A defesa do deputado estadual Izaías Régis (PSD) afirmou que a decisão da Vara da Fazenda Pública de Garanhuns, que condenou o parlamentar ao ressarcimento de valores, diverge de entendimentos anteriores do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o mesmo caso. Segundo os advogados, o deputado ainda não foi formalmente notificado da sentença.
De acordo com a defesa, o MPF arquivou investigação relacionada ao contrato após análise baseada em relatórios do TCU, que apontaram a execução de cerca de 58% das obras de pavimentação e drenagem, em proporção compatível com os recursos federais repassados, estimados em aproximadamente R$ 394 mil. Os relatórios também indicaram que as intervenções estão em uso e em condições adequadas, além de registrar a devolução de parte dos valores não utilizados. Com base nesses elementos, o Ministério Público Federal concluiu pela ausência de dolo, improbidade administrativa ou prejuízo ao erário.
Ainda segundo a defesa, o contrato foi firmado com a Caixa Econômica Federal com base em decisão liminar válida à época, posteriormente revogada, o que resultou na rescisão e devolução de recursos remanescentes. Os advogados sustentam que há expectativa de reversão da decisão nas instâncias superiores e destacam que as contas do ex-prefeito foram aprovadas pelos órgãos de controle ao longo de sua gestão.
A maioria dos brasileiros reprova a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de fugir do Brasil após ser derrotado nas eleições presidenciais, mostra pesquisa Quaest divulgada neste domingo (8).
Para 62% dos entrevistados, a ida do senador aos Estados Unidos foi uma decisão “errada”, enquanto 29% a consideram “certa”. Outros 9% não souberam ou não responderam.
A decisão de deixar o País é reprovada até mesmo por uma parcela dos eleitores que votaram em Flávio no segundo turno. Embora 58% considerem acertada a ida do senador ao país estrangeiro, quase um terço (32%) não concorda com a atitude. Entre os que votaram em Lula, a rejeição é ampla: de 89%.
A Quaest também perguntou sobre a motivação de Flávio para sair do País. Quase seis em cada dez (56%) dizem que o senador deixou o Brasil para “fugir da Justiça”, enquanto 35% acreditam que foi para “se proteger de perseguição política”. Outros 2% não concordam com nenhuma das duas hipóteses colocadas e 7% não sabem ou não quiseram responder.
A opinião sobre o que levou o candidato derrotado a fugir também muda conforme o voto no segundo turno. Entre os eleitores de Lula, 83% dizem que Flávio deixou o Brasil para fugir da Justiça, enquanto 11% apontam uma suposta perseguição política. Já entre os eleitores do senador, prevalece a interpretação de que ele buscou se proteger de perseguição política (65%), embora 29% digam que o objetivo foi escapar da Justiça.
Maioria vê eleições limpas e justas
A exemplo do que fez seu pai após a derrota nas eleições de 2022, Flávio Bolsonaro tem questionado o resultado das urnas, postura reprovada por 59% dos entrevistados e aprovada por 34%, segundo a Quaest. A rejeição é praticamente a mesma registrada há quatro anos, quando 61% desaprovavam os questionamentos ao processo eleitoral feitos pelo então presidente Jair Bolsonaro e 34% os apoiavam.
A pesquisa mostra ainda que a maioria dos brasileiros rejeita a tese de fraude eleitoral defendida pelo senador e seu entorno. Para 61% dos eleitores, as eleições brasileiras foram “limpas e justas”, enquanto 30% acreditam que houve fraude. Há quatro anos, os percentuais eram de 64% e 29%, respectivamente.
A crença em fraude eleitoral é predominante entre os eleitores de Flávio: 64% dos que apertaram o 22 no segundo turno dizem acreditar que as eleições foram fraudadas, enquanto 28% as consideram limpas e justas. Entre os que votaram no 13, 93% reconhecem a lisura do pleito e apenas 3% apontam fraude.
No recorte regional, o Nordeste é onde há maior confiança no processo eleitoral: 72% dos entrevistados da região consideram que o País teve eleições limpas e justas. A desconfiança, por outro lado, é maior entre os eleitores do Sul, onde 41% acreditam que houve fraude.
A pesquisa Quaest ouviu 2.004 eleitores brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
A Aponti realiza, de quarta (11) a sexta-feira (13), sua maior participação desde que passou a integrar o calendário de eventos REC’n’Play. Serão três dias de programação, mais de 70 palestrantes e três espaços de conteúdo: Palco Conexões, Palco Futuro e Palco Sunset Talks. As atividades serão organizadas em uma jornada integrada, com horários alternados, permitindo que o público acompanhe os debates sem conflitos de agenda.
A programação começa quarta às 10h, no Palco Futuro, com a palestra do presidente da Aponti, Ítalo Nogueira, com o tema “O mapa da inovação no Brasil: quem financia, fomenta e conecta o ecossistema”. O encontro discutirá os caminhos para aproximar empresas de tecnologia, startups, investidores, instituições de ciência e tecnologia, poder público e agentes de fomento.
No primeiro dia, acontecerá também a trilha temática dedicada a Govtech e ao Sistema Nacional de Inovação, com debates sobre contratação pública, investimentos, pesquisa, inovação aberta e políticas que aproximem tecnologia e desenvolvimento. A partir das 18h, o Happy Hour de Negócios será no rooftop do Hub Aponti. A proposta é oferecer um ambiente panorâmico propício para transformar encontros em parcerias, projetos e oportunidades em negócios concretos.
