O presidente Lula (PT) decidiu se encontrar com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), na próxima semana. A definição aconteceu após reunião emergencial com os principais nomes da área política, em almoço hoje.
Na reunião, Lula ouviu dos ministros e líderes do Congresso quais vetos o governo sairá derrotado. Ele também ouviu uma ponderação: a crise com Lira é superestimada e Pacheco não é tão aliado do governo como faz parecer ser. As informações são do blog da Julia Duailibi.
Questionado sobre a posição crítica em relação a Pacheco, uma pessoa que participou da reunião fez uma analogia com o futebol. Disse que Lira é aquele tipo de zagueiro que grita muito, e que Pacheco é aquele que leva a mão ao calcanhar e, quando você pergunta se aconteceu alguma coisa, ele finge que não foi nada.
As críticas a Pacheco vieram dos dois interlocutores mais próximos a Lira: Rui Costa e Zé Guimarães. A história que foi contada é a de que Pacheco é tido sempre como bom moço, enquanto o Lira é tratado como vilão da história.
Lula demonstrou incômodo com a atuação apagada das bancadas aliadas no Congresso, sobretudo do PT. Vai ser feita uma reunião com a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, provavelmente na semana que vem, pra tratar do assunto. O presidente quer uma bancada mais atuante e combativa na defesa do Governo. Um episódio que incomodou Lula foi a discussão do “PL das Saidinhas”.
O presidente avalia que as bancadas aliadas são muito passivas, esperam pelo aval do governo para agir e que, para ele, precisam ter mais autonomia e serem mais propositivas.
O encontro foi convocado pelo presidente e um encontro com Lira foi uma das pautas. A reunião foi encarada como emergencial. Tanto que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que estava nos Estados Unidos, antecipou a volta para o Brasil.
Lira vem reclamando da articulação política do governo e chamou Padilha de incompetente durante uma entrevista coletiva. O presidente da Câmara também chegou a falar sobre a instalação de CPIs, embora tenha descartado a CPI do Judiciário.
A trajetória política de Lúcia Moura, atual primeira-dama e secretária municipal de Saúde de São José do Egito, no Sertão do Pajeú, voltou ao debate regional após a circulação de notícias sobre uma possível indicação de seu nome para comandar a X Gerência Regional de Saúde (GERES), sediada em Afogados da Ingazeira.
O episódio não é o primeiro em que sua participação política desperta controvérsias. Uma retrospectiva das publicações da imprensa regional revela que, ainda durante sua passagem pela vice-prefeitura de Afogados da Ingazeira, entre 2013 e 2016, Lúcia esteve no centro de divergências sobre participação administrativa, espaço político e composição de governo.
Eleita vice-prefeita na chapa de José Patriota, em Afogados da Ingazeira, em 2012, Lúcia viu sua relação política com o então prefeito passar por questionamentos públicos já em 2014. Em janeiro daquele ano, a mídia registrou comentários sobre um possível rompimento, associados a discussões acerca do espaço ocupado pela vice-prefeita na administração municipal. Na ocasião, Lúcia negou o afastamento e atribuiu sua menor presença na gestão aos compromissos profissionais como médica anestesiologista.
Meses depois, surgiram rumores de que poderia renunciar ao cargo. Mais uma vez, Lúcia negou ter tomado essa decisão, embora tenha admitido a intenção de conversar com Patriota. O distanciamento político continuou repercutindo. Em 2015, a imprensa regional já tratava das dificuldades na relação entre os dois. Em março de 2016, o ex-prefeito Totonho Valadares chegou a defender publicamente a permanência de Lúcia na chapa de reeleição de Patriota.
A defesa, entretanto, não se traduziu em sua recondução à candidatura. Na eleição daquele ano, Patriota escolheu Alessandro Palmeira, o Sandrinho, como companheiro de chapa, encerrando a participação de Lúcia naquela composição majoritária.
O episódio marcou uma ruptura na trajetória política da então vice-prefeita, embora as reportagens da época não permitam atribuir o desfecho a uma causa única. Anos depois, Lúcia passou a ocupar posição de destaque na vida política de São José do Egito, ao lado do prefeito Fredson Brito, seu marido.
Sua participação em articulações políticas e agendas institucionais foi registrada pela imprensa regional. Atualmente, além da condição de primeira-dama, exerce a função de secretária municipal de Saúde. A proximidade entre as funções administrativas e as articulações políticas do grupo governista tem alimentado interpretações distintas sobre sua influência. A participação de familiares de agentes políticos na vida pública, entretanto, não representa, por si só, irregularidade.
O debate relevante é identificar quais decisões decorrem das atribuições formais da secretária e quais articulações possuem natureza estritamente política. Em março de 2026, este blog trouxe o post “O poder sem limites da primeira-dama de São José do Egito”, com reclamações de lideranças oposicionistas sobre supostas interferências de Lúcia em órgãos estaduais e em decisões relacionadas a profissionais vinculados à administração pública.
Segundo os relatos, haveria desconforto entre integrantes do meio político regional diante da atuação atribuída à primeira-dama. As acusações, contudo, foram contestadas por Fredson e Lúcia, que negaram as condutas apontadas e atribuíram a repercussão a tentativas de desgaste político.
Não há, nas informações publicamente identificadas, comprovação independente de que Lúcia tenha determinado desligamentos em órgãos estaduais ou recebido autorização da governadora Raquel Lyra para interferir nessas decisões.
