Corte de 17% na saúde aprofunda colapso nos hospitais
O corte de 17% nos investimentos destinados aos principais hospitais da rede estadual expõe uma contradição cada vez mais difícil de esconder no discurso do Governo de Pernambuco. Enquanto a governadora Raquel Lyra (PSD) transformou 2026 no chamado “ano da saúde” em peças publicitárias, redes sociais e agendas institucionais, a realidade enfrentada por pacientes e profissionais nas unidades públicas revela um sistema pressionado pela falta de estrutura, manutenção precária e redução de capacidade operacional.
A redução dos recursos atinge justamente hospitais estratégicos da Região Metropolitana do Recife e de Caruaru, que concentram alta demanda e atendimentos de maior complexidade. Em vez de reforçar investimentos diante do aumento da procura por serviços, a gestão estadual promove um enxugamento que impacta diretamente obras, conservação predial, reposição de equipamentos, abertura de leitos e condições básicas de funcionamento.
Leia maisOs efeitos já aparecem de forma concreta e dramática. Pacientes seguem amontoados em corredores, emergências operam acima da capacidade e denúncias de infiltrações, problemas elétricos e deterioração estrutural se multiplicam. O caso do Hospital da Restauração simboliza esse cenário de desgaste: depois de uma ampla estratégia de divulgação da pintura da fachada da unidade, o desabamento de parte do teto do hospital revelou ao País que a crise vai muito além da aparência.
O episódio escancarou a distância entre a propaganda e a realidade vivida dentro dos hospitais. A superlotação histórica da unidade, que chegou a registrar demanda equivalente a 303% da capacidade de leitos, demonstra que o problema não é pontual, mas estrutural.
Quando faltam investimentos consistentes, manutenção profunda e planejamento de longo prazo, o resultado inevitável é a precarização do atendimento e o aumento do sofrimento da população que depende exclusivamente da rede pública estadual.
SUCATEADO E SEM AR – O primeiro trem usado comprado pela CBTU ao sistema metroviário de Belo Horizonte chegou ao Recife, ontem, como parte de uma estratégia emergencial para evitar o colapso operacional da Linha Sul do metrô. A composição, que tem 24 anos de uso, não possui ar-condicionado e deve entrar em operação em até 30 dias, após passar pelas etapas de montagem, testes e treinamento das equipes. A composição teve um custo de R$ 10 milhões.

Caiado sobe o tom – Sem citar o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto pelo PL, o pré-candidato do PSD, Ronaldo Caiado, afirmou, ontem, em discurso na Marcha dos Prefeitos, que ninguém contaminado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pode ser presidente do Brasil. “A pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da Presidência da República. O Vorcaro estava contaminando todos os Poderes, e nós estamos vivendo nessa desordem institucional. Não se sabe em quem acreditar, porque hoje tanto o Supremo quanto os órgãos do Congresso Nacional, como também a Presidência e outros tantos estão envolvidos em escândalo”, afirmou.
Palanque em Pernambuco – Em entrevista após sua fala na Marcha dos Prefeitos, Caiado foi forçado a tratar dos palanques estaduais, inclusive Pernambuco, onde Raquel ainda não se manifestou sobre preferências na corrida presidencial. “O PSD construirá palanque em todos os estados da Federação em uma candidatura independente no sentido de romper esse processo que está levando o brasileiro cada vez mais a desacreditar da política. Essa independência foi dada a cada estado da Federação. O PSD nacional saberá construir o palanque do candidato Ronaldo Caiado em Pernambuco”, disse.
Com os dias contados – Integrantes da cúpula do PL, partido de Flávio Bolsonaro, avaliam que, de 10 a 15 dias, será o tempo para reavaliar se o senador terá condições de prosseguir como candidato e se as denúncias serão relevantes eleitoralmente. A postura do senador durante operação que mirou Ciro Nogueira (PP-PI), há duas semanas, ajudou a afastar parte do Centrão, que deve optar pela neutralidade na corrida presidencial. Após a revelação da troca de áudios entre o senador e o banqueiro, versões desencontradas levantaram dúvidas sobre a manutenção da pré-candidatura do senador e sobre sua viabilidade eleitoral.

Prefeitos na pressão em Brasília – Prefeitos que participam da Marcha em Brasília tiveram, ontem, um encontro com a bancada federal e a governadora Raquel Lyra. Na pauta, as obras da ferrovia Transnordestina e o fim do imposto sobre a importação, conhecido como “Taxa das Blusinhas”. Ao discursar, Raquel reafirmou o compromisso de trabalhar junto aos gestores e agradeceu pela parceria com o governo federal por viabilizar a retomada das obras da Transnordestina.
CURTAS
BLUSINHAS – O fim da “Taxa das Blusinhas” foi apresentado pelo prefeito de Toritama, Sergio Colin (PP), como uma das principais preocupações dos prefeitos do Polo de Confecções do Agreste. Como solução, o líder do Republicanos na Câmara e presidente da Frente Parlamentar da Indústria Têxtil e de Confecção, Augusto Coutinho, propôs a inclusão de um novo cashback na Reforma Tributária.
AGENDA – Do presidente da Amupe, Pedro Freitas, no encontro da bancada com a governadora: “Esse é um momento em que as diferenças políticas ficam em segundo plano diante daquilo que realmente importa: defender os municípios pernambucanos e garantir melhores condições de vida para a população. A Amupe segue cumprindo esse papel de reunir prefeitos e parlamentares em torno de uma agenda comum”.
PROCESSOS – O Tribunal de Justiça realizou, nos primeiros cinco meses do ano, mais de 1 milhão de atos processuais. Os dados são do Decisômetro, ferramenta digital criada para permitir que a população acompanhe a produtividade do Poder Judiciário estadual. Implantado em 2024, o Decisômetro funciona no portal do TJPE e também fica exposto em telas instaladas nas entradas dos prédios do Judiciário estadual.
Perguntar não ofende: Quando Flávio Bolsonaro joga a toalha?
Leia menos









