A Compesa disponibilizou dois novos caminhões para agilizar os serviços de manutenção do Sistema de Esgotamento Sanitário de Fernando de Noronha. Dois caminhões hidrojato desembarcaram na ilha e já estão sendo utilizados nos serviços de manutenção das redes coletoras.
Um dos veículos tem capacidade para transportar 11 mil litros de efluentes e possui um reservatório para quatro mil litros de água que será utilizado principalmente nos serviços de desobstrução com jatos de água com alta velocidade e pressão. O novo equipamento será o principal utilizado nas manutenções e é mais robusto, e substituiu o veículo utilizado anteriormente nas atividades de campo, sendo um forte aliado das operações da Compesa e da melhoria dos serviços de esgotamento sanitário prestados no arquipélago.
O caminhão tem potencial para realizar até 200 viagens por mês para limpeza e desobstrução das redes de esgoto e foi locado pela Compesa por meio de um contrato de manutenção que prevê a prestação do serviço (caminhão hidrojato) de forma contínua na ilha.
“Este equipamento seria suficiente para atender às demandas do arquipélago, mas levando-se em consideração as particularidades da ilha, a Compesa optou por utilizar um segundo caminhão como reserva. O veículo atuará eventualmente no apoio à execução das solicitações dos clientes, de acordo com o volume de serviços recebidos”, explica o presidente da Compesa, Alex Campos. O segundo caminhão hidrojato tem capacidade para transportar nove mil litros de efluentes e possui um reservatório também para quatro mil litros de água.
“Os caminhões foram trazidos para atendermos a população de forma ainda mais eficiente. Com o aumento da capacidade de transporte de efluentes e o potencial do jato, vamos conseguir dar celeridade aos chamados, melhorando muito a nossa operação. A prestação do serviço será mais ágil com a chegada dos veículos e a população perceberá as mudanças”, disse o gerente de Unidade de Negócio da Compesa, Antônio Lucena.
Os efluentes coletados no arquipélago são tratados atualmente em duas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) da Compesa, as ETEs Boldró e Cachorro. Juntas, elas tratam cerca de 150 mil metros cúbicos por ano, que chegam através de 9 mil metros de redes coletoras de esgoto.
Ao ressuscitar o discurso contra as urnas eletrônicas, o candidato parece preparar uma justificativa para uma derrota que parte de seus próprios aliados já considera possível
Toda campanha presidencial atravessa momentos de dificuldade. A diferença está na forma de enfrentá-los. Há candidatos que respondem às adversidades ampliando o diálogo com a sociedade. Outros preferem construir uma narrativa para explicar antecipadamente um eventual fracasso.
É essa impressão que transmite Flávio Bolsonaro ao voltar a questionar a credibilidade das urnas eletrônicas, repetindo a estratégia adotada por seu pai em 2022. Não se trata de uma denúncia inédita, mas da retomada de um discurso que já foi analisado e rejeitado pela Justiça Eleitoral.
O episódio ganha contornos ainda mais simbólicos porque o Tribunal Superior Eleitoral voltou a rebater essas alegações sob a presidência do ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro. Isso desmonta a narrativa de perseguição política e reforça que a resposta veio da própria instituição responsável por garantir a lisura do processo eleitoral.
Ao mesmo tempo, a campanha acumula desgastes sucessivos. As investigações envolvendo recursos destinados à produção do documentário Dark Horse, os desdobramentos relacionados ao empresário Daniel Vorcaro e outros episódios recentes mantêm o candidato permanentemente na defensiva, desviando o foco do debate sobre propostas para o país.
No plano político, o isolamento tornou-se ainda mais evidente. A decisão da Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, de não integrar a candidatura de Flávio Bolsonaro retirou dele uma das mais importantes bases partidárias do país. A perda não é apenas eleitoral; ela possui forte valor simbólico. Quando partidos com grande capilaridade preferem manter distância de um candidato, transmitem ao eleitor a percepção de que já enxergam limites para sua viabilidade.
Também pesam os efeitos da atuação internacional de Eduardo Bolsonaro durante a crise comercial entre Brasil e Estados Unidos. Independentemente das justificativas apresentadas pela família, consolidou-se entre muitos brasileiros a percepção de que interesses eleitorais acabaram se confundindo com interesses nacionais. Em uma eleição presidencial, soberania costuma ser um tema que mobiliza sentimentos muito além das disputas partidárias.
Nesse ambiente, voltar a atacar as urnas eletrônicas parece cumprir uma função política bastante clara: preparar o terreno para contestar um eventual resultado desfavorável. É como se a explicação para a derrota começasse a ser construída antes mesmo da votação.
Naturalmente, eleições são decididas nas urnas, não nas pesquisas nem nas análises de bastidores. O eleitor continua sendo o único árbitro da democracia. Mas campanhas emitem sinais. E quando um candidato perde apoios relevantes, enfrenta sucessivos desgastes políticos, vê crescer seu isolamento e passa a dedicar mais energia à desconfiança sobre o processo eleitoral do que à apresentação de um projeto de governo, transmite uma mensagem difícil de ignorar.
Talvez o maior adversário de Flávio Bolsonaro hoje não seja Lula. Talvez seja a percepção de que sua campanha deixou de disputar o futuro para começar a administrar uma possível derrota. E quem passa a questionar a legitimidade da eleição antes de ela acontecer, muitas vezes revela que já não confia na própria capacidade de vencê-la.
