A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou nesta terça-feira sua saída da presidência do PL Mulher. Em nota divulgada após reunião com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, Michelle afirmou que deixará o comando do segmento feminino para se dedicar “integralmente” aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e da filha do casal, Laura, de 15 anos.
“Venho por meio desta informar que, após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar — integralmente — aos cuidados para com o meu marido e minha filha”, escreveu. As informações são do g1.
Leia maisNa nota, Michelle agradeceu a Valdemar pela “autonomia” concedida durante sua gestão à frente do PL Mulher e fez um balanço de sua passagem pelo comando do segmento. Ela afirmou que, ao lado das dirigentes estaduais e municipais, ajudou a construir “um grande exército de mulheres de bem” e disse estar convencida de que o movimento continuará crescendo.
A ex-primeira-dama também fez um agradecimento nominal à vice-presidente do PL Mulher, a vereadora Priscila Costa (PL-CE), que ela defendia como candidata do partido ao Senado no Ceará. A disputa em torno da indicação de Priscila foi o estopim da crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro. O enteado defende o nome do deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE).
“Quero agradecer, na pessoa da minha vice-presidente, Priscila Costa, a todas as minhas presidentes estaduais e municipais”, escreveu. “As sementes foram lançadas e, em breve, vocês colherão os frutos desse trabalho”, concluiu.
A decisão representa mais um capítulo da crise aberta entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo relatos de aliados ouvidos pelo GLOBO, o encontro com Valdemar foi convocado na tentativa de conter o desgaste provocado pelo embate público entre os dois. Durante a conversa, Michelle afirmou estar “cansada” da política, reclamou de não estar sendo ouvida nas decisões internas do partido e disse que chegou a cogitar colocar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal à disposição.
De acordo com interlocutores, Michelle afirmou que boa parte de sua rotina hoje é dedicada aos cuidados com Jair Bolsonaro e que os conflitos internos da legenda a fizeram repensar sua permanência na vida política.
Valdemar tentou convencê-la a adiar qualquer decisão definitiva e pediu que evitasse novos pronunciamentos públicos, depois do vídeo divulgado na semana passada, em que Michelle acusou Flávio de tê-la tratado com desrespeito e afirmou que Eduardo e Carlos Bolsonaro promoveram ataques coordenados contra ela nas redes sociais.
A conversa também teve outro objetivo: convencer a ex-primeira-dama a participar da reunião organizada por Flávio nesta quarta-feira com parlamentares e lideranças femininas conservadoras. O encontro marcará o início da elaboração de um programa de governo voltado ao eleitorado feminino, uma das prioridades da pré-campanha do senador.
Michelle, porém, manteve a decisão de não comparecer. Segundo aliados, ela voltou a afirmar que nunca recebeu um convite diretamente de Flávio. “Ele não me ligou para me chamar”, teria dito durante a reunião.
Um interlocutor que acompanhou as negociações resumiu que a conversa “não foi muito boa”, porque Valdemar esperava sair do encontro com a confirmação de que Michelle participaria do evento ao lado do enteado. A ausência da ex-primeira-dama tende a esvaziar o principal gesto de reaproximação planejado pela campanha desde o início da crise.
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