Homenagem ao jornalista José Almir Borges

Por Jorge Santana*

Ainda muito jovem, José Almir decidiu “ganhar o mundo”, entretanto, o Recife o ganhou, pela sua simpatia, comunicação alegre e facilidade de fazer amigos e conquistar espaços na imprensa e na sociedade pernambucana. Trabalhou em jornal, televisão e fez parte de seleto grupo que assessorava governadores. Com zelo e capacidade resolvia as questões da área à qual pertencia. Nasceu na cidade maranhense de Colinas no dia 6 de dezembro de 1945 e seus pais, Manoel Borges Araújo e Raimunda Alice de Araújo, deram-lhe o nome completo de José Almir Borges. Com ele conversamos no dia 17 de fevereiro de 2011.

OPÇÃO

Quando terminei o ginásio na minha cidadezinha do interior, aos 18 anos, pensei em partir para São Luís, Recife, a cidade mais importante do Nordeste, ou São Paulo, preferida pelos jovens da minha época. Optei pelo Recife, aonde cheguei em 1964, um mês depois da Revolução. Depois de um mês e quinze dias empregado num escritório de contabilidade, fui dispensado. “Por quê? Acho que não fiz nada demais.” E o chefe: “Por isso mesmo. Aqui cada um tem que fazer alguma coisa, e você não fez nada” (risos). Meu segundo emprego foi numa firma de eletrodomésticos, onde passei dois meses. Estudava no Colégio Pedro Augusto, mas tive que sair porque não podia pagar. Também não podia pagar moradia, por isso passei por todas as pensões dali e parei num quarto em cima da Padaria Santa Cruz.

JORNALISTA

O Colégio Pedro Augusto tinha um torneio de futebol de salão. Entrei no time, fiz gol, um cara do Jornal do Commercio gostou e me chamou para fazer um estágio lá, em 1966. Comecei no arquivo, de onde me comunicava constantemente com a redação, o que me levou a ser jornalista, formado na Universidade Católica de Pernambuco. Tive como colegas pessoas que se projetaram na imprensa local e nacional, como Ricardo Noblat, Antônio Lavareda, Fernando Machado, Vera Ferraz, José Lúcio Costa, Orismar Rodrigues, Ana Guimarães e Ivaldo Calheiros. Um dia, Ronildo Maia Leite, então no Diário da Noite, propôs a Gilberto Prado, do JC, que eu fizesse a cobertura dos pequenos clubes sociais (1972). Era uma coluna diária, chamada Society nos Bairros, e foi uma grande oportunidade para conhecer os encantos do mundo boêmio do Recife (risos). No mesmo ano, o produtor de TV Miguel Santos me colocou no júri do show de Jota Ferreira. Participei também de um programa de TV semanal com Alexandrino Rocha e Fernando Calheiros.

SUCESSO

A coluna cobria mais de cinquenta clubes da Região Metropolitana do Recife e já estava chegando ao interior. As escolas de samba, que faziam festa somente no fim do ano, começaram a promover sambões a partir de setembro para arrecadar dinheiro. Surgiu o concurso de garota do bairro. Também vieram as gafieiras do Atlético, um monte de promoções.

A COLUNA

Acho que uma coluna de sociedade nos bairros caberia muito bem na Folha de Pernambuco. Até já houve conversa comigo nesse sentido, mas não prosperou. Caberia também no Aqui PE, um jornal popular. É verdade que muitos clubes de bairro fecharam, entre os quais o Yolanda, no Jiquiá, o único do Estado de Pernambuco que bancou Roberto Carlos no auge da carreira na década de 70. Daqueles clubes todos, restam o das Pás, ainda no auge, das Águias, dos Cisnes, dos Oficiais da Aeronáutica, o Recreativo CTTU, a Associação Celpe, o Sítio do Pica-Pau Amarelo, o Sargento Wolf, o de Cabos e Soldados, o Treze do Vasco, o Atlético Clube de Amadores e o Clube da Polícia Militar. Acho que a prefeitura do Recife ou algum órgão estadual deveria apoiar esses clubes. Assim como existem o Marco Zero e os polos de Carnaval, deviam existir clubes para famílias da periferia, sem condições de deslocamento.

