Por Agência O Globo
No último dia da campanha no primeiro turno, o candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) fez uma motocarreata no interior de São Paulo. O ato foi realizado em conjunto com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, começou por volta das 10h40, em Santa Bárbara d´Oeste, e chegou a Americana quase duas horas depois.
Faltando menos de 24 horas para a abertura das urnas, Flávio pediu “voto de protesto” neste domingo (3), voltou a prometer que não tentará uma reeleição caso chegue ao Palácio do Planalto e mirou o seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao falar que “ministros do Supremo Tribunal Federal não podem ser agentes políticos de Lula”. O senador repetiu a mesma estratégia de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), que em 2022 também terminou a campanha com uma motociata, naquela ocasião realizada na capital paulista.
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Em cima de um carro de som, Flávio, Tarcísio, e os candidatos ao Senado por São Paulo Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) percorreram a Rodovia Luiz de Queiroz acenando para seus apoiadores que os seguiam em carros e motos.
Depois, desceram no Parque de Eventos de Americana, onde subiram em um palco, cantaram o hino nacional e rezaram um Pai Nosso, puxado pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). Uma imagem da Nossa Senhora de Aparecida ladeada por bandeiras do Brasil foi carregada por apoiadores no parque, antes da chegada de Flávio ao local.
No local, havia um grupo de apoiadores esperando a comitiva, e Flávio ergueu uma foto de seu pai e ouviu gritos de “mito” ao se dirigir à multidão.
A jornalistas, Flávio voltou a afirmar que, caso eleito, não vai tentar a reeleição. Em fevereiro, Flávio apresentou no Senado uma PEC sobre o fim da reeleição, mas depois deu sinais dúbios sobre o assunto.
“Um compromisso com o fim da reeleição. Eu sou o único candidato que está abrindo mão de tentar uma reeleição. Porque eu quero, em um mandato só, me concentrar nos problemas da população brasileira, e ajudar de verdade a resolvê-los da forma mais rápida possível”, afirmou o candidato.
Ele ainda falou da possibilidade de vencer no primeiro turno e prometeu fazer um governo de pacificação, ao mesmo tempo em que criticou os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), atrelando-os a Lula.
“Eu quero fazer um governo de pacificação. Temos que ajustar muitas coisas no Brasil. O poder está completamente desequilibrado (…) Ministros não podem ser assessores. Ministros do STF não podem ser agentes políticos do governo Lula. E nem de um movimento que é ideológico. Então está tudo depravado nesse país. É por isso que eu peço que o eleitor vá pra rua. E dê o seu voto de protesto”, disse Flávio.
Tarcísio também falou da possibilidade de encerrar a eleição estadual em primeiro turno. Segundo as pesquisas, o governador tem chances de se reeleger já neste domingo: marca 50% das intenções de voto na pesquisa Datafolha, divulgada na última quinta-feira (1º), contra 33% de Fernando Haddad (PT). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O candidato do Republicanos agradeceu aos prefeitos paulistas pelo empenho durante a campanha, lembrando que na eleição de 2022 não teve esse ativo.
“Eu tenho certeza que a população de São Paulo amanhã vai dar uma grande resposta nas urnas. É uma maior diferença da campanha de 2022 pra essa de 2026. A gente conseguiu trazer mais gente, os prefeitos do nosso lado. Os prefeitos foram gigantes, trabalharam muito, mandando material, empolgados. A gente montou realmente um time São Paulo, que vai continuar colocando São Paulo na direção certa. Esse estado aqui é extraordinário, e vai continuar nos orgulhando muito”, afirmou, durante coletiva de imprensa após o ato político.
Após passar uma campanha dosando suas aparições públicas com Flávio, nas últimas semanas Tarcísio abraçou mais o aliado em comícios no estado, e neste sábado publicou em suas redes um vídeo ao lado do senado, chamando-o de “próximo presidente da República”, e pedindo votos para os dois e para os candidatos ao Senado. Ele afirmou que a mobilização “mostra que a população quer futuro e esperança que estão com Flávio Bolsonaro”.
A princípio, o evento ocorreria na capital, e seria uma motociata. O ato chegou a ser anunciado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) na semana passada, mas aliados analisaram os percursos e encontraram problemas logísticos e de segurança. Segundo a Lei Eleitoral, os candidatos podem promover eventos até as 22h do dia 3, véspera da eleição.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (2) mostrou Flávio tecnicamente empatado com Lula (PT) em São Paulo. O candidato do PL registra 39% das intenções de voto, enquanto o petista marca 38% no maior colégio eleitoral do país. O levantamento foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo.
São Paulo concentra cerca de 21% do eleitorado do país e é considerado fundamental para os resultados nacionais. Historicamente, o PT perde no estado, ainda que tenha bons resultados na capital. De olho em ampliar o eleitorado no estado, Lula e Haddad realizam um ato na Avenida Paulista, também na manhã de sábado.
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