A recente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 14/2021 é, sem dúvida, uma grande conquista para os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE). Contudo, para os gestores municipais, a medida acende um grande sinal de alerta financeiro e abre uma porta para futuras disputas judiciais.
O mérito da proposta é inquestionável. Trata-se de corrigir uma distorção de anos, retirando milhares de trabalhadores da precariedade jurídica e integrando-os formalmente aos quadros efetivos das prefeituras. A PEC não apenas reconhece o papel vital desses profissionais na atenção primária, mas concede a eles o direito à aposentadoria especial devido aos riscos inerentes à função.
É exatamente neste ponto que reside a maior preocupação dos municipalistas: o impacto atuarial e orçamentário sobre os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e o Regime Geral (RGPS).
Para que a efetivação ocorra com segurança jurídica, a regra é clara: o agente precisa comprovar vínculo ativo com o SUS na data de promulgação da Emenda e, obrigatoriamente, ter sido aprovado em processo seletivo público, respeitando as exigências vigentes à época de sua realização, antes ou depois de 14 de fevereiro de 2006.
A responsabilidade dessa transição está sobre a mesa dos prefeitos e secretários municipais, que têm até 31 de dezembro de 2028 para adequar a legislação e os quadros locais. Contudo, cumprir esse mandamento exige muito mais do que a simples edição de uma lei municipal; requer um plano de ação administrativo estratégico e realista.
Em primeiro lugar, é indispensável realizar um censo cadastral e uma auditoria minuciosa da documentação dos agentes para certificar quem realmente atende aos requisitos constitucionais, prevenindo despesas indevidas e a responsabilização dos gestores.
Nos casos em que houver lacunas na documentação funcional, a instituição de comissões especiais de validação deve ser pautada pela máxima transparência, evitando questionamentos por parte dos órgãos de controle.
Por fim, reside no aspecto atuarial o pilar mais sensível dessa transição. Se a efetivação traz um impacto imediato na folha de pagamento, a aposentadoria especial representará um custo futuro exponencialmente maior.
Os municípios precisam realizar estudos de impacto atuarial robustos para entender o quanto essa nova despesa comprometerá a saúde do seu regime de previdência e o orçamento geral nas próximas décadas.
Não se pode ignorar que a criação de despesas obrigatórias sem a devida indicação da fonte de custeio por parte da União recoloca no horizonte a tese da inconstitucionalidade. O questionamento judicial por parte de estados ou entidades municipalistas é uma possibilidade real, sustentado no descumprimento dos princípios básicos da responsabilidade fiscal e na ingerência desproporcional sobre a autonomia financeira dos municípios.
A PEC 14/2021 coloca a gestão pública municipal em uma encruzilhada. De um lado, a obrigação moral e legal de valorizar os profissionais que sustentam a saúde na ponta; do outro, o dever de zelar pelo equilíbrio das contas públicas.
Garantir os direitos dos agentes é um passo civilizatório, mas a sua aplicação exige pés no chão e responsabilidade atuarial. Sem planejamento e auxílio financeiro correspondente, corremos o risco de transformar uma justa conquista social em um colapso fiscal para os municípios brasileiros.
João Batista Rodrigues, advogado, prefeito de Triunfo (2017–2020), ex-presidente da União dos Vereadores de Pernambuco (UVP).
A Mansão Harley Lundgren, entre os bairros da Tamarineira e Parnamirim, na Zona Norte do Recife, é uma construção imponente rodeada por mangueiras, flamboyants e pau-brasil. É por conta dessa exuberante vegetação que o imóvel é classificado pela Prefeitura do Recife como Imóvel de Proteção de Área Verde (IPAV), o que exige a manutenção de no mínimo 70% da sua área verde cadastrada. No dia 2 de julho, porém, o Conselho de Desenvolvimento Urbano do Recife (CDU) aprovou a viabilidade para a construção de três prédios de 19 pavimentos e quase 40 mil m² de área construída nos jardins da mansão – a mesma que ganhou repercussão nacional com o documentário O Testamento: O Segredo de Anita Harley, do Globoplay. Serão 85 apartamentos de alto padrão, entre 297 m² e 370 m².
A ata da reunião não está disponível ainda no site do CDU, mas a Marco Zero obteve acesso aos dois pareceres relacionados ao imóvel que foram aprovados. O problema é que não há, no parecer sobre a viabilidade da construção, a garantia de que o empreendimento imobiliário irá preservar 70% da vegetação hoje existente.
Na mesma reunião do CDU foi aprovada também a classificação do casarão como um Imóvel Especial de Preservação (IEP). Antiga residência da família Lundgren, fundadora da rede de lojas Casas Pernambucanas, o casarão é uma edificação eclética construída provavelmente nos anos 1910. O parecer da aprovação dos prédios foi feito pelo representante do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE) no CDU, o conselheiro Roberto Lemos Muniz. Já o que transforma o casarão em IEP foi relatado pela conselheira Emília Márcia Avelino, representante da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (Sedul).
Características do empreendimento aprovado:
3 prédios, cada um com 19 pavimentos
As torres terão aproximadamente 60 metros de altura, com 39.430,69 m² de área total construída
85 apartamentos de alto padrão, com áreas privativas entre 297 m² e 370 m²
362 vagas de estacionamento – o que dá uma média de 4,25 vagas por unidade
Valor do investimento não foi informado no parecer
Segundo o parecer para inclusão como IEP, o tombamento municipal surgiu por conta de um parecer técnico da Gerência Geral de Preservação do Patrimônio Cultural (DPPC) “exarado durante análise de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV)” feito pela construtora responsável pelo projeto, a OR Empreendimentos Imobiliários e Participações S.A., do Grupo Novonor, antiga Odebrecht. Ao contrário do que acontece com outros empreendimentos de impacto analisados pelo CDU, este não trouxe o valor total previsto de investimentos. O casarão, agora preservado, deverá servir como área de lazer para os moradores.
