O ex-secretário da Fazenda de Tabira Gleison Rodrigues criticou a decisão que determinou a retomada do pagamento de mais de R$ 3,15 milhões em precatórios aos ex-prefeitos Dinca Brandino e José Edson de Moura. A 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) julgou improcedente a ação apresentada pelo município para anular o processo que originou a cobrança e restabeleceu a exigibilidade dos valores, que havia sido suspensa anteriormente. A ação, iniciada em 2002, refere-se a diferenças salariais reivindicadas pelos ex-gestores, que alegaram ter recebido, durante os respectivos períodos à frente da Prefeitura, remuneração inferior àquela a que teriam direito.
Em manifestação divulgada nas redes sociais, Gleison afirmou que o desembolso poderá afetar as contas municipais e defendeu que os ex-prefeitos abram mão dos valores. “Pode até ser legal o pagamento dessa indenização, mas é imoral você retirar mais de R$ 3 milhões dos cofres de um município relativamente pequeno como Tabira”, declarou. Segundo ele, o montante poderia ser utilizado em áreas como saúde, educação, assistência social e infraestrutura.
O pagamento havia sido suspenso em decisão provisória do TJPE após o município questionar a validade do processo, inclusive pelo fato de Dinca Brandino ter figurado, em determinado momento, como autor da ação e representante legal da Prefeitura. Com o julgamento do mérito, a suspensão foi revogada e o Tribunal determinou a retomada dos procedimentos para pagamento dos precatórios.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (29) que não tomou partido nas eleições do Brasil a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Trump também afirmou que falará com Lula, mas, novamente não disse se reconhece a vitória do presidente brasileiro. Questionado sobre quem, para ele, havia vencido as eleições no Brasil, ele respondeu que “não quero comentar isso agora”.
E voltou a criticar o pleito, que chamou de “vergonhoso”, sem apresentar provas. As informações são do g1.
Leia mais“Não quero comentar isso agora, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro”, afirmou o presidente dos EUA. “Acompanhei a eleição. Não tomei partido. Deixei as coisas seguirem seu curso. O presidente (Lula) — o atual presidente — me pediu para não tomar partido. E eu não tomei. Mas, ao observar o que aconteceu no Brasil… bem, basta olhar para o mercado. O mercado despencou. Enfim, achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil”, disse.
Nos EUA, Trump enfrenta uma eleição decisiva para o restante de seu mandato. No próxima terça (3), os americanos vão às urnas para renovar a Câmara e parte do Senado. Projeções eleitorais indicam que os democratas têm chances de conquistar o controle das duas Casas do Congresso. Diante desse cenário, o republicano já levantou dúvidas se aceitará o resultado das urnas. “Respeitarei, se forem eleições honestas”, afirmou Trump.
Contrariando a postura que tem adotado em eleições na América Latina, Donald Trump não apoiou publicamente nenhum candidato no pleito do Brasil. O governo brasileiro ainda não havia comentado, até a última atualização desta reportagem, a declaração de Trump de que Lula pediu ao norte-americano não se posicionar.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reunirá com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante o encontro de chanceleres do G20, que acontece na sexta-feira (30) e no sábado (31) em Atlanta, nos EUA.
Na quarta-feira (28), também sem apresentar provas, Trump afirmou que as eleições no Brasil foram “muito estranhas”, mas negou se pronunciar sobre a carta que o senador Flávio Bolsonaro, derrotado nas eleições, divulgou, em que autointitulava-se “líder do Brasil”.
Ele também disse ter aprovado a ida de Flávio aos Estados Unidos, mas afirmou que não se envolveria no tema. “Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver”, afirmou, na ocasião.
O senador chegou aos EUA na quarta em um avião privado após deixar o Brasil por uma fronteira terrestre com a Argentina. O trajeto incluiu uma escala no Equador antes da chegada aos Estados Unidos.
As alegações de fraude eleitoral, divulgadas sem apresentação de provas, contrastam com o resultado oficial confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que declarou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.
O PL, partido de Flávio Bolsonaro, reconheceu o resultado eleitoral, mas pediu esclarecimentos à Justiça.
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Cirurgiões-dentistas de Pernambuco participam, nesta quinta-feira (29), da assembleia eleitoral que escolherá o delegado-eleitor responsável por representar o Estado no processo de eleição dos novos dirigentes do Conselho Federal de Odontologia (CFO). A votação ocorre de forma on-line e permanece aberta até esta sexta-feira (30), às 9h30, pela plataforma oficial do pleito.
A Chapa 01 é formada por João Godoy, como titular, e Fabiana Motta, como suplente, e defende a renovação da direção do CFO. Os profissionais aptos a votar podem registrar a escolha pelo endereço eletrônico https://eleicoes.cfo.org.br/cro-pe até o encerramento da votação.
