. Ela foi escrita por mãos simples e coração gigante. Parabéns, minha amada Casinhas! Obrigada por me ensinar todos os dias que amar uma cidade é, acima de tudo, cuidar das pessoas que vivem nela. Cada um de vocês está presente na minha mente e no meu coração”, concluiu.
Por Jorge Henrique Cartaxo* Do Correio Braziliense
“Nós moramos, desfrutamos de uma imensa, fabulosa, magnificente arquitetura. Ninguém passa incólume pela Esplanada dos Ministérios. Se formos a cada edifício, a cada capricho arquitetônico do Niemeyer, contemplamos uma obra de arte enorme…nós somos protagonistas disso também. Quem nasce em Brasília, já nasce no meio de uma obra de arte. Depois, é o seguinte: Brasília é um tambor onde ressoa toda a problemática brasileira. Temos o Congresso, o Judiciário e o Poder Executivo, a presidência da República. Os Três Poderes moram aqui. Isso produz um tipo de cultura vis a vis com a alma da nação. Toda a problemática brasileira ressoa no Congresso Nacional…o fato de Brasília ter sido partejada pelas câmeras do cinema, a fez umbilicalmente ligada à cultura universal. Não existe outra capital no mundo que tenha surgido assim e com essa força extraordinária da arquitetura. O projeto urbanístico de Lucio Costa é maravilhoso! Um avião que não é avião, mas que pode ser uma cruz, pode ser o descobrimento, a primeira missa…tudo está aqui! A essência de Brasília, o charme de Brasília que é enorme!”
Assim Vladimir Carvalho descreveu o seu encantamento com a nossa cidade, na sua última entrevista, em vida, para a jornalista Marcia Zarur, na Fundação Cinememória, no dia 5 de outubro de 2024. Ele viria a falecer 19 dias depois, no dia 24. Vladimir Carvalho chegou em Brasília em 1970, convidado pelo professor e amigo Fernando Duarte, para montar, na Universidade de Brasília (unB), o centro de produção de documentários.
O projeto nunca se viabilizou exatamente, mas Vladimir acabou ficando no Planalto, onde viveu por mais 54 anos. Aqui ele foi professor na UnB, se consolidou como um dos maiores documentaristas do Brasil e, last but not least, fez valer a sua aura de um militante convicto e consistente de dois valores básicos que abraçaram parte expressiva da inteligência ocidental no pós-guerra: a liberdade e a justiça social. Provocações e denúncias estavam, e estão, em todas as suas películas.
Vladimir produziu uma grande obra em qualidade, não exatamente em quantidade, pouco mais de 20 documentários (com vários prêmios em Brasília). Ao contrário da tradição europeia, o cinema no Brasil optou pelo entretenimento hollywoodiano em detrimento da memória e da história. Especificamente em relação a Brasília — o trabalho de Vladimir é muito significativo também no Nordeste — ele realizou pelo menos três grandes documentários: “Conterrâneos Velhos de Guerra”, “Barra 68” e “Rock Brasília – Era de Ouro”. Nessas três obras ele sublinha a sua extraordinária participação na construção da identidade e no sentido de pertencimento à Civita, Urbs e Pólis concebida por Lucio Costa.
Em “Conterrâneos Velhos de Guerra”, Vladimir nos oferece a feição da epopeia da construção de Brasília sob a perspectivas dos 50 mil trabalhadores que se apinharam no canteiro de obras e nos aglomerados humanos improvisados dos seus arredores. As cenas mais fortes do documentário trazem a ação violenta da Guarda Especial de Brasília nos alojamentos da construtora Pacheco Fernandes Dantas, no carnaval de 1959, e a tensa entrevista com Oscar Niemeyer sobre o episódio.