Outra atração é o Palco Sunset Talks, dedicado a palestras master com grandes nomes do mercado. Entre os convidados está Bruno Barino, Country Manager da BlackRock Brasil, considerada a maior gestora de ativos do mundo. Managing Director da companhia, Barino reúne 25 anos de experiência no setor de investimentos. Já ocupou posições de liderança no UBS, HSBC US e HSBC Brasil, com atuação em estratégias de crescimento, parcerias, fusões e aquisições.
Ao longo de três dias, a associação reunirá debates estratégicos sobre vendas, mercado de tecnologia e inovação, investimentos e expansão empresarial. A ideia é conectar empresas associadas a novos negócios e potenciais parceiros. Acompanhe toda a programação pelo Instagram da entidade: @apontipe.
O deputado federal reeleito Pedro Campos (PSB) afirmou, nas redes sociais, que vai cobrar uma investigação sobre a exoneração de 136 servidores comissionados da Casa Civil do Governo de Pernambuco. Entre os demitidos estão diversos aliados do PL e do grupo do presidente estadual da sigla, Anderson Ferreira, que foram nomeados para cargos às vésperas das eleições. “Tudo indica que parte desses cargos servia mais para acomodação política do que para atender às necessidades do Estado”, escreveu o parlamentar.
Ele também anunciou que vai solicitar os relatórios de atividades, os relatórios de trabalho e as folhas de ponto dos exonerados. “Afinal, quem trabalhava? O que fazia? Que serviço prestava ao povo pernambucano?”, questionou. “Dinheiro público não é moeda de troca política!”, concluiu.
Pesquisa Quaest divulgada neste domingo (8) mostra que 48% dos brasileiros aprovam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 44% desaprovam a atual gestão. Este é o primeiro levantamento sobre a avaliação do governo realizado após as eleições.
A pesquisa também indica que 94% dos entrevistados torcem para que Lula faça um bom governo. O percentual é o mesmo registrado em dezembro de 2022, depois da eleição presidencial daquele ano.
Os entrevistados também apontaram quais medidas consideram mais importantes para o próximo período. Entre as principais prioridades estão o fim da escala 6×1, a isenção de impostos sobre os produtos da cesta básica, a valorização do salário mínimo e a criação de um pacto de enfrentamento aos feminicídios.
O levantamento mostra ainda que 48% dos brasileiros estão preocupados com o futuro do país, enquanto 44% se dizem otimistas. Na comparação com dezembro de 2022, o nível de preocupação diminuiu e o otimismo aumentou.
Entre os otimistas, as principais razões mencionadas são a defesa da democracia e o combate ao bolsonarismo, o fortalecimento dos programas sociais e a redução da desigualdade, além da regulação das casas de apostas, conhecidas como bets, e das redes sociais.
Já entre os entrevistados preocupados com o futuro do país, os motivos mais citados são a situação da economia, a dívida pública e os juros; a violência e a atuação do crime organizado; e a corrupção.
Quem frequentou o antigo Clube do Servidor Civil, às margens do Lago Paranoá na L4 Norte, nas décadas de 1970 e 1980, certamente se lembra das piscinas, quadras e das apresentações de artistas como Alceu Valença, Legião Urbana e outros astros da música brasileira.
Esse espaço que tomou tanto o imaginário de brasilienses poderá ganhar um ressignificado após 20 anos fechado: será reinaugurado em 9 de dezembro como Senado Cultural, aberto para a comunidade com exposições e galerias. As informações são do Metrópoles.
O antigo clube começou a ser desenvolvido em 1973 e foi inaugurado em 1976. Com o passar dos anos, o uso do lugar foi se reduzindo até fechar em 1997.
A marcante fachada de colunas brancas em forma de elipse, no entanto, nunca deixaram de chamar atenção de quem passa pelo Setor de Clubes de Brasília, e no final deste ano, poderá voltar ao calendário de visitas das famílias do DF.
Como o clube ficou no tempo fechado
A ideia inicial era construir um clube para servidores do Ministério da Educação e Cultura, mas a proposta foi ampliada para atender funcionários públicos de toda a capital por determinação do então presidente Ernesto Geisel.
Após ser fechado em 1997, o lugar que tinha sido tão estimado se tornou um palco para depredação e abandono: postes derrubados, vidros quebrados, telhas retiradas, cabos elétricos arrancados à força e até sanitários removidos.
Em 2024, uma reportagem do Metrópoles mostrou que as piscinas, agora vazias, vegetações sem poda e chuvas que formavam poças d’águas contribuiram com o que o local virasse um chamariz para proliferação de mosquitos que transmitem dengue.
Como funcionará o local
O local que há pouco tempo estava inutilizado dará espaço para um ambiente familiar e cultural, previsto para inauguração no dia 9 de dezembro. A exposição inaugural já foi divulgada: Senado em Movimento, 200 anos de História.
Segundo a Agência Senado, o local oferecerá auditório, exposições, espaços de convivências e restaurantes aberto a toda a comunidade, além de um paisagismo assinado pelo Escritório Burle Marx. Os ingressos serão gratuitos, mas sob a condição de registrada em bilheteria para organização interna. A plataforma que será utilizada ainda não foi definida.
A diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, compartilhou que o espaço pretende “incluir playground, coworking, paisagismo e local para palestras. Este é um projeto grandioso e diferenciado de tudo que já existe em Brasília”.