A controvérsia sobre a X GERES
Em outubro, o nome de Lúcia voltou ao noticiário após publicação do Portal Roberto Murilo informando que ela vinha sendo lembrada para assumir a X Gerência Regional de Saúde, em Afogados da Ingazeira. A possibilidade despertou atenção porque a regional possui uma estrutura de gestão própria e uma trajetória institucional associada à atuação de Mary Delanea Souza Pinheiro dos Santos, esposa do ex-prefeito de Iguaracy, Zeinha Torres.
Mary Delanea acumula experiência à frente da X GERES, tendo sido reconduzida à função em diferentes períodos. Em 2023, sua permanência na gerência foi noticiada após processo de seleção pública simplificada.
A eventual substituição de uma dirigente com essa trajetória seria uma decisão administrativa e política relevante, sobretudo em uma região onde os espaços de representação estadual frequentemente mobilizam diferentes lideranças municipais. Entretanto, após a repercussão da notícia, Fredson negou que estivesse indicando a esposa para o cargo e afirmou que ela não tinha interesse em assumir a função.
O presidente da Câmara de Arcoverde, Luciano Pacheco (MDB), disse ao blog, há pouco, que está promovendo o debate pós-eleição, antecedido de uma palestra minha, para estimular o Sertão a entrar na temática. “Arcoverde será o primeiro município da região sertaneja a promover uma discussão inerente para a sociedade”, afirmou. O evento “O Brasil pós-eleição, o que as urnas falaram”, chega a Arcoverde na próxima quinta-feira, às 19 horas, no plenário da Câmara Municipal.
Vai reunir não apenas os vereadores e a classe política, mas a sociedade arcoverdense em geral. “Eu, como médico e preocupado com o futuro deste país, vou participar”, disse Adilson Valgueiro, proprietário de clínica médica na região.
Arcoverde será a terceira etapa que cumpro nesta agenda democrática. Olinda, mantendo a sua tradição libertária e revolucionária, saiu na frente. O encontro foi na Câmara de Vereadores, quatro dias após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais.
Como ficou a composição do Congresso? Quais os partidos que elegeram maior número de senadores e deputados? Nos Estados, quais os partidos que emplacaram o maior número de governadores? Lula governa com o novo Congresso, de perfil extremamente conservador e de centro direita?
Tudo isso e muito mais vão dar o molho do debate em seguida a minha explanação. “O País foi às ruas para garantir a democracia”, diz Luciano Pacheco, adiantando que o evento é aberto ao público em geral. “Quando vi Caruaru lotar a sua Câmara em torno desta temática, não tive dúvida em convidar Magno para ampliar este debate em Arcoverde”, disse Pacheco.
O debate em Caruaru foi na última quinta-feira, no plenário da Câmara, com o plenário lotado, promoção do presidente da Casa, Bruno Lambreta (PSDB). “Foi uma excelente oportunidade para a gente conhecer com mais profundidade o que levou o presidente Lula a dar uma virada sensacional no segundo turno”, diz Lambreta.
Em Arcoverde, o evento, conforme esclareceu Pacheco, será aberto ao público, começando por volta das 19 horas com a minha palestra, seguida do debate. “Será um momento importante para colocarmos nossas opiniões e ouvirmos o contraditório”, disse Pacheco.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu na última sexta-feira (6) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão nacional de todas as ações que contestam a decisão do governo federal que proibiu o funcionamento de plataformas de jogos online, as chamadas bets.
Gonet afirmou ao Supremo que a proliferação de decisões judiciais que autorizam a liberação de casas de apostas gera insegurança jurídica.
Para o procurador-geral, os processos devem ficar suspensos até que o STF tome uma decisão definitiva sobre a questão. “A Procuradoria-Geral da República entende, portanto, ser caso de deferimento da medida excepcional de suspensão de processos, para sobrestar, em âmbito nacional, o trâmite de todos os feitos que tenham por objeto a constitucionalidade da Medida Provisória 1.394/2026, até o julgamento definitivo da controvérsia constitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou Gonet.
A petição da PGR foi encaminhada ao ministro Luiz Fux, relator de quatro ações que contestam a constitucionalidade da medida provisória que proibiu as bets.
Na quinta-feira (5), a segunda instância da Justiça Federal em São Paulo derrubou uma liminar que autorizava o funcionamento de três casas de apostas online.
Nem toda história de dependência química começa com uma droga. Algumas começam muito antes, ainda na infância, em ambientes marcados pela ausência de afeto, rejeição, negligência e sofrimento emocional.
A infância é fundamental para a construção da saúde mental. É nessa fase que desenvolvemos mecanismos de segurança emocional, autoestima, confiança e capacidade de lidar com frustrações. Quando uma criança cresce sem acolhimento, vivencia violência psicológica ou experimenta abandono afetivo, essas experiências podem deixar marcas profundas que acompanham o indivíduo durante a vida adulta.
Em algumas pessoas, o uso de drogas surge como uma tentativa de aliviar sentimentos difíceis de suportar. A ansiedade, a solidão, a tristeza e as lembranças traumáticas podem transformar as substâncias em uma espécie de fuga temporária da própria realidade.
A ciência demonstra que experiências adversas na infância estão associadas a uma maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos relacionados ao uso de substâncias. Isso envolve mecanismos cerebrais relacionados ao estresse, à regulação emocional e ao sistema de recompensa.