No “Barra 68 – Sem Perder a Ternura”, ele narra a construção do grande e inovador projeto da UnB conduzido por Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira. O filme traz, ainda, o impacto dos governos militares no seu esforço de destruição da nova universidade, com destaque para a violenta invasão pelo Exército do campus em 1968, quando foram presos mais de 500 estudantes com a consequente e expressiva demissão de professores. Em “Rock Brasília – A Era de Ouro”, oferece para a cidade, com a sensibilidade de Vladimir Carvalho, a mais importante e visível manifestação cultural da juventude brasiliense na década de 1980. As bandas Capital Inicial, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Plebe Rude, mostraram a sua força, irreverência, poesia e talento para o Brasil.
Vladimir Carvalho nasceu em Itabaiana, na Paraíba, em 1935, numa antiga e próspera região de grande comércio de gado, um centro boiadeiro. Em 1945, para continuar os estudos, vai para Recife. Em 1949 voltou para a Paraíba, agora em João Pessoa, onde o pai, comerciante, havia se estabelecido. No final da década de 1950, com apenas 15 anos, ele dirigia um programa de rádio — Luzes do Cinema — e escrevia crítica de cinema nos jornais da cidade. Nesse mesmo período foi convidado por Linduarte Noronha para escrever o roteiro de Aruanda — obra inaugural do que viria ser posteriormente o chamado Cinema Novo.
Em 1962, depois de realizar com o amigo João Ramiro o documentário “Romeiros da Guia”, Vladimir vai para Salvador terminar o curso de Filosofia na universidade. Na Bahia ele conhece e fica amigo de Glauber Rocha, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Orlando Senna, Torquato Neto, e Álvaro Guimarães. Foi também na Bahia que ele ingressou no Centro Popular de Cultura, e iniciou, como assistente de Eduardo Coutinho, a realização de “Cabra Marcado para Morrer”.
Ainda em companhia de Coutinho, Vladimir foi conhecer as filmagens de “Os Fuzis”, de Ruy Guerra. Com o golpe de 1964, suas atividades foram interrompidas e a perseguição dos militares o levou à clandestinidade. Em 1965, agora no Rio de Janeiro, Vladimir foi assistente de Arnaldo Jabor e se dedicou, na maior parte do tempo, ao jornalismo no Diário de Notícias. Em 1969, apresentou o filme “A Bolandeira” no Festival de Cinema de Brasília. O documentário recebe um dos prêmios e ele reencontra o amigo Fernando Duarte. O paraibano vira Candango. Brasília recebe e acolhe o mestre edificante, refinado, exemplar e admirável memorialista, artesão poético das películas!
A Fundação Cinememória, que abriga o majestoso acervo museológico de Vladimir Carvalho, será realocada para a Casa da América Latina, da UnB. Uma iniciativa do Coletivo Editorial Maria Cobogó, que provocou o IPHAN, que levou a proposta para a UnB. A professora Rozana Naves, reitora da UnB, vem conduzindo com elogiável zelo e cuidado esse projeto especial da memória da nossa cidade e do Brasil. Bravo!
*Jornalista, mestre em história pela Universidade Paris-Sorbonne
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG), por suspeita de desvio de emendas parlamentares. A decisão, tornada pública neste domingo (12), aponta que a servidora pública Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, desempenhava o papel de “consultora, facilitadora e implementadora” das demandas repassadas por Cunha.
Mariângela está envolvida em outras duas investigações que miram o chamado “orçamento secreto” do Congresso: uma que apura o envolvimento do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, deflagrada nesta semana; e outra ação executada pela PF (Polícia Federal) em dezembro de 2025, no âmbito da Operação Transparência, que mirou o deputado Arthur Lira (PP-AL), do qual a investigada é ex-assessora. As informações são da CNN Brasil.
“Fialek dominava procedimentos, sistemas e fluxos administrativos essenciais ao fracionamento, remanejamento e justificativa formal das emendas, o que lhe conferia capacidade concreta de materializar decisões tomadas fora do processo parlamentar regular”, aponta o documento que autoriza a operação.