Parecer não apresenta a conta da área verde protegida
O terreno do casarão dos Lundgren é o IPAV de número 45. A ficha cadastral dele, reproduzida no parecer, registra área verde de 9.806,39 m² em 2013 (área verde original: 9.783,30 m²), num lote de 11.097,30 m². Setenta por cento disso são 6.864 m². O quadro de dados do Estudo de Impacto de Vizinhança, também reproduzido no parecer, declara solo natural de 5.740,68 m², ou seja, 1.124 m² a menos.
Projeção do futuro empreendimento incluída no parecer Crédito: Reprodução/parecer CDU
Os dois números, contudo, não medem exatamente a mesma coisa: “solo natural” é parâmetro urbanístico e “área verde cadastrada” é levantamento ambiental, ambos definidos separadamente pela legislação municipal do Recife. Mas o parecer não apresenta nenhum outro número que permita saber se os 70% foram alcançados. Em nenhum ponto do documento aparece a área verde remanescente do projeto.
Ainda assim, o documento conclui que o empreendimento “apresenta conformidade com as diretrizes de uso e ocupação do solo estabelecidas para a área, incluindo a incidência de imóvel classificado como área de proteção de vegetação (IPAV), o que impõe condicionantes à ocupação, especialmente quanto à manutenção de percentual mínimo de área verde” e aponta uma posterior exigência da licença ambiental como condição para aprovação do projeto.
Cálculo da Marco Zero a partir dos números da ficha cadastral indica que a área verde ocupa cerca de 88% do lote: praticamente tudo o que o projeto das torres impermeabiliza sai de dentro da área de vegetação, já que o casarão, agora preservado, não pode ceder lugar às torres. O parecer não informa quantas árvores serão retiradas, nem exige qualquer compensação ambiental, plantio ou transplante pelas árvores que serão derrubadas.
As principais contradições do parecer
1. Declara conformidade com o IPAV sem apresentar um único cálculo;
2. Não informa quantas árvores serão retiradas nem exige compensação ambiental, plantio ou transplante;
3. Conclui pela viabilidade antes da licença ambiental que verificaria o IPAV. A licença prévia é exigida como condição posterior, o que retira do colegiado e da consulta pública a aferição dos 70%;
4. A única mitigação paisagística exige permeabilidade visual do muro — e ainda subtrai lote com o recuo de alinhamento, sem recalcular o saldo.
As ações mitigadoras e compensatórias exigidas pelo parecer são apenas duas: uma de mobilidade e outra de paisagem. A primeira é um Plano de Circulação e Acessibilidade, que prevê, entre outras ações, travessias elevadas e a qualificação de uma rota de pedestres que ligue o empreendimento aos parques da Tamarineira e da Jaqueira. A segunda é o recuo do alinhamento com ampliação da calçada e o tratamento do muro frontal com permeabilidade visual, “de modo a viabilizar a visualização do casarão preservado e da área verde do IPAV a partir do logradouro”.
Aqui vale lembrar que a nova Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo do Recife (LPUOS) criou um mecanismo pelo qual um IPAV que abra ao menos 50% da área verde cadastrada ao acesso público ganha áreas não computáveis no coeficiente de aproveitamento. Mas o projeto aprovado é um condomínio fechado e o jardim seguirá privado.
O parecer também afirma que houve uma consulta pública sobre a construção das três torres, que ocorreu entre os dias 10 de dezembro de 2025 e 30 de abril de 2026, quase cinco meses, e que não registrou uma única manifestação. Também não houve nenhum pedido de audiência pública. O documento mostra que havia uma placa dentro do imóvel, atrás do muro, com um QR Code para o site de licenciamento da Prefeitura do Recife.
A Marco Zero entrou em contato com a Prefeitura do Recife para saber quais as próximas fases de licenciamento do empreendimento, o motivo das incongruências no parecer aprovado e se a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade ou a Sedul já verificaram se o empreendimento cumpre o mínimo de 70% de área verde preservada e quais árvores serão retiradas com as construções. A MZ também entrou em contato com a OR para saber qual o total de investimentos no terreno e como será feita a preservação da área verde e do casarão. Quando recebermos as respostas, esta reportagem será atualizada ou um novo texto será publicado.
A rica vegetação da Mansão Harley Lundgren
A ficha cadastral do imóvel como IPAV traz 43 espécies catalogadas nos jardins da mansão. A vistoria foi feita há dez anos, em 04 de julho de 2016, e traz as seguintes espécies:
Espécies frutíferas (8)
abacateiro (Persea americana Mill.), bananeira (Musa L.), cajá (Spondias mombin L.), coqueiro (Cocos nucifera L.), fruta-pão (Artocarpus altilis (Parkinson) Fosberg), mamoeiro (Carica papaya L.), mangueira (Mangifera indica L.) e noni (Morinda citrifolia L.)
Quando foi lançado, em 1946, o crítico literário Antônio Cândido classificou “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” como um dos contos mais perfeitos da literatura brasileira. Parte do livro “Sagarana”, trata-se de uma bela reflexão sobre a implacabilidade do destino.
