A Compesa disponibilizou dois novos caminhões para agilizar os serviços de manutenção do Sistema de Esgotamento Sanitário de Fernando de Noronha. Dois caminhões hidrojato desembarcaram na ilha e já estão sendo utilizados nos serviços de manutenção das redes coletoras.
Um dos veículos tem capacidade para transportar 11 mil litros de efluentes e possui um reservatório para quatro mil litros de água que será utilizado principalmente nos serviços de desobstrução com jatos de água com alta velocidade e pressão. O novo equipamento será o principal utilizado nas manutenções e é mais robusto, e substituiu o veículo utilizado anteriormente nas atividades de campo, sendo um forte aliado das operações da Compesa e da melhoria dos serviços de esgotamento sanitário prestados no arquipélago.
O caminhão tem potencial para realizar até 200 viagens por mês para limpeza e desobstrução das redes de esgoto e foi locado pela Compesa por meio de um contrato de manutenção que prevê a prestação do serviço (caminhão hidrojato) de forma contínua na ilha.
“Este equipamento seria suficiente para atender às demandas do arquipélago, mas levando-se em consideração as particularidades da ilha, a Compesa optou por utilizar um segundo caminhão como reserva. O veículo atuará eventualmente no apoio à execução das solicitações dos clientes, de acordo com o volume de serviços recebidos”, explica o presidente da Compesa, Alex Campos. O segundo caminhão hidrojato tem capacidade para transportar nove mil litros de efluentes e possui um reservatório também para quatro mil litros de água.
“Os caminhões foram trazidos para atendermos a população de forma ainda mais eficiente. Com o aumento da capacidade de transporte de efluentes e o potencial do jato, vamos conseguir dar celeridade aos chamados, melhorando muito a nossa operação. A prestação do serviço será mais ágil com a chegada dos veículos e a população perceberá as mudanças”, disse o gerente de Unidade de Negócio da Compesa, Antônio Lucena.
Os efluentes coletados no arquipélago são tratados atualmente em duas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) da Compesa, as ETEs Boldró e Cachorro. Juntas, elas tratam cerca de 150 mil metros cúbicos por ano, que chegam através de 9 mil metros de redes coletoras de esgoto.
A Copa do Mundo da Fifa 2026 entrou para a história antes mesmo do apito inicial. A edição, que terá a final disputada entre Espanha e Argentina neste domingo (19), dividiu espaço com episódios políticos e controvérsias que extrapolaram as quatro linhas do campo. Entre os protagonistas desses episódios esteve o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as políticas de imigração do seu governo.
Antes mesmo do início da competição, o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, eleito o melhor do continente africano em 2025, foi impedido de entrar nos Estados Unidos para apitar a Copa do Mundo e o atacante da seleção do Iraque Aymen Hussein foi interrogado durante sete horas em sua chegada ao país. Além disso, a delegação iraniana foi proibida de se hospedar em solo norte-americano devido a restrições de vistos.
O caso de maior repercussão, contudo, ocorreu após a expulsão do atacante Folarin Balogun, da seleção norte-americana. Trump admitiu que entrou em contato com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir a revisão da punição aplicada ao jogador.
O cartão vermelho foi anulado, e o jogador participou da partida contra a Bélgica. Em resposta, atletas da seleção europeia imitaram uma famosa dança do presidente norte-americano após eliminarem os Estados Unidos com uma goleada de 4×1, em Seattle.
Geopolítica
Para o cientista político e professor universitário Manoel Moraes, a relação entre política e Copa do Mundo está longe de ser uma novidade. Segundo ele, o esporte sempre despertou o interesse do poder político.
“Há muito tempo se percebe a influência das decisões políticas na Fifa e na geopolítica internacional. O poder precisa ocupar os espaços que ajudam a organizar a sociedade. Como o esporte mobiliza milhões de pessoas, recursos e atenção, ele naturalmente se torna um ambiente disputado pelo poder político. Isso não é novo. Desde a Roma Antiga já existia a lógica do ‘pão e circo’, em que o entretenimento também cumpria uma função política”, afirmou.
Já na visão da cientista política Priscila Lapa, o contexto mundial contribuiu para ampliar a percepção sobre os episódios políticos que envolveram a competição. “A gente vive um contexto internacional de extremos políticos, de muita fragilidade dos organismos internacionais de mediarem conflitos. A gente nunca mais tinha vivenciado tantos conflitos armados ao mesmo tempo. Então eu acho que a Copa vem com esse plano de fundo da gente ter um contexto político internacional mais acirrado.”
Relação
Para Moraes, o protagonismo dos Estados Unidos decorre não apenas de sua posição política, mas também do peso econômico que exerce sobre o futebol mundial. Segundo Moraes, a relação de força pode ser observada ao comparar a Copa do Mundo de 2026 com a edição de 2014, realizada no Brasil.
Enquanto o governo brasileiro precisou alterar normas e atender a uma série de exigências impostas pela Fifa para sediar o torneio, nos Estados Unidos a lógica foi inversa, com a entidade se adequando às condições estabelecidas pela maior potência econômica do planeta.
“No caso do Brasil, a pressão da Fifa levou até à mudança de leis. Havia uma legislação que proibia a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, mas ela precisou ser alterada por causa dos patrocinadores internacionais. Isso mostra como o capitalismo exerce influência sobre o esporte. Já nos Estados Unidos aconteceu o oposto: eles não precisaram se adaptar porque já ocupam essa posição de força dentro da lógica do capitalismo global”, comparou.
Tensão
Outro episódio que evidenciou a tensão entre futebol e política envolveu a seleção do Haiti. Às vésperas da Copa do Mundo, a Fifa proibiu que a equipe utilizasse um uniforme com a ilustração da Batalha de Vertières, confronto travado em 1803 que marcou a derrota das tropas francesas, a independência haitiana e o fim da escravidão no país.
A entidade considerou que a imagem possuía caráter político e, por isso, violava as regras da competição, obrigando a equipe a alterar o uniforme. Já o técnico da seleção do Egito, Hossam Hassan, foi advertido após realizar um gesto de solidariedade à população palestina durante coletiva.
Por outro lado, o torcedor símbolo da seleção da República Democrática do Congo, Michel Kuka Mboladinga, foi convidado pela delegação congolesa e teve liberdade para acompanhar os jogos da equipe na Copa. No estádio, o torcedor, vestido com um terno com as cores da bandeira da nação, imita Patrice Lumumba, um dos líderes da independência do país.
Outra demonstração política foi protagonizada por jogadores argentinos, que comemoraram a vitória nas semifinais contra a Inglaterra segurando uma faixa com a frase “As Malvinas são argentinas”. As Ilhas Malvinas são um território britânico e objeto de uma disputa de soberania entre o Reino Unido e Argentina. Em reação, o secretário britânico de Negócios e Comércio, Peter Kyle, afirmou esperar que a Fifa realize uma investigação completa sobre o ocorrido.
Contradição
Os casos reacenderam críticas sobre a seletividade da Fifa na aplicação de seu Código Disciplinar, sobretudo diante de outras manifestações políticas registradas ao longo do Mundial. Para Priscila Lapa, os episódios também revelaram dificuldades da Fifa em exercer o papel de mediadora entre diferentes países e conflitos políticos.
“A Fifa deveria funcionar como um grande órgão intermediador dessas relações, de neutralizar os conflitos, de deixar com que as regras do mundo esportivo prevalecessem sobre qualquer outro tipo de leitura política. Mas isso é muito difícil na prática. A gente viu a incapacidade da Fifa muitas vezes em atuar como ela deveria”, afirmou.
Um dos episódios mais desafiadores para a entidade envolveu o árbitro-assistente de vídeo Shaun Evans. Durante a partida da Alemanha contra Curaçao, o profissional foi acusado de fazer um gesto supremacista na transmissão da partida. Ele negou ter feito um sinal de forma intencional e foi inocentado pela Fifa após investigação.
