No impasse da chapa, Priscila pode dançar?
Nos bastidores, a disputa pela composição da chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), especialmente em torno da vaga para o Senado, começa a levantar uma nova dúvida: Priscila Krause seguirá como candidata a vice-governadora diante de tamanha desarrumação?
Há quem avalie que toda a pressão e os impasses na montagem da chapa podem acabar respingando justamente sobre Priscila. Entre aliados e observadores da cena política, cresce a percepção de que, diante da necessidade de acomodar interesses partidários, a governadora acabe sacrificando a herdeira política do ex-governador Gustavo Krause.
Leia maisA hipótese chama atenção porque Priscila abriu mão de seu próprio projeto político em 2022 para fortalecer a candidatura de Raquel ao Governo do Estado. Desde então, assumiu funções e missões relevantes ao longo da gestão. Uma eventual retirada de seu nome da chapa teria custos políticos e poderia ser interpretada como um gesto de pouca lealdade com uma aliada de primeira hora.
Nos bastidores, também se comenta que o ex-governador Gustavo Krause, pai de Priscila, já teria sinalizado que veria com forte desagrado uma decisão dessa natureza. Ainda assim, interlocutores lembram que Raquel Lyra tem um histórico de tomar decisões sem se deixar constranger por pressões políticas ou pessoais.
Por enquanto, não há qualquer definição oficial sobre mudanças na vice, inclusive comentários em reserva recentes da governadora indicam que Priscila continua sendo tratada como favorita para permanecer na chapa, embora a composição final ainda dependa das negociações políticas em curso.
PESQUISA DESFAVORÁVEL – Mesmo contratada pelo ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, através do União Brasil, partido que preside no Estado, o levantamento do Paraná Pesquisas, com Raquel apenas quatro pontos de vantagem ante João Campos (PSB), o que configura empate técnico, foi recebido sem entusiasmo pela gestora e seus aliados por um motivo muito simples: diante da avalanche de propaganda que a governadora fez nos últimos três meses, culminando no último dia 4, quando a legislação eleitoral impõe restrições, era esperada uma diferença muito maior, superior a dez pontos. A partir de agora, sem poder participar de eventos administrativos nem fazer propaganda, o jogo zerou.

Lavou as mãos – Depois de uma conversa, sábado passado, de mais de duas horas com Eduardo da Fonte e Miguel Coelho, que disputam a vaga da Federação Progressista para o Senado na chapa governista, Raquel Lyra (PSD) deu uma de Pilatos: lavou as mãos e jogou o abacaxi para a direção nacional da federação. Caberá a Ciro Nogueira e Antônio Rueda, que dividem o poder de mando no colegiado, escolher o nome e comunicar a ela. E pediu pressa. Disse que não aguenta mais tamanha chafurdação.
Cotação para suplência – André Teixeira, ex-secretário estadual de Mobilidade e Infraestrutura, deve ser o primeiro-suplente do candidato ao Senado na chapa de Raquel, Túlio Gadelha, segundo revelou, ontem, a colunista Renata Bezerra de Melo, do DP. Já o deputado federal e empresário Luciano Bivar (MDB) está em alta para a primeira-suplência do senador Humberto Costa (PT).
Na redes, Bolsonaro bate Lula – O senador Flávio Bolsonaro registrou um crescimento de 36,4% em sua base digital no 1º semestre de 2026. Ele acumulou 5,6 milhões de novos seguidores de janeiro a junho. Segundo levantamento da Agência Bites, o crescimento foi impulsionado principalmente em janeiro, depois da confirmação de sua pré-candidatura ao Planalto pelo PL. Isso significa um desempenho três vezes superior ao do presidente Lula, que no mesmo período obteve um ganho de 1,9 milhão de seguidores, um crescimento de 5,1%.

A poderosa Olga – Um dos desafios enfrentados por Raquel Lyra desde o início de seu governo foi a percepção de distanciamento e a dificuldade de transmitir espontaneidade e empatia. Por isso, recorreu a poderosa Olga Curado, infalível na preparação de lideranças políticas no campo da comunicação. Seu trabalho vai além da preparação para entrevistas: envolve comportamento, linguagem corporal, comunicação não verbal e a identificação de características pessoais que podem ser ajustadas para melhorar a conexão com o público. Daí a razão da mudança de postura e comportamento da governadora pelas redes e no contato físico.
CURTAS
O ÚNICO – Em carta ao filho, tornada pública no fim de semana pelo pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi claro ao afirmar que Flávio é seu porta-voz, o único autorizado a falar em seu nome, encerrando qualquer especulação ou tentativa de criar divisões.
FRAGILIDADE – O pré-candidato à Presidência do PSD, Ronaldo Caiado, considerou que a carta de Bolsonaro foi sinal de “extrema fragilidade” da campanha de Flávio. Empatado tecnicamente em terceiro lugar com Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), o ex-governador de Goiás tem intensificado críticas ao filho do ex-presidente para tentar alavancar a própria candidatura na direita.
PODCAST DUPLO – Conforme ocorreu na semana passada, quando entrevistei a ex-ministra Simone Tebet (PSB), na terça, e o governador do Ceará, Elmano de Freitas(PT), na quarta, esta semana também será de duplo podcast Direto de Brasília, parceria deste blog com a Folha de Pernambuco: amanhã, o ex-governador do Piauí, Hugo Napoleão (PSD), e na quarta a líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT).
Perguntar não ofende: Quando haverá fumaça branca nas Princesas do conclave para o Senado na chapa de Raquel?
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