Após a polêmica envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, os dois candidatos à Presidência que disputam o segundo turno participam de missas nesta segunda-feira (12), dia da santa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu realizar uma missa restrita na capela do Palácio da Alvorada, enquanto seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), prevê ir à Catedral de Brasília no fim da manhã.
Lula é católico e convidou um grupo restrito de convidados para acompanhar a celebração, entre eles o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e a ministra da Cultura, Margareth Menezes. Com informações da Agência O Globo e do Brasil de Fato.
Leia maisO vice-presidente Geraldo Alckmin acompanha a missa na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, no interior de São Paulo, acompanhado da mulher, Lu Alckmin.
Já Flávio Bolsonaro (PL), que é evangélico, participa de uma missa na Catedral de Brasília com seu candidato a vice, Alfredo Gaspar.
A data ocorre dias após a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. A controvérsia teve origem na circulação de conteúdos digitais, desdobrou-se em acusações contra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e gerou decisões conflitantes entre a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Contexto
A polêmica ganhou força após a divulgação de mensagens que associavam Flávio Bolsonaro a uma iniciativa para alterar o status da imagem religiosa. O caso gerou manifestações públicas do candidato, respostas formais da Igreja Católica e disputas judiciais sobre os limites da liberdade de expressão.
As publicações veiculadas nas redes sociais fizeram referência a uma proposta legislativa real, embora antiga e arquivada. Trata-se do Projeto de Lei 2.623 de 2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli (MT), à época filiado ao MDB. A proposta pretendia alterar a Lei 6.802 de 1980, que instituiu o feriado nacional de 12 de outubro, para substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O tema voltou à tona após um comentário no programa “Em Pauta”, da GloboNews, sobre uma suposta mobilização evangélica para retirar o título de padroeira. Em errata, a emissora mencionou que o projeto citado era de 2007 e estava arquivado desde 2008. Organismos vinculados à CNBB vinham alertando sobre um aumento dos ataques contra católicos: um relatório da Comissão Brasileira de Justiça e Paz listou 58 episódios de ataques da extrema direita contra a Igreja Católica desde 2018.
O projeto de Galli foi rejeitado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados e arquivado definitivamente em agosto de 2008. Anos mais tarde, Galli aliou-se ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e chegou a ser nomeado assessor especial da Presidência da República.
Apesar de o projeto ter sido autoria de um aliado político do grupo bolsonarista, Flávio Bolsonaro declarou, em vídeos, que não possui qualquer projeto para alterar o título da padroeira e classificou as acusações como informação falsa.
No episódio especial de hoje (12), a série jornalística Revelando, cujo tema é “A Guerra à Santa”, recebeu a cantora Juliette para discutir os ataques direcionados a Nossa Senhora Aparecida, a intolerância religiosa e a instrumentalização da fé em disputas políticas e relações de poder no Brasil.
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