Por Rafael Barbosa – PODER 360
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 2,1 milhões de votos a mais do 1º para o 2º turno nas cidades em que há mais beneficiários do Bolsa Família do que pessoas com Carteira de Trabalho assinada. Esse acréscimo foi quase metade da vantagem de 4,4 milhões de apoios que o petista teve sobre Flávio Bolsonaro (PL) para vencer a disputa presidencial.
O Brasil tem 5.569 cidades. Em 2.647, há mais famílias no programa social que em empregos formais. A 17 dias do 1º turno, Lula anunciou um aumento de 15% no valor do benefício. Os pagamentos reajustados seriam feitos até o final de outubro, mas o Planalto decidiu antecipar tudo para antes da votação. Além disso, enviou milhões de mensagens via WhatsApp para quem recebe auxílio. O total de famílias cadastradas é de 19,3 milhões.
No 1º turno, Flávio havia tido 32,14% dos votos válidos nesses municípios mais dependentes do Bolsa Família. Na 2ª rodada, conseguiu só 31,88%, uma queda de 0,26 ponto percentual. Lula subiu de 62,97% para 68,12%.
Leia maisEm números absolutos: o atual presidente levou 18,4 milhões dos 29,3 milhões de votos válidos nessas cidades no 1º turno. Na 2ª volta, cresceu para 20,5 milhões de apoios no total.
Flávio saiu de 9,4 milhões para 9,6 milhões de votos nesse recorte, alta de 195 mil. Como houve queda da abstenção, de 20,1% para 19,4%, o senador ficou praticamente estagnado em termos percentuais e os novos apoios foram quase todos para o PT.
No 1º turno, Lula havia vencido em 2.232 desses 2.647 municípios com mais Bolsa Família que emprego. Esse número subiu para 2.287 no 2º turno. Flávio saiu de 414 para 359 vitórias no grupo. Em Marquinho (PR), houve empate e, por isso, a cidade não foi considerada para nenhum dos candidatos.
O Planalto já esperava um bom desempenho de Lula entre beneficiários do Bolsa Família com o aumento do piso do benefício de R$ 600 para R$ 691.
Perguntado, de forma indireta, em entrevista à TV Globo em 15 de outubro se havia tomado essa decisão de forma eleitoreira, Lula disse que não deu o reajuste antes porque “não sabia” que o programa havia ficado 3 anos com o valor congelado.
OS ERROS DA CAMPANHA
Pode ter contribuído para a estagnação de Flávio nas cidades com mais Bolsa Família uma fala da coordenadora econômica da campanha do senador, Daniella Marques, sobre instituir uma regra de transição de 2 anos para beneficiários que conseguirem um emprego formal ou abrirem um negócio.
A campanha petista tentou colar em Flávio a imagem de ser contra o Bolsa Família em diversos outros momentos do 1º para o 2º turno. No debate da Globo, por exemplo, Lula questionou o senador por que, no passado, ele havia chamado o programa social de “Bolsa Farelo” em uma publicação nas redes sociais. O candidato do PL se esquivou de responder a essa pergunta.
Um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) criticando as ações do PT no Nordeste, região com a maior quantidade de beneficiários do Bolsa Família, também foi muito compartilhado na região e pode ter contribuído para frear Flávio, apesar de não ser possível dimensionar o real impacto dessa ação.
Vários influenciadores fizeram vídeos-resposta para o mineiro, que fez a produção na cidade bolsonarista Luís Eduardo Magalhães (BA), que tem uma economia forte ligada ao agro. Nikolas usou uma grande equipe, preparou um roteiro muito bem desenhado para as redes e escolheu a dedo o elenco para retratar a região como sofrida, com pobreza, falta de emprego e problemas de saúde e insegurança.
A avaliação, até de pessoas da oposição, é que essa estratégia para conquistar o voto dos nordestinos não deu certo.
ALTA ANTE 2022
Apesar de ter perdido em percentual de votos válidos do 1º para o 2º turno em 2026, Flávio teve agora desempenho levemente melhor que o de seu pai, Jair Bolsonaro, há 4 anos nas cidades mais dependentes do Bolsa Família.
No 2º turno de 2022, o ex-presidente havia tido 30,73% dos votos nesse grupo de cidades. Seu filho e senador conseguiu ter 31,88% agora, um crescimento de 1,15 ponto percentual.
Em votos absolutos, o ganho de Flávio na comparação com Bolsonaro foi de 1,1 milhão de votos, como mostra o infográfico a seguir:
Se não tivesse havido a mobilização de Lula do 1º para o 2º turno, com o objetivo de desconstruir a imagem de Flávio, a tendência é que esse avanço pudesse ter sido um pouco maior nesse grupo de cidades mais dependentes do Bolsa Família.