Dimensão
Na avaliação do professor Manoel Soares, o esporte exerce um papel que vai além do entretenimento e pode funcionar como instrumento de formação cidadã. “Existe uma dimensão no esporte que transforma a vida humana para além da geopolítica. O esporte tem esse impulso de unir pessoas diferentes para buscar um resultado que não necessariamente é a vitória, mas a participação no jogo”, defendeu.
Para o especialista, atletas e grandes competições possuem capacidade de influenciar debates públicos e fortalecer valores democráticos quando há espaço para manifestações legítimas. “O esporte pode ser um grande instrumento de educação, um vetor de civilização. Se reproduzirmos iniciativas que fortalecem a cidadania, teríamos jogadores contribuindo para a dignidade humana”, destacou.
Um caso que extrapolou a rivalidade dos estádios envolveu comentários racistas da senadora paraguaia Celeste Amarilla contra o jogador francês Kylian Mbappé após a eliminação do Paraguai pelos Les Bleus. Em resposta, o jogador chamou a parlamentar de “desprezível”. O episódio gerou investigação na França e repúdio internacional.
Na esteira de tantas polêmicas, Moraes alerta que o potencial de conciliação do esporte tem sido gradativamente substituído por interesses comerciais. Para o especialista, a crescente influência econômica sobre o futebol contribui para enfraquecer o papel social das grandes competições. “O esporte pode ser um instrumento de alienação, como também pode ser um elemento de reflexão. Quando ele se torna apenas comércio e um jogo de interesses do capital, empobrece bastante”, concluiu o professor.
Com a maior aprovação desde dezembro de 2024, conforme pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta-feira (15), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva melhorou o desempenho entre segmentos do seu eleitorado que, normalmente, têm sido os mais difíceis de conquistar, como os homens. Nesse grupo, a desaprovação oscilou negativamente três pontos percentuais.
Entre o público feminino, Lula é aprovado por 50%, contra 44% que o desaprovam; enquanto isso, no masculino, o petista é aprovado por 46%, enquanto é desaprovado por 50%. Apesar do cenário, no mês passado, o governo Lula tinha desaprovação de 53% entre os homens, índice que chegou a 55% nos três meses anteriores. Nesse segmento, a margem de erro é de três pontos percentuais.
No geral, o governo é aprovado por 48% dos brasileiros, contra 47% que desaprovam a atual gestão. É a primeira vez, desde dezembro de 2024, que o índice positivo é numericamente superior. Para efeito de comparação, em julho do ano passado, a desaprovação era de 53%, taxa que caiu para 48% na divulgação anterior, no último mês.
Sobre esse tema, 5% não sabem ou não responderam. Em junho, o governo era aprovado por 47%. Já em maio, a aprovação era de 46%, contra 49% que desaprovavam. O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, com 2.004 entrevistas. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.
Outro fator que alavanca a melhora no cenário é a desempenho do governo entre o público de 16 a 34 anos. Na faixa etária, Lula é aprovado por 48%, contra 46% que o desaprovam. Em junho, o cenário era completamente oposto: a gestão petista era reprovada por 50%, contra 43% que aprovavam.
Entre os eleitores independentes, o governo apresentou melhora, dentro da margem de erro de quatro pontos. Agora, o índice de aprovação e desaprovação é o mesmo: 45%. Em junho, 47% desaprovam (41% aprovavam), e, em abril, 58% desaprovavam (52% aprovavam).
Tradicionalmente mais forte entre o público de baixa renda, em especial pelos programas de assistência social, o governo Lula também melhorou o desempenho entre quem possui renda familiar superior a cinco salários mínimos. Nesse grupo, a gestão é desaprovada por 54%, contra 41% que aprovam. Em junho, a desaprovação era de 60%, enquanto a aprovação era de 35%. O cenário mostra que, em 1 mês, a diferença saiu de 25 para 13 pontos percentuais.
Desde abril, Lula vem diminuindo gradualmente a percepção negativa no segmento evangélico. Àquela altura, o índice de desaprovação era de 68%, chegando 58% na divulgação da última quarta-feira (15). No mesmo período, o percentual dos que aprovam saltou de 28 para 37%.
Avaliação do governo
Em relação à avaliação do governo, 36% consideram o trabalho como sendo positivo, contra 26% que avaliam ser regular. O percentual negativo, por sua vez, também é de 36% — há um ano, em julho de 2025, era 40%.
Em um recorte de um ano para cá, o pior cenário ocorreu em março deste ano, quando a avaliação negativa alcançou 43%. À época, somente 31% consideravam o trabalho como sendo positivo, contra 25% que avaliavam ser regular.
Intenções de voto – 2 º turno
A Genial/Quaest também mostra que Lula segue liderando todos os cenários testados de segundo turno nas eleições. Na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário até o momento, o petista aparece com 45% das intenções de voto, contra 37% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O cenário representa uma oscilação positiva para Lula, que, na divulgação anterior, marcou 44%, enquanto Flávio tinha 38%.
Em maio, antes da divulgação da relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro — caso ‘Dark Horse’ —, os dois apareciam empatados tecnicamente: Lula marcava 42%, e o senador, 41%.
Primeiro turno
No primeiro turno, Lula mantém a liderança, com oscilação de um ponto para cima. Ele aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% de Flávio, que fica em segundo lugar. Na divulgação anterior, em junho, o petista tinha 39%, e o senador, 29%.
Três pré-candidatos — Edmilson Costa (PCB), Heró Bezerra (PRTB) e Hertz Dias (PSTU) — não pontuaram. Indecisos são 11%, e eleitores que declaram voto em branco, nulo ou não vão votar, representam 8%.
A escolha de voto é definitiva para 65% dos brasileiros, contra 35% que afirmam que ainda pode mudar. No mês passado, o percentual dos decididos era de 63%.
Rejeição
Flávio Bolsonaro é o pré-candidato com maior rejeição entre os testados nesta rodada da Genial/Quaest. O senador é rejeitado por 57% dos eleitores — percentual que, em abril, era de 52%.
Lula vem em seguida, com 50%, mantendo a tendência de queda dos últimos meses. Em junho, ele era rejeitado por 53% da população, taxa que era de 55% em abril.
É muito comum que ansiedade e TDAH sejam confundidos, pois ambos podem causar dificuldade de concentração, inquietação, esquecimentos, irritabilidade e sensação de estar sempre sobrecarregado. No entanto, apesar das semelhanças, são transtornos diferentes e exigem abordagens específicas.
No TDAH, a dificuldade de manter a atenção, organizar tarefas, controlar impulsos e gerenciar o tempo costuma estar presente desde a infância, mesmo que o diagnóstico só seja feito na vida adulta. A pessoa frequentemente inicia várias atividades ao mesmo tempo, perde objetos com facilidade, esquece compromissos e tem dificuldade para concluir tarefas, mesmo quando está motivada.
Na ansiedade, a dificuldade de concentração acontece porque a mente permanece ocupada com preocupações excessivas, pensamentos repetitivos e antecipação constante de problemas. Muitas pessoas descrevem a sensação de que “não conseguem desligar a cabeça”, o que prejudica o foco, o sono, a memória e o desempenho nas atividades do dia a dia.
Um ponto importante é que ansiedade e TDAH frequentemente coexistem. Pessoas com TDAH podem desenvolver ansiedade devido às dificuldades acumuladas ao longo da vida, como baixo rendimento escolar, problemas no trabalho, atrasos frequentes, críticas constantes e frustração por não conseguir atingir o próprio potencial. Por outro lado, a ansiedade intensa também pode agravar sintomas de desatenção, impulsividade e desorganização, tornando o quadro ainda mais complexo.
Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas em sintomas isolados. É fundamental avaliar quando esses sintomas começaram, em quais situações ocorrem, qual o impacto na vida da pessoa e como eles evoluíram ao longo dos anos. Uma avaliação psiquiátrica cuidadosa permite diferenciar essas condições e identificar quando elas estão presentes ao mesmo tempo.
Quando ansiedade e TDAH coexistem, tratar apenas um dos transtornos geralmente não é suficiente. O tratamento precisa ser individualizado e pode incluir medicação, psicoterapia, estratégias de organização e mudanças no estilo de vida. Com o diagnóstico correto e um acompanhamento adequado, é possível reduzir os sintomas, melhorar a qualidade de vida e recuperar o desempenho no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos.
Lembre-se: dificuldade de concentração nem sempre significa TDAH, assim como nem toda preocupação excessiva é apenas ansiedade. Procurar uma avaliação especializada é o primeiro passo para compreender o que está acontecendo e iniciar o tratamento mais adequado para cada caso.
*Médico pós-graduado em Psiquiatria e Neurologia Clínica | Instagram: @drsilvinoteles
Garoto de pés descalços pelas ruas de Afogados da Ingazeira, ouvi os primeiros acordes da voz aguda de Waldick Soriano saindo de caixas de som espalhadas ao longo da feira livre. “Eu não sou cachorro não” era a canção mais tocada em disco vinil projetada em vitrolas.
Eu começava a entender o mundo, mas não tinha a menor noção sobre o estilo musical do cantor preferido dos feirantes. Me assustei quando me mostraram a capa do disco dele pela fisionomia e o modo estranho de se vestir de preto, chapéu e óculos também pretos.
Nunca me interessei também em pesquisar a razão. Com o Sextou da última sexta-feira, no qual entrevistei o escritor e pesquisador Paulo César de Araújo, que escreveu uma obra-prima sobre o cantor brega e cafona, como assim era tratado pela crítica, mas um grande romântico, como se apresentava, entendi a indumentária.
Segundo Paulo César, que deu uma verdadeira aula ao longo da entrevista, Waldick Soriano adotou o icônico visual por pura inspiração cinematográfica. Era um grande fã dos filmes de faroeste e baseou seu estilo no personagem mascarado do cinema, Durango Kid. Como não podia usar máscara nos palcos, adaptou o visual para óculos e ternos escuros.
Waldick soltou seu vozeirão para multidões, mas a elite brasileira nunca se curvou ao seu sucesso. A imprensa sulista era implacável. Revelou forte preconceito e elitismo durante o auge da carreira dele, rotulado como “brega” e pejorativamente chamado de “analfabeto”.
Mas ninguém vendeu tanto quanto Waldick, apesar de suas músicas que falavam de amores intensos e populares serem estigmatizadas pela imprensa como cafonas, de mau gosto e sem valor artístico. Puro preconceito. Até o monstro sagrado Dorival Caymmi se curvou à Waldick.
Numa entrevista, declarou que gostaria de ter feito “Eu não sou cachorro não”, um clássico de estilo dor de cotovelo. A letra narra a dor de alguém que exige respeito em um relacionamento, recusando-se a viver humilhado ou submisso. A música simboliza a dignidade afetiva e tornou-se a voz dos oprimidos sociais.
Na época de ouro da música de protesto e festivais, compositores e críticos da MPB tradicional hostilizavam ou ignoravam a obra de Waldick. Eu também fui preconceituoso, ouvia mais a elite da Jovem Guarda, especialmente Roberto e Erasmo.
Mas o tempo se encarregou de me fazer assimilar o estilo Waldick e sua sociologia. É dele, por exemplo, o hino das serestas: “Tortura de amor”. Quem nunca foi a uma seresta e chorou por um grande amor ouvindo: “Hoje que a noite está calma/E que minha alma esperava por ti/Apareceste, afinal/Torturando este ser que te adora/ Volta, fica comigo só mais uma noite/Quero viver junto a ti, volta, meu amor/Fica comigo, não me desprezes/A noite é nossa e o meu amor pertence a ti”.
O “Poeta do Povo”, como Waldick ficou conhecido, deu voz às dores e aos amores das camadas populares. Eternizou o sentimento da classe trabalhadora ao cantar o amor não correspondido, a superação e o orgulho de suas origens, sem vergonha de ser sentimental. De origem pobre, Soriano foi peão, garimpeiro, engraxate e motorista de caminhão.
E foi com um olhar terno dirigido a este personagem que a atriz Patrícia Pillar, fã confessa do artista, produziu e dirigiu o documentário “Waldick Soriano – Sempre no meu Coração”, exibido em festivais, mas ainda à espera de uma chance para entrar em circuito. Waldick Soriano fez seu nome na música ao cantar para um povo que nunca teve vergonha de ser sentimental.
Waldick não foi cachorro, não. Ele foi, na verdade, um dos maiores cantores da música romântica e popular brasileira, representante de um estilo próprio que fez a cabeça, a alma e o coração de muita gente.
Waldick Soriano falou e cantou o amor, deu voz à agonia de homens abandonados, mulheres ingratas e paixões avassaladoras. Suas músicas o fizeram extremamente popular em todos os cantos do país, especialmente entre as pessoas mais simples, de classes mais baixas.
Com um repertório composto por boleros e sambas-canção, cuja temática eram as relações amorosas com suas desilusões e dores-de-cotovelo, as canções escritas por Waldick Soriano funcionavam como trilha sonora de um Brasil que não tinha muita visibilidade na mídia.
Isso porque as músicas refletiam sentimentos, questões e desejos que faziam parte da vida cotidiana do brasileiro comum, das camadas populares. Frente a isso, sua obra foi alvo de preconceitos tanto por parte da elite musical brasileira — que o hostilizava — , quanto por parte da crítica, que lhe atribuía os rótulos de “brega”, “cafona” e chegou a chamá-lo, por vezes, de “Frank Sinatra dos pobres”.
Numa entrevista antológica, que li no livro de Paulo César de Araújo, resgatei essa pérola dele: “Canto o amor, as decepções, as frustrações. Quem fala que não gosta da minha música é por despeito. O meu caso é como o do Chacrinha: muita gente fala mal dele, mas em casa tá tudo com a televisão ligada, vendo e rindo”.
Citroën C3 XTR: negocie e o leve por menos de R$ 90 mil
A customização de veículos não é uma mera alteração estética ou mecânica. É uma forma de expressão pessoal, na qual o dono de um modelo leva para o modelo a sua própria entidade. É por isso, certamente, que muitos brasileiros desde a década de 1950 adaptam, tunam, embelezam e personalizam, enfim, seus carros. E isso vai das rodas de liga leve à suspensão rebaixada, dos indesejados sistemas de som paredão a até aos inúteis aerofólios. Esse fenômeno, captado mais recentemente pelas montadoras, tornou a customização de série, digamos assim: vários modelos têm, por exemplo, suas versões que imitam os fora-de-estradas, com elevação mínima da suspensão, selos e aquela cara de esportividade.
O C3 XTR, por exemplo, carrega consigo um jeito um pouquinho diferenciado de ser. É um carro compacto, versátil, com visual diferenciado — ou (falsamente) robusto, se assim você preferir. Por isso, deve ser considerado uma boa opção para jovens que estão chegando ao mundo automobilístico. Há pelo menos uma seis razões para tanto. O C3 XTR foi avaliado por uma semana por este colunista. Ele se destaca, a princípio, por uma aparência fora-de-estrada.
Claro que só tem a aparência — como as molduras plásticas nas caixas de roda, o teto escurecido e com rack, os distintivos e as rodas pintadas em grafite. São detalhes legais para chamar de seus. E os pneus ATR, que significa All-Terrain (Todo Terreno) e dá nome à versão, completa o conjunto: ele é de uso misto (geralmente, 50% asfalto e 50% terra) é projetado para oferecer boa tração em estradas de terra, lama leve e pedras sem abrir mão da dirigibilidade. A soma de tudo até que passa uma imagem de SUV (mini, mas SUV).