E serve bem para ajudar a pensar sobre a hora e a vez do senador Flávio Bolsonaro (RJ) na sua candidatura à Presidência da República, que será oficializada neste sábado em convenção em São Paulo. Flávio chega nessa hora, enfrentando diversos problemas, agravados por diversas notícias na véspera.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou à PF o início das investigações sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, para o qual Flávio pediu dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Partidos com os quais ele contava aliança anunciaram que ficarão neutros.
Vamos a um brevíssimo resumo do conto de Guimarães Rosa. Augusto é o “filho do coronel”. Ele é “estouvado e sem regra”. Um dia, leva uma surra e quase morre. Recolhido por um casal muito pobre, resolve mudar de vida. Torna-se moderado. Um padre lhe diz que, se ele rezar muito e trabalhar, sua hora de entrar no Céu vai chegar. Augusto decide que chegará no Paraíso nem que seja “a porrete”. Mas um dia começa a sentir saudades do seu tempo de valentia. Sua hora acontece num duelo.
Ensaios moderados e radicais
Diga-se que Augusto volta ao duelo por uma causa nobre. O jagunço Joãozinho Bem-Bem ameaça, por vingança, um idoso e sua família. Se Flávio Bolsonaro conseguirá ou não chegar ao Céu da Presidência “nem que seja a porrete”, é o que o tempo dirá a partir da convenção de sábado. Flávio alterna momentos de abandono do estilo moderado e outros de retorno à humildade. Nos últimos dias, atacou as urnas eletrônicas, ensaiando uma repetição da estratégia que levou seu pai, Jair Bolsonaro, à inelegibilidade.
Questões ficarão pendentes
Mas Flávio gravou também um vídeo em que pede trégua à sua madrasta, Michelle, num tom mais sereno e humilde. Na noite de quinta (23), Michelle respondeu: “Eu te desculpo”. Sua presença, porém, na convenção não está prevista. E, se acontecer, será uma surpresa após as desculpas. É bem provável que muitas questões referentes à candidatura e à chapa permaneçam pendentes após a convenção.
Vice
A principal questão pendente é quem será o companheiro, ou companheira, de chapa de Flávio. O candidato do PL quer uma mulher. A principal hipótese, nesse caso, era a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Mas Tereza já informou que não deseja o cargo. Mas diz também que em nenhum momento Flávio lhe fez de fato um convite.
Duas mulheres
Com a desistência de Tereza, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, compartilhou no seu WhatsApp duas reportagens do jornal Estado de São Paulo falando de outras duas mulheres que agora estariam mais próximas de fazer companhia a Flávio na corrida presidencial. Uma é católica, a outra é evangélica. As duas, é claro, conservadoras.
Simone e Clarissa
Os nomes cogitados são as deputadas federais Simone Marquetto (MDB-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE). Simone é católica, o que poderia vir a agregar um adicional importante a Flávio. As pesquisas mostram que ele perde nesse segmento religioso para Lula. Já Clarissa é evangélica. Mas é nordestina, região onde Flávio enfrenta rejeição.
Coligação
Há, porém, um grande problema em ambas as hipóteses: Simone e Clarissa não são do PL. Para que a chapa fosse formalizada, seria preciso que MDB ou PP formalizassem uma coligação com Flávio. O PP já anunciou oficialmente que ficará neutro nas eleições deste ano. O MDB provavelmente seguirá pelo mesmo caminho.
Daniella
Outro nome que foi cogitado é a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, que Flávio cogita ser seu “Posto Ipiranga”, a referência econômica de seu governo. Flávio chegou a apresentar seu programa de políticas para as mulheres ao lado de Daniella. Mas o problema é o mesmo: o Republicanos, partido dela, também anunciou neutralidade.
Única e indivisível
O Código Eleitoral é claro: “o registro de candidatos a Presidente e Vice-Presidente da República será feito em chapa única e indivisível, ainda que resulte de aliança (coligação) de partidos”. Houve um filme sobre o conto de Guimarães Rosa. Com música de Geraldo Vandré. Que dizia: “Terá quem anda comigo sua vez e sua hora”.
Depois de terem seus pleitos repetidamente ignorados pela governadora Raquel Lyra, os auditores fiscais do Tesouro Estadual e julgadores administrativo-tributários de Pernambuco decidiram deflagrar greve geral por tempo indeterminado, a partir da próxima segunda-feira (27). A resolução é mais um desdobramento do movimento do Fisco de Pernambuco na luta pela retomada de direitos que foram perdidos durante a atual gestão.
O estopim para a deflagração da greve foram as recentes descobertas do Sindifisco sobre negociações indevidas mantidas entre o Governo do Estado e a Associação dos Servidores Ativos do Grupo Ocupacional de Administração Tributária de Pernambuco (Unefisco). Em maio, o Sindicato solicitou, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), ao gabinete do secretário da Fazenda de Pernambuco documentos relativos a quaisquer tratativas mantidas com a Unefisco. Nos documentos recebidos, ficaram evidenciadas negociações paralelas conduzidas à revelia da maioria dos auditores e julgadores.
Foi descoberta uma série de ofícios enviados pela Associação dos Servidores Ativos ao secretário da Fazenda, revelando uma articulação sistemática para minar pleitos históricos da categoria e segregar ativos de aposentados e pensionistas. “É, claramente, um sindicato travestido de associação, o que foge completamente ao princípio da unicidade sindical que proíbe a criação de mais de um sindicato representativo da mesma categoria econômica ou profissional dentro da mesma base territorial”, denuncia o presidente do Sindifisco, Nilo Otaviano.