Melhorar o desempenho no Nordeste era vital para o candidato do PL conseguir sua eleição. A região é historicamente mais ligada ao lulismo e sustenta há vários anos as eleições de nomes do partido à Presidência.
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A Prefeitura do Recife divulgou, nesta quinta-feira (29), a programação da Virada Recife 2027, que será realizada nos dias 26, 27 e 31 de dezembro, na orla do Pina. Ao todo, serão 20 atrações distribuídas em três noites de shows gratuitos, com artistas de diferentes gêneros musicais. “Teremos 20 atrações neste ano, a maior parte delas são nordestinos”, afirmou o prefeito Victor Marques.
No dia 26 de dezembro, a programação terá Claudia Leitte, Ludmilla, Luíza Sonza, Dennis, Raphaela Santos, Anderson Neiff e Juciê. No dia 27, sobem ao palco Jorge & Mateus, Wesley Safadão, Xand Avião, Toque 10, Priscila Senna, PV Calado e Rafa Cout. Já na noite de 31 de dezembro, estão confirmados Nattan, Natanzinho Lima, Zé Vaqueiro, Spok, Sheldon e Matheus Moraes.
Segundo dados divulgados pela gestão municipal, a edição 2025/2026 reuniu cerca de 1,5 milhão de pessoas e registrou ocupação hoteleira de 95%. A Prefeitura estima que os gastos de visitantes durante o evento tenham superado R$ 720 milhões, com impacto de aproximadamente R$ 1,28 bilhão na economia do Recife, considerando efeitos diretos e indiretos.
Confira a programação completa:
26 de dezembro
Claudia Leitte
Ludmilla
Luíza Sonza
Dennis
Raphaela Santos
Anderson Neiff
Juciê
27 de dezembro
Jorge & Mateus
Wesley Safadão
Xand Avião
Toque 10
Priscila Senna
PV Calado
Rafa Cout
31 de dezembro
Nattan
Natanzinho Lima
Zé Vaqueiro
Spok
Sheldon
Matheus Moraes
Por Luiz Queiroz – Capital Digital
Uma associação privada que reúne algumas das maiores mineradoras com atuação no Brasil bancou passagem e hospedagem do diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, em viagem à Austrália para encontros com empresas, investidores e autoridades do setor. A missão oficial termina nesta quinta-feira, 29 de outubro.
A viagem foi autorizada pela Portaria de Pessoal ANM nº 578, de 17 de setembro, “com ônus parcial para a ANM”. Os registros públicos da agenda do próprio diretor-geral apresentam, porém, outra classificação: “Viagem – Custeio Privado”. A Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB) aparece como ofertante de R$ 13.594,92 pelas passagens da Latam e R$ 10.815 pela hospedagem no Novotel Sydney on Darling Harbour. São R$ 24.409,92 nas duas principais despesas da viagem.
Leia maisA aparente contradição ainda não foi explicada. Se passagem e hotel foram oferecidos pela ADIMB, a ANM precisa esclarecer quais gastos ficaram sob sua responsabilidade e o que justificou a classificação oficial de “ônus parcial” para a agência. A situação chama atenção também pelo momento vivido pelo setor. Mauro comanda a agência responsável por conceder e administrar direitos minerários, e algumas das empresas australianas presentes na agenda de Sydney possuem projetos no Brasil que ainda passam por procedimentos e decisões da ANM.
É o caso da St George Mining, participante do Brazil Mining Day. A australiana desenvolve em Minas Gerais o Projeto Araxá, de nióbio e terras raras. Um dos títulos que integram o empreendimento, processo ANM nº 831.972/1985, está na fase de requerimento de concessão de lavra, e a própria companhia informa aos investidores que novas submissões à ANM ainda são necessárias para concluir o processo.
A Alvo Minerals, também presente no encontro, está expandindo o projeto Bluebush, de terras raras, em Goiás. Operações da companhia estão vinculadas ao cumprimento de etapas do regime minerário administrado pela ANM, incluindo relatórios de pesquisa e, posteriormente, o Plano de Aproveitamento Econômico.
Já a Meteoric Resources pretende colocar em produção em 2028 o Projeto Caldeira, de terras raras, em Minas Gerais. O conjunto de direitos minerais relacionado ao empreendimento possui áreas em diferentes etapas, incluindo processos ainda na fase de requerimento de lavra. A empresa também está sendo adquirida pela australiana Lynas Rare Earths por cerca de A$ 968 milhões. Como informou o Capital Digital, a própria documentação apresentada pelas duas companhias aos investidores reconhece que a conclusão do negócio poderá depender de aprovação ou homologação exigida pelo novo regime brasileiro de minerais críticos.