NAMORO

Namorei muito nos clubes de bairro, sem nenhuma intenção de casamento. Miguel Santos me apoiava: “Resista o quanto puder”. Aos 33 anos, idade de Cristo, me casei. Trabalhando no governo do Estado, eu viajava muito para o interior e dizia à minha mulher: “Prepare uma malinha pequena que eu vou a Petrolina”. Quando eu ia ao Rio ou a São Paulo, tinha que ser uma mala maior. E à noite eu ia aos clubes de bairro. Mas, um dia, cheguei em casa às sete e meia da manhã e ela disse: “Sua mala está pronta”. Eu falei: “Não vou viajar”. E ela: “Vai, e não volta mais”. Eu fui morar na casa dos meus sogros. O irmão dela me adorava: “Você não vai embora coisa nenhuma. Bota essa mala aqui”. Depois de seis meses lá, me casei com outra. Desses dois casamentos, tenho três filhos: Rômulo, formado em administração; José Almir Borges Filho, formado em ciências contábeis; e a menina, que é psicóloga.

PALÁCIO

Em 1971, Aldo Paes Barreto era secretário de Imprensa de Eraldo Gueiros Leite. Eu estava começando, mas fui aproveitado por Aldo. Quando Marco Maciel assumiu, a coisa se complicou. Ele não dormia, não comia, mesmo fazendo regime para engordar. Eu tinha de abastecê-lo de notícias de manhã, de tarde e de noite. Ângelo Castelo Branco era o secretário e botou mais gente para me ajudar. No governo de Moura Cavalcanti, houve um episódio engraçadíssimo. Marcos Vilaça telefonou da APL: “Manda um repórter aqui”. Chegou uma notícia de Brasília dizendo que Nelson Ferreira ganhara uma medalha. Sem conhecer ninguém, anotei tudo, fiz a notícia e no outro dia saiu na primeira página que Mauro Mota ia receber a medalha. A culpa sobrou para Marcos Vilaça, que ditou tudo errado e eu apenas copiei (risos).

QUEIXA

No governo de Moura Cavalcanti, era o repórter José Almir quem viajava para Orobó, Cabrobó e Orocó. Quando o destino era Rio de Janeiro, São Paulo, Minas ou Brasília, viajava Fernando Menezes. Queixei-me disso. Moura ficou sabendo e, bravo que só, mandou me chamar. Pensei: “Estou demitido”. E ele disse: “Quarta-feira há uma viagem a Brasília e você vai”. Mandou Fernando Menezes me escalar: “José Almir, vai você e ele”. Em pleno voo, Fernando me disse: “O valor da sua diária não dá para pagar as despesas de um hotel em Brasília, mas vou quebrar seu galho. Você dorme comigo na cama de casal” (risos). Já no quarto, lá para as tantas, ele ligou para a mulher: “Onde você colocou o remédio para enxaqueca?” Sobrou para mim. A mulher dele esqueceu o remédio da enxaqueca: “Não vou dormir, nem você. Vamos ficar conversando a noite toda” (risos). Fernando Menezes sempre foi uma pessoa muito engraçada. Houve gente que me ajudou muito profissionalmente: Magno Martins, Carlos Cavalcante, Givanildo Alves, Wilson Soares.

SONO

Terminado o expediente, Marco Maciel reunia os secretários. Numa dessas ocasiões, lá pela meia-noite, ele lembrou que pela manhã teria de ir a Brasília e só então liberou quem ia viajar com ele: “Aluízio, vá para casa dormir um pouco”. Uns vinte minutos depois, Marco disse: “Esqueci de perguntar a Aluízio uma coisa importante. Liga para a casa dele”. A mulher de Aluízio atendeu: “Ele chegou tão cansado que foi direto para a cama sem jantar, mas se o senhor quiser eu chamo”. Marco disse: “Não, deixe-o dormir”. E fez este comentário: “Gosto de Aluízio, é trabalhador e um bom rapaz, mas dorme demais” (risos).