Entretanto, nem toda pessoa que sofreu traumas desenvolverá dependência química. A história individual, a genética, o ambiente familiar e os fatores sociais também desempenham papéis importantes.
Como profissionais de saúde mental, precisamos compreender que tratar a dependência não significa apenas combater o consumo de drogas. É necessário olhar para a história do paciente, investigar suas dores emocionais e identificar os transtornos psiquiátricos que podem estar associados.
Antes de julgar alguém pela dependência química, talvez seja necessário compreender o que essa pessoa viveu antes de chegar até ali.
Em algumas histórias, a droga chega na vida adulta, mas a dor começou na infância.
*Médico com atuação em Psiquiatria, Neurologia Clínica e Medicina da dor | Instagram: @drsilvinoteles
Por que o GPS do carro não serve para um caminhão? – Digitar o endereço e seguir a rota mais rápida. Para quem dirige um carro de passeio, essa lógica costuma funcionar. Para quem está ao volante de uma carreta, o caminho indicado pelo celular pode terminar em uma rua onde caminhões não podem circular, em uma restrição de horário ou em um trecho incompatível com o veículo.
A diferença está nas variáveis que precisam entrar no cálculo. Dimensões e peso do conjunto, número de eixos, restrições à circulação de veículos pesados, horários permitidos e possibilidade de manobra podem mudar completamente o trajeto. O próprio Waze informa em sua central de ajuda que não oferece suporte à navegação para caminhões. São Paulo é um exemplo dessa complexidade. A capital mantém áreas e vias com regras específicas para veículos de carga, como a Zona de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC), onde há horários em que os caminhões não podem circular, além das exceções previstas na regulamentação.
“Quando você está de carro, errar uma entrada normalmente significa recalcular a rota e perder alguns minutos. Com uma carreta, pode significar chegar a um lugar onde não há espaço para avançar ou fazer uma manobra, além de rodar quilômetros a mais para corrigir o caminho. Para o caminhoneiro, saber se pode passar é tão importante quanto saber como chegar”, afirma Leonardo Busin, sócio do Parada Top.
Acertar a rota – Mesmo quando o caminho está definido, outras decisões continuam pela frente. Quem passa dias na estrada precisa saber onde abastecer, estacionar, cumprir o período de descanso e encontrar uma oficina, borracharia, auto elétrica e guincho capaz de atender um veículo pesado. A infraestrutura formal ajuda a mostrar o tamanho desse desafio. Segundo dados do Ministério dos Transportes reunidos pelo Parada Top, o Brasil possui cerca de 190 locais reconhecidos como Pontos de Parada e Descanso, distribuídos por mais de 40 rodovias federais e aproximadamente 145 municípios em 23 estados. Fora desses pontos, há uma extensa rede privada de postos, estacionamentos, restaurantes, oficinas e outros estabelecimentos que fazem parte da rotina dos profissionais. Encontrá-los, especialmente em uma região desconhecida, ainda depende muito da experiência e da troca de informações entre motoristas.
Ferramentas – É justamente nessa outra camada da viagem que começam a ganhar espaço ferramentas voltadas à rotina profissional de quem vive na estrada. Alguns, como o Parada Top, por exemplo, reúne motoristas, transportadoras, postos, paradas e prestadores de serviços em um mesmo ambiente digital, permitindo localizar estabelecimentos e serviços relacionados ao transporte, além de acessar oportunidades de frete e trabalho. “Quem está há muitos anos na estrada constrói seu próprio mapa mental. Sabe onde parar, onde encontra estrutura e a quem recorrer quando surge um problema. A tecnologia pode ajudar a organizar essas informações e fazer com que esse conhecimento não dependa apenas de anos de experiência ou do boca a boca”, diz Leonardo Busin. No fim, um carro e uma carreta podem ter exatamente o mesmo destino. O caminho e as informações necessárias para chegar até ele é que são diferentes.
Uber lança passes para corridas. Mas, compensa? – A variação no preço de uma mesma corrida pode dificultar o planejamento de quem depende de aplicativos de transporte para se deslocar diariamente. Para tentar reduzir essa incerteza, a Uber anunciou duas modalidades que permitem antecipar gastos com trajetos recorrentes: a Preço Fixo, que estabelece um valor para uma rota em determinadas condições, e a Pré-Pago, que permite comprar pacotes de viagens por um preço definido. As novidades procuram atender a um comportamento específico: o de usuários que fazem deslocamentos frequentes e querem ter maior controle sobre quanto gastam com transporte.
A proposta, porém, não é idêntica nos dois modelos. Enquanto o Preço Fixo protege o passageiro de oscilações no valor de uma rota durante um período determinado, o Pré-Pago permite organizar antecipadamente a compra de várias viagens. No Preço Fixo, o usuário paga uma taxa única de R$ 3,99 para estabelecer o valor de um trajeto. É necessário informar os pontos de partida e chegada e selecionar uma janela diária de até uma hora para utilizar o benefício. O preço acordado vale por 30 dias, respeitadas as condições definidas na contratação, ou até que a economia acumulada com o passe alcance R$ 50. Se a tarifa disponível no momento da solicitação for menor que o valor fixado, prevalece o preço mais baixo.