Outros atributos – A elevada distância do solo é uma das suas singularidades. Essa característica não vai levar ninguém aos Lençois Maranhenses ou ao Pantanal na época das chuvas. Mas serve para enfrentar lombadas, valetas, ruas esburacadas, estradinhas de terra batida, pequenos aguaceiros. Afinal, esse o Brasil tem, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias, apenas 37,9% da extensão rodoviária brasileira (43.301 km) estão em boas condições.
O modelo, como quase todos no país, tem capacidade oficial para cinco passageiros. Mas assim também como a maioria dos hatches, quem ficar atrás no assento do meio vai sofrer. E olhe que o C3 até oferece uma boa vida a bordo: são 3,98m de comprimento, 1,73m de largura, 1,60m de altura e 2,54m de entre-eixos. O porta-malas, por exemplo, oferece 315 litros de capacidade. Só para comparar, sem fazer juízo de valor: no do Jeep Renegade 2027 só cabem 320 litros. E nem vale a comparação com o VW Polo Track ou com o hatch Chevrolet Ônix.
Conforto – A Citroën costuma oferecer, no geral, um bom nível de conforto. No caso do C3 XTR, destaque para a suspensão – também pensada na qualidade das nossas vias urbanas e rodoviárias. Ela consegue absorver até bem as conhecidas irregularidades do nosso mundo estradeiro. Isso devido ao conjunto de suspensões McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira.
E mais: os pneus de perfil 60 também colaboram com a redução dos efeitos dos impactos. O modelo é equipado com o conhecido motor 1.0 Firefly aspirado – que tem origem na Fiat e gera até 75cv (com etanol) e torque de 10,7kgfm. Na vida urbana, dá conta. Nas estradas, nem tanto – principalmente em ultrapassagens ou mesmo subidas. Só para matar sua curiosidade: o 0km/h a 100km/h exige 15 segundos. O câmbio é manual de 5 marchas. A velocidade máxima constatada é 162 km/h.
Preço – O modelo C3 XTR está cotado no site da Citroën (26/26, cor Preto Perla Nera e frete incluso) em R$ 100.590. Sem a inclusão de veículo usado na troca, o cliente paga à vista R$ 92.590. Caso o consumidor ponha o veículo usado na troca, ainda lhe será ofertado um bônus de R$ 4.000 – o que fará com que o valor caia para R$ 88.590.
Custo-benefício – Esse não é um texto de comparação, mas de análise rápida, de percepção. Mas o fato é que ele tem um bom custo-benefício, levando-se em conta atributos de outros carros (SUVs ou mesmo hatches) compactos do mercado. Vai além do visual diferenciado. Passa, por exemplo, pela central multimídia (10 polegadas) com compatibilidade com Android Auto e Apple CarPlay. Conta, é sempre importante ressaltar, com uma rede de assistência consolidada (e que melhorou depois que a marca foi incorporada pela Stellantis). É garantia de disponibilidade de peças e assistência técnica. Enfim, é um carro que cabe bem para famílias pequenas, cidades esburacadas e motoristas profissionais (táxis e aplicativos). E, por fim, a generosa lista de itens de série, com ar-condicionado automático, vidros elétricos nas quatro portas e bancos com revestimento em couro.
Move Brasil: 53,7% dos pretendem financiar veículo – Mais da metade dos motoristas de aplicativo e taxistas no Brasil que pretendem comprar um veículo nos próximos 12 meses dependem de financiamento para viabilizar a aquisição, segundo levantamento do GigU em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação feito com 1.576 trabalhadores de app de e condutores de táxis. Neste momento, está em pleno vigor o programa Move Brasil, do governo federal, que oferece uma nova linha de crédito para esses profissionais.
Lançado em 19 de junho, o programa oferece financiamento de veículos com taxas de juros inferiores às praticadas no mercado tradicional, voltado a motoristas de aplicativo e taxistas. A iniciativa busca ampliar o acesso ao crédito e estimular a renovação da frota utilizada no transporte individual de passageiros. Quando questionados sobre a intenção de compra de um veículo nos próximos 12 meses, 53,7% dos entrevistados afirmam que pretendem adquirir um automóvel com financiamento. Outros 41,7% dizem não ter intenção de compra no período, enquanto apenas 4,6% indicam que fariam a aquisição à vista.
Os números mostram que o financiamento não é uma alternativa secundária no setor, mas o principal mecanismo de acesso ao veículo, explica Luiz Gustavo Neves, CEO da plataforma. “O crédito acaba tendo um papel central nessa dinâmica de trabalho, já que o carro funciona muito mais como ferramenta de geração de renda do que como um ativo, considerada a tendência de desvalorização após a compra que, no caso da categoria, é intensificada pelo maior uso do automóvel na rotina do motorista. A decisão acaba estando menos ligada ao potencial valor de revenda e mais associada à capacidade do veículo de gerar renda ao longo do tempo e ao valor das parcelas do financiamento”, diz.
Ao mesmo tempo, a fatia de 41,7% que não pretende adquirir um veículo no curto prazo indica um grupo relevante fora do ciclo de renovação, o que pode estar associado a restrições financeiras, custos operacionais elevados ou prolongamento da vida útil dos veículos em circulação.
Dependência do fiado – O Move Brasil se insere como uma tentativa de atuar diretamente sobre uma variável estrutural do setor: a dependência do financiamento para a compra de veículos. A efetividade da política, no entanto, tende a depender da diferença real entre as condições oferecidas pelo programa e as disponíveis no mercado tradicional de crédito.
“O financiamento pode parecer uma solução imediata de acesso a recursos, mas ele carrega uma complexidade que muitas vezes é subestimada. Como os ganhos do motorista de app variam conforme a categoria e as regras das plataformas estão em constante mudança, como temos visto recentemente, é indispensável analisar com profundidade tanto as condições do contrato quanto à elegibilidade de categoria do veículo ao longo do tempo”, afirma.
Marcas chinesas crescem 515% em relevância no Brasil
O interesse dos brasileiros por marcas automotivas chinesas registrou um salto explosivo de 515% nos últimos cinco anos, tracionando um aumento de 112% no debate sobre veículos eletrificados no país. É o que revela um estudo inédito da Timelens, empresa pertencente à FutureBrand São Paulo, com base em mais de 110 milhões de menções online, apontando que a entrada das novas montadoras asiáticas deixou de ser uma aposta baseada em preço para assumir a liderança em inovação, redefinindo de vez o comportamento de compra e as exigências no mercado nacional.
O levantamento mapeia a fundo o que está movendo o futuro do mercado e como a percepção do brasileiro mudou em relação à mobilidade, apontando uma virada de chave no perfil do comprador: o automóvel deixou de ser visto apenas como um produto e se transformou em uma plataforma de experiência. O conforto consolidou-se como o principal pré-requisito nas conversas (41,7% de importância), e a tecnologia passou de diferencial a uma exigência inegociável.
“O setor automotivo brasileiro está passando por múltiplas transições simultâneas e quem olhar para isso como um movimento linear vai perder oportunidades. A chegada das novas montadoras asiáticas redefiniu a lógica de concorrência de forma muito rápida. Em menos de três anos, observamos a migração do ceticismo para o desejo real de compra. Elas deixaram de brigar apenas por preço para ditar o ritmo da inovação”, afirma Filippo Vidal, sócio e diretor da FutureBrand São Paulo.
Essa transformação reconfigurou a própria mentalidade do brasileiro. O vocabulário mudou: o clássico “quilômetro por litro” agora divide espaço com a fluência em “quilômetro por hora”, ressaltando autonomia e recarga. A pesquisa alerta que montadoras tradicionais que continuarem competindo como se estivessem vendendo apenas hardware correm o risco de ficar para trás.
