Investigação sobre morte de Jango segue aberta, afirma neto do ex-presidente
A investigação sobre a morte do ex-presidente João Goulart, falecido em 1976, continua aberta no Ministério Público Federal e a família pretende seguir acompanhando o caso de perto. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ontem, o advogado e escritor Christopher Goulart, neto de Jango, afirmou que, embora a exumação realizada em 2014 não tenha produzido uma conclusão definitiva sobre a tese de envenenamento, a hipótese permanece plausível diante do contexto da Operação Condor.
Ele também defendeu a abertura de documentos ainda mantidos sob sigilo no Brasil, nos Estados Unidos e em outros países. “Nós vamos continuar trabalhando no inquérito civil público”, ressaltou.
Ao longo da entrevista, Christopher explicou que a principal motivação da família é preservar a memória do ex-presidente e buscar o esclarecimento histórico sobre as circunstâncias de sua morte. “Mais importante do que a morte de Jango é a vida dele”, pontuou, acrescentando que o interesse pelo caso ajuda a manter vivo o legado político do ex-presidente. “Jango é imortal”, completou.
Leia maisLançando o livro Manchado de Sangue, Terás que Crescer, Christopher também procurou mostrar um lado menos conhecido da própria trajetória. Nascido em Londres durante o exílio da família e criado no Uruguai, definiu a obra como uma história de superação. “Eu não visto a roupa da vitimização”, observou. Segundo ele, o livro nasceu da necessidade de mostrar “quem é o Christopher”, para além da condição de neto de João Goulart.
Ao abordar o golpe militar de 1964, Christopher sustentou que o exílio foi uma das formas mais cruéis de perseguição política. “O golpe destruiu a minha família”, lamentou. Para ele, João Goulart permaneceu sob perseguição até a morte e foi impedido de retornar ao Brasil justamente quando começavam as discussões sobre a abertura política. “Ele queria voltar para o país”, recordou.
A entrevista também percorreu temas ligados à democracia e às reformas de base defendidas por João Goulart. Christopher avaliou que o avô “estava muito à frente do seu tempo” e destacou sua capacidade de diálogo. “A participação popular é o exercício da democracia”, defendeu, ao argumentar em favor de decisões mais representativas e maior envolvimento da sociedade nas políticas públicas.

Michelle deixa PL Mulher – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou que deixará a presidência do PL Mulher para se dedicar aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar, e da filha Laura. A decisão foi comunicada ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e ocorre em meio à crise aberta com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Michelle afirmou estar cansada da política e fez um agradecimento especial à vereadora Priscila Costa (PL-CE), cuja candidatura ao Senado no Ceará esteve no centro do conflito com o enteado. Segundo a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, em reportagem publicada ontem, Michelle também decidiu que não participará da campanha presidencial de Flávio e não pretende subir em seu palanque, aprofundando o racha no núcleo político da família Bolsonaro.
PSD confirma chapa puro-sangue – O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, será anunciado como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O anúncio oficial está previsto para hoje, em Brasília, consolidando uma chapa formada exclusivamente por integrantes do partido. Kassab é considerado um bom articulador político e fez parte do secretariado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para integrantes do PSD, o fato de Kassab ser vice também deve atrair apoio explícito de outros quadros do partido à pré-candidatura de Caiado, como parlamentares e governadores.
PT aciona Justiça contra Flávio – O PT protocolou ações na Justiça Eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro e o Partido Liberal após a divulgação da carta enviada ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Na carta, Rubio agradece a Flávio por colocar uma “equipe de transição” de governo à disposição dos EUA, caso seja eleito. A legenda sustenta que houve irregularidades relacionadas ao conteúdo e à utilização política do episódio durante o período eleitoral. O caso deverá ser analisado pela Justiça Eleitoral nas próximas semanas. Um dos documentos foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e solicita a instauração de um inquérito criminal contra Flávio.