Casa x trabalho – A modalidade pode ser útil para quem percorre regularmente o mesmo caminho, como no deslocamento entre casa e trabalho. A proteção, no entanto, depende do cumprimento das condições estabelecidas: alterações na origem, no destino ou no percurso podem invalidar o preço contratado. O recurso, que já estava em fase de testes em algumas cidades, será ampliado para todo o Brasil. Já o Pré-Pago permite adquirir pacotes de cinco, dez, 15 ou 20 viagens por valores fixos. Diferentemente do Preço Fixo, a modalidade não exige a definição de uma rota ou faixa de horário específica. A Uber também informa que os pacotes podem ser compartilhados entre pais e adolescentes que utilizam o Uber Teens. O serviço está disponível inicialmente em 34 cidades brasileiras, entre elas Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Salvador, Campinas e Porto Alegre.
UberX – As duas modalidades aceitam pagamentos digitais, como cartões de crédito e débito, Uber Cash e créditos do Uber One. Por enquanto, são válidas apenas para viagens da categoria UberX. Cada usuário pode manter até dez passes ativos, somando as duas opções. A aposta em maior previsibilidade dialoga com uma questão mais ampla da economia dos aplicativos: o peso que os gastos recorrentes têm no orçamento e a importância de saber antecipadamente quanto uma viagem vai custar. Embora os novos recursos sejam voltados aos passageiros, a previsibilidade também aparece como um desafio para quem trabalha nas plataformas. Um levantamento do GigU em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, mostra que 44,6% dos entrevistados consideram seus ganhos “razoavelmente previsíveis”. Outros 30,8% dizem que os rendimentos são pouco previsíveis e 12,8% afirmam não ter nenhuma previsibilidade. Apenas 11,8% classificam a renda como muito previsível.
“Mais do que simplesmente cobrar menos ou mais, diferentes formatos de remuneração podem ser avaliados pela capacidade de oferecer ao profissional uma relação mais clara entre tempo trabalhado, número de chamadas e renda. Para quem depende do aplicativo para pagar despesas recorrentes, a previsibilidade pode ter valor quase tão grande quanto o ganho potencial”, diz o CEO do GigU, Luiz Gustavo Neves. Para os usuários, a vantagem das novas modalidades dependerá das condições de contratação e da frequência de uso. Fixar um preço ou comprar viagens antecipadamente pode facilitar o planejamento, mas não significa, por si só, que toda corrida ficará mais barata. A economia efetiva dependerá da comparação entre o valor do passe e o que o passageiro pagaria pelas viagens individualmente.
Assistência a carro elétrico cresce 21,7% – O avanço dos veículos eletrificados no Brasil começa a transformar não apenas o mercado automotivo, mas também os serviços que acompanham essa nova realidade. Dados da Redion, antiga Europ Assistance, mostram que o número de assistências prestadas a carros elétricos cresceu 21,7% na comparação entre os períodos de janeiro a agosto de 2025 e 2026. O movimento acontece em paralelo à expansão acelerada da mobilidade elétrica no país. Em agosto, os veículos eletrificados — que incluem modelos elétricos e híbridos — alcançaram participação recorde de 24,3% nas vendas de veículos leves, com 63.709 unidades emplacadas no mês, mais que o dobro do registrado em agosto de 2025. No acumulado do ano, o segmento já soma cerca de 367,5 mil unidades. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) também aponta a aceleração desse mercado. Em julho, os eletrificados já representavam 21,1% de participação nas vendas de veículos leves, com 56.074 unidades registradas no mês. Com uma frota cada vez maior, cresce também a necessidade de uma estrutura de assistência preparada para as particularidades desses veículos. Quando um carro elétrico fica parado no meio do caminho, sem carga e sem condições de chegar a um local seguro, o atendimento precisa considerar os sistemas de alta tensão e as duas baterias do veículo.
Como funciona – Nesse cenário, a assistência 24 horas ganha uma nova dimensão. Em casos de pane, os prestadores podem avaliar a possibilidade de realizar uma carga no local. A bateria de 12V pode receber carga para permitir que o condutor siga até o próximo ponto de recarga; já em problemas na bateria de alta voltagem, a remoção do veículo é necessária. “O crescimento de 21,7% nas assistências a veículos elétricos mostra que a mudança na frota brasileira já está chegando à rotina dos serviços de mobilidade. À medida que mais pessoas passam a utilizar esses veículos, também precisamos garantir que a assistência esteja preparada para as particularidades dessa tecnologia, com profissionais treinados e protocolos adequados de segurança 24 horas por dia”, afirma Rogerio Guandalini, Diretor Executivo Comercial, Marketing e Produtos da Redion.
Para o motorista, a mudança representa uma nova preocupação na hora de contratar serviços de assistência. Além de avaliar disponibilidade e tempo de atendimento, passa a ser relevante entender se a empresa possui estrutura e conhecimento técnico para atender o tipo de veículo utilizado. Quando não é possível prosseguir com a viagem, também pode haver alternativa de locomoção, com voucher Uber ou carro reserva.
“O motorista de um veículo elétrico precisa ter a tranquilidade de saber que, diante de uma eventual pane ou acidente, será atendido por uma estrutura preparada para aquela tecnologia. A assistência especializada passa a acompanhar a própria evolução do mercado automotivo”, completa o executivo. No atendimento a veículos eletrificados, as principais diferenças estão relacionadas aos sistemas de alta voltagem, aos procedimentos de reboque e aos protocolos de segurança. A tendência deve ganhar ainda mais relevância nos próximos meses. Segundo a ABVE, o Brasil já acumulava cerca de 950 mil veículos elétricos e híbridos em circulação desde 2012 até o final de agosto deste ano, e a associação projeta que a marca de 1 milhão seja alcançada ainda em setembro.