O jogo da consolidação das chinesas – O crescimento mais acelerado do setor não vem das marcas tradicionais. As montadoras chinesas mudaram o eixo da conversa no Brasil em menos de três anos, migrando do antigo ceticismo para o desejo real de compra do consumidor. Elas deixaram de competir apenas em preço e passaram a ser reconhecidas como sinônimos de inovação, qualidade e tecnologia.
Contudo, o estudo destaca que o futuro não chega de forma igual para todos. O impacto dessas novas marcas concentra-se fortemente nas categorias de maior valor: os SUVs médios/premium já representam cerca de 39% a 40% das conversas sobre carros chineses. Ao mesmo tempo, o interesse em sedãs compactos e médios asiáticos registrou um aumento explosivo de 939%, enquanto os sedãs de luxo avançaram impressionantes 2.000%. O jogo no Brasil, portanto, deixou de ser sobre a entrada no mercado e passou a ser sobre a consolidação.
Cenário real da eletrificação – As vendas refletem o aumento das conversas: os veículos eletrificados já alcançaram 14% de participação nas vendas totais de automóveis no Brasil no início de 2026, com uma projeção de bater recordes e chegar a mais de 280 mil unidades vendidas até o fim do ano. A análise técnica revela, porém, que as tecnologias caminham em ritmos distintos. Nesse cenário, a eletrificação no Brasil não acontece de forma linear.
Híbridos convencionais (HEV) – O estudo mostra que eles ainda lideram o volume de conversas (com 41% de participação), pois são vistos como a escolha “segura” de transição, mas já começam a perder relevância, amargando uma queda de 44,9% no ritmo de crescimento.
100% Elétricos (BEV) – Registram crescimento de 116% nas menções, ganhando força à medida que quebram o ceticismo provando sua durabilidade e baixo custo de manutenção a longo prazo.
Híbridos Plug-in (PHEV) – Puxam a próxima grande onda, com um avanço de mais de 211%, sendo percebidos atualmente como a solução mais flexível e completa para o consumidor.
“O maior equívoco estratégico da indústria hoje é enxergar a transição energética como um bloco único. Os dados do Estudo evidenciam que operamos em modelos fragmentados. Enquanto os modelos híbridos convencionais, até então vistos como o refúgio seguro de transição, começam a perder fôlego e desacelerar, as opções plug-in puxam a próxima grande onda de adoção por oferecerem a autonomia ideal para o momento. A vantagem competitiva na próxima década pertencerá a quem souber aplicar a matriz energética correta para cada perfil de uso”, reforça Filippo.
Mini 1965 Victory Edition no Brasil – Poucas cidades no mundo carregam uma ligação tão intensa com o automobilismo quanto Monte Carlo. Foi no principado, em meio a curvas desafiadoras, clima imprevisível e uma das provas mais tradicionais do mundo, que a Mini escreveu um dos capítulos mais marcantes de sua história. Mais de seis décadas depois, esse legado ganha uma nova interpretação com a chegada da Mini 1965 Victory Edition ao Brasil. Exclusiva e limitada a apenas 20 unidades no país, a edição especial combina referências clássicas do automobilismo com o estilo moderno e inconfundível da Mini, criando uma homenagem elegante a um dos momentos mais importantes da trajetória da marca nas pistas. Baseado no John Cooper Works Hatch, o Mini 1965 Victory Edition reforça a conexão entre tradição, esportividade e personalidade.
Assim como o Cooper S original impressionou pela tecnologia, desempenho e agilidade em condições extremas, a nova edição atualiza esses atributos para uma geração de apaixonados por direção que valoriza história, exclusividade e performance. O modelo é equipado com motor a gasolina TwinPower Turbo de quatro cilindros e 2.0 litros, capaz de entregar 231 cv de potência e 380 Nm de torque máximo. Combinado à transmissão automática esportiva de dupla embreagem, o conjunto permite trocas de marcha rápidas e respostas imediatas em acelerações e retomadas. O resultado é uma experiência de condução intensa e extremamente divertida, com aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 6,1 segundos e velocidade máxima de 250 km/h. Preço de lançamento: R$ 384.990.
Vem aí um veículo esportivo nacional – Um novo carro esportivo desenvolvido no Brasil será apresentado ao público durante o Festival Interlagos Edição Auto, previsto para acontecer entre os dias 27 e 30 de agosto, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Chamado DuoExo, o modelo foi criado para experiências em pista, com foco em baixo peso, simplicidade construtiva e conexão direta entre piloto e máquina.
O projeto, liderado por Fabio Birolini, está em fase final de montagem e validação, com testes dinâmicos previstos antes da apresentação oficial. A proposta é oferecer uma condução mais pura e direta, baseada em arquitetura exposta, chassi tubular e soluções inspiradas em veículos de competição, priorizando desempenho, dirigibilidade e facilidade de manutenção.
Uber supera 50% de repasse – A forma como a Uber distribui o valor das corridas entre passageiros e motoristas vem sendo reavaliada a partir de dados operacionais da própria plataforma e de estudos recentes sobre a dinâmica de precificação. Uma das leituras mais recentes indica que a empresa já retém, em média, mais da metade do valor das viagens nos Estados Unidos, um patamar que recoloca o debate sobre transparência algorítmica e estrutura de mercado. A estimativa é do professor da Columbia Business School, Len Sherman, com base em históricos de corridas da própria Uber.
Segundo ele, a taxa média de retenção teria ultrapassado 50% em cidades americanas, após uma trajetória de alta nos últimos anos: cerca de 32% em 2022 e aproximadamente 42% em 2024. Esse movimento coincide com a adoção da precificação algorítmica em 2022, quando tarifas e remuneração deixaram de seguir parâmetros fixos e passaram a ser definidas por sistemas dinâmicos. A consequência, segundo a leitura apresentada, é um distanciamento maior entre o valor pago pelo passageiro e o valor efetivamente recebido pelo motorista, com menos previsibilidade sobre como essa diferença é formada.
Em sua análise, Sherman compara a trajetória da Uber com outras plataformas digitais e aponta o que considera uma mudança de patamar no setor. “Nos seus primeiros anos, a Uber recrutou motoristas com anúncios prometendo que eles ficariam com 80% de cada corrida. Hoje, os históricos completos de corridas mostram a Uber retendo mais da metade do que os passageiros pagam em cidade após cidade. A taxa de retenção de 30% da Apple atraiu escrutínio do Supremo Tribunal. Os 40% do Ticketmaster trouxeram reguladores federais. A Uber agora está sozinha acima dos 50%”, afirma.
E no Brasil? – A discussão sobre distribuição de valor aparece também no recorte brasileiro. Dados do GigU mostram que a rentabilidade do trabalho varia de forma relevante entre regiões, mesmo dentro de um mesmo estado. Na Região Metropolitana de São Paulo, o lucro médio por hora é de R$ 15,57, com margem de 43,6%. No noroeste paulista, cai para R$ 10,11, com margem de 33%, diferença que ultrapassa R$ 1 mil ao mês em jornadas de 200 horas. O padrão se repete em outros estados. Em Minas Gerais, a diferença entre Belo Horizonte e o Triângulo Mineiro chega a R$ 6,69 por hora. No Rio de Janeiro, a capital praticamente dobra a renda observada em cidades do interior. Na Bahia, Salvador também se distancia de pólos turísticos e urbanos fora da capital.
Para o CEO da GigU, Luiz Gustavo Neves, os motoristas não são insumos de um algoritmo. “São pessoas que trabalham longas horas para sustentar suas famílias, negociando às cegas contra a máquina de precificação mais sofisticada já construída. Esta pesquisa mostra ao mundo exatamente o que os motoristas têm visto do banco da frente”, destaca. Em conjunto, os dados sugerem um sistema em que a formação de preço não apenas varia por contexto, mas se torna cada vez menos legível para quem está dentro dele. O resultado é uma estrutura em que a eficiência do modelo depende justamente da opacidade que sustenta a diferença entre o que é pago, o que é recebido e o que fica retido pela plataforma.
