A definição do nome do próximo presidente do Brasil só sairá no segundo turno, no próximo dia 30. Com 97,07% das seções totalizadas, Lula com 47,88% e Bolsonaro com 43,67% dos votos, matematicamente o segundo turno está definido.
A definição do nome do próximo presidente do Brasil só sairá no segundo turno, no próximo dia 30. Com 97,07% das seções totalizadas, Lula com 47,88% e Bolsonaro com 43,67% dos votos, matematicamente o segundo turno está definido.
Durante o debate na TV Guararapes, o candidato João Campos (PSB) defendeu a transformação de imóveis abandonados no Centro do Recife em moradias.
“Você que já passou pelos bairros de Santo Antônio e São José viu grandes imóveis abandonados, prédios que têm centenas de apartamentos sem uso. A gente vai transformar isso em moradia. É juntar o Minha Casa, Minha Vida com a nova legislação municipal, que vai possibilitar a criação de novas unidades requalificadas, para que a gente tenha o direito das pessoas morarem no Centro. Isso é muito importante”, afirmou. As informações são da Folha de Pernambuco.
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O ex-prefeito do Recife também mencionou a comunidade Roque Santeiro, localizada no bairro dos Coelhos, na área central da capital pernambucana.
“A prefeitura comprou a fábrica Matarazzo e vai construir centenas de apartamentos para as famílias que estão em palafitas morarem de forma digna e urbanizar aquela área. A gente vai fazer isso em muitas outras cidades de Pernambuco”, finalizou o candidato.
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Fazer uma laqueadura sem informar ou ter o consentimento da mulher é crime no Brasil, com pena de até oito anos de prisão e multa. Nesta segunda (21), o g1 entrevistou a vice-presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB) sobre o tema, que ganhou repercussão após um vídeo de maio de 2025 mostrar a governadora Raquel Lyra (PSD) sugerindo que a cirurgia fosse feita numa mulher “sem ela saber”.
No vídeo publicado pelo portal Metrópoles no domingo (20), a candidata à reeleição em Pernambuco aparece na inauguração da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, no Agreste, ouvindo a história de uma mulher com sete filhos. “Aí tem que fazer laqueadura, visse? A gente bota na fila da laqueadura. Isso eu posso fazer. [trecho inaudível] Mas faz sem ela saber”, disse Raquel na ocasião. As informações são do g1.
Leia maisEla se desculpou publicamente após o caso repercutir. “Como mãe, como mulher, eu sei o desafio que é decidir sobre o planejamento familiar. Essa fala minha em nada traduz o respeito que eu tenho às mulheres. Por isso, eu peço desculpas. Foi uma fala equivocada. Eu não tenho compromisso com o erro”, afirmou.
A laqueadura é um processo que interrompe a ligação das trompas entre o ovário e o útero. Isso impede uma futura gravidez, já que os óvulos deixam de ter contato com o espermatozoide após uma relação sexual.
“A laqueadura sem consentimento é crime no Brasil. A Lei do Planejamento Familiar (Lei 9.263/1996) só permite a esterilização voluntária. A mulher precisa manifestar a vontade por escrito, depois de ser informada sobre riscos, efeitos, dificuldade de reversão e métodos reversíveis, e a cirurgia só pode ser feita após 60 dias dessa manifestação. Realizar a esterilização fora dessas regras é crime previsto no artigo 15, com pena de reclusão de 2 a 8 anos e multa”, afirmou a advogada Luciana Pimentel, vice-presidente da referida comissão da OAB.
Ainda de acordo com a especialista, existem características que podem agravar a situação e tornar o crime mais grave. “A pena aumenta em um terço se for feita no parto fora da hipótese legal, com a vontade viciada por álcool, drogas ou estado emocional alterado, ou em pessoa incapaz sem autorização judicial”, declarou Luciana.
Se houver uma denúncia de laqueadura sem consentimento, o caso pode chegar à instituição que fiscaliza o exercício da medicina, que é o Conselho Regional de Medicina (CRM). É por meio dele que os médicos obtêm o registro profissional que precisam para atuar no país.
“Fazer sem a mulher saber é a forma mais grave da conduta, porque ali não há vontade nenhuma. Além do crime, há responsabilidade ética do médico perante o CRM e responsabilidade civil do médico e do hospital, com dever de indenizar”, contou.
No estado, o órgão fiscalizador é o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).