Vai viajar de carro elétrico no fim do ano? Saiba como se planejar – Com a chegada das festas de fim ano, quem pretende viajar de carro elétrico precisa incluir um item a mais no planejamento: onde recarregar a bateria durante o trajeto e no destino? A infraestrutura de recarga vem crescendo no Brasil. Já chega a 29.866 pontos públicos e semipúblicos, segundo dados divulgados em outubro de 2026 pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Para Guilherme Gibertoni, head de Marketing, Produto e Negócios do SóCarrão, o motorista deve planejar a recarga antes mesmo de sair de casa. “No carro elétrico, não basta saber quantos quilômetros o veículo faz com a bateria cheia. É preciso considerar a autonomia real para aquele percurso, identificar onde será possível recarregar e verificar se haverá estrutura também no destino. Esse planejamento evita imprevistos”, explica.
Autonomia: considere uma margem de segurança – A informada pela montadora é uma referência, mas pode variar de acordo com velocidade, temperatura, relevo, uso do ar-condicionado, peso e estilo de condução. Por isso, a recomendação é não planejar o trajeto no limite da bateria e já identificar os pontos de recarga disponíveis no caminho. O motorista pode utilizar ferramentas como o Mapa de Eletropostos para consultar opções ao longo da rota. Também é importante conferir o tipo de carregador e a compatibilidade com o veículo. Carregadores AC costumam demandar mais tempo, enquanto os modelos DC podem oferecer recarga mais rápida, dependendo do carro e do equipamento.
E a hospedagem?
Antes de reservar hotel, pousada ou imóvel de temporada, vale conferir:
se existe carregador ou estrutura adequada para recarga;
qual o tipo e a potência do equipamento;
se o uso é liberado para hóspedes;
se há cobrança adicional;
se é necessário reservar o carregador;
e se o equipamento está funcionando.
“O local onde o carro vai passar a noite pode ser tão importante quanto a hospedagem. Confirmar essa estrutura antes da viagem evita chegar ao destino e descobrir que não será possível recarregar o veículo”, destaca Gibertoni.
Checklist antes de pegar a estrada
Confira a autonomia real do carro
Planeje os pontos de recarga da rota
Tenha uma alternativa caso o carregador esteja ocupado ou indisponível
Verifique a compatibilidade do conector
Confirme a estrutura de recarga da hospedagem
Confira aplicativos e formas de pagamento
Inclua o tempo de recarga no planejamento da viagem
Não deixe a bateria chegar ao limite
“Com planejamento, a viagem de elétrico deixa de ser uma preocupação e passa a fazer parte da rotina da viagem, assim como escolher a rota e o local de hospedagem”, ressalta o especialista.
Renato Ferraz é especializado em jornalismo automobilístico. Além da coluna “De Bigu com a Modernidade”, também assina a “Multieixos”, no Correio Braziliense.
Não há nada melhor para aliviar o estresse diário do que ir a um bom restaurante. Na Itália e na França, as refeições são rituais de várias horas, onde a pressa é uma ofensa ao chef. O foco está na conversa, no vinho e na valorização dos ingredientes locais.
Na Espanha, a cultura do tapeo (ir de bar em bar comer tapas) prioriza a alta socialização em movimento. No Brasil, conheço restaurantes que vão muito além da comida, que funcionam como verdadeiros patrimônios vivos, preservando memórias, arquitetura e tradições ao longo dos anos. O Leite, no Recife, que bato ponto quando estou na cidade, é um deles.
Considerado o restaurante mais antigo em funcionamento contínuo no Brasil, o Leite foi fundado em 1882, ainda durante o Período Imperial e sob o reinado de D. Pedro II, no bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife.
Diferentemente do Leite, o Piantella, em Brasília, point dos políticos e da imprensa nacional, não resistiu a uma forte crise financeira e fechou suas portas por um período em 2016, sendo depois reaberto por um curto período, fechando definitivamente em 2020, na crise da pandemia.
Frente do Piantella, um dos principais pontos de encontro dos políticos em Brasília
Uma pena! Até hoje sinto saudade. Quantas vezes saí de lá com notícias que viraram manchetes no dia seguinte. O Piantella foi um dos principais pontos de encontro dos políticos em Brasília. No restaurante, foram acertados detalhes da Anistia, das Diretas Já, da Constituinte e da cassação de Collor.
“Aqui, governo e oposição sentam à mesma mesa”, era o slogan do Piantella. Ainda guardo na memória uma imagem de duas taças de champanhe, ladeadas por um prato virado para cima e outro para baixo, como se fosse o Congresso Nacional, exposto num dos ambientes da casa.
Não havia uma noite sequer que a nata da política brasileira não fosse bater o ponto no Piantella, que era de dois sócios: Kakai, advogado famoso na corte, e Marco Aurélio Costa, seu fundador, em 1974. Suas mesas abrigaram conversas, brigas e conchavos fundamentais para a composição da atual democracia brasileira.
“Tudo começou com o pessoal do MDB”, relembra Marco Aurélio. Mineiro de Teófilo Otoni, o fundador da casa costumava receber os amigos sentado na cabeceira da “Mesa do Velho”, à frente de um quadro de Ulysses Guimarães. Era lá que se reunia o Clube do Poire (nome de uma aguardente de pera usada como digestivo pelo Senhor Diretas), formado pelos parlamentares de oposição ao regime militar.