O Ministério de Minas e Energia chegou a anunciar que a operação da Lynas viabilizaria no Brasil uma refinaria de terras raras, mas a empresa não confirmou até agora a implantação da unidade no país e trata essa possibilidade como uma alternativa ainda em avaliação. A operação, portanto, acrescenta à relação da Meteoric com o governo brasileiro não apenas os processos minerários de Caldeira, mas uma possível decisão regulatória sobre a mudança de controle do projeto e uma negociação ainda em aberto sobre o processamento das terras raras no Brasil.
Não há documento indicando que St George, Alvo, Meteoric ou qualquer outra mineradora tenha pago diretamente despesas de Mauro Sousa, nem evidência de tratamento diferenciado dessas empresas pela ANM. O ponto relevante é que companhias com interesses regulatórios concretos perante a agência participaram dos encontros enquanto a viagem de seu diretor-geral tinha despesas assumidas por uma associação privada ligada ao próprio setor.
Apesar do nome de “agência”, a ADIMB não pertence ao governo. É uma associação privada sem fins lucrativos. Atualmente é presidida por Mario Caramori, ligado à Anglo American, e tem como vice-presidente Leonardo Faria, da Vale. Oito das 12 vagas de seu Conselho Superior são ocupadas por representantes eleitos pelas empresas associadas.
Entre os associados aparecem Anglo American, Vale, Rio Tinto, Meteoric Resources, Alvo Minerals, Ero, Bemisa, Jaguar Mining e Nexa, além de outras mineradoras e empresas de pesquisa e serviços. A própria ANM participa da ADIMB como “sócia nata”, juntamente com o Ministério de Minas e Energia (MME), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
A relação institucional não permite concluir que exista irregularidade. Mas cria uma situação pouco usual para uma agência reguladora: sua principal autoridade viajou ao exterior com despesas relevantes assumidas por uma associação privada cujo comando e financiamento envolvem empresas submetidas às decisões do setor público.
O Brazil Mining Day foi realizado em Sydney no dia 26 justamente para aproximar governo, investidores e empresas interessadas no potencial mineral brasileiro. O encontro foi promovido pela ADIMB em parceria com a Australia-Brazil Chamber of Commerce (ABCC), com apoio institucional da Embaixada da Austrália, Austrade e Trade and Investment Queensland.
Há pelo menos um patrocinador privado identificado. O escritório australiano Reid Legal Group declarou publicamente ter patrocinado o Brazil Mining Day. Não foi localizada, entretanto, a relação completa dos patrocinadores nem os valores desembolsados por cada um.
Um dos debates do evento tratou da visão das companhias australianas que investem no Brasil, incluindo oportunidades, dificuldades e sua experiência no mercado brasileiro. Outro foi dedicado às cadeias de terras raras, lítio, grafita e outros minerais críticos.
Nesse painel estavam Thiago Amaral, da St George Mining; Stuart Gale, CEO da Meteoric Resources; e Rob Smakman, CEO da Alvo Minerals. Mauro participou da abertura ao lado do secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do MME, Anderson Barreto Arruda; do diretor-executivo da ADIMB, Roberto Perez Xavier; e de representantes australianos e do Consulado-Geral do Brasil em Sydney.
Relato no LinkedIn de participante ligado à organização, Luiz Curado, ligado à Terra Goyana Mineração e integrante do Conselho Superior da ADIMB, informou que a delegação passou de nove integrantes em 2025 para 36 neste ano. O Brazil Mining Day teria sido inicialmente planejado para cerca de 40 pessoas, mas acabou transferido para um espaço com aproximadamente 100 lugares diante da procura.
Durante a missão, Anderson Barreto Arruda deixou claro o interesse do governo em ampliar a presença australiana no setor mineral brasileiro. O secretário destacou que alguns dos projetos mais relevantes de minerais críticos em desenvolvimento no país são conduzidos por empresas australianas, particularmente em terras raras, e afirmou que o Brasil pretende ampliar essa parceria e atrair novos investimentos.
A aproximação vinha sendo preparada desde o início do ano. Em fevereiro, a embaixadora australiana Sophie Davies esteve na sede da ANM em Brasília e se reuniu com Mauro e outros diretores. Na ocasião, o diretor-geral destacou o crescimento do interesse australiano pelo potencial mineral brasileiro e já mencionou a futura delegação ao IMARC.
O movimento ocorre no meio de uma corrida internacional pelos direitos sobre minerais críticos brasileiros. Dados divulgados pela própria ANM mostram que as autorizações de pesquisa para terras raras cresceram 485,4% entre 2021 e 2025. A agência informou recentemente a existência de 3.067 áreas em fase de pesquisa mineral e outras 78 com relatório final aprovado ou requerimento de concessão de lavra com potencial para novos projetos.