“Havendo denúncia, é feita uma apuração, e isso pode acontecer tanto no Cremepe, através de um processo ético-profissional que pode ter por penalidade a cassação do registro. Sendo esta a penalidade mais severa do conselho, vai depender de como se deu o procedimento, como também a possibilidade de responder penal e civilmente”, disse a advogada.
O g1 perguntou ao Hospital Regional Dom Moura e à Secretaria Estadual de Saúde se a mãe mencionada nas imagens é paciente do hospital e passou por uma laqueadura na rede estadual de saúde, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Direitos reprodutivos da mulher
De acordo com a Constituição Federal, o planejamento familiar é uma livre decisão do casal e cabe ao Estado propiciar os recursos para exercê-lo, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.
De acordo com a Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB/PE, a Lei 9.263/1996, atualizada pela Lei 14.443/2022, prevê que a mulher tem direito a:
O prazo de 30 dias refere-se expressamente à disponibilização de métodos contraceptivos reversíveis (como DIU, pílulas, implantes e injetáveis). Para os métodos definitivos (como a laqueadura e a vasectomia), é exigido o prazo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, para o aconselhamento e prevenção de decisões impulsivas.
Candidata se desculpa e adversários criticam
No domingo, a governadora publicou no Instagram um pedido de desculpas, dizendo que o vídeo é antigo e que não condiz com seus posicionamentos.
Nesta segunda, Raquel Lyra voltou a se pronunciar sobre o caso numa sabatina do Sindicato dos Hospitais Privados de Pernambuco (Sindhospe) realizada pela manhã na sede da instituição, no bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife.
“Um vídeo que circulava na internet, e eu falei sobre ele, dizendo que, de maneira alguma, aquilo se trata de quem sou ou do que faço ou pratico. Fiz uma fala equivocada, errada e quando vi o vídeo, gravado há alguns anos, na cidade de Garanhuns, eu me indignei comigo mesma. E peço desculpas por isso. E quero aqui registrar que todo o meu trabalho e minha luta política tem sido, ao longo da minha vida, permitir que as mulheres possam ter independência, autonomia, e que possam ter a oportunidade de guiar os seus próprios passos”, declarou.
Os adversários de Raquel Lyra também comentaram sobre o caso. Principal oponente na corrida pelo governo do estado, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) chamou de “violência” a fala da oponente.
“Assisti com indignação ao vídeo em que a candidata usa essa frase (‘faz sem ela saber’) para sugerir a laqueadura de uma gestante, sem ela saber. A lei é clara: esterilização exige manifestação expressa da vontade da mulher”, disse no Instagram.
O ex-vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL) também criticou a governadora na mesma rede social. Ele disse que a fala de Raquel Lyra “aponta um problema de violação grave dos direitos reprodutivos e da dignidade humana”. E questionou: “O estado de Pernambuco tem garantido que as laqueaduras sigam rigorosamente a autonomia da paciente e que nenhum procedimento é feito em seu corpo sem seu consentimento?”.
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O candidato ao governo de Pernambuco Ivan Moraes Filho (PSOL) questionou as ações do governo da candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) para combater a violência obstétrica no estado durante debate promovido pela TV Guararapes nesta segunda-feira (21).
No último fim de semana, um vídeo antigo em que Raquel Lyra sugere a realização de uma laqueadura sem autorização da paciente foi divulgado nas redes sociais.
A governadora se desculpou publicamente pela declaração e afirmou que não se reconheceu na fala. As informações são da Folha de Pernambuco.
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“Circulou um vídeo na internet e, quando eu vi o vídeo, de fato, eu não me reconheci. Não é sobre o que eu falo, nem sobre o que eu penso. Eu peço sempre que me julguem pelas minhas atitudes, pelo resultado do meu trabalho. Foi uma fala infeliz e, por isso, eu peço desculpas. E, por mais que eu peça desculpa, eu creio que eu serei sempre devedora nesse assunto”, respondeu a candidata.
Durante a resposta, Raquel Lyra também citou ações voltadas às mulheres realizadas durante o mandato, entre elas a entrega do Hospital da Mulher, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco.
“Estamos em construção com mais quatro hospitais da mulher para garantir o direito de nascer perto de casa e o direito da mulher poder ser acolhida mais perto. Temos políticas públicas como Mães de Pernambuco, como direito a creche, tudo isso dialogando com política pública para mulher. É assim que eu trabalho sempre”, afirmou.
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Por Anthony Santana – Blog da Folha
O apoio a candidaturas presidenciais foi um dos principais pontos abordados no primeiro bloco do debate com os candidatos ao governo de Pernambuco, realizado pela TV Guararapes, na noite desta segunda-feira (21).