Do outro lado, os deputados da Arena também tinham seu quartel-general, o restaurante GAF, que tomou o mesmo rumo da ditadura e desapareceu. Já o Piantella foi se moldando às mudanças históricas, tendo o Dr. Ulysses como bandeira.
A sala utilizada pelo ex-presidente da Câmara, que morreu em um acidente aéreo em 1992, ficava em um ambiente reservado na parte de cima do restaurante, onde cabiam de 20 a 25 pessoas.
Recortes de jornal, fotos e algumas relíquias, como um cheque assinado por Ulysses para pagar uma conta quando assumiu provisoriamente a Presidência em 1985, compunham uma espécie de minimuseu em homenagem ao “Velho”. Ulysses fez muitas reuniões no restaurante.
Fotos históricas e salão principal do restaurante Piantella
Primeiro, deixava todo mundo falar, bem à vontade. Depois, chegava aonde queria. Ser aceito membro do clube muitas vezes era mais importante do que ter um cargo no governo. Foi no restaurante que as principais lideranças da Câmara realizaram o último encontro antes da votação do impeachment.
Durante o jantar, Ulysses fez questão de se sentar ao lado do líder do governo, Luis Eduardo Magalhães (PFL-BA). Era um sinal de que nada estava sendo feito pelas costas. Luís Eduardo, que morreu em 1998, aos 43 anos, também foi um dos grandes frequentadores da casa.
Ao lado de sua mesa favorita, no espaço comum, havia uma placa em homenagem a ele, dizendo que naquele local Luís Eduardo “pensava o Brasil”. Ainda sobre o ex-deputado e seu pai, o ex-senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), morto em 2007, há muitas histórias, mas uma sintetiza o que o Piantella representava no ideário político de Brasília.
No fim dos anos 1990, ACM e o ex-presidente Michel Temer (PMDB) costuravam um acordo para que os dois assumissem as presidências do Senado e da Câmara, respectivamente. Certa vez, Temer ligou para Luís Eduardo para marcar um encontro. Quando eles se falaram, descobriram que ambos estavam no Piantella, em ambientes diferentes. Ao final do jantar, o trato estava selado. ACM e Temer comandaram as duas Casas do Congresso de 1997 a 2001.
Um dos últimos episódios famosos de confraternização no Piantella ocorreu durante o julgamento do mensalão, em agosto de 2012. Recém-cassado devido a acusações de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o ex-senador Demóstenes Torres cantou para um grupo de advogados que trabalhava para réus do processo. Ele só estava se divertindo, nada demais, conforme chegou a brincar numa entrevista um dos donos do Piantela.
Além da deliciosa feijoada servida na casa, suas mesas foram palcos de importantes decisões tomadas por políticos, já que o local sempre foi ponto de encontro dos governantes. Ulysses Guimarães, um dos padrinhos do restaurante, foi homenageado com uma mesa destinada a jantares reservados, dentro da adega climatizada para 10 mil garrafas.
A cozinha da casa foi comandada por 26 anos pelo chef Geraldo Pinto Maciel e seus principais destaques eram a polenta com shiitake e shimeji frescos, sugestão de entrada; oferecendo como opção de prato principal o carré de cordeiro com risoto trufado. O risoto de salmão com queijo mascarpone e caviar eram os pratos principais, além do filé de linguado com ninho de legumes, que trazia o peixe grelhado servido sobre palmito, cenoura e alho-poró refogados, coberto por um molho de limão-siciliano, lima-da-pérsia e pimenta-rosa.
Outro aspecto interessante do restaurante era sua carta de vinhos, que lista 1.500 rótulos. Entre goles de poire, destilado francês à base de pêra, Ulysses Guimarães articulou por lá a campanha pelas Diretas Já.
Ele costumava sentar-se em um canto mais reservado do restaurante. Mesmo depois de sua morte, em 1992, sua mesa e cadeira continuaram reservadas com seu nome, e um quadro com sua foto foi pendurada na parede. Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, Aécio Neves, Dilma Rousseff e Michel Temer eram figuras constantes no Piantella.
Era como se fosse uma extensão do Congresso para todos. Muitas vezes, o restaurante ficava de portas abertas de madrugada para atender os políticos, que precisavam fazer reuniões emergenciais. O presidente Lula também era fã do Piantella.
Quando ele ganhou as eleições, em 2002, fez questão de jantar na casa com mais dez ministros. Foi uma festa. O restaurante também foi palco de histórias curiosas. O deputado Luis Eduardo Magalhães tinha uma tática boa para não o flagrarem com bebida alcóolica. Ele não tomava champanhe em taça, mas em um copo diferente, segundo Marco Aurélio.
Luis Eduardo, político baiano, ex-presidente da Câmara, morreu em 1998 depois de sofrer um infarto. Mas a clientela vai além do meio político. Cenário de tantas histórias, era esperado que o Piantella fosse reabrir um dia. Pelo menos, esse sempre foi o plano de Kakay, que fez questão de manter o restaurante intacto e continuar pagando o aluguel do ponto.
O restaurante encerrou as suas atividades em 31 de agosto de 2016, coincidente no mesmo dia do impeachment de Dilma Rousseff, sob impactos da crise econômica e o desgaste do formato tradicional. A trajetória do local virou tema de homenagens, artigos de reflexão democrática e de um projeto de livro de memórias conduzido pelo escritor Fernando Morais com base em centenas de entrevistas.