Fim da aposentadoria compulsória para condenados – O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, ontem, manter a decisão que acabou com a aposentadoria compulsória como pena máxima aos magistrados condenados por faltas disciplinares graves, como venda de sentenças, assédio sexual e moral, entre outras. Pelo entendimento, após condenação à pena máxima pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Advocacia-Geral da União (AGU) deverá entrar com uma ação no Supremo para que o magistrado tenha a perda do cargo analisada pela Corte. Antes da decisão do Supremo, magistrados mantinham o recebimento mensal dos vencimentos após a condenação pelo órgão.

Alcolumbre dá fôlego a Lula – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), decidiu não acelerar a tramitação de propostas com potencial de elevar despesas públicas, entre elas a PEC dos agentes comunitários de saúde. A decisão foi interpretada como um gesto que reduz a pressão sobre a equipe econômica e oferece mais tempo para negociação entre o Congresso e o Palácio do Planalto. Apesar de Alcolumbre não ter se comprometido com o governo, a sinalização de que não vai atropelar os prazos garante certa tranquilidade em relação às pautas-bomba. Mesmo assim, a pressão de parlamentares para votações urgentes deve ser grande.
CURTAS
SECA – O Governo de Pernambuco decretou, ontem, situação de emergência em 75 municípios afetados pela estiagem e pela seca hidrológica. O decreto tem validade de 180 dias e busca agilizar ações de assistência às cidades atingidas. Com o decreto, fica sob responsabilidade das secretarias e órgãos de Pernambuco a adoção de “ações de resposta necessárias ao enfrentamento dos efeitos da estiagem”.
RECIFE APROVA LDO DE 2027 – A Câmara Municipal do Recife aprovou, ontem, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027 antes do calendário tradicional. O texto estabelece as metas fiscais e orienta a elaboração do orçamento da capital para o próximo exercício. O resultado da votação foi de 28 votos favoráveis e cinco contrários.
QUEDA DE MAIS UM TETO – Um novo desabamento foi registrado nos hospitais de Pernambuco, desta vez, no Hospital Agamenon Magalhães. O episódio reacendeu as críticas às condições estruturais das unidades de saúde em todo o Estado e reforçou as cobranças por resultados efetivos na gestão Raquel Lyra (PSD).
Perguntar não ofende: Após a definição da chapa puro-sangue do PSD, Raquel continuará sem declarar apoio explícito a Caiado?
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A pré-candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) cumpriu, nesta terça-feira (30), agenda política no Sertão do Pajeú ao lado do pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), e do pré-candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos). O roteiro incluiu entrevistas em emissoras de rádio, encontros com lideranças e atividades nos municípios de Afogados da Ingazeira, Solidão, São José do Egito e Itapetim. Em entrevista à Rádio Pajeú, Marília defendeu a eleição de uma bancada no Senado alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que “Pernambuco precisa eleger representantes comprometidos com o povo e com um projeto de desenvolvimento para o Brasil”.
Durante a agenda, Marília também apresentou propostas voltadas aos trabalhadores de baixa renda, como a criação de uma política nacional de isenção tributária para instrumentos de trabalho, entre eles motocicletas, equipamentos da pesca artesanal e máquinas agrícolas de pequenos produtores. A pré-candidata ainda defendeu uma legislação que impeça a apreensão desses equipamentos por dívidas. À tarde, participou de entregas de equipamentos públicos em Solidão e, à noite, esteve em um encontro com lideranças em São José do Egito para discutir temas como agricultura familiar, abastecimento de água, infraestrutura e geração de emprego.
POR BELA MEGALE – JORNAL O GLOBO
Nas conversas que teve nos últimos dias, Michelle Bolsonaro deixou claro: não existe possibilidade de entrar na campanha de Flávio à Presidência da República. A ex-primeira-dama não escondeu de aliados a mágoa que tem do enteado por ele não tê-la procurado antes para conversar.
No vídeo que publicou em suas redes, explicitando a briga com o senador, Michelle detalhou o telefonema que a magoou. Disse que o presidenciável a “maltratou” e determinou que ela se afastasse das decisões políticas. Depois disso, Michelle confidenciou a aliados que esperou um gesto do filho de Jair Bolsonaro que nunca veio.