SECRETÁRIO

Ângelo Castelo Branco continuou secretário de Imprensa no governo de Roberto Magalhães, até Marco Maciel ir para o Ministério da Educação. Então Castelinho foi para Brasília e alguém deveria substituí-lo aqui. Eu já era segundo no Palácio do Governo, mas o nome de Fernando Menezes surgiu fortíssimo, amigo de Gustavo Krause, que era o vice-governador. Aldo Paes Barreto veio também à tona, assim como outros nomes de colegas. A essa altura da disputa, resolvi assumir o lugar que, em 1982, Marco Maciel me arranjara no Bandepe. Paulo Fernando Craveiro era o assessor de imprensa de lá. Mas, no Diario de Pernambuco, o colunista político José Adalberto Ribeiro lembrou meu nome: “José Almir está dentro do palácio há quinze anos quase, conhece o Estado todo, a imprensa inteira”. O governador deve ter lido isso e mandou me chamar: “José Almir, de todos os nomes, o seu foi o que mais somou, sobretudo na base. Por coincidência, era o nome que eu também queria, mas ouvi todo mundo. Então estou perguntando: você aceita?” Eu disse que aceitava e assumiria no dia seguinte, antes que ele se arrependesse (risos). No outro dia, às nove horas da manhã, eu tomei uma lapada de cana desse tamanho (risos). Fui o único secretário até o fim do governo de Roberto Magalhães, uma figura extraordinária. Ele me deu acesso livre.

Tenho uma história interessante para contar, ocorrida nesse período. Um dia, eles estavam reunidos lá em cima, com a luz vermelha acesa para ninguém interromper, era sinal fechado. Então chegaram para mim e disseram: “Morreu o prefeito de Surubim. Quem vai lá é você, rapaz, que é o secretário de Imprensa, levar a notícia”. Eu disse: “Não botem esse negócio para mim, não”. Não teve jeito. Eu fui lá, bati, abri um pouco a porta bem devagar e ele, lá de longe, gritou: “O que é?” Me aproximei rápido e disse: “Excelência, é o seguinte: o salário melhor daqui do palácio é o meu, eu não vim pedir aumento. Eu quero dizer ao senhor que morreu o prefeito de Surubim e achei que devia saber” (risos). E ele: “Ah, então esse doido está dizendo que morreu o prefeito. Tenho que tomar uma atitude agora”. O governador imediatamente interrompeu a reunião e foi tomar as providências. Quer dizer, num caso como esse, você poderia interromper, porque o assunto era da maior importância, mas ele não aceitava você chegar lá e dizer uma besteira ou um negócio qualquer.

PEQUINÊS

Dona Jane, a primeira-dama, criava um pequinês chamado Saci, que mordia o calcanhar dos visitantes. Um dia, cheguei ao palácio calçando botas e o governador percebeu: “José Almir, você é algum vaqueiro para estar de botas aqui no palácio?” Eu disse: “Com aquele cachorrinho mordendo a gente, como vou continuar meu trabalho?” (Risos). Ele aproveitou o momento e comentou: “Essa coluna de clube de bairro não pega bem, porque você vai ser porta-voz do meu governo, vai falar por mim. De repente, preciso usá-lo e você está no Mangabeira, no Bom Sucesso, não sei onde”. Eu falei: “Mas governador, como o senhor sabe, tudo tem começo, meio e fim. Um dia terei que voltar para o jornal e fazer essa coluna. O jeito é colocar lá uma pessoa para me ajudar e a coluna sai com o pseudônimo de Jabo”. Ele perguntou: “Quem é Jabo?” E eu respondi: “Jabo é José Almir Borges”. Ele disse: “É você de novo. Por que você não bota Maquiavel?” E ficou Maquiavel. Mas Gilson Oliveira, o repórter que me ajudava, bebia mais do que eu e não entregou a coluna. Quando o procurei em casa, ele estava internado na Prontolinda. Eu tive que escrever tudo sem ter estado na festa. Difícil foi me explicar com minha mulher.