A discussão ganhou força com a crítica do ex-prefeito do Recife e candidato pelo PSB, João Campos, à descontinuidade do décimo-terceiro pagamento do Bolsa Família pelo governo do estado, associando a decisão a medida ao apoio de bolsonaristas à governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD).
Leia mais“O presidente Lula anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família, uma conquista muito importante para o povo brasileiro. Quero aqui parabenizar o presidente Lula por essa essa iniciativa. O atual governo que é cercado de apoio de bolsonaristas acabou com o 13º do Bolsa Família em Pernambuco”, disse.
A afirmação foi feita em uma pergunta do socialista ao candidato do PSOL, Ivan Moraes. Na resposta, Moraes afirmou que não é momento de dividir e defendeu que todos se unam em torno da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Acho que talvez não seja estratégico o que você tem feito é de empurrar o tempo todo a outra candidata para o campo do bolsonarismo. A eleição mais importante que a gente tem esse ano é a reeleição do presidente Lula. E todos e todas nós precisamos nos unir para que Lula seja eleito e a gente não volte para o tempo da fila do osso, para que a gente não volte pro tempo da fome, dos 33 milhões de pessoas passando fome, do maior índice de desemprego da nossa história. Seria muito mais interessante que a gente reconhecesse a importância da eleição do presidente Lula, que é um fator que poderia nos unir”, aconselhou Ivan.
O candidato ainda convidou a governadora Raquel Lyra a subir no palanque de Lula e emitir sinais para o eleitorado dela de que não apoia o bolsonarismo.
Em outro momento, a gestora se limitou a lembrar parcerias administrativas com o presidente Lula na aquisição de recursos para obras nas periferias.
“Parte desse recurso é em parceria com o governo Lula, através do PAC Periferias para garantir investimento em obras importantes como a de Cortês e a de Camaragibe”, descreveu.
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João Campos (PSB) destacou políticas de proteção voltadas às mulheres durante o debate da TV Guararapes, nesta segunda-feira (21). Ainda no primeiro bloco, o candidato da Frente Popular reafirmou que pretende retomar o 13º estadual do Bolsa Família e ampliar o atendimento às mães atípicas.
“Nós vamos voltar o 13º do Bolsa Família. Cinco milhões de pernambucanos e pernambucanas serão beneficiados com essa medida. Nós vamos também melhorar programas existentes, porque governar com maturidade é isso: é respeitar as mulheres pernambucanas”, afirmou João Campos.
Leia maisAo falar das políticas já existentes no Estado, o candidato disse que pretende aperfeiçoar o Mães de Pernambuco e criar uma atenção específica para mães atípicas. “Nós vamos melhorar o Mães de Pernambuco, garantindo uma ação especial para as mães atípicas. E vamos levar Centros TEA para todas as 15 UPAs Especialidades do nosso Estado”, disse.
O tema voltou ao debate no segundo bloco, quando o tema da segurança pública foi sorteado. João Campos retomou uma cobrança feita no encontro anterior entre os candidatos e perguntou a Raquel Lyra quantas delegacias da mulher haviam sido construídas do zero, inauguradas e colocadas em funcionamento durante sua gestão.
“No último debate, a candidata disse que não tinha tempo suficiente para dizer quantas delegacias da mulher construiu do zero. Eu gostaria de saber quantas delegacias das mulheres foram inauguradas na sua gestão, construídas a partir do zero e colocadas para funcionar”, questionou.
Raquel não informou um número de novas delegacias da mulher inauguradas. Na réplica, João disse que a resposta era zero e voltou a dirigir sua fala às mulheres pernambucanas.
“A candidata não respondeu porque o número é zero. Não inaugurou nenhuma delegacia para as mulheres. Como também nenhuma outra delegacia, de maneira geral, no Estado de Pernambuco. Isso é muito grave”, afirmou.
João Campos encerrou a intervenção apresentando o que pretende fazer na área. A proposta é dobrar a rede de delegacias da mulher e garantir funcionamento ininterrupto das unidades.
“Eu queria aproveitar essa oportunidade para me solidarizar com todas as mulheres de Pernambuco. Dizer que vocês contam comigo, que a gente vai fazer um governo que cuida das pessoas. A gente vai duplicar a rede de delegacias e elas vão funcionar 24 horas por dia, sem exceção. Isso é fazer de verdade. É fazer por quem precisa, do jeito certo”, declarou.
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O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina e a Força Aérea Brasileira fazem buscas na noite desta segunda-feira (21) relacionadas a uma possível queda de helicóptero. O cantor Rick, da dupla Rick e Renner, está nessa aeronave, confirmou a assessoria.