Após a exposição inaugural, ainda segundo informações da Agência, o espaço da galeria principal será ocupado com uma exposição dos itens do acervo museológico do Senado, e contará com quatro espaços, em que uma destas áreas será dedicada a obras representativas de todos os estados, enquanto uma segunda terá produção artística local.
Entre as funções de cada espaço, o projeto prevê uma área para exposição sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em que 1,5 mil bolsonaristas foram detidos pela vandalização de estruturas e danos patrimoniais ao Palácio do Planalto, Congresso e Supremo Tribunal Deferal (STF).
A trajetória política de Lúcia Moura, atual primeira-dama e secretária municipal de Saúde de São José do Egito, no Sertão do Pajeú, voltou ao debate regional após a circulação de notícias sobre uma possível indicação de seu nome para comandar a X Gerência Regional de Saúde (GERES), sediada em Afogados da Ingazeira.
O episódio não é o primeiro em que sua participação política desperta controvérsias. Uma retrospectiva das publicações da imprensa regional revela que, ainda durante sua passagem pela vice-prefeitura de Afogados da Ingazeira, entre 2013 e 2016, Lúcia esteve no centro de divergências sobre participação administrativa, espaço político e composição de governo.
Eleita vice-prefeita na chapa de José Patriota, em Afogados da Ingazeira, em 2012, Lúcia viu sua relação política com o então prefeito passar por questionamentos públicos já em 2014. Em janeiro daquele ano, a mídia registrou comentários sobre um possível rompimento, associados a discussões acerca do espaço ocupado pela vice-prefeita na administração municipal. Na ocasião, Lúcia negou o afastamento e atribuiu sua menor presença na gestão aos compromissos profissionais como médica anestesiologista.
Meses depois, surgiram rumores de que poderia renunciar ao cargo. Mais uma vez, Lúcia negou ter tomado essa decisão, embora tenha admitido a intenção de conversar com Patriota. O distanciamento político continuou repercutindo. Em 2015, a imprensa regional já tratava das dificuldades na relação entre os dois. Em março de 2016, o ex-prefeito Totonho Valadares chegou a defender publicamente a permanência de Lúcia na chapa de reeleição de Patriota.
A defesa, entretanto, não se traduziu em sua recondução à candidatura. Na eleição daquele ano, Patriota escolheu Alessandro Palmeira, o Sandrinho, como companheiro de chapa, encerrando a participação de Lúcia naquela composição majoritária.
O episódio marcou uma ruptura na trajetória política da então vice-prefeita, embora as reportagens da época não permitam atribuir o desfecho a uma causa única. Anos depois, Lúcia passou a ocupar posição de destaque na vida política de São José do Egito, ao lado do prefeito Fredson Brito, seu marido.
Sua participação em articulações políticas e agendas institucionais foi registrada pela imprensa regional. Atualmente, além da condição de primeira-dama, exerce a função de secretária municipal de Saúde. A proximidade entre as funções administrativas e as articulações políticas do grupo governista tem alimentado interpretações distintas sobre sua influência. A participação de familiares de agentes políticos na vida pública, entretanto, não representa, por si só, irregularidade.
O debate relevante é identificar quais decisões decorrem das atribuições formais da secretária e quais articulações possuem natureza estritamente política. Em março de 2026, este blog trouxe o post “O poder sem limites da primeira-dama de São José do Egito”, com reclamações de lideranças oposicionistas sobre supostas interferências de Lúcia em órgãos estaduais e em decisões relacionadas a profissionais vinculados à administração pública.
Segundo os relatos, haveria desconforto entre integrantes do meio político regional diante da atuação atribuída à primeira-dama. As acusações, contudo, foram contestadas por Fredson e Lúcia, que negaram as condutas apontadas e atribuíram a repercussão a tentativas de desgaste político.
Não há, nas informações publicamente identificadas, comprovação independente de que Lúcia tenha determinado desligamentos em órgãos estaduais ou recebido autorização da governadora Raquel Lyra para interferir nessas decisões.
A controvérsia sobre a X GERES
Em outubro, o nome de Lúcia voltou ao noticiário após publicação do Portal Roberto Murilo informando que ela vinha sendo lembrada para assumir a X Gerência Regional de Saúde, em Afogados da Ingazeira. A possibilidade despertou atenção porque a regional possui uma estrutura de gestão própria e uma trajetória institucional associada à atuação de Mary Delanea Souza Pinheiro dos Santos, esposa do ex-prefeito de Iguaracy, Zeinha Torres.
Mary Delanea acumula experiência à frente da X GERES, tendo sido reconduzida à função em diferentes períodos. Em 2023, sua permanência na gerência foi noticiada após processo de seleção pública simplificada.
A eventual substituição de uma dirigente com essa trajetória seria uma decisão administrativa e política relevante, sobretudo em uma região onde os espaços de representação estadual frequentemente mobilizam diferentes lideranças municipais. Entretanto, após a repercussão da notícia, Fredson negou que estivesse indicando a esposa para o cargo e afirmou que ela não tinha interesse em assumir a função.
O presidente da Câmara de Arcoverde, Luciano Pacheco (MDB), disse ao blog, há pouco, que está promovendo o debate pós-eleição, antecedido de uma palestra minha, para estimular o Sertão a entrar na temática. “Arcoverde será o primeiro município da região sertaneja a promover uma discussão inerente para a sociedade”, afirmou. O evento “O Brasil pós-eleição, o que as urnas falaram”, chega a Arcoverde na próxima quinta-feira, às 19 horas, no plenário da Câmara Municipal.
