Um registro todo especial para meu amigo Silvino Teles e sua Regina, que compartilharam comigo o jantar dos 20 anos do blog. Silvino é um médico extremamente preparado e escreve aos domingos no blog sobre saúde mental, tratamentos e os novos métodos de enfrentamento a este mal que atinge hoje fortemente a humanidade.
Por Antônio Campos*
A coluna de Fernando Castilho, publicada hoje (21/05/2026), no Jornal do Commercio, afirma que houve uma grande desarticulação política de Pernambuco em defesa da Ferrovia Transnordestina, especialmente no trecho Salgueiro–Suape. Contudo, com o devido respeito ao jornalista, a análise apresentada é incompleta.
O texto sustenta que o TCU tomou decisão desfavorável sem ter acesso a um estudo técnico elaborado pela Ceplan e pelo Observatório da Indústria/Senai-PE, financiado por Suape, que defendia a viabilidade da obra. Se isso realmente ocorreu, causa estranheza que a Procuradoria do Estado não tenha acompanhado mais de perto a tramitação da matéria perante o Tribunal de Contas da União.
Leia maisA reportagem destaca que:
• a governadora Raquel Lyra e o então ministro Renan Filho teriam sido praticamente os únicos atores políticos a atuar pela retomada da ferrovia;
• a bancada federal pernambucana teria permanecido inerte, sem pressionar por recursos ou apresentar emendas parlamentares relevantes para o projeto;
• o estudo técnico produzido em favor da Transnordestina ficou “guardado” e sequer chegou ao TCU durante a investigação sobre a obra;
• a Sudene só teria se mobilizado após a decisão do Tribunal de Contas;
• Pernambuco recebeu menos recursos de emendas parlamentares em comparação com estados como Ceará e Bahia, que conseguiram defender seus projetos estratégicos com maior força política.
A matéria informa ainda que, apesar das dificuldades, o Ministério dos Transportes autorizou o lote SPS04, entre Custódia e Arcoverde, abrangendo 73 quilômetros de obras. Contudo, ainda não há previsão concreta para os demais trechos. É preciso verificar a materialidade dessa documentação e sua efetividade prática — ou seja, o real início das obras — para que se possa acreditar, diante de tantas intercorrências e promessas frustradas.
O tom geral da reportagem, crítico à falta de mobilização política de Pernambuco em torno da Transnordestina e à perda de protagonismo do Estado frente ao Ceará, esquece de contextualizar aspectos fundamentais da questão.
Cabe também ao Governo do Estado e à bancada pernambucana diligenciar junto ao TCU e aos demais órgãos competentes sobre o tema. Inclusive, nunca foi ajuizado, perante a Corte de Contas, o recurso cabível contra a decisão que validou o aditivo que retirou Pernambuco do projeto principal da ferrovia. Tal medida ainda pode ser manejada e constitui importante instrumento de pressão política e institucional, visando à revisão, total ou parcial, daquela decisão e de outras posteriores relacionadas à matéria.
Fica evidente que a CSN, de Benjamin Steinbruch, além de priorizar o trecho do Ceará, em parceria com a gigante Construtora Marquise, também atua para retardar o trecho pernambucano, o que acaba valorizando economicamente sua própria obra. O jogo é pesado, chegando ao ponto de derrubar superintendente da Sudene que buscou defender a Transnordestina de Pernambuco.
O próprio presidente Lula, em discurso no Ceará, afirmou que deveria ser cobrado caso a obra não fosse concluída no prazo prometido — cobrança que também precisa ser feita em relação ao trecho pernambucano.
ATRASO DA OBRA
“Eu imaginava realizar essa obra muito mais rápido. Essa obra foi um pedido do governador Miguel Arraes. Quando eu saí do Crato na campanha de 1989, eu dei uma carona de avião para Arraes e ele me pediu: ‘Lula, se você ganhar as eleições, faça a Transnordestina’. Então eu tinha e tenho uma obsessão de fazer essa ferrovia”, declarou o presidente.
Lula também afirmou que os apoiadores deveriam cobrá-lo caso a ferrovia não fosse entregue pronta, reconhecendo ainda que a empresa responsável pela obra o “enrolou muito” no passado. (Declaração reproduzida em reportagem do Jornal do Commercio de 06 de abril.)