Entenda – Desde janeiro, o Sindifisco tenta estabelecer um diálogo com o governo para tratar de reivindicações consideradas estruturais para a carreira e para o funcionamento da administração fazendária do Estado. O Sindicato destaca que os pleitos da categoria não provocam impacto financeiro adicional ao Tesouro Estadual.
Conforme a entidade, a recomposição da paridade seria custeada por recursos já existentes no Fundo de Aperfeiçoamento das Atividades Fazendárias (FAAF), enquanto a aplicação do teto constitucional não representaria aumento salarial, mas apenas alteração na incidência de descontos sobre os vencimentos, além de acabar com o estado de ilegalidade do Governo Estadual, que, no tocante a esse tema, está contra a Constituição Estadual.
A categoria defende também a recriação de uma rubrica indenizatória vinculada à recuperação de créditos tributários. Segundo o Sindicato, a participação na recuperação de créditos foi extinta na Sefaz em 2024, mas continua sendo paga aos procuradores da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
Em três anos e meio, a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) investiu mais em festas e publicidade do que em saúde. Conforme dados do Portal da Transparência e do sistema Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), R$ 1,15 bilhão foi aportado nos festejos, enquanto R$ 90,3 milhões a menos foram destinados à requalificação, ampliação, reforma e equipagem de unidades de saúde, setor que vem padecendo nas últimas semanas com recorrentes desabamentos de partes do teto de hospitais e superlotações de pacientes.
Do montante bilionário, R$ 625,9 milhões foram empregados só na realização de festejos, incluindo R$ 459,3 milhões apenas em cachês de artistas. Esse valor é maior que os R$ 448,8 milhões investidos na implantação de creches, por exemplo, principal promessa eleitoral da governadora em 2022, mas concretizada em apenas 11 unidades entregues das 250 previstas. Os gastos com festas também são dez vezes maiores que os investimentos em obras de contenção de encostas, que totalizaram R$ 107,5 milhões no período.
Em 2026, ano eleitoral, a gestão de Raquel bateu recordes de gastos, com o Carnaval mais caro da história do estado (R$ 87,3 milhões) e empenhos de R$ 59,4 milhões para o São João. Somente nos seis primeiros meses deste ano, as despesas com festas e publicidade alcançaram R$ 278,7 milhões.
Em contrapartida, na saúde pública, o investimento total chegou a R$ 1,060 bilhão, menor que a soma destinada a festas e publicidade. Se desconsiderada a aquisição do Hospital Central de Paulista, unidade particular desapropriada e que passou um ano fechada, os investimentos executados na área caem para R$ 881,7 milhões, ampliando a diferença em relação aos gastos com festejos para R$ 269,2 milhões. Recentemente, Raquel já havia sido apontada pelo “Dossiê das Farras”, do Observatório dos Ruralistas, como a governadora que mais gastou com shows e cachês no Brasil.
“Que governo vai resolver isto?” Pernambuco figura entre os estados com os piores indicadores de violência do país. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, ocupa posições preocupantes em índices como Mortes Violentas Intencionais (MVI), feminicídios e atuação do crime organizado. Diante dessa realidade, a Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (ADEPPE) lança uma campanha institucional para chamar a atenção da sociedade e questionar: o que falta para mudar esse cenário?
Construída com base em dados oficiais, a iniciativa evidencia que a violência não pode ser analisada apenas pelos números. É preciso discutir também a capacidade de investigação do Estado, as condições de trabalho da Polícia Civil e os investimentos necessários para que delegados e delegadas possam exercer plenamente sua missão de investigar crimes, proteger vítimas e oferecer respostas à sociedade.
Mais do que apresentar estatísticas, a ADEPPE propõe um questionamento: por que Pernambuco continua figurando entre os estados mais violentos do Brasil? E quais medidas estruturantes precisam ser adotadas para mudar essa realidade?
A campanha parte do princípio de que segurança pública se constrói com planejamento, investimentos e instituições fortalecidas. Nesse contexto, a valorização da Polícia Civil, a recomposição do efetivo, a melhoria da estrutura de trabalho e o fortalecimento da investigação criminal são apontados pela entidade como medidas essenciais para ampliar a capacidade de resposta do Estado à criminalidade.
Na primeira etapa, a campanha estará presente em outdoors e nas plataformas digitais, apresentando dados relacionados à violência, homicídios, feminicídios e crime organizado. Ao longo dos próximos meses, novos conteúdos irão aprofundar esse debate, sempre fundamentados em informações públicas e voltados à conscientização da população.
Segundo o presidente da ADEPPE, delegado Diogo Victor, a campanha nasce da responsabilidade institucional da entidade em contribuir para uma discussão que interessa a todos os pernambucanos.
“Nenhuma sociedade consegue reduzir a violência sem uma investigação forte. Os delegados de Polícia querem oferecer respostas cada vez mais rápidas e eficientes à população, mas isso exige estrutura, efetivo, tecnologia e valorização institucional. Fortalecer a Polícia Civil é fortalecer a capacidade do Estado de investigar, combater o crime e proteger a sociedade.”
A ADEPPE ressalta que a iniciativa possui caráter institucional e está fundamentada em dados oficiais. O objetivo é ampliar o conhecimento da sociedade sobre os desafios enfrentados pela Polícia Civil e defender políticas públicas capazes de fortalecer a investigação criminal como instrumento essencial para a redução da violência.