BANDEPE

Eu estava no Bandepe quando Magno Martins foi secretário de Imprensa de Joaquim Francisco e me chamou para ser seu secretário adjunto. Fiquei somente por um ano, por causa de problema de saúde. Voltei para o Bandepe porque era mais do que uma secretaria estadual, pois tinha cento e cinquenta e quatro agências no Nordeste todo, no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo.

MEDALHAS

No governo de Moura Cavalcante, recebi a medalha de cavaleiro. No de Marco Maciel, a medalha da Ordem do Mérito dos Guararapes – Grau Comendador. No de Roberto Magalhães, a medalha Grau Grande Oficial. Já nos clubes de bairro foram tantas medalhas que até se repetiam. “Essa já tenho”, eu dizia às diretorias.

ANJO

No prefácio de um livro meu, Alex me chamou de “anjo boêmio dos subúrbios”, porque eu teria “vencido esse território de almas simples, talvez ainda o velho reduto da boemia neste Recife de arranha-céus silenciosos”. Ainda fico todo emocionado quando lembro essa frase. Foi Alex que me deu a primeira oportunidade de assinar matéria numa revistinha que era encartada aos domingos no Jornal do Commercio. Depois ele me deu uma coluna sobre os clubes grandes, mas não me adaptei, porque meu negócio era clube de bairro. No Mangabeira, quando eu chegava, eles botavam uma grade de cerveja debaixo da mesa. Era muita cachaça, e o casamento acabou naquela história da mala. Minha única exigência era bom tratamento. Quando eu chegava, tinha que receber atenção. Dinheiro, nunca. Por isso eu estou pobre do mesmo jeito. Quando o DN fechou, fui para o JC. Nunca fui discriminado abertamente, mas sentia que minha coluna não foi bem-recebida no terreno das figuras ilustres do Jornal do Commercio. Achavam que o lugar dela era no Diário da Noite. Mas Ivanildo Sampaio me deu toda a cobertura: “Você vai ficar aqui pelo tempo que quiser”.

INCOMPATIBILIDADE

Trabalhei dezessete anos seguidos no JC, de onde saí para o Palácio do Governo e depois para o Bandepe. Mas não deu para conciliar as noitadas dos clubes e Ivanildo Sampaio, que me chamou de novo. Passei, então, mais oito anos e me aposentei do Bandepe, porque não tinha mais disposição.

SAUDADE

Tenho saudades do meu tempo no Jornal do Commercio. O melhor que eu achava era viajar. No banco era bom porque eu ganhava bem, mas era trabalho monótono. Do palácio eu gostava demais, porque era uma festa de bebida e comida até no governo de Marco Maciel. Uma vez acabou uma reunião da Sudene e o superintendente disse: “Vamos para o almoço”. E Marco Maciel disse: “Nós não vamos, não. No avião tem uns salgadinhos” (risos).

FIDELIDADE

Depois de aposentado, fiquei ajudando doutor Roberto Magalhães em algumas coisas, mas não quis ir para Brasília. Ficava aqui, à disposição para levá-lo aonde fosse preciso. Eu e meu amigo Gilberto Marques Paulo, que foi secretário de Roberto. Esse também tem uma história fabulosa, mas também nunca escreveu. Eu até disse a ele: “Eu, que sou matuto do interior do Maranhão, escrevi um livrinho que só eu aguento, e você, com uma história rica e bonita dessa…” Mas ele não se interessou.

RECADO

Eu fico muito honrado e muito agradecido por ter participado deste encontro. Já vinha acompanhando o seu trabalho tanto na televisão como no rádio, quando Miguel Santos me disse que você iria fazer um trabalho com relação à imprensa pernambucana e que meu nome estava selecionado, o que me deixou muito alegre e orgulhoso. Acho que isso preenche e completa minha trajetória nessa área. Eu só digo o seguinte: as pessoas simples que vêm do interior ou as daqui mesmo da capital podem chegar a qualquer lugar, mas o maior instrumento não é o QI (quem indique) em vigor, porque eu não tinha, ninguém conhecia a minha família, ninguém sabia quem era meu pai, quem era minha mãe; quem me indicou foi o meu trabalho. O que eu fiz durante os quinze anos no palácio foi conquistado com muito trabalho e dedicação. Foi isso que Roberto Magalhães me disse. Aos colegas da nova geração, digo que trabalhem com seriedade, estudem e se atualizem. Assim chegarão lá, como cheguei, apesar de matuto maranhense pobre e totalmente desconhecido.