O saudoso Piantella, enfim, nas suas mesas lotadas, com muito whisky e vinho, construiu também, dia a dia, noite após noite, a redemocratização do país. Era comum, depois das sessões tensas, com debates acalorados sobre os destinos do Brasil, políticos de tendências opostas, como Luiz Eduardo Magalhães, José Genoino, Delfim Neto, Miro Teixeira, José Dirceu e Antônio Carlos Magalhães discutirem com civilidade e harmonia os destinos do País.
O Piantella foi, sem sombra de dúvida, o retrato de uma época em que a sociedade reconquistou o Estado democrático de Direito. A liberdade. A irmandade. O respeito às divergências. A política como instrumento civilizatório.
O deputado federal eleito e ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos) afirmou que a orientação recebida durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada no resort Mar-a-Lago, do presidente Donald Trump, na Flórida, é não negociar as disputas pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado. Segundo ele, a direita deve manter seus próprios nomes na disputa, mesmo que isso represente uma derrota.
“A orientação é não fazer acordo, mesmo que a gente perca, não tem problema. Agora, a gente não vai perder é a coerência. E vamos honrar cada voto que a gente recebeu”, declarou Gilson, em vídeo publicado nas redes sociais.
O ex-ministro viajou aos Estados Unidos para participar da conferência e se reunir com Flávio Bolsonaro (PL). O encontro reuniu lideranças conservadoras de diferentes países e terminou neste sábado (7).
Assim como fez com a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF), Damares Alves (DF) disse à coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, que trabalha para levar outras parlamentares para seu partido, o Republicanos.
A ideia é fortalecer o sigla como uma legenda relevante nas pautas feminina e de direitos humanos. Para isso, Damares quer atrair senadoras e deputadas para o Republicanos, assim como Michelle.
“Eu considero o Republicanos o melhor partido para mulheres. Os três últimos ministros de Direitos Humanos estão no Republicanos: o ministro Gustavo (Rocha), do governo Temer; eu; e a ministra Cristiane Britto, que me substituiu na reta final do governo Bolsonaro. Nós três estamos no Republicanos”, afirmou.
Damares ressaltou que Cristiane Britto também comandou o Ministério da Mulher. “Então, duas ex-ministras da Mulher estão no Republicanos”, disse a senadora, que é aliada de primeira hora de Michelle.
A senadora confirmou que já convidou várias parlamentares para a legenda. Segundo ela, o Republicanos está investindo na agenda feminina e de direitos humanos para os próximos anos. “É um partido que está investindo muito em mulheres. Investindo, investindo. A presidente da fundação do partido é uma mulher. Então, eu estou convidando. Toda parlamentar, eu estou convidando para vir para o melhor partido”, afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou em vídeo publicado no Instagram neste sábado (7) que vai à Turquia acompanhado do deputado federal André Janones (Rede-MG). Em mensagem destinada aos integrantes do “Exército do Lula”, canal de WhatsApp utilizado por Janones para impulsionar a campanha de segundo turno, Lula pediu que eles precisam ficar de “prontidão”
“Eu vou passar a semana inteira fora, mas eu quero dizer aos meus soldados, ao meu general (Janones) que a tropa tem que estar de prontidão para não deixar os nossos inimigos continuarem mentindo nesse país. É importante a gente ter certeza que somente a verdade repetida muitas vezes vai destruir uma mentira contada milhões de vezes. Não há financiamento, não há impulsionamento que consiga destruir a verdade a vida inteira”, disse Lula.
Lula disse também que fará uma live semanal com Janones na Turquia na semana que vem. A previsão é que a live seja realizada na quinta-feira (12). Lula estará em Antália, no território turco, onde participará da COP-31. Em seguida, ele irá para Manila (Filipinas) onde terá uma reunião bilateral com o presidente daquele país, Ferdinand Marcos, e depois vai integrar a reunião da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Lula e Janones querem deixar o canal ativo para poder fazer pressão contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). O canal tem hoje pouco mais de 10 milhões de integrantes.
Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, eleita a Deputada Federal mais jovem de Minas Gerais, divulgou nas redes sociais um e-mail com ameaças de morte, estupro e ataques racistas direcionados à ela, após receber críticas por andar com escolta policial 24 horas.
Segundo Ana Elisa, as ameaças e intimidações acontecem desde o período eleitoral e representam um risco à sua integridade física. Em vídeo publicado nas redes sociais, a deputada mostrou o conteúdo de uma mensagem enviada por um homem que se identifica como ‘Pedro’.
Entre os trechos divulgados, o autor afirma que estaria esperando uma oportunidade para atacá-la dentro da própria casa. “Ana Elisa escuta bem, porque eu já estou dentro da sua casa, esperando que você abra a porta para eu te arrancar pelos cabelos, te jogar contra o muro de concreto. Quando o sol bater no seu rosto vou rasgar essa blusa rosa do seu corpo, sem te dar sequer um segundo para gritar ou implorar piedade.”
Em outra parte da mensagem, o remetente descreve ameaças de estupro e assassinato. O conteúdo também tem ataques racistas relacionados à atuação política de Ana Elisa e à representação de pessoas negras no Congresso Nacional. “Você merece essa destruição lenta e agonizante, porque tem a audâcia de representar filhotes de macacos no parlamento.”