A procura é feita na região de Urubici, na Serra do estado.
As buscas são feitas na região de Vacas Gordas. Os bombeiros receberam uma chamada sobre o desaparecimento da aeronave. As informações são do g1.
Leia maisA procura é direcionada para o último ponto de localização do celular de um dos tripulantes.
A Força Aérea Brasileira (FAB), que também participa das buscas, informou que a aeronave decolou de Porto Belo, no Litoral Norte de Santa Catarina. O local fica a cerca de 190 quilômetros de Urubici.
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Durante o debate da TV Guararapes/Record, nesta segunda-feira (21), a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) questionou o ex-prefeito do Recife e candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) sobre o turismo na capital e a conclusão das obras na orla de Boa Viagem. João citou intervenções iniciadas em sua gestão e o plano de requalificação do Centro. Ao apresentar sua proposta para o turismo no Estado, passou a cobrar a adversária: “Falando de escola técnica, quantas escolas técnicas a candidata construiu?”.
Raquel respondeu destacando obras em estradas e voltou a questionar a conclusão da intervenção em Boa Viagem. João afirmou que a entrega está prevista para o fim deste ano, conforme anúncio do prefeito Victor Marques, e contestou a alegação de que o custo da obra teria dobrado: “Isso é mentira. São várias obras diferentes, que foram contratadas desde o projeto original”. Em seguida, retomou o tema da educação: “Mas vocês viram que ela não respondeu quantas escolas técnicas ela construiu”. Segundo João, a governadora não entregou nenhuma unidade desse tipo em quatro anos de gestão. O candidato afirmou que pretende construir 57 escolas técnicas no Estado, incluindo unidades voltadas ao turismo.
Por Marcos Prado*
“A mentira constante não tem como propósito fazer as pessoas acreditar numa mentira, mas sim garantir que ninguém acredite mais em nada. Um povo que não consegue mais distinguir a verdade da falsidade não consegue distinguir o bem do mal. E um povo assim, privado da capacidade de pensar e julgar, está, sem saber e sem querer, completamente sujeito ao domínio das mentiras. Com um povo assim, você pode fazer o que quiser.” — Hannah Arendt.
Por iniciativa da Paróquia de São José (Casa Caiada/Olinda), sob a coordenação do padre Charles Araujo, tem-se desenvolvido um ciclo semanal de preleções bíblicas voltado à discussão da atualidade e à relevância de grandes temas das Escrituras Sagradas. A segunda parte dedicou-se à análise do apóstolo e profeta Daniel, com ênfase no que remete à célebre visão profética dos fatores determinantes para o declínio do Império Babilônico. Como (apenas) ouvinte fiz um paralelo entre a visão escatológica do profeta Daniel, a teoria da esfera pública formulada por Jürgen Habermas e a monumentalidade trágica inerente à epopeia homérica.
Leia maisTal cotejo teórico serviu para inspirar minhas impressões sobre a conjuntura política brasileira contemporânea — caracterizada por um cenário de profunda apreensão e descontentamento — e o atual momento institucional do país. Cada um desses pilares toca em uma fratura exposta da nossa realidade política, social e moral. No livro bíblico de Daniel, há uma recorrência de impérios que caem por perderem a medida da justiça, além da famosa cena do banquete de Belsazar. “A injustiça brotou na Babilônia, vinda dos velhos juízes que passam por guias do povo”. Esse trecho está em Daniel 13, versículo 5 (nas Bíblias católicas que seguem o cânon dos Setenta, conhecido como Septuaginta — a mais antiga tradução grega do Antigo Testamento, realizada em Alexandria, no Egito, entre os séculos III e I a.C., e que serviu de base para a Igreja Primitiva). O paralelo com o Brasil é evidente: vivenciamos um país onde a retórica muitas vezes substitui o substantivo, e o espetáculo político opera como um banquete à beira do abismo. É inimaginável mensurar o custo desse banquete.
O Brasil de hoje parece oscilar entre a euforia de promessas salvíficas (profecias seculares de redenção nacional) e a angústia de um futuro incerto, em que o debate público frequentemente se apega a dogmas intransigentes, lembrando a obstinação dos reinos antigos diante de crises estruturais que se recusavam a enxergar. Jurgen Habermas dedicou sua vida intelectual a defender que a democracia só sobrevive se houver uma “esfera pública” pautada pela razão comunicativa — isto é, pelo diálogo transparente, orientado ao entendimento mútuo e livre de coerções.