Portanto, a resistência em favor da Transnordestina não foi exclusiva da governadora Raquel Lyra ou do ministro Renan Filho. O próprio presidente da República reconheceu a necessidade de cobrança pública quanto aos atrasos — o que se aplica diretamente ao caso de Pernambuco.
Existe também uma ação popular, por mim ajuizada, na qual houve decisão do TRF da 5ª Região, em agravo de instrumento parcialmente procedente (Acórdão nº 0807142-40.2023.4.05.0000), assegurando interpretação favorável ao Estado de Pernambuco e a futuros investidores, afastando a tese de que seria necessário o pagamento prévio de indenização à concessionária para possibilitar a relicitação do trecho Salgueiro–Suape.
No ponto em que o pedido não foi acolhido integralmente, há recurso especial interposto perante o STJ, atualmente em tramitação, buscando a reforma parcial da decisão. O processo possui valor estimado em R$ 3,8 bilhões, em razão da correção do valor da causa promovida pelo juízo do feito, não tendo a ação ainda sido julgada, mas apenas recurso oriundo de decisão interlocutória, que foi parcialmente provido.
Assim, a luta pela Transnordestina também ocorre na esfera judicial, inclusive com iniciativas do SINDFER — Sindicato dos Ferroviários —, que sofreu fortes represálias. Causa espanto, inclusive, que, na referida ação popular, o próprio Estado tenha pedido sua exclusão da lide, alegando ausência de interesse jurídico.
A questão exige posição mais firme da bancada pernambucana e da sociedade civil organizada. A luta é eminentemente política, mas também passa pelo Tribunal de Contas da União e pelo Poder Judiciário, estando a ação popular em trâmite na 2ª Vara Federal de Pernambuco, preventa para a matéria e com objeto vivo.
A minha parte como cidadão venho fazendo.
Pernambuco sempre. Essa injustiça precisa ser vencida.
Recife/Olinda, 21 de maio de 2026.
*Advogado e escritor
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O secretário-executivo da Previdência Social, Felipe Cavalcante e Silva, e a presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ana Cristina Silveira, participam, na próxima segunda-feira (25), da inauguração da Agência de Teleatendimento Recife – Central 135. A unidade passa a funcionar na Avenida Conde da Boa Vista, nº 800, Edifício Apolônio Sales, no bairro da Boa Vista, sob administração da PLANSUL Planejamento e Consultoria LTDA.
A operação no Recife foi retomada após mais de dois meses de interrupção e integra a estratégia de ampliação da capacidade de atendimento do INSS. Atualmente, a central conta com aproximadamente 1.577 profissionais, entre operadores, servidores do INSS e equipes técnicas. A previsão é chegar a 1.700 atendentes, além da contratação de cerca de 200 colaboradores para funções de supervisão, monitoria, treinamento, tecnologia da informação, planejamento e coordenação.
Leia maisA expectativa é de que o serviço realize cerca de 1,4 milhão de atendimentos mensais, contribuindo para reduzir o tempo de espera dos segurados e aprimorar o suporte prestado à população. O contrato em vigor ampliou o número de atendentes e reforçou as atividades de apoio operacional, fortalecendo a qualidade da prestação do serviço.
Atualmente, a Central 135 opera em três cidades: Salvador (BA), Caruaru (PE) e Recife (PE). Em Caruaru, são registrados cerca de 1,4 milhão de atendimentos mensais, com aproximadamente 1.700 atendentes. Já em Salvador, a média é de 1,5 milhão de ligações por mês, com cerca de 2.125 profissionais.
A reativação da estrutura no Recife representa um importante reforço para a rede nacional de teleatendimento do INSS, ampliando a capacidade operacional e garantindo mais agilidade no atendimento aos cidadãos.
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O pré-candidato a deputado estadual Vinicius Castello (PCdoB) esteve, hoje, com o pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB), em duas agendas de rua no Recife e em Olinda. Na cidade alta, a dupla, estava acompanhada de Carlos Costa e Marília Arraes. A agenda começou na tradicional Feira de Beberibe, na Zona Norte do Recife, e seguiu para o Mercado de Caixa D’Água, em Olinda. Durante o corpo a corpo com feirantes, comerciantes e moradores, foram ouvidas demandas ligadas à limpeza pública, saúde, infraestrutura urbana e fortalecimento da economia local.
