Pioneira na área de gestão de resíduos sólidos no Nordeste, a Locar Saneamento Ambiental, do empresário Carlos Buarque, completa, hoje, 33 anos de fundação. Genuinamente pernambucana, a empresa além de operar nos estados do Nordeste, tem forte presença nos municípios do Sul, Sudeste e Norte do Brasil, e no mercado internacional, na cidade de Santa Cruz da Lá Sierra, na Bolívia.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, nesta sexta-feira (16/10), que a saída do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do governo seria “o maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer”. A declaração foi dada durante sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, ao ser questionado sobre propostas para mudanças nas regras de despesas públicas.
Durante a entrevista, Flávio foi perguntado se manteria os reajustes do salário mínimo acima da inflação. Ele respondeu que sim. Em seguida, negou que pretenda desvincular o reajuste das aposentadorias do percentual aplicado ao salário mínimo ou alterar a Constituição para eliminar os pisos de gastos com saúde e educação. As informações são do Metrópoles.
“O meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo em cima dos servidores públicos e das estatais, dizendo que eu acabaria com as aposentadorias, com os servidores públicos, que eu privatizaria o Banco do Brasil, a Caixa e a Petrobras, enfim, um monte de coisa. E o maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula”, declarou.
O que prevê o ajuste fiscal de Flávio Bolsonaro
O plano de governo de Flávio Bolsonaro prevê reduzir despesas públicas, diminuir a estrutura do governo federal e criar uma nova regra fiscal para controlar a dívida pública.
Entre as medidas, estão o corte de pelo menos dez ministérios, a redução de cargos comissionados e o combate a supersalários e benefícios considerados excessivos no serviço público.
A campanha também defende a redução de impostos e a revisão de despesas consideradas ineficientes.
No entanto, o programa oficial não detalha como todas as medidas seriam implementadas nem apresenta uma regra fiscal completa.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (16/10) que não pretende reverter o fim da escala de trabalho 6×1 caso seja eleito. Durante sabatina ao Jornal Nacional, da TV Globo, o parlamentar também justificou a mudança de posição sobre a redução da jornada, aprovada pelo Congresso Nacional nesta semana.
Questionado sobre a intenção de aliados de aprovar uma proposta alternativa, com remuneração e benefícios proporcionais às horas trabalhadas, Flávio negou que pretenda desfazer a medida. As informações são do Metrópoles.
“Não, não vou. Direitos trabalhistas garantidos”, respondeu.
A declaração se dá dois dias depois de o senador votar a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de seis dias de trabalho por um de descanso. O texto foi aprovado no Senado na quarta-feira (14/10), com 75 votos favoráveis e um contrário, e promulgado pelo Congresso nesta sexta-feira.
Flávio havia criticado a proposta e defendido maior liberdade para a negociação da jornada entre trabalhadores e empregadores. Na entrevista, afirmou que mudou de posição por considerar a vontade dos trabalhadores brasileiros.
“Eu resolvi seguir a vontade dos trabalhadores brasileiros”, declarou. O candidato acrescentou que percorreu o país e ouviu pessoas favoráveis à mudança. Apesar disso, voltou a defender regras mais flexíveis para a contratação. “Eu sempre defendi mais liberdade para que os trabalhadores pudessem, inclusive, montar sua própria jornada de trabalho”, disse.
Proposta alternativa do PL
A posição de Flávio contrasta com a articulação de integrantes do próprio partido. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), declarou que pretende trabalhar pela aprovação de uma proposta de remuneração por hora em 2027, caso o senador vença a eleição presidencial.
O foi apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.
A iniciativa permitiria ao trabalhador optar por um regime de contratação por hora, com remuneração e direitos como férias e 13º salário calculados proporcionalmente ao período trabalhado.
Já a emenda constitucional promulgada nesta sexta-feira estabelece dois dias de descanso semanal remunerado, sem redução salarial. A transição prevê uma jornada máxima de 42 horas semanais depois de 60 dias e de 40 horas após mais 12 meses.
Na sabatina, Flávio também afirmou que pretende recuperar o poder de compra dos trabalhadores e combater a insegurança pública.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência da República, afirmou hoje (16) que não quer se reeleger e que “só precisa de um mandato” como presidente.