Leia maisEm momento algum, a ex-primeira-dama mostrou arrependimento pelos vídeos que publicou expondo Flávio. Ao contrário, Michelle diz que tem certeza de que as publicações foram positivas para ela.
Na reunião que teve com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, nesta terça-feira (29), Michelle chegou decidida a sair da legenda. Não via mais clima para permanecer no partido de Flávio depois que o caldo entornou de vez. Após uma longa conversa, foi convencida a deixar o comando do PL Mulher.
A decisão de concorrer ou não ao Senado pelo PL ficou para um futuro próximo. Michelle foi enfática ao dizer que não pisará no palco de Flávio na campanha, caso permaneça na legenda.
Quem esteve com a ex-primeira-dama saiu com uma certeza: esse é só o começo de mais uma confusão no clã Bolsonaro.
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou nesta terça-feira sua saída da presidência do PL Mulher. Em nota divulgada após reunião com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, Michelle afirmou que deixará o comando do segmento feminino para se dedicar “integralmente” aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e da filha do casal, Laura, de 15 anos.
“Venho por meio desta informar que, após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar — integralmente — aos cuidados para com o meu marido e minha filha”, escreveu. As informações são do g1.
Leia maisNa nota, Michelle agradeceu a Valdemar pela “autonomia” concedida durante sua gestão à frente do PL Mulher e fez um balanço de sua passagem pelo comando do segmento. Ela afirmou que, ao lado das dirigentes estaduais e municipais, ajudou a construir “um grande exército de mulheres de bem” e disse estar convencida de que o movimento continuará crescendo.
A ex-primeira-dama também fez um agradecimento nominal à vice-presidente do PL Mulher, a vereadora Priscila Costa (PL-CE), que ela defendia como candidata do partido ao Senado no Ceará. A disputa em torno da indicação de Priscila foi o estopim da crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro. O enteado defende o nome do deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE).
“Quero agradecer, na pessoa da minha vice-presidente, Priscila Costa, a todas as minhas presidentes estaduais e municipais”, escreveu. “As sementes foram lançadas e, em breve, vocês colherão os frutos desse trabalho”, concluiu.
A decisão representa mais um capítulo da crise aberta entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo relatos de aliados ouvidos pelo GLOBO, o encontro com Valdemar foi convocado na tentativa de conter o desgaste provocado pelo embate público entre os dois. Durante a conversa, Michelle afirmou estar “cansada” da política, reclamou de não estar sendo ouvida nas decisões internas do partido e disse que chegou a cogitar colocar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal à disposição.
De acordo com interlocutores, Michelle afirmou que boa parte de sua rotina hoje é dedicada aos cuidados com Jair Bolsonaro e que os conflitos internos da legenda a fizeram repensar sua permanência na vida política.
Valdemar tentou convencê-la a adiar qualquer decisão definitiva e pediu que evitasse novos pronunciamentos públicos, depois do vídeo divulgado na semana passada, em que Michelle acusou Flávio de tê-la tratado com desrespeito e afirmou que Eduardo e Carlos Bolsonaro promoveram ataques coordenados contra ela nas redes sociais.
A conversa também teve outro objetivo: convencer a ex-primeira-dama a participar da reunião organizada por Flávio nesta quarta-feira com parlamentares e lideranças femininas conservadoras. O encontro marcará o início da elaboração de um programa de governo voltado ao eleitorado feminino, uma das prioridades da pré-campanha do senador.
Michelle, porém, manteve a decisão de não comparecer. Segundo aliados, ela voltou a afirmar que nunca recebeu um convite diretamente de Flávio. “Ele não me ligou para me chamar”, teria dito durante a reunião.