*Jornalista. Entrevista publicada no livro “Jornais e jornalistas – Imprensa pernambucana” (2012).

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Motoristas que trafegam pela PE-085, no trecho entre os municípios de Cortês e Barra de Guabiraba, realizarão, amanhã, um protesto que irá bloquear a rodovia, impedindo o tráfego de veículos, exceto ambulâncias. O protesto se dá em razão das péssimas condições de trafegabilidade da rodovia, devido aos buracos no asfalto.

Jaboatão dos Guararapes - Carvanval 2024

A ministra do Meio Ambiente e presidente nacional do partido Rede Sustentabilidade, Marina Silva, vem ao Recife, no próximo dia 2 de março, para anunciar a pré-candidatura do deputado federal Túlio Gadelha (Rede) a prefeito da capital.

Até lá, entretanto, ela terá que convencer a deputada estadual Dani Portela (PSol) a retirar sua pré-candidatura. Os partidos dos dois pré-candidatos fazem parte de uma federação partidária (PSOL-REDE) e, portanto, só podem apresentar um pré-candidato.

Jaboatão dos Guararapes - Dengue 2024

Deputados federais da oposição e alguns da base governista se uniram para apresentar o pedido de impeachment com o maior número de assinaturas da história contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a fala comparando os ataques de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto. As informações são do portal Gazeta do Povo.

O pedido seria protocolado hoje, mas conforme anúncio feito pelos deputados na Câmara dos Deputados, a entrega foi adiada para amanhã com o intuito de alcançar mais deputados interessados em apoiar o impeachment. Até o momento, já foram contabilizadas 122 assinaturas. O pedido contra Dilma Rousseff foi apresentado com 124 assinaturas.

O pedido conta com apoio de deputados do Progressistas, União Brasil e Republicanos, partidos que integram ministérios no governo Lula.

Segundo a deputada Carla Zambelli (PL-SP), as declarações de Lula configuram um crime de responsabilidade de acordo com o Artigo 5º da Constituição Federal. Ela acusa o presidente de “cometer ato de hostilidade contra nação estrangeira, expondo a República ao perigo da guerra, ou comprometendo-lhe a neutralidade”.

Para o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), Lula “desonrou a memória do povo judeu”, além de criar uma “crise diplomática sem precedentes”.

Na coletiva, os deputados ressaltaram que as declarações de Lula são “muito graves” e “impactam nas relações comerciais com Israel e coloca o Brasil no estado de guerra, uma vez que toma posição ideológica”.

“A postura do Lula envergonha até aqueles que estiveram ao lado dele e coloca em cheque os nossos acordos comerciais”, disse um dos signatários do pedido.

O líder do PL na Câmara, Carlos Jordy (RJ), manifestou o seu repúdio a declaração do petista. “Lula não cometeu só um crime de responsabilidade, cometeu um crime contra a humanidade. No dia 7 de outubro, assistimos enojados o que Hamas fez contra o povo de Israel. Muitos foram os relatos de violência bárbaras”, disse Jordy.

Deputados católicos e evangélicos também se uniram para apoiar o pedido de impeachment contra Lula. “O Brasil é o país que mais leva peregrinos para Israel anualmente, por isso manifestamos nossa indignação e consignamos nossa assinatura”, disse Eros Biondini, líder da Frente Católica na Câmara.

Petrolina - Bora cuidar mais

Do G1/PE

Um grupo de moradores organizou um protesto, hoje, interditando o trânsito no acesso ao Viaduto Capitão Temudo, na Ilha Joana Bezerra, no Centro do Recife. Testemunhas disseram que o ato é realizado por causa da falta de energia no local, que já dura cinco dias. Segundo o Corpo de Bombeiros, o protesto acabou no fim da tarde e a via foi liberada por volta das 17h10.