Para a entidade, enfrentar a criminalidade exige mais do que acompanhar estatísticas. Exige compreender que uma Polícia Civil estruturada, valorizada e preparada representa mais eficiência nas investigações, maior capacidade de resposta ao crime e mais segurança para toda a população.
A campanha será desenvolvida ao longo dos próximos meses por meio de mídia exterior, conteúdos digitais e ações institucionais, reafirmando o compromisso da ADEPPE com o fortalecimento da Polícia Civil e com a construção de um Pernambuco mais seguro.
Enquanto a bolha bolsonarista comemora a reconciliação virtual de Michelle e Flávio Bolsonaro, aliados já articulam nos bastidores os próximos passos para virar a página e encerrar de uma vez a guerra que expôs as fissuras internas da família: o acerto de uma conversa presencial e a gravação de um novo vídeo da primeira-dama, para ser exibido neste sábado (25), na convenção nacional do PL que vai confirmar a candidatura do senador à Presidência da República.
De acordo com aliados de Michelle ouvidos reservadamente pelo blog, a presença da ex-primeira-dama na convenção nacional do PL está praticamente descartada, por conta dos cuidados de saúde exigidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que recebe uma série de medicações ao longo do dia.
“Michelle não pode ficar mais de três horas fora de casa por causa dos remédios do Bolsonaro. Ela não pode deixar o Jair só com a Laurinha”, afirma um aliado de Michelle ouvido pelo blog.
Mas, em outro sinal de pacificação, Michelle deve gravar mais um novo vídeo, para ser exibido no evento de São Paulo, que vai ocorrer na Arena Pacaembu. A peça ajudaria a consolidar a noção de que a reconciliação é para valer, assim como na estratégia de recuperar espaço no eleitorado feminino.
Conforme informou o blog, a reconciliação entre Michelle e Flávio, registrada em vídeos coordenados nas redes sociais, foi resultado de um esforço concentrado que mobilizou por uma semana aliados dos dois lados da guerra do ex-clã presidencial.
Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, a força-tarefa de “bombeiros” incluiu a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, além da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e do coordenador da pré-campanha de Flávio à Presidência, o senador Rogério Marinho (PL-RN).
“Foi uma luta de mais de uma semana”, resumiu um dos atores envolvidos no cessar-fogo.
Conforme o roteiro traçado pelos “bombeiros”, Flávio Bolsonaro primeiro publicou um vídeo de 2 minutos e 35 segundos pedindo desculpas à madrasta, e ela postou duas horas depois um vídeo de 2 minutos e 9 segundos aceitando o pedido e se comprometendo a ajudá-lo na corrida presidencial. “Todos nós cometemos erros, isso é humano. Aceito o seu pedido, eu te desculpo”, disse Michelle, prometendo reunir um “Exército de pessoas de bem” para “resgatar o Brasil”.
De acordo com uma fonte que acompanhou de perto a articulação do armistício, “muita gente trabalhou nos bastidores, não foi obra de um só”. “A Celina convenceu a Michelle [a concordar com a gravação do vídeo] e passou o que era pro Flávio fazer. Aí entrou a turma mais próxima do Flávio, principalmente o Valdemar, que convenceu o Flávio a gravar esse vídeo”.
Celina é uma das lideranças políticas mais próximas de Michelle e conta com o apoio da ex-primeira-dama em sua campanha para seguir no comando do Palácio do Buriti.
Já Michelle deve disputar uma cadeira no Senado pelo Distrito Federal, tradicional reduto bolsonarista onde a sua vitória é dada como certa. Lá, Jair Bolsonaro obteve 58,81% dos votos válidos no segundo turno das eleições de 2022, ante 41,19% de Lula.
“Celina e Damares foram as grandes responsáveis. Elas fizeram acontecer”, afirmou ao blog um aliado de Michelle que pediu para não ser identificado. No vídeo de resposta a Flávio, ela fez questão de agradecer nominalmente às duas, “que se empenharam dia e noite para que esse momento de reconciliação pudesse acontecer”.
Depois do desfecho, um interlocutor de Flávio chegou a brincar que a governadora do DF “merece o prêmio Nobel da Paz”.
‘Ninguém é perfeito’
No vídeo desta quinta-feira (23), Flávio fala em “evitar qualquer divisão”, elogiou o “grande trabalho” de Michelle à frente do PL Mulher e pregou união no campo da direita para impedir a reeleição do presidente Lula.
“Ninguém é perfeito, eu não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores”, declarou o pré-candidato do PL.
“Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai. Também faço um pedido à militância: para a gente olhar para frente nesse momento, focar no objetivo principal, que é resgatar o nosso Brasil.”
Logo após a postagem, Michelle curtiu a publicação de Flávio no Instagram, antes de publicar o próprio vídeo.
Em meio à guerra no clã Bolsonaro, Flávio busca uma mulher para compor a chapa e tem feito acenos ao eleitorado feminino – na semana passada, lançou um programa de governo voltado às mulheres, o “Brasil por Elas”, com proposta de zerar a fila de creches e incentivar o empreendedorismo.
Mas os atritos públicos com a madrasta e os desdobramentos das investigações do caso Banco Master, que ganharam um novo capítulo com a abertura de inquérito para investigar o financiamento do filme “Dark Horse”, Flávio não só se viu isolado e com dificuldades para angariar apoio de outras legendas, como também deve deixar para depois da convenção deste sábado o anúncio de quem vai ser a sua companheira de chapa.