Levantamento da Repórter Brasil em parceria com a Associated Press identificou 2.727 requerimentos relacionados a terras raras até junho de 2026. Segundo a investigação, 42% estavam nas mãos de empresas estrangeiras ou subsidiárias, com presença relevante de companhias australianas.
A Austrália, portanto, não é apenas o país anfitrião de um congresso internacional. Empresas australianas disputam espaço na nova fronteira mineral brasileira justamente quando o governo procura atrair capital estrangeiro para desenvolver terras raras e outros minerais considerados estratégicos.
Há outra questão administrativa a esclarecer. A portaria autorizou oficialmente o afastamento de Mauro entre 26 e 29 de outubro, mas as passagens oferecidas pela ADIMB registram saída em 23 de outubro e retorno no dia 30, enquanto a hospedagem cobre o período de 25 a 30. A diferença pode decorrer do longo deslocamento entre Brasil e Austrália, mas os documentos públicos localizados até agora não explicam como esses dias foram enquadrados.
Até a manhã desta quinta-feira, 29, a ANM também não havia publicado em seu site um balanço da missão. Não foi localizado relato da agência identificando eventuais reuniões individuais de Mauro com empresas ou autoridades nem os assuntos tratados nesses encontros. Isso não significa que os compromissos não tenham sido registrados administrativamente, já que as agendas das autoridades são encaminhadas ao sistema oficial e-Agendas, mas o portal institucional não oferece até agora um quadro público dos encontros realizados durante a missão.
Parte das respostas pode estar no processo administrativo 48051.009632/2026-15, que fundamentou a autorização. A Portaria nº 578 informa que o afastamento foi aprovado pela Diretoria Colegiada durante a 361ª Reunião Administrativa, mas a íntegra do processo, com convite, justificativa e detalhamento das despesas, não foi localizada nas consultas públicas realizadas até agora. Esses documentos poderão esclarecer também o que a diretoria sabia sobre o custeio pela ADIMB quando aprovou a viagem.
Falta ainda identificar a origem dos recursos dentro da própria associação. O estatuto da ADIMB permite receitas provenientes de contribuições dos associados, atividades próprias, doações, auxílios, subvenções e convênios e prevê a organização de missões internacionais. Não foi localizada prestação de contas que permita saber de qual dessas fontes saiu o dinheiro destinado às despesas de Mauro.
Não há base documental para atribuir o pagamento diretamente a uma mineradora. O que os registros mostram é que a ADIMB foi a ofertante. Cabe agora à associação informar quem financiou a delegação e o Brazil Mining Day, quanto os patrocinadores aportaram e de qual receita saíram os recursos utilizados na viagem do diretor-geral.
A ANM, por sua vez, precisa explicar a aparente divergência que aparece nos próprios documentos oficiais: uma viagem autorizada “com ônus parcial para a ANM”, registrada na agenda do diretor-geral como de “custeio privado” e com passagem e hospedagem, no total de R$ 24,4 mil, atribuídas a uma associação privada integrada também por empresas do setor regulado.
Diante do cenário que coloca o Brasil como potencial fornecedor de minerais críticos ao mundo, não seria conveniente evitar misturar interesses públicos com os privados?
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O deputado federal André Janones (Rede-MG), um dos principais responsáveis pela vitória petista nas eleições, cancelou dias de descanso no Rio de Janeiro e embarcou na manhã desta quinta-feira (29) para Brasília após ser chamado para uma conversa com o presidente Lula.
Segundo interlocutores, foi o próprio Lula que telefonou a Janones na quarta-feira (28) para que ele fosse a Brasília hoje. A conversa nao está prevista na agenda oficial do presidente. As informações são da CNN.
Janones foi o criador do canal do WhatsApp “Exército do Lula”, feito após a derrota para Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno e que virou símbolo da mobilização digital e da estratégia de ocupação de ruas e rede social, apontada como essencial para a virada no segundo turno. No último domingo, o canal chegou a a ter mais de 10 milhões de integrantes.
Leia maisO presidente Lula tem dito a interlocutores que pretende reformular de forma drástica a comunicação com a população no próximo mandato, apontada como um dos erros do governo Lula 3 e que quase o levou à derrota na eleição deste ano.
O desenho do que seria a comunicação no governo Lula 4 ainda não está definido, mas a premissa será de comunicar decisões e propostas diretamente por meio digital.
Há especial interesse de Lula em usar as redes como instrumento para influenciar discussões no Congresso Nacional, ainda mais diante do controle do Centrão e da direita na próxima legislatura.
Janones é do Avante — mas há possibilidade de migrar para o PT — e exerce atualmente seu segundo mandato como deputado federal por Minas Gerais, tendo sido reeleito para o terceiro mandato com 78.780 votos. Seu nome é cotado para a Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
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Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Atribui-se ao atacante Claudiomiro, que foi ídolo do Internacional, a frase que entrou para o folclore do futebol. Ao explicar como teria feito um gol, Claudiomiro assim explicou: “Fiz que fui, não fui, acabei fondo”. Na sua mirabolante fuga para os Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado nas eleições presidenciais, imitou Claudiomiro: fez que foi, não foi, acabou “fondo”.