João destacou experiências adotadas no Recife para fortalecer os mercados públicos e estimular a economia popular. A expectativa do grupo é que boas práticas desenvolvidas na capital possam inspirar melhorias nos centros comerciais de outras cidades, especialmente em áreas como organização, infraestrutura, limpeza e incentivo aos pequenos comerciantes. “A gente sabe que, com trabalho, dá para construir um futuro muito melhor do que esse que se tem hoje em Olinda”, afirmou João Campos.
Vinicius Castello ressaltou que Olinda precisa voltar a receber atenção estratégica do poder público estadual e defendeu investimentos que valorizem o comércio popular e a estrutura urbana da cidade. “Olinda tem uma força enorme, um povo trabalhador e centros comerciais históricos que movimentam a economia da cidade todos os dias. Mas ainda falta atenção do poder estadual para que a cidade cresça como merece. Precisamos trazer boas experiências, investir em infraestrutura e garantir mais dignidade para comerciantes, feirantes e para a população”, declarou.
Nos dias 27 e 28 de maio, Brasília irá sediar a segunda edição do ‘Festival de Jornalismo do Prêmio Engenho – O Futuro do Jornalista’. A iniciativa reúne profissionais consagrados do jornalismo brasileiro, durante duas manhãs. Eles abordam, debatem e compartilham com uma plateia de estudantes universitários de Jornalismo temas que ainda não estão contemplados no currículo acadêmico.
As cinco faculdades de Jornalismo em funcionamento no Distrito Federal levam seus estudantes para a programação. São elas: Católica de Brasília, IESB, UDF, UnB e Uniceub. “Esperamos alcançar cerca de 500 alunos de Jornalismo nos dois dias de atividades”, comenta Kátia Cubel, jornalista e diretora do Festival.
Leia maisBand Brasília, Correio Braziliense, Folha de S. Paulo, Jovem Pan, Metrópoles, Nova Brasil, O Globo, Platô BR, Piauí, Poder 360, Record Brasília, Rede Vida, SBT News e TV Brasília estão entre os veículos de comunicação que participam da programação do Festival. Convidados ilustres vão falar sobre a importância do Jornalismo na cerimônia de abertura. Entre eles Adauto Soares, da Unesco, Patrícia Blanco, presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional e do Instituto Palavra Aberta.
Precursor dos debates sobre Fake News no Brasil, o Instituto Palavra Aberta é um dos parceiros institucionais. Referência tradicional no segmento da comunicação, o Jornalista e Cia. apoia oficialmente a iniciativa. O Sebrae no DF leva ativações para fomentar o empreendedorismo entre os futuros jornalistas. O evento é totalmente gratuito para todos os participantes. O evento é gratuito porque as organizações patrocinam a iniciativa. São elas: Sesi e Senai no DF, Sistema Cofeci-Creci, Vox Radar, Caixa e Governo do Brasil. O evento é gratuito. Os alunos devem se inscrever na Coordenação de sua faculdade.
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Por Luiz Queiroz – Capital Digital
A reação da oposição ao Decreto nº 12.975, publicado oficialmente hoje (21) pelo presidente Lula, rapidamente extrapolou o debate tradicional sobre liberdade de expressão e passou a atingir um terreno considerado ainda mais sensível pelas plataformas digitais: o impacto econômico e regulatório sobre o funcionamento das big techs no Brasil.
Das sete da manhã às 13 horas, parlamentares da Câmara protocolaram nove projetos de Decreto Legislativo (PDLs) para sustar os efeitos do ato presidencial. No Senado apenas uma iniciativa foi registrada até agora, de autoria do senador Rogério Marinho, Líder da Oposição no Senado. No geral, os projetos alegam que o governo avançou além do poder regulamentar permitido pela Constituição ao impor novas obrigações às empresas sem aprovação prévia do Congresso Nacional.