“Eu só quero um mandato para consertar o Brasil de verdade. Eu estou disputando o futuro da nação. O centro do meu governo vai ser devolver seu poder de compra ao brasileiro”, destacou. As informações são do UOL.
Capitais e outras cidades brasileiras tiveram registros de panelaços no início da sabatina realizada pela Rede Globo com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), no fim da edição do Jornal Nacional desta sexta-feira (16). A emissora convidou os dois presidenciáveis para uma entrevista comandada pela jornalista e apresentadora Renata Lo Prete. Na última quinta-feira (15), foi a vez do presidente Lula (PT) responder as perguntas.
Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador foram algumas das cidades em que moradores filmaram as fachadas dos prédios de suas ruas ao som das batidas nas panelas. As informações são do jornal O GLOBO.
A manifestação política contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro foi convocada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que vem articulando ações de eleitores de Lula nesta campanha de segundo turno.
“Pessoal, urgente! Hoje, às 9 horas da noite, o Brasil inteiro, de ponta a ponta, vai bater panela enquanto o nosso adversário, que eu nem falo o nome, estiver dando entrevista lá na Globo. Eu quero que vocês peguem uma colher e batam na panela, mas batam até amassar. Depois, troquem, comprem outra panela, comprem outra colher. Depois vocês dão um jeito. Mas é para bater a colher na panela sem dó!”, convocou o deputado, nas redes sociais.
Janones também é o criador do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, onde dá orientações aos militantes e eleitores do atual presidente. No final de semana, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques determinou a suspensão do grupo a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou comportamento inautêntico dos integrantes do canal, difusão de boatos e “missões” de compartilhamento em massa. No entanto, ele voltou a funcionar, com autorização de Nunes Marques, depois que a área técnica do TSE afirmou não ter identificado postagens com fake news citadas por Flávio entre as mensagens do canal de apoiadores de Lula, já com milhões de participantes.
O deputado federal eleito Gilson Machado e o deputado estadual eleito Gilson Machado Filho informaram que acionaram a Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, a Polícia Federal, o Ministério Público de Pernambuco, a Polícia Civil e a Polícia Militar após comentários publicados nas redes sociais sobre o ato “Bloco 22”, marcado para 22 de outubro, às 19h22, na Praça de Boa Viagem, no Recife, com a presença do deputado Nikolas Ferreira.
Segundo os parlamentares, algumas mensagens faziam referências a agressões contra Nikolas e participantes do evento. A partir disso, os dois também solicitaram reforço de segurança à Polícia Militar de Pernambuco para a realização do ato, que integra a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). “Não vão nos calar com ameaças”, afirmou Gilson Machado Filho.
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participa, a partir das 21h15 desta sexta-feira (16), de uma sabatina ao vivo na TV Globo, logo após o Jornal Nacional. A entrevista será conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com transmissão também pela GloboNews e pelo g1.
O Partido dos Trabalhadores (PT) sinalizou apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos) para a presidência da Câmara dos Deputados. A apuração é do analista de Política da CNN Pedro Venceslau ao CNN 360°.
A movimentação ocorre em resposta à crescente pressão do PL, que, após ampliar sua bancada para 120 parlamentares — a maior do Congresso Nacional, tanto na Câmara quanto no Senado —, passou a reivindicar o comando da Casa.
Dois nomes do PL aparecem como cotados para disputar a presidência da Câmara: Altineu Cortes e Sóstenes Cavalcante.
Segundo informações apuradas, Sóstenes Cavalcante afirmou que a decisão sobre qual dos dois será o candidato será tomada internamente, dentro do próprio partido. Ambos já estão em busca de aliados em outras legendas, de olho na eleição prevista para fevereiro do ano que vem.
Bloco do Centrão e estratégia de Hugo Motta Antecipando-se às articulações do PL, Hugo Motta formou um bloco partidário em defesa de sua recondução à presidência da Câmara.
O grupo reúne União, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Solidariedade e Podemos — oito partidos do Centrão que, juntos, já formam a maioria do Congresso Nacional.