Investigação
Em outubro, um inquérito foi aberto pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e também pela Polícia Federal (PF) para investigar outros ataques direcionados à deputada eleita.
O g1 entrou em contato com a Polícia Civil para atualizar o andamento das investigações, mas não teve retorno até a última atualização da matéria.
A reportagem também entrou em contato com a Polícia Federal, que respondeu em nota, que não comenta investigações em andamento.
Ameaças durante a campanha
Durante a campanha eleitoral, Ana Elisa também recebeu ameaças de morte e de estupro, além de ataques racistas. A jovem de Divinópolis denunciou o fato à Polícia Civil, que investiga o caso.
Em um e-mail recebido no dia 5 de setembro, o destinatário se identificou como “integrante de um grupo supremacista branco”. O autor mencionou dados pessoais de Ana Elisa para demonstrar que sabe como localizá-la e também ameaçou sua família.
A deputada eleita divulgou partes do e-mail nas redes sociais. No texto, o autor fala em ódio por mulheres negras. “Nós não apenas toleramos mulheres pretas que acham que podem representar ‘o povo’ vestindo aqueles ternos ridículos e falando em tom alto sobre justiça social. Nós os desprezamos. E especificamente, nós desprezamos você.”
O autor também fez ameaças de morte e de violência sexual contra Ana Elisa. “Estou escrevendo isso porque decidi que você merece o fim mais humilhante da sua carreira política antes de eu pôr um fim na sua miserável vida inteira.”
A situação judicial de Pâmela Bório ganhou um novo capítulo no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes determinou providências após a defesa deixar transcorrer o prazo para apresentar as alegações finais na ação penal relacionada aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Em despacho assinado no dia 7 de outubro, Moraes registrou que a instrução processual foi encerrada e que apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia apresentado suas alegações finais, nas quais pediu a condenação de Pâmela.
Diante da ausência de manifestação da defesa, o ministro concedeu novo prazo de 15 dias para a apresentação das alegações finais, sob pena de declaração de ausência de defesa e nomeação da Defensoria Pública da União (DPU).
Pâmela responde a cinco acusações criminais, incluindo tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio protegido. A soma das penas máximas previstas para os delitos chega a 30 anos e seis meses de prisão, embora a eventual punição dependa da dosimetria aplicada pelo STF.
O despacho expõe uma situação constrangedora para a defesa de Pâmela Bório. Enquanto a PGR já formalizou seu pedido de condenação, a defesa deixou de apresentar sua manifestação dentro do prazo processual, obrigando o relator a adotar novas providências.
A ação penal tramita no STF sob relatoria de Alexandre de Moraes.
Milhares de peixes foram encontrados mortos, ontem (6), na Barragem do Estado, também conhecida como Barragem do Governo, localizada nas proximidades do Sítio Cocos, na zona rural de Bezerros, no Agreste de Pernambuco. Os animais apareceram boiando e acumulados nas margens do reservatório, provocando mau cheiro e preocupação entre os moradores.
Na manhã de ontem (6), equipes das secretarias municipais de Agricultura e Desenvolvimento Sustentável e de Saúde estiveram no local para avaliar a situação e coletar amostras da água. A prefeitura também orientou os moradores sobre os cuidados necessários para evitar possíveis riscos à saúde.
Em nota, a Prefeitura de Bezerros informou que está acompanhando e monitorando a ocorrência. O município também destacou que fatores como temperaturas elevadas e redução do volume de água podem comprometer a sobrevivência dos peixes, principalmente pela diminuição da concentração de oxigênio no reservatório.
O que pode ter causado a morte dos peixes?
De acordo com o biólogo Alexandre Nunes, a mortandade pode estar relacionada a uma combinação de fatores, como excesso de nutrientes na água, possível poluição e temperaturas elevadas. “Uma carga de nutrientes, que pode ser esgoto, fertilizante ou algum tipo de poluição, contribui para que isso aconteça. As altas temperaturas também fazem com que as algas se proliferem com maior velocidade”, explicou.
Segundo o biólogo, a multiplicação excessiva das algas pode formar uma camada na superfície da água, dificultando a entrada de luz nas camadas mais profundas. Com isso, o fitoplâncton, formado por algas microscópicas responsáveis pela produção de oxigênio, é prejudicado.
Quando essas algas morrem, bactérias passam a decompor a matéria orgânica e consomem ainda mais oxigênio disponível na água. Esse processo é conhecido como eutrofização e pode comprometer a sobrevivência dos organismos aquáticos.
O professor Alexandre Nunes ressalta, no entanto, que a temperatura elevada não é a causa isolada do problema, mas um fator que acelera o processo. “A temperatura contribui para que aconteça a eutrofização. Isoladamente, a alta temperatura não vai ocasionar isso. É o conjunto de fatores, como essas algas, esgoto ou algum outro nutriente que está chegando à água. A temperatura acelera o processo, mas não é apenas isso”, explicou.
Quais cuidados os moradores devem tomar?
A Prefeitura de Bezerros orienta que a população evite o contato direto com a água da barragem. Também recomenda que os moradores não permitam que os rebanhos locais consumam a água do reservatório. O município informou que as equipes seguem acompanhando a situação e prestando assistência aos agricultores, produtores e moradores da comunidade.
Até o momento, não foi informada a causa confirmada da mortandade. A coleta de amostras da água deverá contribuir para a avaliação das condições do reservatório.