Um interlocutor que acompanhou as negociações resumiu que a conversa “não foi muito boa”, porque Valdemar esperava sair do encontro com a confirmação de que Michelle participaria do evento ao lado do enteado. A ausência da ex-primeira-dama tende a esvaziar o principal gesto de reaproximação planejado pela campanha desde o início da crise.
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Por Alex Fonseca – Blog da Folha
O senador Fernando Dueire (PSD) avalia como naturais as tensões envolvendo a escolha do pré-candidato ao Senado na União Progressista. O congressista, que esteve na reabertura da Igreja de São Pedro, em Olinda, na manhã desta terça-feira (30) ao lado da governadora Raquel Lyra (PSD), ressaltou que, apesar dessa impressão dele, trata-se de um assunto interno da federação.
“É legítimo que os partidos que fazem parte dessa federação queiram apresentar candidato para que seja protagonista no próximo processo eleitoral. (…) Acredito que a governadora, com serenidade, aguarda essa definição para poder, a partir da definição adotada, tomar a decisão que fizer melhor juízo para ela”, declarou.
Leia maisDueire avaliou, ainda, que a chefe do Executivo estadual não irá se antecipar em relação à escolha, dado que “isso ainda está restrito ao território da Federação”.
Na manhã de ontem, a executiva estadual da União Progressista reuniu-se na sede da federação, no bairro do Pina, para definir o pré-candidato ao Senado. No encontro, foi escolhido o deputado federal e presidente estadual da federação, Eduardo da Fonte (PP).
Essa decisão, contudo, parece estar longe de ser definitiva, já que, no âmbito estadual, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil), ainda se coloca como pré-candidato ao Senado.
Soma-se a isso o fato de o presidente nacional da União Progressista, Antonio Rueda (presidente também do União Brasil), ter desautorizado, em nota, a decisão de ontem, enquanto Ciro Nogueira (senador e presidente do PP) vê os efeitos como válidos.
Prioridade
O senador sustenta que, no momento, a prioridade deve ser oferecer à governadora tranquilidade e calma para montar uma chapa competitiva para a reeleição dela.
Ele, ao ser questionado se as tensões envolvendo a federação o colocariam mais próximo de ser o nome escolhido por Raquel para disputar uma das vagas do Senado, Dueire enfatizou que, na verdade, o fato de ser candidato natural à reeleição é que o colocaria bem posiocionado.
“Sou incumbente, estou no cargo de senador da República. (…) Sou um dos postulantes. Ela (Raquel) vai definir isso com serenidade quando todas as informações estiverem na mesa dela. Hoje ainda não estão”, apontou.
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse a parlamentares aliados que desistiu de concorrer ao Senado. A ameaça de abadono da corrida eleitoral, segundo relatos de quem esteve com Michelle nos últimos dias, foi feita porque ela se sente “esgotada” e está preocupada com a repercussão que a briga pública entre ela e o pré-candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro.
O entorno de Michelle diz que vai tentar articular para que ela reveja a intenção. As informações são do jornal O GLOBO.
Na quarta-feira da semana passada, Michelle publicou dois vídeos nas redes sociais em que fez uma série de críticas a Flávio. Ela disse que foi “maltratada e desrespeitada” pelo senador do PL e que ele foi ríspido com ela.
Leia maisA desavença foi motivada por uma queda de braço sobre a posição do PL no Ceará. Flávio e a maior parte da cúpula do partido desejam apoiar Ciro Gomes (PSDB) para governador, enquanto Michelle é contra.
De acordo com aliados de Michelle, a briga pública entre ela e Flávio e a repercussão nas redes sociais, fizeram ela tomar a decisão de não concorrer ao Senado.
Aliados de Flávio têm criticado a ex-primeira-dama pelos vídeos, como o ex-deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o influenciador Paulo Figueiredo.
A aliados, a ex-primeira dama tem relatado preocupação sobre como as filhas dela vão receber toda a repercussão da briga nas redes sociais. Michelle também disse que está desmotivada a participar do pleito e que focaria em cuidar do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar após ser condenado pelo caso da trama golpista.