A distribuição dos cargos dentro do bloco seria definida pelo tamanho de cada bancada, com a primeira vice-presidência ficando com o União, a segunda com o PP e assim sucessivamente.
Diante desse movimento, o PT se agregou ao grupo e abriu diálogo com Hugo Motta.
O objetivo do partido seria garantir a recondução de um de seus membros à Secretaria-Geral ou à Primeira Secretaria da Casa, cargo que funciona como uma espécie de prefeitura da Câmara dos Deputados.
Esse arranjo repetiria um acordo já firmado anteriormente, quando o PT apoiou Hugo Motta para a presidência e ficou com a secretaria da presidência.
Articulações no Senado e condicionantes do PL No caso do PL, a estratégia para conquistar a Câmara ainda depende de outra articulação, desta vez no Senado. Integrantes da sigla admitem que não seria viável ao partido comandar simultaneamente o Senado e a Câmara dos Deputados.
Caso Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como favorito para presidir o Senado, abra mão da cadeira, Rogério Marinho seria cotado para outro cargo, abrindo espaço para que um nome do Centrão, como Tereza Cristina, assuma o comando do Senado — liberando assim o PL para disputar a presidência da Câmara.
Essa aliança também dependeria do aval de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas conversas, aval que, segundo as informações apuradas, já teria sido concedido.
Embora o presidente estadual do PT, deputado federal Carlos Veras, tenha anunciado que Petrolina entrou na pré-agenda do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a passagem do petista por Pernambuco ainda não está confirmada. O blog recebeu, de fonte segura, a informação de que, caso a visita seja mantida, ela deverá ocorrer só na terça-feira, após um compromisso de Lula em São Luís, no Maranhão, e não na segunda-feira, como chegou a ser divulgado.
Segundo a mesma fonte, a agenda em Pernambuco está, neste momento, com “viés de baixa”, o que indica uma possibilidade reduzida de realização. O compromisso pode acabar sendo retirado da programação, embora ainda não haja uma decisão definitiva.
Se o leitor não conseguiu acompanhar a entrevista do cantor, compositor, roteirista, ator e autor teatral Evandro Mesquita, fundador da banda de rock brasileiro Blitz, ao quadro “Sextou”, do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, não se preocupe. Clique aqui e confira. Está incrível!
Diálogos de Daniel Vorcaro com advogados do Banco Master citam uma negociação por uma parceria do banqueiro com o presidente do União Brasil, Antonio de Rueda, em uma casa de apostas online chamada bet.bet. As conversas que citam o político estão no celular do banqueiro e tinham como interlocutores os ex-diretores jurídicos do Master Luiz Rennó e André Kruschewsky. Em mensagens com Rueda, Vorcaro comemorou o lançamento da bet. Procurado, Antonio de Rueda não se manifestou.
Nos diálogos obtidos pelo Estadão, em diferentes momentos, os advogados se referem a Vorcaro como o dono do dinheiro de um fundo de investimentos que investia na bet.bet. Rueda foi citado diversas vezes no contexto das tratativas para pôr de pé a casa de apostas ao lado de um empresário do ramo musical que é seu amigo, chamado Kleryston Pontes Silveira. Procurado pela reportagem, ele não se manifestou.
A bet.bet foi aprovada em 2024 para operar no mercado de apostas pelo Ministério da Fazenda. À época, seus sócios formais eram o dono da PixBet, Ernildo Junior, próximo de líderes do Centrão, como mostrou o Estadão, e o empresário do ramo musical Kleryston Pontes, que agencia nomes como Xand Avião e Nattanzinho. Havia, também, um fundo de investimentos, chamado Oracle, na sociedade. Como mostrou o portal Metrópoles e confirmou o Estadão, o dinheiro desse um fundo de investimentos é de Daniel Vorcaro.
No dia 5 de setembro de 2024, Vorcaro foi abordado pelo advogado do Master André Kruschewsky sobre o negócio. Ele enviou a mensagem “MOU ASSINADO DA BET – LUTA GRANDE”, e, em seguida, um documento chamado “MOU Oracle – 2024.08.29 – v. assinada.pdf”. Ele ainda emendou: “acabou de assinar”.