Numa tática de despiste, deixou vazar a informação de que já estaria nos Estados Unidos na terça-feira (27). Na verdade, embarcou somente na manhã desta quarta, a partir de Puerto Iguazu, na Argentina. Dos EUA, Flávio Bolsonaro pretende imprimir uma liderança de oposição no estilo da que fez Juan Guaidó na Venezuela: denunciar que o Brasil não é uma democracia, mas uma “ditadura de toga” comandada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Leia maisFoco de Valdemar nunca foi a candidatura
Nessa linha, Flávio Bolsonaro dirá que é um “perseguido político”. Fica a dúvida: essa estratégia funcionará? O primeiro ponto é que ela precisará, para ser bem-sucedida, do apoio do partido de Flávio, o PL. E, como mostrou Tales Faria na sua coluna de terça no Correio da Manhã, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já está em outra rota. Na verdade, a candidatura de Flávio nunca foi o foco principal de Valdemar. Sua preocupação sempre foi mais com eleger a maior bancada de deputados.
Só entrou quando Michelle rachou
Nós contamos aqui no Correio Político em julho. Valdemar tinha delegado o comando da campanha de Flávio ao seu coordenador, Rogério Marinho. E iria cuidar somente do seu plano de eleger pelo menos cem deputados para continuar recebendo as maiores fatias dos fundos partidário e eleitoral. Valdemar só voltou para interferir quando Michelle Bolsonaro gravou o seu famoso vídeo acusando seu enteado. Naquele momento, a campanha correu seríssimo risco de rachar completamente.
Voltou da Copa para uma ordem unida
O episódio do vídeo poderia comprometer não apenas a campanha de Flávio, mas também a dos parlamentares. Mesmo a de Michelle para o Senado. Na ocasião, Valdemar estava tão alheio que tirava férias nos Estados Unidos, para assistir aos jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo. Recebeu o vídeo de Michelle dentro do estádio onde o Brasil jogava contra a Escócia em Miami. Tomou no dia seguinte um avião.
Resolveu, saiu
Quando, de certa forma, Michelle reconciliou-se com Flávio e o problema foi contornado, Valdemar de novo afastou-se da campanha presidencial e foi cuidar de eleger seus mais de cem deputados, para ter fundo eleitoral e partidário. Elegeu 121. Valdemar conquistou seu objetivo, Flávio, não. Ele não estava com Flávio no domingo.
Não estava
Valdemar não estava na casa do advogado Vicente Santini, de onde Flávio Bolsonaro acompanhou a apuração dos votos do segundo turno da eleição presidencial. Ele não aparece nas fotos no momento em que Flávio afirmou que não reconheceria o resultado da eleição e pediria anulação do segundo turno, ideia abandonada depois.
Reconheceu
No dia seguinte, Valdemar reconheceu o resultado das eleições, embora, no seu comunicado, tenha dito que eram necessários esclarecimentos sobre “medidas eleitoreiras”. Daí, porém, a endossar a ideia seguinte, de pedir a cassação da chapa Lula/Alckmin, vai uma grande diferença. Valdemar é escaldado com 2022. Escapou por um triz.
Voto Legal
Valdemar contratou o Instituto Voto Legal para fazer o parecer que embasou a ação do PL que contestava as eleições, alegando fraude nas urnas eletrônicas. O presidente do Instituto Voto Legal, Carlos Rocha, o contratado, acabou condenado por tentativa de golpe. Valdemar, o contratante, não. Rocha fugiu do país em dezembro do ano passado.
Trump
A versão Guaidó de Flávio depende também da adesão de Trump. Resta agora saber o quanto o presidente dos EUA embarcará. Trump chega às eleições parlamentares de meio de mandato com uma popularidade de somente 32%. Corre risco real de perder a maioria, especialmente na Câmara, que se renova por inteiro.
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O jornalista Francisco José receberá o título de Cidadão Juazeirense na próxima quinta-feira, dia 5 de novembro, às 15h, em ato solene promovido pela Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, no Ceará. A cerimônia será realizada no Plenário Dra. Yanny Brena, na sede do Legislativo municipal, no bairro José Geraldo da Cruz. A concessão da honraria foi aprovada pela Câmara em agosto deste ano.