Apesar das críticas de aliados, Flávio Bolsonaro tenta fazer com que Michelle participe de um evento de sua pré-campanha voltado para mulheres, marcado para esta quarta-feira, mas ela ainda não sinalizou se vai estar presente.
Da mesma forma, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tem uma reunião com a ex-primeira-dama nesta terça e tenta aparar as arestas entre ela e Flávio.
O PL havia decidido que Michelle seria candidata ao Senado pelo Distrito Federal, em uma chapa que também contaria com a participação da deputada Bia Kicis (PL-DF) na outra vaga do Senado e de Celina Leão (PP) na disputa pelo governo do DF.
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A governadora Raquel Lyra, apesar de ter tirado Magno da solidão ao levar para o Palácio do Campo das Princesas uma nova moradora, uma cadelinha pela qual demonstrou muito carinho e afeto, também revelou um lado humano e cuidadoso. Ao mesmo tempo, porém, tomou uma decisão que pode render boas brincadeiras nos bastidores: mandou castrar Magno. Mas a vida é assim mesmo. Não se pode ter tudo.
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia votou nesta terça-feira (30) e consolidou a maioria de votos a favor da liberação de parte dos chamados “penduricalhos”.
Em março, o STF havia estabelecido critérios para o pagamento das verbas indenizatórias pagas a magistrados, procuradores e promotores, o fixando em 35% do teto constitucional, que corresponde ao valor da remuneração dos ministros do Supremo – atualmente em R$ 46.366,19. As informações são do g1.
Segundo esse entendimento, os penduricalhos ficaram limitados a até R$ 16.228,16.
Leia maisCom o desfecho de hoje, esse limite ainda precisa ser respeitado, mas deixam de valer restrições que haviam sido impostas a algumas verbas indenizatórias pelo próprio STF.
Passou a ser permitido, por exemplo, o pagamento em dinheiro de férias, licenças-prêmio e plantões acumulados antes do julgamento (entenda abaixo).
Cármen Lúcia acompanhou os relatores, Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, que se posicionaram em conjunto, assim como o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, a favor da liberação dos pagamentos com uma abrangência menor.
Por outro lado, os ministros Luiz Fux, Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli propuseram uma liberação mais ampla, que acabou vencida. Com isso, o placar do julgamento ficou em 6×4.
Ou seja: os ministros se manifestaram de forma unânime pela liberação dos pagamentos. No entanto, se dividiram em duas correntes, com abrangência distinta. Venceu a versão mais restrita.
No voto, a ministra fez uma ressalva. Ela disse que o Supremo resolve o caso concreto, mas que cabe ao Congresso aprovar uma lei para organizar de forma definitiva as regras sobre salários, indenizações e demais verbas pagas aos servidores públicos.
Para Cármen Lúcia, isso daria mais transparência sobre os gastos públicos e evitaria dúvidas sobre quais pagamentos são permitidos.
Os ministros analisaram recursos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e das entidades de juízes e integrantes do Ministério Público contra a decisão do STF de março, que limitou o pagamento dos penduricalhos.
A maioria fixou duas regras para o pagamento de parte dos penduricalhos como licença-prêmio, férias e plantões judiciais: precisam ter sido adquiridos até março de 2026 e o pagamento ainda precisa respeitar o limite de 35% do teto constitucional.
O julgamento dos recursos começou na sexta-feira (26), quando os relatores Alexandre de Moraes, Flavio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin apresentaram um voto conjunto propondo a liberação de pagamento de verbas que tenham sido adquiridas até março de 2026 e validadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do MP.
Isso valeria, por exemplo, para férias, licença-prêmio e plantões judiciais. O presidente do STF, Edson Fachin, acompanhou o voto dos relatores, assim como a ministra Cármen Lúcia, última a votar.
A outra corrente, liderada por Fux, entende que o pagamento dos penduricalhos reconhecidos e validados deve ser pago na integralidade para evitar o enriquecimento irregular da Administração Pública e sem integrar o limite de 35%.