MOU é a sigla em inglês para “Memorando de Entendimentos”. Trata-se de uma espécie de contrato de gaveta firmado entre futuros sócios para alinharem suas expectativas sobre o negócio que estão montando juntos.
Vorcaro respondeu: “Bet?? Que mou???? Segura essa porra. Eu nem li. Olja (sic) a confusao que tá isso”. O advogado, então, explicou: “Sim! Aquela bet.bet. Luiz estava me cobrando a assinatura diariamente, duas vezes por dia. Aquela que alugamos as salas (Fabiano), lembra? Que estava tocando com Rueda, Kleryston, etc. Esse MOU já era para ter sido assinado há 40 dias e eles ficaram enrolando e a gente cobrando. Tivemos aquela reunião no BI para tratar…”.
Aliado da governadora Raquel Lyra (PSD), o prefeito de Arcoverde, Zeca Cavalcanti, reforçou, nesta sexta-feira (16), o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e convocou os eleitores do município a votarem no petista no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Em vídeo publicado nas redes sociais, Zeca destacou pautas como emprego, educação, saúde, valorização dos trabalhadores e o fim da escala 6×1. Assista:
O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, pagou R$ 600 mil à Elytron, empresa de cibersegurança que tentou vender fora do Brasil um sistema que usa inteligência artificial para manipulação política em eleições de forma clandestina. O PL também declarou ter pago R$ 131,9 mil à mesma companhia.
Documentos obtidos pelo Intercept Brasil detalham a oferta feita nos Estados Unidos de uma operação que incluía fazer uma coleta imensa de dados e identificar grupos de eleitores para, de acordo com o perfil de cada um, executar atividades como disseminar boatos e desinformação, criar contas falsas nas redes sociais e utilizar “técnicas de guerra psicológica” e métodos de infiltração para desacreditar adversários.
São essas ações, chamadas de “comportamentos inautênticos”, que diferenciam uma operação de influência ilegal e clandestina de uma mera estratégia de marketing político, comum em campanhas eleitorais.
Os registros da operação foram entregues à reportagem pelo empreendedor e tecnologista estadunidense Vincent Edward Reed, que foi consultor da Elytron entre 2024 e 2025 e atuou como intermediário para que o sistema fosse apresentado a pessoas ligadas à campanha de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos em 2024 – a tecnologia foi demonstrada aos republicanos, mas não há confirmação de contratação.
Reed disse que rompeu com a Elytron por avaliar que o sistema viola preceitos éticos e legais. “Quando vi a demonstração [do sistema] e o dashboard, pude entender do que era capaz. E isso foi preocupante para mim porque vi que estava mirando eleitores e poderia atingi-los com deepfakes de IA”, afirmou.
Ele denunciou a operação ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos EUA, mas as apurações não avançaram. Os pagamentos da campanha de Flávio Bolsonaro à Elytron fizeram Reed procurar o Intercept para contar o que sabe. Não há evidências que comprovem que o sistema de manipulação política denunciado por Reed tenha sido usado por Flávio ou pelo PL nas eleições de 2026.
A operação de um sistema de manipulação política nesses moldes violaria as leis que regulamentam as eleições no Brasil porque compromete a integridade do processo eleitoral. O uso de uma ferramenta com este fim também iria contra políticas e regras de uso das próprias plataformas de redes sociais.
O total pago à Elytron pela campanha de Flávio soma R$ 600 mil, de acordo com o DivulgaCand, sistema da Justiça Eleitoral em que os candidatos informam suas despesas. Lá há três notas fiscais emitidas pela empresa. Duas delas, de R$ 500 mil cada, são de 16 de setembro de 2026 – uma, entretanto, consta como cancelada. A terceira nota é de 2 de outubro e totaliza R$ 100 mil.
Todas descrevem o serviço prestado como “consultoria em tecnologia da informação” e citam referências genéricas a quatro atividades: “apoio forense”, “investigação Pishing” — possível referência a um tipo de ataque cibernético, embora a grafia esteja errada —, “teste de seguranca” e “monitoramento de infraestrutura”.
Embora no sistema da Justiça Eleitoral a soma de pagamentos feitos para a Elytron totalize R$ 600 mil, a campanha de Flávio Bolsonaro declarou uma despesa de R$ 1 milhão com a empresa na prestação de contas parcial entregue à Justiça Eleitoral no final de setembro.