Vai reunir não apenas os vereadores e a classe política, mas a sociedade arcoverdense em geral. “Eu, como médico e preocupado com o futuro deste país, vou participar”, disse Adilson Valgueiro, proprietário de clínica médica na região.
Arcoverde será a terceira etapa que cumpro nesta agenda democrática. Olinda, mantendo a sua tradição libertária e revolucionária, saiu na frente. O encontro foi na Câmara de Vereadores, quatro dias após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais.
Como ficou a composição do Congresso? Quais os partidos que elegeram maior número de senadores e deputados? Nos Estados, quais os partidos que emplacaram o maior número de governadores? Lula governa com o novo Congresso, de perfil extremamente conservador e de centro direita?
Tudo isso e muito mais vão dar o molho do debate em seguida a minha explanação. “O País foi às ruas para garantir a democracia”, diz Luciano Pacheco, adiantando que o evento é aberto ao público em geral. “Quando vi Caruaru lotar a sua Câmara em torno desta temática, não tive dúvida em convidar Magno para ampliar este debate em Arcoverde”, disse Pacheco.
O debate em Caruaru foi na última quinta-feira, no plenário da Câmara, com o plenário lotado, promoção do presidente da Casa, Bruno Lambreta (PSDB). “Foi uma excelente oportunidade para a gente conhecer com mais profundidade o que levou o presidente Lula a dar uma virada sensacional no segundo turno”, diz Lambreta.
Em Arcoverde, o evento, conforme esclareceu Pacheco, será aberto ao público, começando por volta das 19 horas com a minha palestra, seguida do debate. “Será um momento importante para colocarmos nossas opiniões e ouvirmos o contraditório”, disse Pacheco.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu na última sexta-feira (6) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão nacional de todas as ações que contestam a decisão do governo federal que proibiu o funcionamento de plataformas de jogos online, as chamadas bets.
Gonet afirmou ao Supremo que a proliferação de decisões judiciais que autorizam a liberação de casas de apostas gera insegurança jurídica.
Para o procurador-geral, os processos devem ficar suspensos até que o STF tome uma decisão definitiva sobre a questão. “A Procuradoria-Geral da República entende, portanto, ser caso de deferimento da medida excepcional de suspensão de processos, para sobrestar, em âmbito nacional, o trâmite de todos os feitos que tenham por objeto a constitucionalidade da Medida Provisória 1.394/2026, até o julgamento definitivo da controvérsia constitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou Gonet.
A petição da PGR foi encaminhada ao ministro Luiz Fux, relator de quatro ações que contestam a constitucionalidade da medida provisória que proibiu as bets.
Na quinta-feira (5), a segunda instância da Justiça Federal em São Paulo derrubou uma liminar que autorizava o funcionamento de três casas de apostas online.
Nem toda história de dependência química começa com uma droga. Algumas começam muito antes, ainda na infância, em ambientes marcados pela ausência de afeto, rejeição, negligência e sofrimento emocional.
A infância é fundamental para a construção da saúde mental. É nessa fase que desenvolvemos mecanismos de segurança emocional, autoestima, confiança e capacidade de lidar com frustrações. Quando uma criança cresce sem acolhimento, vivencia violência psicológica ou experimenta abandono afetivo, essas experiências podem deixar marcas profundas que acompanham o indivíduo durante a vida adulta.
Em algumas pessoas, o uso de drogas surge como uma tentativa de aliviar sentimentos difíceis de suportar. A ansiedade, a solidão, a tristeza e as lembranças traumáticas podem transformar as substâncias em uma espécie de fuga temporária da própria realidade.
A ciência demonstra que experiências adversas na infância estão associadas a uma maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos relacionados ao uso de substâncias. Isso envolve mecanismos cerebrais relacionados ao estresse, à regulação emocional e ao sistema de recompensa.
Entretanto, nem toda pessoa que sofreu traumas desenvolverá dependência química. A história individual, a genética, o ambiente familiar e os fatores sociais também desempenham papéis importantes.
Como profissionais de saúde mental, precisamos compreender que tratar a dependência não significa apenas combater o consumo de drogas. É necessário olhar para a história do paciente, investigar suas dores emocionais e identificar os transtornos psiquiátricos que podem estar associados.
Antes de julgar alguém pela dependência química, talvez seja necessário compreender o que essa pessoa viveu antes de chegar até ali.
Em algumas histórias, a droga chega na vida adulta, mas a dor começou na infância.
*Médico com atuação em Psiquiatria, Neurologia Clínica e Medicina da dor | Instagram: @drsilvinoteles
Por que o GPS do carro não serve para um caminhão? – Digitar o endereço e seguir a rota mais rápida. Para quem dirige um carro de passeio, essa lógica costuma funcionar. Para quem está ao volante de uma carreta, o caminho indicado pelo celular pode terminar em uma rua onde caminhões não podem circular, em uma restrição de horário ou em um trecho incompatível com o veículo.
A diferença está nas variáveis que precisam entrar no cálculo. Dimensões e peso do conjunto, número de eixos, restrições à circulação de veículos pesados, horários permitidos e possibilidade de manobra podem mudar completamente o trajeto. O próprio Waze informa em sua central de ajuda que não oferece suporte à navegação para caminhões. São Paulo é um exemplo dessa complexidade. A capital mantém áreas e vias com regras específicas para veículos de carga, como a Zona de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC), onde há horários em que os caminhões não podem circular, além das exceções previstas na regulamentação.
