Por Maurilio Rodrigues*
Estive, anonimamente, em Limoeiro, no sábado, há 10 dias atrás. Visitei um parente, no Alto de São Sebastião. Estava chovendo. Parei em frente à Matriz de São Sebastião e fiquei encantado com a obra do Padre Luís.
Homem fantástico! Desci pela Rua da Alegria e cheguei na Praça da Bandeira. Fiquei chocado com a ausência do Cinema São Luiz. A sensação foi como se o palco da nossas melhores recordações tivesse desmontado para sempre.
Leia maisMas lembranças são eternas. A praça está bonita, bem conservada. Destoando do saudoso Cine São Luiz, a sede do Colombo está uma beleza. Como colombiano de sete costados, fiquei orgulhoso. Ali, comemoramos muitas vitórias futebolísticas e amorosas.
Vi, na minha imaginação, muitos amigos, alguns, inclusive, que, infelizmente, já não estão mais entre nós. Na minha viagem ao tempo, vi todos sentados nos seus bancos, contando proezas, nos fazendo rir, o melhor da vida.
Depois, outro choque profundo, que também doeu no fundo da alma: a sede do Centro Limoeirense em estado de quase abandono. Triste, para não dizer um golpe na alma.
Finalmente, cheguei bem em frente da Matriz, linda como sempre. Majestosa, imponente, soberana, foi assim que senti na alma e no coração a Padroeira Nossa Senhora da Apresentação. Rezei aos seus pés, e, prostrado à imagem do Senhor Morto, relembrei os velhos tempos em que acompanhava a procissão da Sexta-Feira Santa.
Ao final, olhei a Imagem do Cristo Redentor, bem ali no alto da minha Matriz que tanto frequentei menino e adolescente em meus anos dourados. Pedi a sua benção, e dexei minha cidade mais viva e impregnada dentro de mim.
O correr da vida embrulha tudo, já disse Guimarães Rosa. Segundo ele, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e ainda mais alegre ainda no meio da tristeza!
*Médico
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