O PL, partido de Flávio, também informou um pagamento de R$ 131,9 mil à Elytron. A despesa foi registrada em 20 de julho deste ano e menciona apenas a prestação de “serviços técnico-profissionais”.
A Elytron mobiliza uma rede de atores políticos internacionais, executivos do setor de tecnologia e nomes da extrema direita brasileira, como o lutador de jiu-jitsu Renzo Gracie. Além do lado brasileiro, que tem como clientes grandes empresas e até órgãos de governo, encontramos conexões que mostram que a empresa tem um braço em Portugal e é ligada a autoridades dos Emirados Árabes Unidos, como o xeque Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, chamado pelo Wall Street Journal de “xeque espião”.
No Brasil, dirigentes da Elytron mantêm ligações com o entorno do empresário e influenciador Pablo Marçal – cuja candidatura à Presidência da República foi proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, por ele estar inelegível. Marçal integra a equipe de campanha de Flávio desde o fim de setembro.
A denúncia feita por Reed envolvendo Elytron é um novo elemento nas preocupações envolvendo manipulação política via redes sociais e uma possível interferência nas eleições do Brasil. O tema vem ganhando força desde o ano passado diante da proximidade da família Bolsonaro com Trump e a adoção de medidas pelo governo dos EUA contra o Brasil – e até resultou na condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação, após ter sido acusado de articular retaliações contra o país e ministros do Supremo Tribunal Federal, o STF.
Procurada pelo Intercept, a campanha de Flávio Bolsonaro disse que “não contrata nenhum serviço que viole a legislação eleitoral” e classificou como grave e com “claro viés político eleitoreiro” a “tentativa de associar a contratação de um serviço exclusivo de segurança da informação para proteger os sistemas de comunicações contra ataques cibernéticos com práticas de manipulação política”. A assessoria frisou ainda que a contratação seguiu procedimentos regulares. Leia a resposta na íntegra.
Nós procuramos a Elytron por meio de sua assessoria de imprensa, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. Também procuramos João Brasio, CEO da empresa no Brasil.
Após a publicação, a Elytron respondeu os questionamentos enviados pelo Intercept. Disse que “repudia veementemente qualquer tentativa de associar seu nome à disseminação de informações falsas, ao uso de deepfakes ou à realização de operações clandestinas de manipulação da opinião pública”.
Também pontou que “a empresa atua no segmento de segurança cibernética e da informação, com serviços de natureza exclusivamente defensiva, e não oferece, não executa nem autoriza esse tipo de prática para nenhum cliente, nacional ou internacional, incluindo a campanha do senador Flávio Bolsonaro”.
A Elytron ainda informou que não prestou serviços para a campanha de Trump e que não autorizou a “realização de apresentações comerciais em seu nome para oferecer operações de influência política”. A empresa afirmou que apurará os fatos e eventuais responsabilidades relacionadas ao uso indevido de seu nome.
Quanto aos serviços prestados à campanha de Flávio e ao PL, a Elytron destacou que “possuem finalidade técnica e preventiva, voltada à proteção cibernética, à segurança das comunicações, à preservação da confidencialidade de informações e à proteção da infraestrutura tecnológica dos contratantes”.
A empresa ainda confirmou que possui pessoa jurídica em Portugal para fins de “organização societária e tributária para eventuais operações comerciais no mercado europeu”, mas que isso não constitui uma filial da Elytron brasileira. Leia aqui a íntegra da resposta enviada pela Elytron.
‘O termo manipulação foi de fato usado’
Reed contou ao Intercept que, no período em que atuou como consultor da Elytron, apresentaram-lhe o sistema como uma ferramenta analítica de IA, o que não seria um problema. No entanto, ao acessá-lo e entender do que se tratava, ele disse que ficou preocupado. “O termo manipulação foi de fato usado. E qualquer vez que eu ouço a palavra manipulação humana, especialmente quando envolve IA, me preocupa”, completou.