“Quando você está de carro, errar uma entrada normalmente significa recalcular a rota e perder alguns minutos. Com uma carreta, pode significar chegar a um lugar onde não há espaço para avançar ou fazer uma manobra, além de rodar quilômetros a mais para corrigir o caminho. Para o caminhoneiro, saber se pode passar é tão importante quanto saber como chegar”, afirma Leonardo Busin, sócio do Parada Top.
Acertar a rota – Mesmo quando o caminho está definido, outras decisões continuam pela frente. Quem passa dias na estrada precisa saber onde abastecer, estacionar, cumprir o período de descanso e encontrar uma oficina, borracharia, auto elétrica e guincho capaz de atender um veículo pesado. A infraestrutura formal ajuda a mostrar o tamanho desse desafio. Segundo dados do Ministério dos Transportes reunidos pelo Parada Top, o Brasil possui cerca de 190 locais reconhecidos como Pontos de Parada e Descanso, distribuídos por mais de 40 rodovias federais e aproximadamente 145 municípios em 23 estados. Fora desses pontos, há uma extensa rede privada de postos, estacionamentos, restaurantes, oficinas e outros estabelecimentos que fazem parte da rotina dos profissionais. Encontrá-los, especialmente em uma região desconhecida, ainda depende muito da experiência e da troca de informações entre motoristas.
Ferramentas – É justamente nessa outra camada da viagem que começam a ganhar espaço ferramentas voltadas à rotina profissional de quem vive na estrada. Alguns, como o Parada Top, por exemplo, reúne motoristas, transportadoras, postos, paradas e prestadores de serviços em um mesmo ambiente digital, permitindo localizar estabelecimentos e serviços relacionados ao transporte, além de acessar oportunidades de frete e trabalho. “Quem está há muitos anos na estrada constrói seu próprio mapa mental. Sabe onde parar, onde encontra estrutura e a quem recorrer quando surge um problema. A tecnologia pode ajudar a organizar essas informações e fazer com que esse conhecimento não dependa apenas de anos de experiência ou do boca a boca”, diz Leonardo Busin. No fim, um carro e uma carreta podem ter exatamente o mesmo destino. O caminho e as informações necessárias para chegar até ele é que são diferentes.
Uber lança passes para corridas. Mas, compensa? – A variação no preço de uma mesma corrida pode dificultar o planejamento de quem depende de aplicativos de transporte para se deslocar diariamente. Para tentar reduzir essa incerteza, a Uber anunciou duas modalidades que permitem antecipar gastos com trajetos recorrentes: a Preço Fixo, que estabelece um valor para uma rota em determinadas condições, e a Pré-Pago, que permite comprar pacotes de viagens por um preço definido. As novidades procuram atender a um comportamento específico: o de usuários que fazem deslocamentos frequentes e querem ter maior controle sobre quanto gastam com transporte.
A proposta, porém, não é idêntica nos dois modelos. Enquanto o Preço Fixo protege o passageiro de oscilações no valor de uma rota durante um período determinado, o Pré-Pago permite organizar antecipadamente a compra de várias viagens. No Preço Fixo, o usuário paga uma taxa única de R$ 3,99 para estabelecer o valor de um trajeto. É necessário informar os pontos de partida e chegada e selecionar uma janela diária de até uma hora para utilizar o benefício. O preço acordado vale por 30 dias, respeitadas as condições definidas na contratação, ou até que a economia acumulada com o passe alcance R$ 50. Se a tarifa disponível no momento da solicitação for menor que o valor fixado, prevalece o preço mais baixo.
Casa x trabalho – A modalidade pode ser útil para quem percorre regularmente o mesmo caminho, como no deslocamento entre casa e trabalho. A proteção, no entanto, depende do cumprimento das condições estabelecidas: alterações na origem, no destino ou no percurso podem invalidar o preço contratado. O recurso, que já estava em fase de testes em algumas cidades, será ampliado para todo o Brasil. Já o Pré-Pago permite adquirir pacotes de cinco, dez, 15 ou 20 viagens por valores fixos. Diferentemente do Preço Fixo, a modalidade não exige a definição de uma rota ou faixa de horário específica. A Uber também informa que os pacotes podem ser compartilhados entre pais e adolescentes que utilizam o Uber Teens. O serviço está disponível inicialmente em 34 cidades brasileiras, entre elas Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Salvador, Campinas e Porto Alegre.
UberX – As duas modalidades aceitam pagamentos digitais, como cartões de crédito e débito, Uber Cash e créditos do Uber One. Por enquanto, são válidas apenas para viagens da categoria UberX. Cada usuário pode manter até dez passes ativos, somando as duas opções. A aposta em maior previsibilidade dialoga com uma questão mais ampla da economia dos aplicativos: o peso que os gastos recorrentes têm no orçamento e a importância de saber antecipadamente quanto uma viagem vai custar. Embora os novos recursos sejam voltados aos passageiros, a previsibilidade também aparece como um desafio para quem trabalha nas plataformas. Um levantamento do GigU em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, mostra que 44,6% dos entrevistados consideram seus ganhos “razoavelmente previsíveis”. Outros 30,8% dizem que os rendimentos são pouco previsíveis e 12,8% afirmam não ter nenhuma previsibilidade. Apenas 11,8% classificam a renda como muito previsível.
