Folha de São Paulo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi acusado de abusar sexualmente de uma menor de idade, mostram arquivos do caso Jeffrey Epstein divulgados pelo DOJ (Departamento de Justiça), hoje. Segundo a denúncia, uma adolescente de 13 ou 14 anos teria sido forçada a praticar sexo oral no republicano décadas atrás no estado de Nova Jersey. Ele não se manifestou.
Ainda de acordo com a denúncia, a vítima teria mordido o pênis do presidente e relatado o caso para outras pessoas. Nas anotações do Departamento de Justiça é sublinhado que um funcionário teria conversado com a denunciante, que se identificou como amiga da suposta vítima. “A pauta foi encaminhada ao escritório de Washington para a realização da entrevista”, diz o documento.
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Não há mais informações sobre o caso nem quando ele teria ocorrido. De acordo com a denúncia, feita numa data não especificada, o abuso ocorreu há mais de 30 anos. Os documentos, porém, não indicam se essas informações deram origem a investigações posteriores. Os materiais, portanto, demandam cautela. Em arquivos divulgados anteriormente, por exemplo, havia um vídeo falso, que depois foi excluído, que supostamente mostraria Epstein dentro de sua cela em Nova York, onde ele se suicidou.
No mesmo documento, aparecem outras acusações contra o presidente que, segundo a pasta, não têm credibilidade. Entre elas, está o caso de uma mulher que afirmou ter sido vítima e testemunha de um esquema de tráfico sexual no campo de golfe de Trump em Rancho Palos Verdes, na Califórnia, de 1995 a 1996. Ela teria relatado festas e orgias com meninas jovens, modelos da Victoria’s Secret e personalidades, incluindo Trump, o ex-presidente democrata Bill Clinton e o jornalista Robin Leach.
O documento ainda divulgou o relato de uma mulher que dizia estar presa e que mencionou a cantora Lisa Marie Presley, integrantes da família real britânica, Trump e Epstein. Os funcionários afirmam que não conseguiram contatar a mulher, que morava na Austrália.
Trump não foi formalmente acusado de qualquer irregularidade relacionada ao caso Epstein, e ele negou ter conhecimento dos crimes cometidos pelo financista. Em entrevista, o vice-secretário de Justiça, Todd Blanche, afirmou que, entre os 3,5 milhões de arquivos divulgados nesta sexta-feira, podem existir documentos, imagens e vídeos falsos.
“Alguns dos documentos contêm alegações falsas e sensacionalistas contra o presidente Trump que foram submetidas ao FBI pouco antes da eleição de 2020. Para deixar claro, as alegações são infundadas e falsas, e se tivessem qualquer fragmento de credibilidade, certamente já teriam sido usadas contra o presidente Trump”, disse Blanche.
A divulgação do novo conjunto de documentos é o mais recente esforço do governo de Donald Trump para cumprir a lei aprovada em novembro que exige a divulgação de todos os registros relacionados a Epstein até 19 de dezembro de 2025.
O departamento havia informado no final do ano que era necessária a revisão de mais de cinco milhões de páginas e que precisava realocar centenas de advogados para fazer o serviço, atraindo críticas de alguns membros do Congresso de que o ritmo lento do governo na divulgação havia violado a lei.
Epstein, um financista de Nova York, foi encontrado enforcado em sua cela em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual ele já havia sido condenado em caso estadual. Embora sua morte tenha sido considerada suicídio, ela gerou anos de teorias da conspiração, algumas das quais o próprio Trump promoveu entre seus apoiadores durante sua campanha presidencial de 2024.
O escândalo tornou-se um problema político persistente para Trump, que já enfrenta índices de aprovação em queda em uma série de questões, incluindo sua gestão da economia e as operações de repressão contra imigrantes.
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