Leia maisO decreto de Lula regulamenta dispositivos relacionados à atuação de plataformas digitais, redes sociais e provedores de aplicações na internet, ampliando obrigações de transparência, publicidade digital, gestão de riscos sistêmicos, mecanismos de denúncia e moderação de conteúdo. Também fortalece o papel da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, que passa a atuar como órgão responsável pela regulamentação, fiscalização e aplicação de sanções administrativas relacionadas ao cumprimento das novas exigências.
Na avaliação da oposição, porém, o ponto central do decreto não está apenas na moderação de conteúdo político ou na remoção de publicações consideradas ilícitas, mas no impacto econômico indireto que o novo modelo regulatório pode impor às plataformas. Parlamentares avaliam que o governo atingiu o “coração financeiro” das big techs ao criar exigências permanentes de compliance publicitário, transparência algorítmica e mitigação contínua de riscos, abrindo espaço para fiscalização recorrente sobre os modelos de monetização digital.
Entre os principais críticos está o senador Rogério Marinho, líder da oposição no Senado, que anunciou a apresentação de Projeto de Decreto Legislativo para sustar os efeitos da medida. Na justificativa apresentada, Marinho sustenta que o decreto cria “deveres permanentes de vigilância, prevenção e remoção” para as plataformas digitais sem respaldo em lei aprovada pelo Congresso. O senador afirma que o Executivo extrapolou sua competência regulamentar ao impor obrigações que, segundo ele, alteram substancialmente o equilíbrio originalmente estabelecido pelo Marco Civil da Internet. Marinho também argumenta que o decreto cria um ambiente de pressão indireta para remoção preventiva de conteúdos, o que poderia afetar o debate político e eleitoral nas redes sociais.
Outro foco importante da reação veio de parlamentares ligados à chamada bancada conservadora e à oposição liberal na Câmara dos Deputados. Deputados que protocolaram PDLs semelhantes sustentam que o governo estaria utilizando conceitos vagos, como “falha sistêmica”, para permitir responsabilização ampla das plataformas digitais. Na interpretação desses parlamentares, a redação aberta do decreto poderá estimular empresas a ampliar mecanismos automatizados de exclusão de conteúdo para reduzir riscos de sanções administrativas futuras.
Parte da oposição também passou a argumentar que o decreto inaugura um modelo de “compliance estatal permanente” sobre as plataformas digitais. Parlamentares afirmam que as exigências relacionadas a relatórios periódicos, transparência algorítmica, gestão de riscos e publicidade digital criam uma espécie de supervisão contínua da atividade econômica das big techs. Nos bastidores do Congresso, oposicionistas afirmam que a medida vai além da moderação de conteúdo e atinge diretamente o modelo de negócios baseado em impulsionamento, recomendação algorítmica e publicidade segmentada.
Deputados alinhados à oposição mais liberal também sustentam que o decreto poderá produzir insegurança jurídica para empresas internacionais de tecnologia. Segundo eles, a norma transfere excessivo poder discricionário para a ANPD ao permitir regulamentações futuras sobre conceitos considerados amplos ou indefinidos. O temor manifestado é que as plataformas passem a operar sob ambiente regulatório instável, sujeito a interpretações administrativas variáveis.
Outro ponto que passou a mobilizar parlamentares envolve o fortalecimento institucional da Autoridade Nacional de Proteção de Dados. Os autores dos PDLs afirmam que o governo transformou a autoridade em uma espécie de órgão regulador transversal da internet brasileira. Segundo os parlamentares, o Marco Civil da Internet originalmente não previa a ANPD como autoridade ampla para supervisionar redes sociais, publicidade digital, algoritmos e políticas de moderação de conteúdo.
Na visão da oposição, o governo teria criado, na prática, uma “superagência digital” com competência potencialmente concorrente com outros órgãos públicos. Parlamentares citam possíveis conflitos de atribuição com o Judiciário, Ministério Público, Secretaria Nacional do Consumidor, Comitê Gestor da Internet no Brasil, Agência Nacional de Telecomunicações e Justiça Eleitoral.
Deputados ligados às comissões de comunicação e desenvolvimento econômico passaram a explorar ainda o impacto econômico das medidas sobre o mercado digital brasileiro. Nos discursos já apresentados, parlamentares afirmam que o decreto cria custos permanentes de adequação regulatória para as plataformas, exigindo investimentos contínuos em monitoramento, auditoria, moderação, transparência publicitária e gestão algorítmica. A interpretação predominante é que o governo decidiu pressionar financeiramente as big techs como forma indireta de ampliar controle regulatório sobre o setor.