“Mais do que simplesmente cobrar menos ou mais, diferentes formatos de remuneração podem ser avaliados pela capacidade de oferecer ao profissional uma relação mais clara entre tempo trabalhado, número de chamadas e renda. Para quem depende do aplicativo para pagar despesas recorrentes, a previsibilidade pode ter valor quase tão grande quanto o ganho potencial”, diz o CEO do GigU, Luiz Gustavo Neves. Para os usuários, a vantagem das novas modalidades dependerá das condições de contratação e da frequência de uso. Fixar um preço ou comprar viagens antecipadamente pode facilitar o planejamento, mas não significa, por si só, que toda corrida ficará mais barata. A economia efetiva dependerá da comparação entre o valor do passe e o que o passageiro pagaria pelas viagens individualmente.
Assistência a carro elétrico cresce 21,7% – O avanço dos veículos eletrificados no Brasil começa a transformar não apenas o mercado automotivo, mas também os serviços que acompanham essa nova realidade. Dados da Redion, antiga Europ Assistance, mostram que o número de assistências prestadas a carros elétricos cresceu 21,7% na comparação entre os períodos de janeiro a agosto de 2025 e 2026. O movimento acontece em paralelo à expansão acelerada da mobilidade elétrica no país. Em agosto, os veículos eletrificados — que incluem modelos elétricos e híbridos — alcançaram participação recorde de 24,3% nas vendas de veículos leves, com 63.709 unidades emplacadas no mês, mais que o dobro do registrado em agosto de 2025. No acumulado do ano, o segmento já soma cerca de 367,5 mil unidades. A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) também aponta a aceleração desse mercado. Em julho, os eletrificados já representavam 21,1% de participação nas vendas de veículos leves, com 56.074 unidades registradas no mês. Com uma frota cada vez maior, cresce também a necessidade de uma estrutura de assistência preparada para as particularidades desses veículos. Quando um carro elétrico fica parado no meio do caminho, sem carga e sem condições de chegar a um local seguro, o atendimento precisa considerar os sistemas de alta tensão e as duas baterias do veículo.
Como funciona – Nesse cenário, a assistência 24 horas ganha uma nova dimensão. Em casos de pane, os prestadores podem avaliar a possibilidade de realizar uma carga no local. A bateria de 12V pode receber carga para permitir que o condutor siga até o próximo ponto de recarga; já em problemas na bateria de alta voltagem, a remoção do veículo é necessária. “O crescimento de 21,7% nas assistências a veículos elétricos mostra que a mudança na frota brasileira já está chegando à rotina dos serviços de mobilidade. À medida que mais pessoas passam a utilizar esses veículos, também precisamos garantir que a assistência esteja preparada para as particularidades dessa tecnologia, com profissionais treinados e protocolos adequados de segurança 24 horas por dia”, afirma Rogerio Guandalini, Diretor Executivo Comercial, Marketing e Produtos da Redion.
Para o motorista, a mudança representa uma nova preocupação na hora de contratar serviços de assistência. Além de avaliar disponibilidade e tempo de atendimento, passa a ser relevante entender se a empresa possui estrutura e conhecimento técnico para atender o tipo de veículo utilizado. Quando não é possível prosseguir com a viagem, também pode haver alternativa de locomoção, com voucher Uber ou carro reserva.
“O motorista de um veículo elétrico precisa ter a tranquilidade de saber que, diante de uma eventual pane ou acidente, será atendido por uma estrutura preparada para aquela tecnologia. A assistência especializada passa a acompanhar a própria evolução do mercado automotivo”, completa o executivo. No atendimento a veículos eletrificados, as principais diferenças estão relacionadas aos sistemas de alta voltagem, aos procedimentos de reboque e aos protocolos de segurança. A tendência deve ganhar ainda mais relevância nos próximos meses. Segundo a ABVE, o Brasil já acumulava cerca de 950 mil veículos elétricos e híbridos em circulação desde 2012 até o final de agosto deste ano, e a associação projeta que a marca de 1 milhão seja alcançada ainda em setembro.
Vai viajar de carro elétrico no fim do ano? Saiba como se planejar – Com a chegada das festas de fim ano, quem pretende viajar de carro elétrico precisa incluir um item a mais no planejamento: onde recarregar a bateria durante o trajeto e no destino? A infraestrutura de recarga vem crescendo no Brasil. Já chega a 29.866 pontos públicos e semipúblicos, segundo dados divulgados em outubro de 2026 pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Para Guilherme Gibertoni, head de Marketing, Produto e Negócios do SóCarrão, o motorista deve planejar a recarga antes mesmo de sair de casa. “No carro elétrico, não basta saber quantos quilômetros o veículo faz com a bateria cheia. É preciso considerar a autonomia real para aquele percurso, identificar onde será possível recarregar e verificar se haverá estrutura também no destino. Esse planejamento evita imprevistos”, explica.
Autonomia: considere uma margem de segurança – A informada pela montadora é uma referência, mas pode variar de acordo com velocidade, temperatura, relevo, uso do ar-condicionado, peso e estilo de condução. Por isso, a recomendação é não planejar o trajeto no limite da bateria e já identificar os pontos de recarga disponíveis no caminho. O motorista pode utilizar ferramentas como o Mapa de Eletropostos para consultar opções ao longo da rota. Também é importante conferir o tipo de carregador e a compatibilidade com o veículo. Carregadores AC costumam demandar mais tempo, enquanto os modelos DC podem oferecer recarga mais rápida, dependendo do carro e do equipamento.