Fastback chega a 200 mil unidades produzidas – Primeiro SUV cupê da Fiat do Brasil, o Fastback bateu a marca de 200 mil unidades produzidas em menos de 4 anos de lançamento. O modelo fabricado no Polo Automotivo Stellantis de Betim (MG) chegou ao mercado em setembro de 2022 e, de lá para cá, passou por atualizações. Versátil, o Fastback foi o segundo SUV produzido pela Fiat no Brasil, e oferece em sua gama três tipos de motorizações e versões para atender aos mais diferentes públicos: cinco. O motor T200 equipa a versão Fastback Turbo 200 AT, enquanto o T200 Hybrid atende as versões Audace e Impetus, e o potente motor T270 a Limited Edition e Abarth — modelo que faz parte da divisão esportiva da Fiat. Ele também tem o maior porta-malas da categoria, com capacidade para 600 litros, e um espaço interno amplo e confortável.
Na linha atual, o Fastback evoluiu em questão de design, conforto e tecnologia. O modelo ganhou nova nota com linhas mais retas e precisas, acabamento em preto brilhante nas entradas de ar dianteiras, além do pacote Sunroof, disponível para as versões Impetus T200 Hybrid e Limited Edition, que adiciona teto solar panorâmico, farol de neblina em LED, iluminação no para-sol e monitoramento de ponto cego. O SUV também oferece pacote de Adas (sistemas avançados de assistência à direção) a partir da versão Audace, painel full digital e sistema multimídia de 10,1 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, e carregador de celular por indução.
Mercedes-Benz completa 100 anos – Há 100 anos, a Mercedes‑Benz começava a consolidar sua identidade global com a fundação da Daimler‑Benz AG, em 28 e 29 de junho de 1926. Poucos meses depois, com o registro de seu emblema, a estrela Mercedes da Daimler‑Motoren‑Gesellschaft (DMG) envolta pela coroa de louros da Benz & Cie., integrando os nomes “Mercedes” e “Benz”, que hoje é um dos símbolos mais reconhecidos e valiosos do mundo. A fusão das duas empresas precursoras passou a vigorar retroativamente a partir de 1º de janeiro de 1926.
Esse passo foi cuidadosamente preparado, inicialmente por meio de uma joint venture iniciada em 1924. Essa entidade já havia registrado a marca “Mercedes-Benz” junto ao escritório de patentes em 25 de abril de 1925. Em 1926, as trajetórias pioneiras dos inventores do automóvel, Carl Benz e Gottlieb Daimler, foram reunidas na nova empresa. Benz registrou a patente do automóvel em 1886, sendo um marco mundial. No mesmo ano, Daimler construiu seu automóvel motorizado de quatro rodas e, assim, teve início uma história de 140 anos de inovação.
Omoda & Jaecoo registra 20 mil emplacamentos – A marca chinesa Omoda & Jaecco acaba de alcançar a marca de 20 mil emplacamentos de seus quatro modelos já lançados no mercado brasileiro. A grande concentração deles aconteceu nos últimos meses, em que 10 mil emplacamentos foram realizados entre março e junho de 2026. O desempenho posiciona a marca entre as 10 mais vendidas no varejo brasileiro, no segmento de SUVs (categorias B, C e D), e comprova a aceitação de seus veículos por parte dos consumidores, além da força da estratégia da marca desenhada para o país. Os grandes protagonistas desse resultado são os modelos Jaecoo 7, que, com sua versão Elite lançada recentemente, teve um resultado expressivo de 9.373 emplacamentos, e o Omoda 5, sucesso mundial da marca, com mais de 9.200 emplacamentos. Atrás deles ficaram Omoda E5 com 1.121 e Omoda 7, com 883.
Honda celebra 50 anos da CG – Para celebrar os 50 anos de produção da CG no Brasil, a Honda Motos lançou uma websérie especial que destaca o papel da motocicleta na vida de milhões de brasileiros. Com episódios curtos e dinâmicos, a produção apresenta histórias reais de clientes, colaboradores e concessionários de diferentes regiões do país. Ao todo, serão 16 vídeos, com novos episódios publicados semanalmente, sempre às segundas-feiras, até o mês de outubro.
A proposta da websérie é mostrar como a CG vai além de um meio de transporte, tornando-se uma aliada na construção de sonhos, conquistas e mudanças de vida. Ao longo de cinco décadas, o modelo se consolidou como parte importante da mobilidade e do desenvolvimento social no Brasil. O primeiro episódio conta a história de Jefferson Gomes, empreendedor que, durante a pandemia, encontrou na motocicleta uma solução criativa para seu negócio. Para realizar as entregas de sua hamburgueria, ele adquiriu um modelo inusitado, uma CG 125 de 1981, conhecida como “Bolinha”. A moto rapidamente chamou a atenção pelas ruas de Jundiaí/SP e se tornou uma atração à parte no estabelecimento.
A experiência despertou em Jefferson uma nova paixão, que mais tarde o levou a iniciar um novo capítulo em sua trajetória: a comercialização de motos clássicas. Com mais de 15 milhões de unidades comercializadas, a CG se posiciona como o veículo mais vendido do país em todos os tempos e segue como líder do segmento desde seu lançamento, atravessando gerações e marcando presença no cotidiano de milhões de brasileiros, seja como ferramenta de trabalho, primeiro veículo ou símbolo de independência.
O modelo foi o primeiro produto fabricado pela marca no Brasil e é o mais antigo que ainda segue em produção no país. Ao longo dos anos, acompanhou a evolução do mercado, as necessidades dos clientes e o surgimento de novas tecnologias, mas sem perder sua essência: ser uma motocicleta durável, econômica e confiável.
Arranhões custam mais caro do que parecem – Durante muito tempo, pequenos amassados, marcas de estacionamento e danos estéticos eram vistos apenas como detalhes sem grande impacto financeiro. Hoje, porém, a realidade é diferente. Com os veículos usados alcançando valores cada vez mais elevados nos últimos anos, qualquer avaria pode representar uma perda significativa na hora da venda, da troca ou até mesmo da avaliação para seguros. A valorização dos seminovos e usados foi impulsionada por uma combinação de fatores. Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) mostram que o mercado brasileiro registrou a comercialização de 15.777.594 veículos seminovos e usados em 2024, um crescimento de 9,2% em relação ao ano anterior e o melhor resultado desde o início da série histórica da entidade.
O desempenho reflete mudanças importantes no comportamento do consumidor e no próprio mercado automotivo, marcado pelo aumento dos preços dos veículos novos e pelas restrições de crédito. A tendência não apenas se manteve como se fortaleceu. Segundo levantamento divulgado pela Fenauto em janeiro de 2026, o setor alcançou 18.508.929 veículos negociados ao longo de 2025, registrando crescimento de 17,3% sobre o volume do ano anterior. O resultado consolidou um novo recorde histórico para o segmento e reforçou a relevância dos usados na composição do patrimônio das famílias brasileiras.
Estética – Nesse cenário, a conservação estética ganhou importância. Um veículo bem cuidado transmite a sensação de zelo e manutenção adequada, fatores que influenciam diretamente a percepção de valor do comprador. Por outro lado, pequenos danos que antes passavam despercebidos agora podem servir como argumento para reduzir significativamente o preço de negociação. O comportamento recente do mercado ajuda a explicar essa preocupação.
O Índice Webmotors apontou que os veículos usados com motor a combustão apresentaram desvalorização média de 3,94% em 2025, percentual inferior ao observado em 2024, quando a queda havia sido de 4,11%. Na prática, isso significa que os automóveis estão preservando seu valor por mais tempo, tornando a manutenção da aparência e da originalidade ainda mais relevante para quem pretende vender ou trocar o veículo futuramente.