Outro argumento recorrente nos PDLs é que o decreto incorporou, sem lei específica aprovada pelo Congresso, entendimentos recentes do Supremo Tribunal Federal sobre responsabilização das plataformas digitais. Parlamentares afirmam que o Executivo utilizou decisões judiciais para expandir obrigações regulatórias por meio de decreto presidencial, sem o devido debate legislativo.
A reação também passou a enfatizar riscos relacionados à liberdade de expressão. Parlamentares oposicionistas argumentam que o temor de multas e punições administrativas poderá incentivar plataformas a remover conteúdos legítimos de forma preventiva, especialmente em temas políticos e eleitorais. Na avaliação desses congressistas, o risco de responsabilização futura tende a produzir um ambiente de autocensura privada impulsionado pela insegurança regulatória.
Outro eixo importante do discurso oposicionista envolve a crítica à estratégia política adotada pelo governo. Parlamentares afirmam que o Palácio do Planalto optou por utilizar um decreto presidencial justamente após fracassar nas tentativas de aprovação de uma legislação ampla de regulação das plataformas digitais no Congresso Nacional. Para a oposição, o Executivo estaria implementando, por via infralegal, mecanismos de supervisão digital que não conseguiu aprovar por projeto de lei.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que o verdadeiro centro da disputa deixou de ser apenas a moderação de conteúdo e passou a envolver o modelo econômico das plataformas digitais no Brasil. A percepção predominante entre oposicionistas é que o governo decidiu atuar diretamente sobre os mecanismos de monetização das big techs, impondo obrigações contínuas de transparência, publicidade e gestão de riscos capazes de alterar estruturalmente a operação dessas empresas no mercado brasileiro.
A disputa agora tende a migrar para duas frentes simultâneas: o embate político no Congresso, com os PDLs tentando derrubar o decreto presidencial, e a possibilidade de judicialização futura no Supremo Tribunal Federal, caso a norma permaneça em vigor. O cenário já é visto por parlamentares e pelo setor de tecnologia como o início de uma nova fase do conflito entre governo, plataformas digitais e oposição em torno da regulação da internet no Brasil.
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O ex-deputado estadual Cayo Albino (PSB) ampliou sua base de apoios para a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco com a adesão do prefeito de Bonito, Dr. Ruy Barbosa. O anúncio foi feito ontem e reforça a articulação política do parlamentar no Agreste pernambucano. Em 2022, Cayo recebeu quase seis mil votos no município. O apoio de Dr. Ruy também contou com a anuência do pré-candidato ao Governo do Estado pelo PSB, João Campos.
Além de Bonito, Cayo Albino conta atualmente com o apoio dos prefeitos Edimilson da Bahia (Correntes), Henrique Gois (Paranatama) e Sivaldo Albino (Garanhuns). O grupo político também reúne ex-prefeitos e vereadores de municípios do Agreste e de outras regiões do estado.
Na eleição de 2022, Cayo Albino obteve mais de 32,5 mil votos, ficando na suplência e assumindo posteriormente uma cadeira na Alepe. Desde então, exerceu funções de destaque na Assembleia, como a vice-liderança do PSB e a liderança da oposição ao Governo Estadual. A expectativa do grupo político é ampliar a votação do parlamentar nas eleições de 2026, com base no fortalecimento de alianças regionais e na ampliação de sua presença política em diferentes municípios pernambucanos.
A Comissão Externa sobre Prevenção e Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil da Câmara dos Deputados realizará, na próxima segunda-feira, audiência pública para ouvir, presencialmente, o senhor Tim Ballard, ex-agente especial do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (Homeland Security), fundador da Tim Ballard Foundation e cuja trajetória inspirou o filme Som da Liberdade, produção que levou ao grande público o debate sobre o tráfico de crianças e a exploração sexual infantil.
A audiência será realizada às 14h, no Plenário 3 do Anexo II da Câmara dos Deputados, em Brasília. O encontro foi convocado no âmbito da Comissão Externa, sob coordenação do deputado federal Fernando Rodolfo (PRD/PE).