Natural do Crato, Francisco José nasceu em 1944 e mudou-se ainda criança para o Recife, onde se formou em Direito e iniciou a carreira jornalística no Jornal do Commercio, em 1966, como repórter esportivo. Depois, ingressou na Globo Nordeste e construiu uma trajetória de mais de quatro décadas na emissora, com atuação em coberturas nacionais e internacionais. Participou de Copas do Mundo e Olimpíadas, acompanhou a Guerra das Malvinas e percorreu os cinco continentes em reportagens sobre meio ambiente, cultura, comportamento e questões sociais. No Globo Repórter, realizou mais de 100 edições do programa e teve uma reportagem sobre o povo indígena Enawenê-Nawê entre os trabalhos finalistas do Emmy Internacional.
Francisco José também presidiu a Associação dos Cronistas Esportivos de Pernambuco e a Associação Brasileira de Cronistas Esportivos. Em 2016, lançou o livro 40 Anos no Ar – A Jornada de um Repórter pelos Cinco Continentes. Mesmo após deixar a Globo, em 2021, segue em atividade, com produção de documentários, conteúdos audiovisuais e palestras.
O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), Paulo Pereira, informou nesta quinta-feira (29) que o chamado “PIXMei” de até R$ 5 mil, anunciado durante a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, deverá ser implementado por meio de aplicativo para que o acesso seja facilitado.
O dinheiro será concedido a fundo perdido, ou seja, sem necessidade de devolução e sem cobrança de juros.
O recurso deverá ser usado na compra de máquinas, equipamentos e ferramentas profissionais, além de melhorias na estrutura do negócio, segundo a regras do programa. As informações são do g1.
Leia maisEm entrevista ao programa “Bom dia, ministro”, da EBC, Paulo Pereira lembrou que, como o valor de até R$ 5 mil será disponibilizado para os microempreendedores individuais realizarem investimentos para aumentar sua capacidade produtiva, ou seja, para melhorar seus negócios, será necessário apresentar a nota fiscal da compra realizada posteriormente.
“São investimentos de até R$ 5 mil, não precisam ser de R$ 5 mil, que possam aumentar capacidade produtiva. É a primeira vez que a gente faz na história do Brasil. Brasil faz subvenção ao agro, indústria, mas ninguém tinha feito ao empreendedor. A gente está preparando em um valor específico, de 1 a 1,5 milhão de MEIs,. Se der certo, a gente pode fazer isso de maneira permanente'”, afirmou o ministro do Empreendedorismo.
Paulo Pereira avaliou, na entrevista, que “nem todos os MEIs vão pedir o dinheiro”, pois “nem todos vão ter projetos de investimentos”.
“Vamos testando, vamos ter uma linha específica para empreendedoras, para os MEIs que faturam menos, os ‘nanoMEIS’. Vão ter critérios para ir construindo as políticas públicas”, acrescentou o ministro.
Ele lembrou que o PIXMei não está disponível neste ano, que ele será ofertado somente a partir de 2027, e observou que já há fraudes na internet pedindo cadastramento de microempreendedores para o acesso ao benefício.
O ministro pediu que os MEIs tenham atenção para não cair em golpes, pois as regras do programa ainda não saíram e ainda não há cadastramento ativo iniciado.
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Por Osvaldo Matos*
Continuo conservador, de direita, católico e contrário à esquerda. Não mudei minhas convicções. Mas isso nunca me obrigou a concordar com tudo o que fazem aqueles em quem deposito minha confiança.
Como brasileiro, acredito no capitalismo, na liberdade de empreender e numa economia que permita às pessoas viver do próprio trabalho. Defendo um Estado que entregue os serviços essenciais, cuide da segurança, respeite o contribuinte e incentive a produção. Já pagamos caro demais para receber tão pouco.
Acredito no trabalho, na dignidade e no respeito. Sei que há pessoas que precisam de ajuda, e uma sociedade decente não pode abandoná-las. Minha crítica é ao uso dessa necessidade para manter famílias dependentes do governo, como se o dinheiro público fosse uma generosidade de quem está no poder. A assistência precisa oferecer condições de saída da pobreza. Quando a dependência se torna permanente, alguma coisa está errada.
Leia maisTambém não se pode aumentar indefinidamente a despesa pública e esperar que ninguém pague a conta. Ela aparece no imposto, no endividamento e, quando a economia perde o equilíbrio, na inflação e na falta de emprego. Quem tem menos recursos costuma sentir primeiro.
Por isso me incomoda tanto ver a direita desperdiçar oportunidades. Precisamos marchar unidos, com capacidade de conviver com diferenças e trabalhar por um objetivo comum. Na minha avaliação, o primeiro turno deixou evidente o custo das nossas divisões. Não podemos exigir confiança do eleitor enquanto brigamos entre nós e improvisamos nas decisões mais importantes.
É nesse ponto que entra minha crítica a Flávio.
Considero intempestiva a maneira como conduziu a divulgação da carta. Era um momento para medir as palavras, conversar com os interlocutores e saber exatamente onde pretendia chegar. Em vez disso, vimos versões, correções e até a circulação de um documento com um brasão antigo da República. Para quem buscava reconhecimento internacional, foi um erro difícil de justificar.