Conhecida entre os investigados como “Tuca”, Mariângela trabalha na Câmara dos Deputados há aproximados seis anos e desempenhava funções na organização técnica do orçamento. Em dezembro de 2025, foram realizadas buscas na casa e no local de trabalho da servidora, que teve seu celular examinado pela PF.
“O material examinado apresenta indícios robustos de peculato-desvio praticado por servidora com domínio da etapa interna de alocação de emendas, em concurso com terceiro não detentor de cargo público, que teria induzido e dirigido o resultado, valendo-se de sua influência partidária”, diz a nova decisão.
Mariângela, 51, nasceu em União da Vitória (PR), é advogada formada pela PUC/RS e mestra em Direito do Estado pela Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo). Segundo apontou sua defesa, ela integrou o Poder Executivo por quase uma década, tendo inclusive desempenhado a função de Assessoria na Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil no governo Lula, em 2003.
Também ocupou a Subchefia de Assuntos Parlamentares no Governo Temer e foi assessora parlamentar do Ministério de Desenvolvimento Regional no governo Bolsonaro. A servidora ainda trabalhou no Senado da República por 10 anos, desempenhando a função de assessoria jurídica da Liderança dos Governos Lula e Dilma.
Em nota enviada à imprensa na última sexta-feira (10), a defesa de Mariângela Fialek afirmou que a sua atuação era “estritamente técnica, apartidária e impessoal” e destacou que não se atribui à servidora “a prática de nenhuma irregularidade funcional ou criminal”.
A defesa do ex-deputado Eduardo Cunha também emitiu uma nota afirmando que o ex-deputado “desconhece qualquer irregularidade na tramitação das emendas” e que “rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar”.
Leia a íntegra abaixo:
A defesa de Eduardo Cunha tomou conhecimento, pela imprensa, da decisão divulgada neste domingo e esclarece que, antes da decretação do bloqueio patrimonial, não havia sido intimado, ouvido ou chamado a prestar qualquer esclarecimento no âmbito dessa investigação.
Eduardo Cunha não exerce mandato parlamentar e, portanto, não apresentou, subscreveu ou formalizou nenhuma das emendas mencionadas nas reportagens. Ao contrário. Conforme pode-se observar, elas foram oficialmente apresentadas e indicadas por parlamentares, bancadas ou órgãos legitimados, únicos que possuem competência sobre o processo orçamentário.
Eduardo Cunha sempre pautou sua vida publica pelo compromisso ético e probidade, respeitando as normas legais, inclusive, enquanto exerceu seu mandato parlamentar.
Deste modo, a defesa rejeita a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar.
É igualmente necessário esclarecer que o montante de R$ 6,15 milhões corresponde ao valor global das emendas questionadas, destinadas a municípios ou outros beneficiários públicos, e nem mesmo a decisão imputa recebimento de qualquer vantagem a Eduardo Cunha.
Eduardo Cunha desconhece qualquer irregularidade na tramitação das emendas. Cabe ressaltar que a própria PGR considerou prematuro o bloqueio das contas de Eduardo Cunha.
A defesa buscará acesso integral à investigação a fim de conhecer o contexto completo dos fatos, exercer o contraditório e impugnar as medidas decretadas.
A Polícia Federal afirmou, em representação ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que as provas coletadas pelas investigações apontam que a servidora da Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek, tinha aval do presidente da Câmara, Hugo Motta, para atuar na indicação de emendas parlamentares por Eduardo Cunha (Republicanos), que não ocupa mandato parlamentar.
Procurado, Motta ainda não se manifestou. Ontem (11), o presidente da Casa já havia dito que a decisão de Dino que bloqueou bens do chefe do PL, Valdemar Costa Neto, fruto da mesma investigação, era uma tentativa de “criminalizar a política”. As informações são do jornal O Globo.
No documento, citado pelo ministro Flávio Dino, a corporação aponta que a existência de indícios que sustentam a tese de que Fialek, conhecida como Tuca, atuava sob ordens da presidência da Câmara. “Tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Cunha, intensificando um altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”, afirma a PF.