Impacto – Muitos proprietários ainda subestimam o impacto financeiro desses detalhes. Um amassado na porta, uma marca causada por granizo ou um dano provocado pela abertura de portas em estacionamentos podem parecer simples de resolver, mas acabam comprometendo a aparência geral do veículo. Quando acumulados, esses sinais de desgaste afetam a percepção de conservação e podem resultar em perdas financeiras superiores ao custo do reparo.
Mais transparência – Outro ponto importante é que o consumidor está mais atento. Plataformas digitais de compra e venda, sistemas de avaliação online e ferramentas de comparação permitem que compradores analisem rapidamente veículos semelhantes. Em um mercado cada vez mais transparente, diferenças estéticas que antes passavam despercebidas tornaram-se fatores relevantes na tomada de decisão.
Originalidade – A preocupação com a originalidade também cresceu. Em um ambiente que valoriza histórico de manutenção, procedência e transparência, muitos proprietários passaram a buscar soluções capazes de preservar a pintura original do veículo. Isso ocorre porque repinturas podem gerar dúvidas sobre colisões ou reparos estruturais, impactando a confiança durante a negociação.
Evolução – A boa notícia é que a tecnologia de reparação automotiva evoluiu justamente para atender essa demanda. Métodos menos invasivos permitem corrigir diversos tipos de amassados sem comprometer a pintura original, preservando as características de fábrica do veículo e contribuindo para a manutenção de seu valor de mercado.
Questão financeira – Mais do que uma questão estética, cuidar dos pequenos danos passou a ser uma decisão financeira. Em um mercado que bate recordes consecutivos de comercialização de usados e onde os veículos mantêm seu valor por mais tempo, preservar a aparência e a originalidade do automóvel tornou-se uma forma inteligente de proteger patrimônio e evitar prejuízos futuros.
Renato Ferraz, ex-Correio Braziliense, tem especialidade em jornalismo automobilístico.
Neste sábado (18), em alusão ao Dia Nacional de Proteção às Florestas, celebrado no dia 17 de julho, a Associação Ambiental Coletivo Portal Encantado realizou o plantio de 10 mudas de árvores típicas do bioma Caatinga no Cruzeiro Novo, em Arcoverde. A ação foi realizada pelos próprios associados da entidade, que atuam de forma voluntária em defesa do meio ambiente, e aconteceu no Cruzeiro Novo.
A iniciativa chama atenção para o poder da arborização urbana. “Uma rua arborizada é mais bonita, mais fresca e mais humana. O sombreamento reduz a temperatura, melhora a saúde, incentiva o convívio e cria corredores ecológicos dentro da cidade. Ao escolher espécies nativas da Caatinga, uma mensagem urgente é reforçada: é preciso não apenas replantar a Caatinga, mas, sobretudo, protegê-la do risco de desaparecimento”, pontua o coletivo.
Considerada por muito tempo como uma mata pobre e seca, a Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e um dos mais ricos em biodiversidade do planeta. No entanto, é também um dos menos protegidos e mais desmatados do país, com mais de 40% de sua área original já devastada.
O pré-candidato a governador de Pernambuco, João Campos (PSB), afirmou neste sábado (18) durante entrevista a Rádio Nova Quilombo de Palmares, que o presidente Lula estará, sim, participando da campanha em Pernambuco.
“O PSB tem aliança com o PT nos 27 estados. E o presidente Lula estará visitando todo o país e Pernambuco está neste roteiro” disse João, lembrando da amizade do presidente Lula com o seu pai, Eduardo Campos e com o seu bisavô Miguel Arraes. “É uma amizade de longas datas, e uma aliança histórica”, afirmou João. As informações são do Blog do Silvinho.
O presidente Lula (PT) gravou um vídeo em apoio a pré-candidatura de João Campos no início de junho que foi amplamente divulgado nas redes sociais e pela mídia. No entanto, aliados da governadora Raquel Lyra (PSD) acreditam que o presidente poderá não vir a Pernambuco no primeiro turno das eleições deste ano.
Durante a semana em entrevista ao podcast Direto de Brasília, de Magno Martins, a senadora Teresa Leitão (PT) afirmou que tão logo se inicie a campanha política, a coordenação nacional de Lula definirá uma provável data para a presença do petista em Pernambuco.
O Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores de Pernambuco realizou, na manhã deste sábado (18), em Bom Conselho, uma reunião para definir os próximos passos da mobilização partidária com foco nas eleições de 2026. O encontro reuniu dirigentes estaduais, municipais, parlamentares e lideranças de diversas regiões do estado.
Entre as deliberações aprovadas estão o reforço da mobilização dos diretórios municipais em torno da reeleição do presidente Lula, do senador Humberto Costa, dos atuais deputados e deputadas com ampliação das bancadas federal e estadual do PT e a vitória da Frente Popular em Pernambuco. Durante a reunião, também foi aprovada a indicação do deputado Luciano Bivar (MDB) para a primeira suplência da candidatura de Humberto Costa ao Senado Federal.
A atividade integrou a política de descentralização das reuniões deliberativas da direção estadual do PT, iniciada nesta gestão com o objetivo de aproximar as decisões partidárias dos diretórios municipais e da militância em todas as regiões de Pernambuco.
Durante sua fala, o presidente estadual do PT Pernambuco, deputado federal Carlos Veras, destacou que o fortalecimento do partido passa pela presença permanente nos municípios e pelo diálogo direto com a população. “Estamos consolidando uma nova forma de organizar o partido, aproximando a direção estadual dos diretórios municipais, das lideranças e da nossa militância. O PT sempre foi forte porque esteve perto do povo, ouvindo as comunidades e construindo coletivamente suas decisões. É esse caminho que vamos continuar percorrendo em todo Pernambuco”, afirmou.
Carlos Veras também ressaltou que a prioridade do partido será mobilizar sua militância para reeleger e ampliar a representação petista no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa, além de garantir a reeleição do senador Humberto Costa e do presidente Lula. “A reeleição do senador Humberto Costa é uma prioridade do nosso partido. Precisamos também fortalecer nossa representação no Congresso Nacional para defender os trabalhadores e trabalhadoras e dar sustentação ao governo do presidente Lula, que segue transformando a vida do povo brasileiro com investimentos e políticas públicas em todas as regiões do estado”, destacou.
Ao citar ações do Governo Federal no Agreste, Veras lembrou investimentos como a inauguração do Hospital de Amor, em Garanhuns, a implantação do Instituto Federal em Águas Belas e as obras de duplicação da BR-423, reforçando a necessidade de intensificar o diálogo com a população sobre os resultados das políticas implementadas pelo governo do presidente Lula.
A reunião foi realizada na véspera da Convenção Estadual da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), que acontece na próxima segunda-feira (20), no Recife, quando serão homologadas as chapas de deputados estaduais, federais e a composição na chapa majoritária.
O Comitê Pró-Canal do Sertão realiza, no próximo sábado (25), uma nova audiência pública em defesa da implantação do Canal do Sertão Pernambucano. O encontro acontece das 18h às 21h, no auditório da Câmara de Vereadores de Cedro, no Sertão de Pernambuco, e é aberto ao público.
O evento deve reunir representantes da sociedade civil e da classe política para debater os impactos da obra na segurança hídrica e no desenvolvimento dos municípios do Araripe, Sertão Central e Sertão do São Francisco.
Quase 2 mil pessoas, cadastradas por meio de um aplicativo digital, participaram ontem (17) do ato político que marcou o lançamento da pré-candidatura a deputado estadual do ex-superintendente do Patrimônio a União, Ednaldo Moura (PSB). Realizado em um centro de eventos em Aldeia, o evento contou com a participação de quase toda a chapa majoritária oposicionista: os pré-candidatos a governador, João Campos (PSB), e a vice, Carlos Costa (Republicanos), e o senador Humberto Costa (PT). Marília Arraes (PDT) não pode ir. Compareceram e discursaram o deputado federal Pedro Campos (PSB) e o prefeito de São Lourenço da Mata Vinícius Labanca (PSB).