Documentos indicam que o objetivo do sistema ia muito além de análise de dados. Um deles, de acordo com Reed, é a apresentação confidencial que foi feita a pessoas ligadas à campanha de Trump em 2024. “Nós desenvolvemos soluções de ponta que aparelham big data como nunca antes”, descreve o material da Elytron.
Segundo o documento, unir dados e inteligência artificial viabiliza campanhas massivas direcionadas, controle da presença digital e identificação de ameaças, rastreamento de robôs e fake news, além de mobilização de pessoas.
Para mobilizar essas bases, segundo a apresentação, a Elytron coleta e cruza dados sociais, políticos e econômicos. O sistema promete geodirecionamento, mapeamento de demandas regionais, criação de cenários de votação e testes de eficácia de campanhas de comunicação.
Apresentação em inglês cita operações de ataque e defesa, unidades de infiltração e intervenção de um “exército digital”. Entre os objetivos, estão fazer ataques e interferências “silenciosas” e garantir uma “imagem de poder e controle”. (Foto: Reprodução)
Outra frente do negócio oferece a publicação de reportagens na imprensa internacional valendo-se de “relacionamentos excepcionais”. A lista menciona veículos como The New York Times, Bloomberg, The Washington Post, Reuters e CNN.
O documento também expõe o uso de mapeamento avançado em redes sociais para manipular e segmentar públicos. “Essa capacidade de segmentação nos permite identificar, ampliar ou criar uma opinião dominante dentro de um segmento definido” ou “mover a evolução de uma opinião do segmento A para o segmento B, com o objetivo de tornar essa opinião prevalecente e aumentar sua influência”.
Monitorar redes sociais, identificar tendências, mapear detratores ou contas falsas são práticas rotineiras para fins políticos ou comerciais – não é ilegal e costuma ser feito por meio de ferramentas pagas como Meltwater e Brandwatch.
O diferencial mencionado pela Elytron na apresentação à qual Reed teve acesso é a operação ativa de comportamentos inautênticos: a empresa sugere a criação de contas falsas, plantar desinformação e rumores e operar avatares gerados por inteligência artificial.
Uma das táticas descritas é a “disseminação direcionada de uma opinião ou informação (rumores, mensagens-chave, ideias) em um grupo específico”.
“Por exemplo, se o objetivo estratégico for associar um oponente a uma determinada opinião, podemos introduzir essa opinião com precisão em vários grupos-alvo, influenciando, assim, a percepção coletiva”, descreve a empresa no documento. O cardápio de serviços menciona, ainda, descredibilização de adversários.
Um gráfico anexado na apresentação revela o fluxograma tático. O plano parte da definição de um objetivo político da operação para, então, traçar um alvo operacional. A partir daí, define-se o método: as opções vão desde operações psicológicas, com a infiltração em redes adversárias, a operações especiais, com a criação e disseminação de desinformação e de descrédito, até chegar ao gerenciamento de opiniões.
Uma das páginas da apresentação mostra que a operação parte do objetivo político e, depois, se divide em operações psicológicas, especiais e de opiniões. Entre as ações previstas, estão infiltração em redes de opositores, espalhar informações falsas e desacreditar adversários a partir da criação e disseminação de conteúdo. (Foto: Reprodução)
Na etapa seguinte, de acordo com a apresentação, é definida a estratégia de transmissão. O plano abrange desde a criação de conteúdo – imagens, vídeos, memes, deepfakes – até a distribuição coordenada em blogs, redes sociais e na imprensa.
O Intercept submeteu o documento que detalha a operação à Beatriz Farrugia, pesquisadora da Lupa e analista sênior de desinformação e FIMI (o acrônimo em inglês para manipulação de informação e interferência estrangeira) do Debunk, uma ONG baseada na Lituânia.
Farrugia também é especialista em operações de influência, que são esforços deliberados e planejados que empregam técnicas ilegítimas para moldar opiniões e percepções das pessoas.
“Essa tela [do plano, foto acima] é exatamente a definição de A a Z de operação de influência”, diz a especialista, pontuando que estratégia vai muito além de apenas postar desinformação ou deepfakes nas redes sociais.