Minha experiência em comunicação, gestão e inteligência competitiva me faz olhar para esse episódio com preocupação. Antes de uma manifestação dessa dimensão, é preciso antecipar reações e preparar os próximos passos. Uma carta não pode carregar uma pretensão tão grande e revelar tamanho descuido na execução.
Se havia questionamentos sobre o processo eleitoral a apresentar ao mundo, eles precisavam vir acompanhados de provas verificáveis e argumentos capazes de resistir ao escrutínio. A condução acabou permitindo que os erros do documento ocupassem o lugar da discussão que se pretendia abrir.
Quanto a Trump, não conheço os entendimentos de bastidores. Mas considero arriscado agir contando com um respaldo que não esteja claramente acertado. Pela leitura que faço de seu comportamento político, ele quer conduzir as iniciativas das quais participa. Uma articulação mal resolvida pode fechar justamente a porta que se pretendia abrir.
Faltaram preparo e senso político. Esperava mais de quem se propõe a exercer uma liderança dessa responsabilidade.
E faço essa cobrança porque me preocupa o futuro do Brasil. Vejo com apreensão a pressão tributária, a corrupção, a violência e o espaço conquistado pelo crime organizado. Quem tenta manter uma empresa, sustentar uma família ou simplesmente trabalhar em paz sabe o peso disso na vida cotidiana.
No comércio exterior, confiança interfere diretamente nas decisões. Ninguém compromete recursos por anos sem avaliar se os contratos serão respeitados e se as regras continuarão valendo. Quando essa confiança diminui, o investimento é adiado ou procura outro destino. O empresário brasileiro também faz essa conta.
Para quem pode, reorganizar a vida e os negócios no exterior volta a ser uma possibilidade. Não é uma decisão simples. Há família, história e patrimônio construído aqui. Tampouco vejo a Europa como resposta automática; tenho sérias reservas quanto aos rumos políticos e econômicos de parte do continente.
Quem fica, por vontade ou necessidade, precisa de condições para seguir em frente. Preocupa-me ver um Parlamento que considero excessivamente submisso e uma concentração de poder entre o Executivo e setores do Judiciário que, a meu ver, compromete o equilíbrio democrático.
Quero continuar acreditando que é possível construir uma vida no Brasil sem depender de favor político nem precisar procurar segurança em outro país. Mas essa esperança exige responsabilidade de quem pretende nos representar.
A direita precisa se unir e aprender a cobrar suas lideranças. Não vou deixar de apontar um erro porque ele veio do meu lado. Há brasileiros demais confiando em nós para que continuemos tratando despreparo como algo aceitável.
*Cientista político e social, publicitário e empresário. Especialista em marketing, gestão, comunicação pública, inteligência competitiva e comércio exterior
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Em meio à recente tensão entre Brasil e Estados Unidos causada pela fuga de Flávio Bolsonaro (PL) após perder as eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Palácio do Planalto e o Itamaraty pregam cautela sobre possíveis reações contra o governo norte-americano e defendem que o tema não seja politizado.
Depois da derrota no pleito que reelegeu Lula para seu quarto mandato, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, onde chegou nessa quarta-feira (28/10).
A partida para outro país implica descumprimento de decisão judicial por Flávio, que havia sido impedido de deixar o Brasil após ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Leia maisA medida foi tomada depois que a Polícia Federal (PF) alertou sobre o risco de o senador fugir do país, onde é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A chegada do filho 01 de Jair Bolsonaro em território norte-americano ocorreu após a Casa Branca afirmar que o Departamento de Estado norte-americano forneceria a ele e sua família vistos para entrarem e permanecerem no país — onde também já reside o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro —, em um movimento que é interpretado como mais um aceno do governo de Donald Trump ao clã Bolsonaro.
Mesmo assim, interlocutores do Itamaraty ouvidos pelo Metrópoles, sob condição de reserva, indicam que a diplomacia brasileira não deve se envolver no assunto, ao menos neste primeiro momento. A situação, explicam, deve ser observada com cautela e sob a ótica judicial, evitando tensões com o governo norte-americano.
Fontes diplomáticas afirmam que a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA é vista como um “assunto da alçada exclusiva do Poder Judiciário”, onde o Poder Executivo e a diplomacia “não se metem, como já foi o caso de outros foragidos” da Justiça do Brasil.
Entre eles, o irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, condenado a quatro anos e seis meses de prisão por coação no curso do processo após articular tarifas econômicas e sanções norte-americanas contra autoridades brasileiras. O ex-deputado federal está nos EUA desde fevereiro do último ano, após abandonar o cargo na Câmara dos Deputados.
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