Assistimos, no entanto, à fragmentação da verdade em “bolhas” impermeáveis. A colonização das redes digitais por algoritmos de ódio impede o agir comunicativo, substituindo o argumento racional pelo clamor identitário e pelo ruído permanente: exatamente o oposto do que Habermas julgava indispensável para a saúde democrática.
Nos poemas homéricos (A Odisseia), a condição humana é marcada pela hybris (a desmedida, a soberba que desafia os deuses) e pela longa e dolorosa travessia para retornar à ordem, à casa. O Brasil contemporâneo vive a sua própria odisseia: uma nação em perpétua viagem, naufragando ciclicamente em suas próprias contradições.
Jornalista*
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O presidente Lula (PT) tem 37% das intenções de voto no primeiro turno contra 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (21).
No levantamento da semana passada, o petista aparecia com 36% e o filho de Jair Bolsonaro, ex-presidente condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, com 31%.
Em cenário de segundo turno, Flávio Bolsonaro tem 42% e Lula, 41%, uma situação de empate técnico. Na rodada anterior, o candidato do PL também tinha 42% e o atual mandatário, 40%, tendo oscilado um ponto para cima. As informações são da Folha de S. Paulo.
Leia maisA Quaest entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais de todo o país entre quinta-feira (17) e domingo (20). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-06004/2026.
No primeiro turno, o escritor Augusto Cury (Avante) marca 6% (tinha 7%). Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, aparece com 4% (tinha 5%), e Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, com 1% (tinha 3%). Renan Santos (Missão) tem 3% (tinha 4%).
Brancos, nulos e eleitores que afirmam que não irão às urnas são 7%, enquanto 8% dizem estar indecisos. Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO), e Veterinário Wilson Grassi (Democrata) não pontuam. Samara Martins (UP) tem 1%.
Leonardo Avalanche, candidato anunciado pelo PRTB na última terça-feira (15) para substituir o influenciador Pablo Marçal, cuja candidatura foi negada por unanimidade pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), tem 0% das intenções de voto.
Esta é a primeira pesquisa presidencial do instituto após a sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o caso Master e a relação do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro.
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Um grupo de manifestantes realizou um ato, nesta segunda-feira (21), em frente ao Palácio do Campo das Princesas, na área central do Recife. A mobilização é uma reação a declarações da governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), sobre procedimentos de laqueadura sem o consentimento da paciente.
O protesto foi motivado pela repercussão de um vídeo publicado em maio de 2025, durante agenda oficial no Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns. Na gravação, ao ser informada sobre a situação de uma mulher grávida que já tinha outros filhos, a gestora sugeriu colocá-la na fila do procedimento e declarou: “Mas faz sem ela saber! Vai!”.
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Divulgado pelos organizadores como suprapartidário, o ato reúne movimentos feministas e sociais, centrais sindicais, entidades da sociedade civil e candidatas que também estão na disputa eleitoral de 2026.
Entre as mobilizadoras estão as vereadoras do Recife Cida Pedrosa (PCdoB), Jô Cavalcanti (PSOL), Kari Santos (PT) e Liana Cirne (PT); a vereadora de Olinda Eugênia Lima (PT); além das deputadas estaduais Rosa Amorim (PT) e Dani Portela (PT).
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Os candidatos ao Governo de Pernambuco Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL) participam, nesta segunda-feira (21), do debate promovido pela TV Guararapes/Record, com início às 18h. O encontro será transmitido ao vivo pela emissora e pelo seu canal no YouTube. Acompanhe pelo link abaixo:
A governadora Raquel Lyra, em um vídeo espontâneo e autêntico, fez uma declaração que provocou forte repercussão em todo o Brasil e, particularmente, em Pernambuco. Depois, afirmou que não pensa daquela forma, pediu desculpas e, no mesmo movimento, pediu votos.
Mas o episódio deixou uma marca política difícil de apagar. No fundo, no fundo, o que circula hoje por todo o Estado é uma frase que resume a contradição: Mainha não quer que você seja Mainha.
E isso é absolutamente inaceitável.
Uma eleição pode ser disputada com firmeza, com críticas, com diferenças e até com confrontos políticos. Mas existe um limite para tudo. Há limites éticos, morais e humanos que não podem ser ultrapassados em nome de uma disputa eleitoral.
Desculpas podem ser importantes, mas não apagam automaticamente aquilo que foi dito. E Pernambuco tem o direito de discutir não apenas propostas e resultados, mas também os limites que devem existir numa campanha eleitoral.