Leia maisA oitiva integra os trabalhos da Comissão Externa criada para aprofundar o debate sobre políticas públicas, medidas legislativas e estratégias de prevenção e repressão à violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil.
Para o deputado Fernando Rodolfo, a presença de Tim Ballard representa uma oportunidade de ampliar o diálogo internacional sobre o tema e conhecer, diretamente de sua experiência presencial na Câmara, iniciativas de enfrentamento a redes criminosas que atuam na exploração sexual de crianças e adolescentes.
“A violência sexual infantojuvenil é uma das formas mais graves de violação de direitos humanos. O Brasil precisa tratar esse tema com prioridade absoluta, fortalecendo a prevenção, a investigação, a responsabilização dos criminosos e a proteção das vítimas. A audiência pública com Tim Ballard permitirá conhecer experiências internacionais e contribuir para o aperfeiçoamento das ações do Estado brasileiro”, afirma o deputado Fernando Rodolfo.
Tim Ballard é conhecido por sua atuação no combate ao tráfico humano e à exploração sexual de crianças. Ao longo de sua trajetória, atuou em investigações relacionadas a crimes transnacionais e, posteriormente, fundou organização dedicada ao enfrentamento dessas violações. Sua história ganhou projeção internacional ao inspirar o filme Som da Liberdade, que ampliou a visibilidade pública sobre o enfrentamento ao tráfico de crianças e à exploração sexual infantil.
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Pesquisas para consumo interno encomendadas por um grupo de senadores mostraram que o advogado Geral da União, Jorge Messias, teria 75% de aprovação dos eleitores brasileiros para ministro do Supremo Tribunal Federal.
No Encontro Internacional da Indústria da Construção Civil, onde esteve a convite do presidente Lula (PT), Messias foi tratado como uma unanimidade positiva tanto pelos empresários como pelos trabalhadores da construção.
Do G1
O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), rejeitou, hoje, novos requerimentos de parlamentares cobrando a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso do Banco Master.
“Requerimentos de leituras de matérias devem ser objeto de despacho da presidência. Portanto, o momento da leitura é um ato discricionário [uma escolha] da presidência da mesa do Congresso Nacional”, afirmou Alcolumbre.
Leia maisA declaração ocorreu durante sessão do Congresso Nacional, nesta manhã, para análise de um veto à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que restringe a transferência de recursos federais para municípios considerados inadimplentes.
Nos pronunciamentos iniciais, parlamentares de diversos partidos se manifestaram a favor de uma CPMI para investigar as suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco de Daniel Vorcaro, preso desde março pela Polícia Federal (PF), na operação Compliance Zero.
Hoje, há pelo menos cinco pedidos protocolados de abertura de uma CPI para investigar o caso. Um requerimento de CPI exclusivo da Câmara, três do Senado e um pedido de CPI mista, ou seja, que reúne deputados e senadores.
Além disso, tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) pedidos da oposição e da base para abertura do colegiado. Uma decisão do STF poderia obrigar o parlamento a criar a comissão – como aconteceu com a CPI da Covid.
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O presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) e prefeito de Aliança, Pedro Freitas, participou, ontem, em Brasília, de uma reunião com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, dentro da programação da XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios.
O encontro reuniu também o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, além dos presidentes das entidades municipalistas estaduais de todo o país. Na pauta, foram discutidas as chamadas “pautas bomba”, temas que vêm gerando preocupação entre os gestores municipais devido aos impactos financeiros nas administrações locais.
Leia maisDurante a reunião, ficou acordada a criação de um grupo de trabalho formado por representantes do Governo Federal e da Confederação Nacional de Municípios, com o objetivo de aprofundar o debate sobre as pautas e construir soluções conjuntas que evitem prejuízos aos municípios brasileiros.
Para Pedro Freitas, o encontro foi produtivo e reforça a importância do diálogo entre os municípios e o Governo Federal. “Foi uma conversa positiva, com espaço para diálogo e construção conjunta. Os municípios precisam ser ouvidos e fortalecidos, porque é nas cidades que as políticas públicas acontecem de fato. Acreditamos na força do municipalismo e na parceria com o Governo Federal para avançar nas pautas que impactam diretamente a população”, destacou o presidente da Amupe.