Nunes Marques seguiu a divergência aberta pelo ministro Luiz Fux, que concorda com parte do voto conjunto dos relatores, mas propõe não fixar um marco temporal para a liberação dessas verbas e o pagamento integral.
Os relatores, por sua vez, defendem o pagamento somente das verbas adquiridas até março de 2026 e validadas pelo Conselho Nacional de Justiça e Conselho Nacional do MP.
Kassio Nunes Marques afirmou que o modelo para o pagamento deve ser discutido, mas ressaltou que as verbas são legítimas.
“Tais verbas constituem direitos legitimamente adquiridos, que não foram usufruídos por absoluta necessidade do serviço. Na medida em que a Administração reconheceu que férias, licenças-prêmio, plantões ou outros direitos funcionais deixaram de ser fruídos exclusivamente por necessidade da Administração, motivada pela Supremacia do Interesse Público, correspondente indenização deixa de constituir vantagem nova”, afirmou.
O ministro defende ainda que seja liberado, para magistradas e magistrados que tenham filhos menores de cinco anos, o direito de receber em dinheiro o auxílio-creche ou pré-escolar, nos locais em que não for oferecida a prestação do serviço, conforme regulamentação do CNJ ou do CNMP.
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Os rumos do Brasil atual poderiam ter sido diferentes se as reformas de base tocadas na gestão do ex-presidente João Goulart tivessem sido concluídas. Essa é a visão do neto dele, Christopher Goulart, nascido dois meses antes da morte do ex-mandatário do país, em 1976. Lançando um livro em que conta e analisa momentos da vida do Brasil, Christopher avalia que as circunstâncias da época, entre elas governar em um mandato parlamentarista, criaram muitas dificuldades que originariam a deposição de Jango e o golpe militar de 1964.
“O Brasil hoje seria outro se o Jango tivesse dado continuidade às reformas de base. Vale lembrar que, mesmo em um regime presidencialista, ele somente governou o país por um ano e dois meses. Antes governava no regime parlamentarista. Quando ele assumiu, os generais não permitiram que ele fosse nomeado ou ingressasse no cargo que lhe era de direito, pela Constituição de 1947. Aí você vê o delírio, vê o que tem algo de podre. Ele foi eleito vice-presidente democraticamente, quando os votos eram separados. Jânio renunciou, a consequência era o presidente assumir. E três lunáticos que representavam as Forças Armadas e setores conservadores disseram que ele não podia assumir. A voz deles era mais importante que a Constituição da República? E, quando ele avançou nas reformas de base que já estavam acontecendo, foi deposto. Não porque era fraco. E a ideia dele era levar isso para a população”, contou Christopher Goulart, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
“Getúlio Vargas para mim é a maior figura pública de toda a história e ninguém chega perto. Jango é um herdeiro de Vargas. E é muito pouco definir Getúlio unicamente como ditador, porque ele não é. Vargas é um revolucionário que depois foi eleito em 1951. E vale dizer que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) se deu exatamente no período do Estado Novo. Com Vargas, o Estado deixou de ser oligárquico, deixou de ser do café com leite e passou a ter as bases que hoje governam o país”, completou.
Lideranças nacionais com trajetórias marcantes, o ex-presidente João Goulart (1919-1976) e o ex-governador Leonel Brizola (1922-2004) eram cunhados, gaúchos e donos de personalidades bem distintas. O advogado e escritor Christopher Goulart, neto do ex-presidente, ressalta a importância de ambos para a história da democracia brasileira e destaca o papel do avô para evitar conflitos armados no Brasil nos anos 1960.