Manifestantes atearam fogo a pneus e ocuparam toda a pista do sentido em direção a Boa Viagem, na Zona Sul da cidade. O engarrafamento chegava perto do viaduto da Avenida Norte. O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado por volta das 15h40. Além dos bombeiros, uma equipe da Polícia Militar foi enviada ao local.

Ipojuca - App 153

Em discurso de despedida no Senado, hoje, Flávio Dino (PSB-MA) afirmou que atuará com “coerência”, “imparcialidade” e “isenção” no Supremo Tribunal Federal (STF). Indicado por Lula, ele assumirá uma cadeira na Corte na próxima quinta-feira (22). As informações são do portal G1.

“No Supremo Tribunal Federal, onde estarei nas próximas 48 horas, terei coerência, coerência com essa visão que aqui manifesta”, afirmou Dino. “Esperem de mim imparcialidade e isenção. Esperem de mim fiel cumprimento à Constituição e à lei. Nunca esperem de mim prevaricação. Nunca esperem de mim não cumprir meus deveres legais”, completou.

No discurso, Flávio Dino – que já foi deputado, ministro da Justiça e governador do Maranhão – deixou em aberto a possibilidade de voltar à carreira política depois que se aposentar do STF.

Por lei, ministros do Supremo precisam se aposentar quando atingem 75 anos de idade. Dino está com 55 anos. “Não sei se Deus me dará a oportunidade de estar novamente na tribuna do Parlamento, no Senado ou na Câmara […] então, quem sabe, após a aposentadoria, em algum momento, se Deus me der vida e saúde eu possa aqui estar”, declarou.

Citi Hoteis

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse, hoje, que a fala do presidente Lula ao comparar a guerra entre Israel e Hamas com o Holocausto foi “equivocada”, “inapropriada” e “precisa de retratação”.

“Estamos certos de que uma fala inapropriada e equivocada não representa o verdadeiro propósito do presidente da República, que é um líder global conhecido por estabelecer pontes entre as nações”, afirmou Pacheco, que, em seguida, defendeu um pedido de desculpas.

“Uma fala dessa natureza deve render uma retratação, é fundamental que haja uma retratação”, completou. Segundo Pacheco, mesmo que a reação de Israel seja considerada desproporcional em meio à guerra, o paralelo feito pelo presidente não se justifica.

“Ainda que a reação feita pelo governo de Israel venha a ser considerada desproporcional, excessiva, violenta, indiscriminada, não há como estabelecer um comparativo com a perseguição do povo judeu no nazismo”, afirmou.

Cabo de Santo Agostinho - Refis 2023

O Republicanos em Pernambuco definiu mais uma chapa majoritária importante para se fortalecer nas eleições de outubro. Em Venturosa, o partido lançou o empresário Adriano do Posto para concorrer à Prefeitura do município. Adriano disputará o comando da cidade com o apoio de Tarcísio Victor, que será o candidato a vice-prefeito. “A candidatura de Adriano para disputar a prefeitura de Venturosa é fruto de um amplo diálogo envolvendo o povo de Venturosa, que quer a mudança. Adriano é um quadro extremamente qualificado com larga experiência no mundo empresarial que ajudará muito no desenvolvimento do município”, ressaltou o ministro Silvio Costa Filho, presidente licenciado do partido.

Caruaru - Pré Carnaval

Não bastasse a falta de habilidade em lidar com os problemas de Pernambuco, a gestão da governadora Raquel Lyra (PSDB), que por muitas vezes se gaba por ter procurado nomes técnicos para áreas consideradas primordiais, parece não ter pessoas capacitadas para elaboração de relatórios de gestão, importantes para nortear os problemas e soluções para as políticas públicas do Estado.

Em seu primeiro relatório de ação de governo, a gestão de Raquel precisou recorrer ao uso de Inteligência Artificial (IA) para elaborar os textos referentes aos dados de Pernambuco. Isso é o que indica as plataformas de análise de uso de IA. Nossa equipe recebeu diversos recortes do relatório que foram testados em plataformas que verificam a probabilidade para sua elaboração e observou que o recurso precisou ser utilizado inúmeras vezes. Muitos dos trechos com probabilidade de 100% de chances.