Ainda segundo Freitas, “também é importante reconhecer o papel do Governo Federal no fortalecimento dos municípios brasileiros, através de programas e investimentos que já estão chegando na ponta. Iniciativas como o Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos e o PAC Seleções têm contribuído diretamente para melhorar a vida da população e garantir mais desenvolvimento para as cidades. Quando União e municípios trabalham juntos, quem ganha é a população”, finalizou.
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Por Antonio Magalhães*
Houve um tempo de um passado recente em que o cidadão ou leitor tinha acesso restrito a quem comunicava ou ao jornal da sua cidade para apresentar queixas e sugestões. O que existia era só o espaço de ‘Cartas à Redação’, onde as reclamações dos serviços públicos e privados eram espremidas em poucas linhas de texto com temas relegados na parte nobre dos periódicos. Questões urbanas que pareciam irrelevantes para os governantes estavam registradas nesta seção, num canto de página de pouca visibilidade. Vivia-se a ditadura da falta de espaço jornalístico para quem dava sustentabilidade à imprensa.
Esse tempo ficou para trás. Hoje, a comunicação direta do produtor de conteúdo e o consumidor/leitor deu um poder inimaginável aos que tinham de ler ou ouvir passivamente, com pouca chance de ter voz para uma resposta ou comentário. Agora, as ‘Cartas à Redação’ turbinadas são as redes sociais. Nelas, a mensagem é captada pelo leitor que reclama, contesta e até sugere nova mensagem. Há registros da saga das cartas manuscritas ou datilografadas, que levavam dias ou meses para chegar ao destinatário, até a chegada das redes sociais instantâneas, como o Whats App (o popular Zap), o Telegram, o Facebook, o Instagram e outras. Foi instalada a democracia da palavra: quem fala o que quer, pode ouvir muitas vezes o que não quer. Mas a sua voz será ouvida.
Leia maisTudo mudou na transição das cartas para as redes sociais: encurtou distâncias, introduziu a escrita informal e sem limite de espaço, em linguagem direta e até acrescentou emoções visuais de afeto e recursos não-verbais, como emojis, GIFs e áudios, para enriquecer o contexto emocional da mensagem.
Esse ‘nariz de cera’ do jornalismo ou preâmbulo é para falar do curioso livro do escritor Rogério Mota, que durante décadas escreveu cartas à redação do ‘Diário de Pernambuco’. “Muitas nasceram de um incômodo imediato: um buraco na rua, um semáforo quebrado, um trânsito desorganizado, uma resposta mal-dada por um órgão público. Outras surgiram de reflexões mais amplas: política, comportamento, cidadania, futebol, cultura. Todas, porém, tinham algo em comum – eram escritas no calor do momento, com o desejo simples de ser ouvido”, conta Mota em seu livro.
Para o escritor, “essas cartas não são apenas sobre os fatos que as motivaram. Elas retratam um tempo. Cada texto guarda, ainda que de forma simples, um fragmento da vida cotidiana de uma cidade, de um estado, de um país. Um semáforo quebrado hoje pode não ter importância alguma – mas ele revela como funcionava (ou não funcionava) a gestão pública naquele momento. Um engarrafamento específico já não existe – mas o problema da mobilidade urbana continua sendo um desafio permanente. Uma reclamação pontual pode parecer pequena – mas, somadas, essas pequenas vozes formam um painel muito mais amplo da realidade”.
Rogério Mota lembra um aspecto que considera importante: a persistência de certos temas. “Ao longo dos anos, percebo que muitos problemas se repetem. Mudam os governos, mudam os nomes, mudam as circunstâncias — mas algumas questões continuam presentes. Isso não é apenas um sinal de falha; é também um convite à reflexão. O que evoluímos? O que permanece igual? O que ainda precisamos resolver?”
No prefácio de ‘Memória das Cartas’, o jornalista Ângelo Castelo Branco, membro da Academia Pernambucana de Letras, afirma que “a publicação não é um livro de grandes eventos históricos – e não pretende ser. Seu mérito está justamente naquilo que muitas vezes escapa aos grandes relatos: o cotidiano, o imediato, o aparentemente pequeno. Mas é desse material que, em última instância, se constrói a história real de uma sociedade”. É isso.
*Jornalista
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