E a hospedagem?
Antes de reservar hotel, pousada ou imóvel de temporada, vale conferir:
se existe carregador ou estrutura adequada para recarga;
qual o tipo e a potência do equipamento;
se o uso é liberado para hóspedes;
se há cobrança adicional;
se é necessário reservar o carregador;
e se o equipamento está funcionando.
“O local onde o carro vai passar a noite pode ser tão importante quanto a hospedagem. Confirmar essa estrutura antes da viagem evita chegar ao destino e descobrir que não será possível recarregar o veículo”, destaca Gibertoni.
Checklist antes de pegar a estrada
Confira a autonomia real do carro
Planeje os pontos de recarga da rota
Tenha uma alternativa caso o carregador esteja ocupado ou indisponível
Verifique a compatibilidade do conector
Confirme a estrutura de recarga da hospedagem
Confira aplicativos e formas de pagamento
Inclua o tempo de recarga no planejamento da viagem
Não deixe a bateria chegar ao limite
“Com planejamento, a viagem de elétrico deixa de ser uma preocupação e passa a fazer parte da rotina da viagem, assim como escolher a rota e o local de hospedagem”, ressalta o especialista.
Renato Ferraz é especializado em jornalismo automobilístico. Além da coluna “De Bigu com a Modernidade”, também assina a “Multieixos”, no Correio Braziliense.
Não há nada melhor para aliviar o estresse diário do que ir a um bom restaurante. Na Itália e na França, as refeições são rituais de várias horas, onde a pressa é uma ofensa ao chef. O foco está na conversa, no vinho e na valorização dos ingredientes locais.
Na Espanha, a cultura do tapeo (ir de bar em bar comer tapas) prioriza a alta socialização em movimento. No Brasil, conheço restaurantes que vão muito além da comida, que funcionam como verdadeiros patrimônios vivos, preservando memórias, arquitetura e tradições ao longo dos anos. O Leite, no Recife, que bato ponto quando estou na cidade, é um deles.
Considerado o restaurante mais antigo em funcionamento contínuo no Brasil, o Leite foi fundado em 1882, ainda durante o Período Imperial e sob o reinado de D. Pedro II, no bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife.
Diferentemente do Leite, o Piantella, em Brasília, point dos políticos e da imprensa nacional, não resistiu a uma forte crise financeira e fechou suas portas por um período em 2016, sendo depois reaberto por um curto período, fechando definitivamente em 2020, na crise da pandemia.
Frente do Piantella, um dos principais pontos de encontro dos políticos em Brasília
Uma pena! Até hoje sinto saudade. Quantas vezes saí de lá com notícias que viraram manchetes no dia seguinte. O Piantella foi um dos principais pontos de encontro dos políticos em Brasília. No restaurante, foram acertados detalhes da Anistia, das Diretas Já, da Constituinte e da cassação de Collor.
“Aqui, governo e oposição sentam à mesma mesa”, era o slogan do Piantella. Ainda guardo na memória uma imagem de duas taças de champanhe, ladeadas por um prato virado para cima e outro para baixo, como se fosse o Congresso Nacional, exposto num dos ambientes da casa.
Não havia uma noite sequer que a nata da política brasileira não fosse bater o ponto no Piantella, que era de dois sócios: Kakai, advogado famoso na corte, e Marco Aurélio Costa, seu fundador, em 1974. Suas mesas abrigaram conversas, brigas e conchavos fundamentais para a composição da atual democracia brasileira.
“Tudo começou com o pessoal do MDB”, relembra Marco Aurélio. Mineiro de Teófilo Otoni, o fundador da casa costumava receber os amigos sentado na cabeceira da “Mesa do Velho”, à frente de um quadro de Ulysses Guimarães. Era lá que se reunia o Clube do Poire (nome de uma aguardente de pera usada como digestivo pelo Senhor Diretas), formado pelos parlamentares de oposição ao regime militar.
Do outro lado, os deputados da Arena também tinham seu quartel-general, o restaurante GAF, que tomou o mesmo rumo da ditadura e desapareceu. Já o Piantella foi se moldando às mudanças históricas, tendo o Dr. Ulysses como bandeira.
A sala utilizada pelo ex-presidente da Câmara, que morreu em um acidente aéreo em 1992, ficava em um ambiente reservado na parte de cima do restaurante, onde cabiam de 20 a 25 pessoas.
Recortes de jornal, fotos e algumas relíquias, como um cheque assinado por Ulysses para pagar uma conta quando assumiu provisoriamente a Presidência em 1985, compunham uma espécie de minimuseu em homenagem ao “Velho”. Ulysses fez muitas reuniões no restaurante.
Fotos históricas e salão principal do restaurante Piantella
Primeiro, deixava todo mundo falar, bem à vontade. Depois, chegava aonde queria. Ser aceito membro do clube muitas vezes era mais importante do que ter um cargo no governo. Foi no restaurante que as principais lideranças da Câmara realizaram o último encontro antes da votação do impeachment.
Durante o jantar, Ulysses fez questão de se sentar ao lado do líder do governo, Luis Eduardo Magalhães (PFL-BA). Era um sinal de que nada estava sendo feito pelas costas. Luís Eduardo, que morreu em 1998, aos 43 anos, também foi um dos grandes frequentadores da casa.