Reed detalhou ao Intercept a mecânica comercial da Elytron, que mapeia as metas do cliente. “Assim que uma campanha assina um contrato, representantes dela teriam acesso a uma equipe que ficaria encarregada de entender os objetivos. Essa campanha quer difamar o adversário? Eles querem colocar uma campanha de comunicação massiva? E também passam a pensar qual o desfecho que a campanha busca. Quer manipular eleitores? Influenciar opiniões?”, pontuou.
Com o alvo traçado, o sistema entra em ação. “Como usa tecnologia de fontes abertas e tem acesso ao X e às plataformas da Meta, o sistema pode mirar usuários individuais com base em demografia”, explicou Reed. As apresentações indicam que uma ampla variedade de outros bancos de dados também pode ser integrada para fortalecer essas capacidades de segmentação.
Ele disse que a demonstração à qual teve acesso deixou claro que o sistema não era apenas uma ferramenta analítica, mas uma tecnologia de manipulação eleitoral focada em campanhas e eleitores.
Conexão nos Emirados Árabes
A Elytron se apresenta como uma empresa de segurança da informação com atuação internacional. Além do endereço comercial em São Paulo divulgado em seu site, a firma possui registro em Portugal desde 2021.
O rosto público da empresa é João Lucas Melo Brasio, autointitulado “especialista em cibersegurança e hacker ético”. Em 2018, ele fundou o negócio com Felipe Garofalo. Naquele mesmo ano, ganhou notoriedade após declarar ter identificado uma vulnerabilidade no sistema de divulgação de candidaturas e contas eleitorais do TSE, o DivulgaCand.
Em entrevistas, Brasio afirma ter trabalhado para o Pentágono e outros órgãos de defesa, cujos logotipos também aparecem no site da empresa. Ele também é sócio de diversas outras empresas. Uma delas é a Katana, agência de comunicação focada em campanhas políticas. Em seu site, a companhia se apresenta como “resultado da sinergia entre a Nova Estratégia Comunicação Institucional Pública e Eleitoral e a Elytron Security”.
Em entrevista ao jornal português Observador, em 2022, Brasio disse que a Elytron tinha uma filial no Algarve com apenas dois funcionários e que já executava projetos em Portugal sob sigilo.
Em novembro de 2025, Daniel Tupinambá, chefe de segurança da informação da Elytron, publicou no LinkedIn uma foto na Assembleia Geral da Interpol ao lado de Jorge Remígio e Felipe Garofalo, co-fundador da empresa. “Elytron Cybersecurity Brasil e Portugal fechando o terceiro dia de muito aprendizado e compartilhamento legítimo contra o crime cibernético”, escreveu Tupinambá.
Reed, que nos procurou com os documentos sobre a operação da Elytron, atuou como consultor para o braço português da empresa. Em 2024, ele começou a trabalhar com pessoas que se apresentaram como ligadas à Elytron Security, empresa de cibersegurança e inteligência artificial que opera no Brasil e em Portugal, e também à Aleria, uma companhia dos Emirados Árabes que desenvolve soluções de inteligência artificial.
Em novembro de 2024, Reed assinou um contrato de consultoria com a Aleria que lhe garantia de 3% a 5% do lucro líquido de cada negócio que intermediasse. Na mesma data, ele teve acesso a um endereço de e-mail corporativo da Elytron.
Reed contou ao Intercept que mantinha contato principalmente com três executivos: Jorge Remígio, Ludgero de Sousa e Eric Leandri. No LinkedIn, Remígio se apresenta como CEO da Elytron para Europa, Oriente Médio e África. Ele detém 25% da filial portuguesa; os 75% restantes pertencem à sua esposa, a designer de bolos Ana Remígio.
Curiosamente, o português Ludgero Gaspar Sousa, radicado nos Emirados Árabes, também se apresenta com o mesmo cargo no LinkedIn e em entrevistas: CEO da Elytron para Europa, Oriente Médio e África.
No Instagram, onde ostenta um estilo de vida luxuoso, Sousa exibe com frequência uma figura-chave: o lutador de jiu-jitsu Renzo Gracie, aliado histórico da família Bolsonaro. Em 2022, foi Gracie quem abriu as portas para o então deputado federal Eduardo Bolsonaro junto a autoridades árabes, incluindo líderes dos Emirados Árabes Unidos, quando o parlamentar visitou a região.