É possível constatar a presença do uso de Inteligência Artificial nos capítulos sobre Educação, Desenvolvimento Agrário, Cidadania e Cultura, Mobilidade e Urbanismo, e Água e Infraestrutura.

A ferramenta foi utilizada, por exemplo, para situar a quantidade de unidades agropecuárias no Estado, que segundo o relatório, são 280 mil.

Até os dados sobre pobreza e desemprego foram baseados com resposta dada por Inteligência Artificial, que servem como base para criação de políticas públicas na área social. Essa área, inclusive, já passou por mudança de secretários.

Vale lembrar que durante pouco mais de um ano de mandato, a gestora já trocou gestores das pastas, mostrando a falta de preparo da gestão em lidar com as problemáticas, como Defesa Social, Infraestrutura, Mulher, Cultura, Justiça e Direitos Humanos, Desenvolvimento Agrário, Desenvolvimento Social, Criança e Juventude.

Veja outros recortes do relatório que, possivelmente, fizeram uso de IA:

Belo Jardim - Novo Centro

O prefeito de Itapetim, Adelmo Moura (PSB), está em Brasília para destravar as emendas que viabilizem obras nas áreas de saúde e infraestrutura. “No ano passado, os recursos das emendas nos ajudaram fechar o ano com chave de ouro e, desta forma, entregar o mandato todo organizado com as contas em dia para que o próximo gestor possa pegar o município organizado e tocar para frente”, disse.

No ano passado, só o deputado Filipe Carreras (PSB) empenhou para Itapetim mais de R$ 6 milhões em emendas. Este ano, ele já colocou R$ 2 milhões, que já está em conta. A previsão, segundo o prefeito, é que o parlamentar consiga um total que pode variar entre R$8 milhões e R$ 10 milhões. “Mas espero que os deputados Pedro Campos (PSB) e Carlos Veras (PT), além do senador Humberto Costa (PT) e da senadora Teresa Leitão (PT), possam destravar recursos e começar as obras em Itapetim”, disse.

Segundo Adelmo, as emendas empenhadas o ano passado foram essenciais para a manutenção dos serviços prestados na área de saúde em Itapetim. “No ano passado, tivemos uma crise grande na área da saúde. Na área dos recursos que dependiam do FPM e a gente cortou em tudo, mas menos na saúde, porque o dinheiro da saúde a gente garantiu e conseguiu tocar a atenção básica e a média complexidade do nosso município com as emendas. Por conta delas, a gente conseguiu se salvar e não deixar a saúde entrar em colapso no nosso município”, disse o gestor.

Vitória Reconstrução da Praça

Por Juliana Albuquerque – repórter do Blog

Vice de Miguel Coelho nas eleições para o Governo de Pernambuco em 2022, pelo União Brasil, Alessandra Vieira é a mais nova aposta do PL para ampliar o número de prefeitos pela legenda este ano. O ato de filiação ocorreu hoje e contou com a presença do presidente estadual da legenda, Anderson Ferreira, e de Gilson Machado, ex-ministro do governo Bolsonaro. Pelo PL, Alessandra vai disputar a preferência do eleitorado em sua cidade Natal, Santa Cruz do Capibaribe, onde, até 2020, foi administrada por seu marido, Edson Vieira.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Pernambuco (FICCO/PE) deflagrou a Operação Manguezais, destinada a reprimir a atuação de uma Organização Criminosa que atuava no tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes conexos.

A investigação foi iniciada no final de 2022, tendo como foco um grupo chefiado por um presidiário, que já respondia a outros processos criminais e que estava dominando o tráfico de drogas na região de Rio Formoso, Tamandaré e outras cidades do litoral sul de Pernambuco.

Com o desenrolar das investigações, chegou-se ao conhecimento das ramificações da Organização, que possuía tentáculos nos Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Minas Gerais e Mato Grosso. Além disto, havia uma setorização das atividades criminosas, com alas dos grupos atuando diretamente no tráfico, lavagem de dinheiro e na intimidação e guerra pelo domínio de áreas onde estabeleceram pontos de vendas e drogas.