No documento produzido pelos investigadores, a Polícia Federal argumenta que o conjunto de elementos coletados, como a interceptação de diálogos mantidos entre Tuca e Cunha, revelam que o ex-presidente da Câmara operava com poderes equivalentes ou até superiores aos de parlamentares em exercício, interferindo no direcionamento de recursos federais sem qualquer autorização institucional.
“Isso revela um quadro de gravíssimo desvio de finalidade, pois as emendas, criadas para atender demandas legítimas de representantes eleitos, acabam subordinadas a um esquema informal coordenado por quem não mais responde ao eleitorado, ao Parlamento ou às regras republicanas de transparência”, dizem os investigadores.
Na decisão, Dino determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens do ex-deputado federal Eduardo Cunha em uma investigação que apura o desvio de emendas parlamentares da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. A decisão, assinada em 6 de julho, também suspendeu imediatamente a execução de todas as despesas públicas ligadas às emendas sob suspeita.
Todas as emendas identificadas pela Polícia Federal foram empenhadas no final de 2025, quando Hugo Motta já ocupava a presidência da Casa. “Consoante atestam diálogos em aplicativos de mensagens e numerosas planilhas compartilhadas entre os investigados, Eduardo Cosentino da Cunha, sem exercer mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos, especialmente em prol de sua anunciada campanha ao cargo de Deputado Federal pelo Estado de Minas Gerais”, escreveu Dino.
Ontem (11), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reagiu àinvestigação contra Valdemar Costa Neto, afirmando que a Polícia Federal estaria tentando criminalizar a atividade política. Na decisão assinada no último dia 6, o ministro Flávio Dino afirmou que não se trata de afirmar que toda irregularidade administrativa configure, por si só, algum ilícito criminal, mas defendeu que a falta de rastreabilidade do dinheiro público gera indícios de possível peculado ou desvio.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) decidiu deixar a equipe que auxilia o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a formular um plano de governo. A decisão foi confirmada pela própria em entrevista ao Metrópoles, dias após ela denunciar ataques misóginos de bolsonaristas na esteira do racha familiar entre a aliada Michelle Bolsonaro (PL) e o enteado.
A ex-ministra de Jair Bolsonaro (PL) havia sido convidada para as discussões sobre a área de direitos humanos do plano de governo. Na entrevista, Damares deixou em aberto uma possível colaboração futura caso Flávio seja eleito em outubro. “Já fiz o que era preciso no primeiro momento. Depois a gente volta a ajudar no governo de transição”, disse. A senadora destacou ter sido “atacada diretamente pelo time da direita” e confirmou que Flávio não a procurou novamente desde a escalada da crise. “Ele está correndo”, minimizou. As informações são do jornal O Globo.
No início de julho, Damares revelou ter sido alvo de uma onda de ataques nas redes sociais. As declarações foram feitas durante reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, presidida pela própria parlamentar, um dia depois de Michelle anunciar que deixaria a presidência do PL Mulher em meio à crise com Flávio — em vídeo, a mulher de Jair Bolsonaro (PL) afirmou que o senador a maltratou e desrespeitou.
Segundo Damares, os ataques ultrapassaram as críticas políticas e passaram a atingir sua vida pessoal e sua família. “Essa semana eu tenho sido vítima dos mais terríveis ataques (…) Disseram que vão matar minha filha. Inclusive eles fazem imagens de como vão matar a minha filha. A minha filha é uma menina indígena. Eu sou mãe de uma menina indígena. E eles simulam imagens que estão empalando a minha filha, que estão decapitando ela. É uma violência política que a gente não consegue imaginar”, afirmou, na ocasião.
Após o discurso, Damares afirmou ao jornal O Globo que a bancada feminina do Senado passou a avaliar a adoção de medidas institucionais diante dos episódios recentes de violência política contra mulheres, independentemente de uma manifestação formal das vítimas.