Ludgero de Sousa também atuou na tentativa de venda do Banco Master para a Fictor e para a gestora de investimentos emiradense Royal Capital. Documentos revelados pelo jornal O Estado de S. Paulo mostram o CPF de Sousa atrelado à assinatura de Khamis Buharoon, diretor-geral da Royal Capital. Segundo o periódico, a transação foi intermediada pela Lerco Consulting, empresa que tem Leandri, Ludgero e Gracie como sócios.
Além da Elytron, Sousa é diretor de negócios da Aleria. A empresa foi fundada e é presidida pelo francês Eric Leandri.
Antes, Leandri esteve à frente da Altrnativ, empresa de cibervigilância focada em inteligência de fontes abertas, OSINT. Em 2022, documentos internos revelados pelo site Politico mostraram que a firma monitorou e vigiou políticos, ativistas e lideranças sindicais na França. Em 2024, Leandri enviou especialistas à África do Sul para “tentar impulsionar” a campanha presidencial de Jacob Zuma.
Nos contatos com Reed, Leandri, Remígio e Sousa se apresentavam como ligados a ambas empresas: Aleria e Elytron. “Ao longo das minhas interações com o grupo, eles também se apresentaram como afiliados à Aleria Technology, uma subsidiária da International Holding Company, nos Emirados Árabes Unidos”, disse Reed. Segundo ele, os executivos se diziam conselheiros, sócios ou parceiros comerciais do xeque Tahnoon bin Zayed al-Nahyan.
Irmão do presidente dos Emirados Árabes e conselheiro de segurança nacional, al-Nahyan é peça-chave na corrida global pela inteligência artificial. Em 2025, a revista Time o listou entre as 100 pessoas mais influentes do setor. Em maio, após o xeque se reunir com o presidente Donald Trump, a Casa Branca anunciou que o governo emiradense investiria 1,4 trilhões de dólares em infraestrutura de IA, semicondutores, energia e manufatura nos Estados Unidos.
Mas al-Nahyan não é apenas um empreendedor de tecnologia. O jornal inglês The Guardian o definiu como “articulador, financiador e chefe de espionagem”. Como autoridade de segurança, ele transformou o país em uma referência em tecnologia de vigilância.
Foi sob sua gestão que floresceu o Projeto Raven, operação de espionagem ligada à estatal emiradense DarkMatter. Em 2019, uma investigação da Reuters revelou que a empresa contratou ex-agentes da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, a NSA, para espionar dissidentes, ativistas e jornalistas a mando da monarquia dos Emirados Árabes.
Além de conselheiro do governo, al-Nahyan preside o conselho do International Holding Group, uma holding sediada nos Emirados Árabes Unidos avaliada em mais de 200 bilhões de dólares. Ela é a segunda corporação mais poderosa dos países do Golfo, atrás apenas da petroleira Saudi Aramco.
Em resposta aos questionamentos enviados pelo Intercept, Remígio e Sousa confirmaram o contato com Vincent Reed, mas negaram a existência de quaisquer reuniões com equipes ligadas à campanha de Trump. Eles também afirmaram que a empresa não oferece serviços de manipulação política ou deepfakes.
Sousa confirmou que é CEO da Elytron para Europa, Oriente Médio e África, mas que não têm cargo no Brasil. Remígio disse ser o co-CEO na Elytron para a mesma região, mas ressaltou que essa empresa é diferente da que existe no Brasil. Leia a resposta de Sousa e Remígio na íntegra.
Procurado pelo Intercept, Renzo Gracie disse que Leandri e Ludgero são seus sócios na empresa Lerco Consulting e amigos pessoais, mas que ele não possui relação com a Aleria ou com a Elytron. Leia sua resposta na íntegra.
Eric Leandri não respondeu aos questionamentos enviados pelo Intercept. O espaço segue aberto.
Em resposta enviada ao Intercept após a publicação da reportagem, a Elytron informou que Remígio e Souza “são parceiros comerciais independentes, cuja relação com a Elytron brasileira se limita à prospecção e indicação de oportunidades de negócios, mediante remuneração por comissionamento”.