Parte dos membros da Organização Criminosa encontra-se cumprindo pena em presídios de Pernambuco, Ceará e Paraíba, alguns deles presos ainda durante a fase de investigações. Após a finalização das investigações, que demonstraram a participação dos alvos da operação nos crimes de Tráfico de Drogas (5 a 15 anos) e Lavagem de Dinheiro (3 a 10 anos), foram expedidos pela Vara Criminal da Comarca de Rio Formoso mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva que resultaram na execução de 13 buscas domiciliares (sendo 05 em outros Estados) e prisão de 29 envolvidos, todos já encaminhados aos sistemas prisionais.

Foram apreendidos durante as diligências 04 veículos, incluindo uma BMW/X1 S20I M SPORT 2023, 10 aparelhos celulares, um revólver calibre .38, uma réplica de fuzil e R$ 112.000,00 (cento e doze mil reais) em espécie, com a realização de uma prisão em flagrante.

Como peculiaridades da operação, durante os levantamentos foi possível detectar duas situações de interesse, caracterizadas pelo projeto de um dos líderes de investir financeiramente na campanha política de seu próprio pai para prefeito de um município da Mata Sul do Estado. Foi descoberto também um plano arquitetado no interior de um presídio de Pernambuco para promover distúrbios no Estado, principalmente na região metropolitana do Recife, visando derrubar a cúpula da Segurança Pública de Pernambuco em meados do ano passado, como represália às ações que a SDS/PE vinha efetuando e que contrariavam os interesses de parte da Organização Criminosa.

Todas as ações tiveram início no dia 30/01 e foram concluídas na última sexta-feira 18/02 devido à complexidade, capilaridade e tamanho de atuação da organização criminosa e ainda prossegue visando a capturas de outros envolvidos.

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou, hoje, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), podem se reunir nesta semana para tentar destravar os temas da medida provisória que retoma a tributação da folha de pagamento das empresas.

O Planalto deu a possibilidade ao presidente do Senado para que a reunião ocorra ainda nesta terça – o compromisso ainda não tinha sido incluído nas agendas de Lula e Pacheco até as 13h30. A articulação política do governo também agendou para esta semana um encontro do presidente Lula com os líderes partidários da Câmara e com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). O encontro deve acontecer nesta quinta-feira (22).

“É um encontro que a gente já queria fazer no final do ano passado, que a gente não conseguiu fazer por causa da agenda do Congresso e do presidente. Uma oportunidade da gente retomar esse encontro, esse diálogo, reforçar essa agenda”, afirmou Padilha.

A declaração foi feita após reunião da cúpula do governo no Palácio do Planalto, em encontro do presidente Lula e do ministro Fernando Haddad com as lideranças do governo no Congresso. A MP foi enviada ao Congresso no fim de dezembro, anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mas ainda não começou a tramitar.

Parlamentares e entidades fizeram duras críticas ao texto, que retoma a tributação sobre a folha de pagamento de 17 setores intensivos em mão de obra – e, na prática, aumenta o custo tributário dessas firmas. O governo trabalha com a possibilidade de retirar esse tema da medida provisória e reenviá-lo ao Congresso na forma de um projeto de lei. A MP seguiria tramitando com os outros dois temas já incluídos no texto:

  • a redução dos incentivos do Perse, criado para beneficiar o setor de eventos durante a pandemia da Covid e prorrogado até 2026, e
  • o teto para compensação de créditos tributários.

“Estamos abertos, vamos [tratar disso] agora com que volta plenamente o Congresso e as pautas. Eu já havia feito essa conversa com o presidente Pacheco para que essa semana a gente pudesse ter esse encontro do presidente Lula com a nossa presença, para construir definitivamente o caminho de negociação. Não está descartada a possibilidade por parte do governo, como fizemos em outras MPs, de transformarmos o conteúdo da negociação em um PL de urgência se for visto como a melhor forma de tramitar”, declarou Padilha hoje.

Segundo Padilha, “a MP é fundamental para manter o equilíbrio das contas públicas do governo” e a negociação em torno do tema será continuada.