“Sempre digo que é preciso pontuar os contextos. Jango (João Goulart) era um líder nacional; a caneta dele pesava mais. Brizola era um grande líder, que tinha sua representação muito vinculada ao Rio Grande do Sul. Quando se tem uma responsabilidade maior, o buraco é mais embaixo. Tenho orgulho de dizer que meu avô evitou duas guerras civis no Brasil, por exemplo”, destacou Christopher, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
“Jango não aceitou um brasileiro morto em função da manutenção dele no cargo de presidente. Esses são os detalhes que precisam ser exaltados da pessoa dele. Ele podia ter ficado mais tempo no poder, mas levaria o país a uma guerra e ele não quis isso. Meu avô tinha muito mais informações que o Brizola, sabia dos movimentos. O Brizola muitas vezes jogava para a torcida. Não é bem assim que funciona a coisa. Eles eram estilos diferentes. Brizola era mais aguerrido e meu avô mais conciliador, mais do diálogo. Eram dois grandes líderes que disputavam espaço na época; havia os janguistas e os brizolistas. Enfim, eram estilos muito diferentes”, completou o neto de Jango, que recentemente lançou o livro E Manchado de Sangue Terás que Crescer: Uma Vida de Lutas.
Embora tenha crescido em um ambiente de desestruturação familiar, como o próprio define, o neto do ex-presidente João Goulart, o advogado e escritor Christopher Goulart, procura olhar para a frente. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília por ocasião do lançamento de seu livro E Manchado de Sangue Terás que Crescer: Uma Vida de Lutas, ele avalia que a caminhada não foi fácil, em função do exílio do avô, mas projeta que os desafios fortaleceram a todos.
“Cada um carrega sua cruz. O preço maior para ele foi ter ficado o tempo todo fora do país. Obviamente, o golpe de Estado destruiu minha família, não só politicamente, mas as bases familiares. Meu avô morreu cedo por causa disso. Ele era bem-sucedido financeiramente e perdeu todos os bens. Mas eu procuro pegar tudo isso e aposto em dobro. Não gosto de vestir roupa da vitimização. Tudo isso nos fortaleceu. Eu tenho muito orgulho hoje de andar em qualquer lugar de cabeça erguida, porque, na verdade, o que tentaram fazer nos deu muito mais valor. Até para agredir alguém, tem que ter cuidado. Então procuro trazer tudo isso como forma de gratidão e muitas vezes me sinto incompreendido”, desabafou Christopher Goulart.
Leia mais“Meu avô sabia que era vigiado o tempo inteiro. Muita gente se engana a esse respeito. Acham que, depois de 1964, meu avô passou a ter vida tranquila. Ele foi perseguido até o último dia pelas ditaduras de outros países. Teve que sair do Uruguai porque teve golpe lá, depois foi para a Argentina e lá também houve golpe. A perseguição foi implacável todos os dias. Evidente que ele queria voltar ao Brasil. É muito cruel alguém que deixou tudo pela pátria ser o único ex-presidente a morrer no exílio. Aí vêm as contradições. Aqueles que muito querem matar porque são medíocres, na verdade, acabam imortalizando a pessoa. Porque quem é pequeno não sabe o tamanho da grandeza de espírito. E Jango está no panteão dos líderes brasileiros para toda a eternidade”, destacou.
Ele afirmou que a família segue lutando para reabrir as investigações quanto à morte de Jango, pois sempre houve suspeitas de que ele teria sido envenenado, o que teria causado o infarto, causa oficial de seu falecimento. As recentes atualizações sobre a morte do ex-presidente Juscelino Kubitscheck também levantam essa tese.
“Como advogado, apurei junto ao Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul as circunstâncias da morte de meu avô. Lá existe procedimento ainda aberto hoje. Sempre digo que com certeza ele foi assassinado. Mesmo que essa hipótese do envenenamento não seja verdadeira, o assassinato dele foi muito pior do que se tivesse levado um tiro, uma facada ou um remédio. Ele foi jogado ao exílio por doze anos sem poder voltar ao Brasil. Um idealista que amava o seu país. Isso é um assassinato muito mais cruel”, concluiu Christopher.
Leia menos
Se o leitor não conseguiu assistir a exibição ao vivo do podcast ‘Direto de Brasília’ com o advogado Chistopher Goulart, neto do ex-presidente João Goulart, clique no link abaixo e confira. Está imperdível!