Ao lado de sua mesa favorita, no espaço comum, havia uma placa em homenagem a ele, dizendo que naquele local Luís Eduardo “pensava o Brasil”. Ainda sobre o ex-deputado e seu pai, o ex-senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), morto em 2007, há muitas histórias, mas uma sintetiza o que o Piantella representava no ideário político de Brasília.
No fim dos anos 1990, ACM e o ex-presidente Michel Temer (PMDB) costuravam um acordo para que os dois assumissem as presidências do Senado e da Câmara, respectivamente. Certa vez, Temer ligou para Luís Eduardo para marcar um encontro. Quando eles se falaram, descobriram que ambos estavam no Piantella, em ambientes diferentes. Ao final do jantar, o trato estava selado. ACM e Temer comandaram as duas Casas do Congresso de 1997 a 2001.
Um dos últimos episódios famosos de confraternização no Piantella ocorreu durante o julgamento do mensalão, em agosto de 2012. Recém-cassado devido a acusações de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o ex-senador Demóstenes Torres cantou para um grupo de advogados que trabalhava para réus do processo. Ele só estava se divertindo, nada demais, conforme chegou a brincar numa entrevista um dos donos do Piantela.
Além da deliciosa feijoada servida na casa, suas mesas foram palcos de importantes decisões tomadas por políticos, já que o local sempre foi ponto de encontro dos governantes. Ulysses Guimarães, um dos padrinhos do restaurante, foi homenageado com uma mesa destinada a jantares reservados, dentro da adega climatizada para 10 mil garrafas.
A cozinha da casa foi comandada por 26 anos pelo chef Geraldo Pinto Maciel e seus principais destaques eram a polenta com shiitake e shimeji frescos, sugestão de entrada; oferecendo como opção de prato principal o carré de cordeiro com risoto trufado. O risoto de salmão com queijo mascarpone e caviar eram os pratos principais, além do filé de linguado com ninho de legumes, que trazia o peixe grelhado servido sobre palmito, cenoura e alho-poró refogados, coberto por um molho de limão-siciliano, lima-da-pérsia e pimenta-rosa.
Outro aspecto interessante do restaurante era sua carta de vinhos, que lista 1.500 rótulos. Entre goles de poire, destilado francês à base de pêra, Ulysses Guimarães articulou por lá a campanha pelas Diretas Já.
Ele costumava sentar-se em um canto mais reservado do restaurante. Mesmo depois de sua morte, em 1992, sua mesa e cadeira continuaram reservadas com seu nome, e um quadro com sua foto foi pendurada na parede. Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, Aécio Neves, Dilma Rousseff e Michel Temer eram figuras constantes no Piantella.
Era como se fosse uma extensão do Congresso para todos. Muitas vezes, o restaurante ficava de portas abertas de madrugada para atender os políticos, que precisavam fazer reuniões emergenciais. O presidente Lula também era fã do Piantella.
Quando ele ganhou as eleições, em 2002, fez questão de jantar na casa com mais dez ministros. Foi uma festa. O restaurante também foi palco de histórias curiosas. O deputado Luis Eduardo Magalhães tinha uma tática boa para não o flagrarem com bebida alcóolica. Ele não tomava champanhe em taça, mas em um copo diferente, segundo Marco Aurélio.
Luis Eduardo, político baiano, ex-presidente da Câmara, morreu em 1998 depois de sofrer um infarto. Mas a clientela vai além do meio político. Cenário de tantas histórias, era esperado que o Piantella fosse reabrir um dia. Pelo menos, esse sempre foi o plano de Kakay, que fez questão de manter o restaurante intacto e continuar pagando o aluguel do ponto.
O restaurante encerrou as suas atividades em 31 de agosto de 2016, coincidente no mesmo dia do impeachment de Dilma Rousseff, sob impactos da crise econômica e o desgaste do formato tradicional. A trajetória do local virou tema de homenagens, artigos de reflexão democrática e de um projeto de livro de memórias conduzido pelo escritor Fernando Morais com base em centenas de entrevistas.
O saudoso Piantella, enfim, nas suas mesas lotadas, com muito whisky e vinho, construiu também, dia a dia, noite após noite, a redemocratização do país. Era comum, depois das sessões tensas, com debates acalorados sobre os destinos do Brasil, políticos de tendências opostas, como Luiz Eduardo Magalhães, José Genoino, Delfim Neto, Miro Teixeira, José Dirceu e Antônio Carlos Magalhães discutirem com civilidade e harmonia os destinos do País.
O Piantella foi, sem sombra de dúvida, o retrato de uma época em que a sociedade reconquistou o Estado democrático de Direito. A liberdade. A irmandade. O respeito às divergências. A política como instrumento civilizatório.
O deputado federal eleito e ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos) afirmou que a orientação recebida durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada no resort Mar-a-Lago, do presidente Donald Trump, na Flórida, é não negociar as disputas pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado. Segundo ele, a direita deve manter seus próprios nomes na disputa, mesmo que isso represente uma derrota.
“A orientação é não fazer acordo, mesmo que a gente perca, não tem problema. Agora, a gente não vai perder é a coerência. E vamos honrar cada voto que a gente recebeu”, declarou Gilson, em vídeo publicado nas redes sociais.
O ex-ministro viajou aos Estados Unidos para participar da conferência e se reunir com Flávio Bolsonaro (PL). O encontro reuniu lideranças conservadoras de diferentes países e terminou neste sábado (7).