Uma fonte graduada do Progressistas revelou ao Blog Ponto de Vista que o pré-candidato ao Senado Federal, Eduardo da Fonte (PP), teria convidado o senador Fernando Dueire (MDB) para ocupar a primeira suplência em sua chapa.
Caso a composição seja confirmada, Eduardo da Fonte dará mais um importante passo no fortalecimento da sua candidatura ao Senado. Isso porque Fernando Dueire é considerado um dos parlamentares com maior trânsito entre os gestores municipais.
Reconhecido como o senador mais municipalista de Pernambuco, Dueire construiu uma sólida relação com prefeitos de todas as regiões do Estado, tornando-se uma das figuras mais respeitadas entre os chefes dos Executivos municipais. Sua eventual presença na chapa de Eduardo da Fonte tende a ampliar significativamente a capilaridade política do projeto do presidente estadual da Federação União Progressista, agregando apoios estratégicos em diversas cidades pernambucanas. Além disso, confirmaria a aliança formal entre o PSD e o União Progressista, sepultando a possibilidade do lançamento de três candidaturas ao Senado.
No meio político, a possível indicação de Fernando Dueire para a primeira suplência é vista como um movimento de grande peso eleitoral, capaz de fortalecer a caminhada de Eduardo da Fonte rumo ao Senado Federal e ampliar sua base de sustentação em um segmento considerado decisivo nas eleições: o municipalismo.
Até o momento, nem Eduardo da Fonte nem Fernando Dueire se manifestaram oficialmente sobre a informação.
O Sextou de hoje homenageia o cantor, compositor, poeta e ator Agnaldo Rayol, falecido em 2024. Entrevistei a jornalista Nilu Lebert, autora da biografia do artista.
Rayol ficou conhecido pela voz de barítono e sua participação como cantor e apresentador em diversas atrações da televisão brasileira. Entre os maiores sucessos do artista, estão suas interpretações de canções italianas, tais como “Mia Gioconda” e “Tormento D’Amore”.
O cantor deixou um legado inestimável para a música brasileira, com uma carreira que atravessou décadas e tocou os corações de milhões de fãs. O programa tributo em homenagem ao cantor vai ao ar das 18 às 19 horas, pela Rede Nordeste de Rádio, formada por 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no link do Frente a Frente acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na play store.
A disputa entre Miguel Coelho (União Brasil) e Eduardo da Fonte (PP) por uma vaga na chapa de Raquel Lyra (PSD) finalmente começou a caminhar para uma solução. O entendimento em construção entre o PSD e a Federação União Progressista aponta para Eduardo como candidato ao Senado. O avanço ocorreu depois de uma quinta-feira (23) em que o grupo da governadora tentou resolver duas vagas com três candidaturas avulsas. Algo questionável sob vários pontos de vista e que causou muita estranheza no meio político.
Pela proposta que circulou, Miguel, Eduardo e Túlio Gadelha (PSD) seriam lançados ao Senado pelo mesmo palanque, sem estar no palanque. Depois de meses procurando um nome para completar a chapa, apareceu a alternativa de não escolher ninguém e entregar três nomes ao eleitor. A proposta aumentou a confusão antes de qualquer chance para uma solução. E foi rejeitada.
Raquel convocou deputados e prefeitos do PP para uma conversa no Palácio do Campo das Princesas pela manhã. Eduardo, presidente estadual do partido e da federação, foi chamado somente depois. Para alguns interlocutores, a ordem pareceu uma tentativa de pressioná-lo por meio de seus aliados. Pode não ter sido essa a intenção, mas foi a leitura produzida pelo método.
O resultado apontou na direção contrária. O efeito foi inverso. Prefeitos e deputados reafirmaram apoio a Eduardo. Em vez de encontrar uma base disposta a convencê-lo a desistir, o Palácio ouviu um grupo unido em torno dele. A pressão, caso tenha sido essa a estratégia, voltou acompanhada de uma demonstração de força.
Avulsos
A conta dos três candidatos era política e juridicamente questionável, pra dizer o mínimo. Não encerraria o conflito entre União Brasil e PP, obrigaria aliados da governadora a disputar estrutura e votos dentro do mesmo campo e levaria para a campanha a divergência que os partidos não conseguiram resolver numa sala. A solução, no caso, seria transformar o impasse em método eleitoral. “O que não está resolvido, resolvido está”. Não tinha como dar certo.
O PP recusou. Lógico. Eduardo manteve a candidatura e defendeu que a Federação União Progressista fizesse a indicação. Mesmo repetida por Miguel durante o dia, a tentativa dos três avulsos terminou antes de ganhar forma. Restou a Raquel devolver a decisão ao colegiado da federação União Progressista. Todo o movimento do dia foi estranho no Palácio. E nada de solução até ali.
Liderança
A demora começou a preocupar inclusive quem apoia a governadora fora da política. Segundo fontes da coluna, a inquietação se concentra na imagem de liderança de Raquel, que sempre demonstrou capacidade de decidir e comandar sua base. Mas o conflito sobre a vaga do Senado se arrasta há meses sem que a líder do processo consiga encerrá-lo.
Também há questionamentos sobre a liberdade dada a Miguel para fazer declarações em nome da governadora. Na mesma quinta-feira, ele voltou a dizer que permanece candidato e possui o apoio de Raquel e da vice-governadora Priscila Krause (PSD).
Quanto mais Miguel sustenta o discurso, mais a muito provável indicação de Da Fonte poderá soar como “derrota do Palácio”, mesmo que resulte do cumprimento das regras partidárias e acordos prévios. É essa impressão de falta de liderança, e não apenas o nome escolhido, que vinha preocupando interlocutores ouvidos pela coluna.
Convergência
E ao fim do dia em que toda essa confusa articulação se desenrolou, uma saída ganhou forma. Segundo apuração da jornalista Terezinha Nunes, publicada neste JC, Eduardo e Lula da Fonte (PP) reuniram-se com advogados do PSD para tratar das exigências jurídicas das convenções do partido da governadora e da Federação União Progressista.
O encontro começou finalmente a colocar um entendimento no papel. A federação asseguraria apoio à reeleição de Raquel e preservaria o direito de indicar o candidato ao Senado. Também passou a ser discutida a antecipação da convenção do colegiado, marcada para 5 de agosto, para que a decisão esteja formalizada antes da convenção do PSD, no dia 2.
Depois de meses de conversas políticas, o impasse avançou quando chegou à mesa dos advogados. As duas convenções precisam aprovar decisões compatíveis. A reunião criou o caminho para que deixem de caminhar em direções opostas. É o primeiro passo para que, finalmente, o palanque de Raquel e seu provável candidato ao Senado se entendam.
Desfecho
Resta pouca dúvida sobre o nome que a federação deve indicar. O PP possui cinco dos sete integrantes da Executiva estadual. O União Brasil tem dois. A correlação apareceu na votação que escolheu Eduardo, com cinco votos favoráveis e duas abstenções. A decisão continua válida.
Antônio Rueda, presidente nacional da federação e dirigente do União Brasil, e Ciro Nogueira, vice-presidente e dirigente do PP, não chegaram a um acordo para substituir a deliberação estadual. Miguel pode recorrer, judicializar ou insistir politicamente. Nenhum desses caminhos lhe entrega hoje a maioria interna ou uma decisão nacional favorável.
Eduardo reúne os votos e os instrumentos partidários necessários para ser candidato. É também com ele que o jurídico do PSD começou a organizar o desfecho na noite da quinta. Faltam o entendimento formal e as convenções, mas o cenário está bem menos aberto do que as declarações públicas fazem parecer.
O governo brasileiro emitiu uma nota na noite desta quinta-feira (23) rechaçando a sobretaxa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida justificada por Washington no âmbito de uma investigação sobre trabalho forçado. A resposta foi considerada célere e, segundo apuração, já estava preparada pelo Palácio do Planalto, que aguardava o anúncio americano para publicá-la.
O que diz a nota do governo brasileiro
O governo brasileiro argumenta, na nota, que a tarifa imposta pelos Estados Unidos seria, na prática, uma substituição das tarifas derrubadas pela Suprema Corte americana. O Palácio do Planalto critica Washington por utilizar o tema do trabalho forçado — considerado “bastante sensível” — como pretexto para essa substituição tarifária. As informações são da CNN.
Em um trecho mais técnico, a nota indica que o Ministério do Trabalho e Emprego já enviou aos Estados Unidos informações e dados que demonstram o comprometimento do Brasil com o combate ao trabalho forçado.
O documento ainda menciona que o Brasil é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho como um país engajado nessa causa e que é signatário de 66 convenções no âmbito da organização — em contraste com os Estados Unidos, signatários de apenas 10, segundo a crítica do próprio governo brasileiro.
Ao final, a nota anuncia que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e que acionará a lei de reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional. Nos bastidores, porém, a avaliação é de que o governo está disposto a acionar o mecanismo como sinalização política, mas não necessariamente levará a medida adiante.
“Há uma avaliação de que é necessário firmar uma posição e indicar que o Brasil estaria disposto a acionar, sim, esse mecanismo”, relatou o repórter Danilo Moliterno.
Decisão sobre reciprocidade deve aguardar calendário eleitoral
Segundo a analista de Política da CNN Jussara Soares, a decisão sobre a aplicação efetiva da lei de reciprocidade não deve ser tomada em curto prazo.
O processo previsto é longo: inclui análise interna dos setores atingidos, consulta aos setores produtivos, avaliação técnica, consultas públicas e, por fim, a decisão presidencial. Nenhuma dessas etapas foi iniciada até o momento.
A avaliação de integrantes do governo é de que uma eventual decisão sobre a aplicação ou não da lei — que já enfrenta resistência de setores produtivos e também dentro do próprio governo — só deve ocorrer após as eleições de 2026.
Jussara Soares destacou que o Brasil “vai ganhar tempo” com esse trâmite, uma vez que o calendário eleitoral estará praticamente encerrado antes que o processo chegue à sua etapa final.
Eleições e relação com os Estados Unidos
No cenário eleitoral, Lula concorrerá à reeleição tendo como principal oponente Flávio Bolsonaro, que argumenta que, com ele no poder, as negociações com os Estados Unidos seriam conduzidas de forma mais tranquila.
Integrantes do governo avaliam que, confirmada a reeleição de Lula, as negociações entre Brasil e Estados Unidos poderiam ser retomadas em outros termos.
Quanto a um eventual contato direto entre Lula e Donald Trump, a avaliação interna é de que isso não deve ocorrer.
Segundo Jussara Soares, a percepção do governo brasileiro é de que Trump também adotará cautela e optará por ganhar tempo até o resultado das eleições brasileiras, uma vez que um contato entre os dois líderes poderia ser interpretado como uma vitória política para Lula.