“Pode contar comigo, Ednaldo. Você foi um colaborador muito importante no trabalho que realizamos para fazer do Recife o município que mais criou vagas em creche em todo o país. Vou me eleger governador, você será deputado estadual e teremos oportunidade de fazer muito mais por Pernambuco e por nossa gente”, disse João Campos. A ida de João Campos a Camaragibe, 24 horas após receber o título de cidadão honorário do município, vem sendo interpretada por analistas políticos como um sinal da importância da pré-candidatura de Ednaldo para o PSB na cidade, governada pelo ex-aliado Diego Cabral (PSD), que se bandeou para o palanque de Raquel Lyra (PSD), em atitude avaliada como traição.
Ao discursar, Ednaldo Moura afirmou ter passado por perseguições por parte da governadora, que chegou a cancelar sua cessão ao governo federal, três meses depois de ter assumido a Superintendência do Patrimônio da União (SPU) em Pernambuco. “Foi neste episódio que conheci o João Campos amigo, solidário, e que não se conforma com injustiças”, contou Ednaldo. “Eu conhecia o João gestor, que trabalha muito e sabe transformar projetos em melhoria na vida de pessoas. E conhecia o João líder, que monta times que fazem acontecer. Mas o João solidário ficou de meu lado, reafirmou seu apoio e conseguiu do governo do presidente Lula minha permanência na SPU”.
O lançamento da pré-candidatura da principal liderança do PSB em Camaragibe se deu em um evento que era também para comemorar o aniversario do anfitrião. Nascido e criado em uma comunidade pobre (bairro do Celeiro) de Camaragibe, Ednaldo é mestre em Educação pela UFPE e gestor público estadual concursado. Foi secretário-executivo da Saúde e da Educação nos governos do PSB e secretário-executivo de Educação na primeira gestão de João Campos. Entre os presentes, muitos amigos de infância e colegas de turma nas instituições onde Ednaldo estudou, da alfabetização às pós-graduações. Também marcaram presença centenas de gestores escolares, professores e professoras com quem conviveu em suas passagens por secretarias de educação. Havia também lideranças comunitárias e políticas da Região Metropolitana, da Zona da Mata e Agreste.
No último fim de semana antes do início das convenções partidárias, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), vivem momentos distintos. A gestora chega a mais um fim de semana de indefinição sobre a oficialização da chapa de candidatos ao Senado Federal. Enquanto o pré-candidato pela oposição cumpre agendas com o time da Frente Popular.
A ausência de uma sinalização pública da gestora sobre a definição de ter o presidente estadual do União Brasil (UB) e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, e o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD), tem mantido a expectativa no presidente da Federação União Progressista (UP), deputado federal Eduardo da Fonte, de ainda ser confirmado na vaga.
Ontem (17), Raquel Lyra foi ao almoço promovido pelo presidente do Podemos de Pernambuco, Marcelo Gouveia, acompanhada de Miguel Coelho e Túlio Gadêlha. A reunião de integrantes do partido teve o objetivo de discutir a formação das chapas proporcionais e o fortalecimento da base de apoio à governadora nas eleições de 2026.
Em seguida, Raquel Lyra, Miguel Coelho e Marcelo Gouveia cumpriram agenda na sede da Assembleia de Deus de Abreu e Lima, onde participaram do encerramento do 22º Congresso de Mulheres da instituição religiosa.
“Como mulheres, vivemos de sonhos, coragem, fé e trabalho. A gente não descansa, não cochila. Tenho a honra, junto a Priscila, de ser a primeira mulher a governar este estado e não uma tarefa simples, ainda mais alguém que é filha do interior e tem que ultrapassar as barreiras que se levantam quando nós mulheres nos apresentamos, mas tem algo que nos move de maneira muito mais forte: o amor a Deus, a confiança e a fé no povo”, disse a governadora ao público presente.
Depois a agenda foi na cidade de Pesqueira, na abertura do Festival Pernambuco Meu País. Lá a governadora voltou a encontrar Túlio Gadêlha e também o deputado federal Eduardo da Fonte. Antes, o líder progressista cumpriu agenda própria em Moreno, na Região Metropolitana do Recife, onde promoveu o “Papo que transforma”, com debate de propostas para o estado ao lado de aliados políticos.
Ao mesmo tempo, o pré-candidato pela oposição ao governo estadual, o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), manteve agendas na capital e pelo interior, ao lado dos pré-candidatos da chapa da Frente Popular de Pernambuco. Pela manhã, Campos teve um encontro com líderes da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), onde discutiu sobre o papel do estado na geração de emprego e renda aliado ao comércio e varejo.
“Tive uma gestão muito próxima dos comerciantes lojistas como prefeito, e vamos expandir isso para Pernambuco, ouvindo as melhores propostas e tendo a capacidade de construir compromissos para a geração de emprego e de renda e fortalecimento da economia das cidades no estado todo”, declarou o pré-candidato ao registrar o evento nas redes sociais.
À noite, o pré-candidato foi à cidade de Itaquitinga, onde recebeu o título de cidadão itaquitinguense, ao lado da pré-candidata ao Senado, Marília Arraes (PDT),que também se tornou cidadã do município da Zona da Mata Norte. O pré-candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos) e a senadora Teresa Leitão (PT), acompanharam o evento.
Amanhã, a agenda dos pré-candidatos inclui a realização do evento de escuta e participação popular “Chega Junto, Pernambuco” em Caruaru. Hoje, caminharam pela feira do município de Palmares, na Zona da Mata Sul do estado e à noite participam do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG).
O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou neste sábado (18) que o partido negocia com o Podemos uma eventual composição para a chapa presidencial do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, nas eleições de 2026. Segundo Ribeiro, ainda não há definição sobre o candidato a vice, mas a expectativa é concluir as negociações até 5 de agosto, prazo final para as convenções partidárias.
A declaração foi dada em entrevista coletiva ao lado de Zema após o Encontro Nacional do Novo, realizado em São Paulo. A legenda marcou para 27 de julho a convenção que deverá homologar a candidatura de Zema à Presidência da República.
“Temos conversado com alguns partidos, em especial o Podemos. Tenho uma ótima relação com a Renata. Acho que há possibilidade de fazermos uma composição, mas ainda não há essa definição”, afirmou Ribeiro. Segundo o dirigente, a convenção delegará ao Diretório Nacional a condução das negociações para eventuais coligações até o encerramento do calendário eleitoral.
Zema afirmou ainda que o Novo pretende manter como critério para a composição da chapa a escolha de um candidato a vice “ficha limpa”. “Nós queremos um vice ou uma vice ficha limpa. Isso é fundamental para continuarmos criticando tanta coisa que está errada sem ter o rabo preso”, disse.
Durante a entrevista, Zema afirmou que chega à disputa presidencial em situação melhor do que quando disputou pela primeira vez o governo de Minas Gerais, em 2018. “Estou melhor do que em 2018”, afirmou. Segundo ele, naquela eleição sua candidatura só ganhou força após o início dos debates. O governador avaliou que o eleitor ainda não entrou no “modo campanha” e segue mais preocupado com questões econômicas, como o custo de vida. “A preocupação do brasileiro hoje é arrumar dinheiro para pagar a conta de energia. O brasileiro está extremamente distante do modo eleição”, declarou.
Questionado sobre a estrutura política de sua candidatura, Zema minimizou a importância do apoio de prefeitos. Segundo ele, essas alianças ajudam, mas não definem o resultado de uma eleição, citando como exemplos sua vitória ao governo de Minas e a eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, ambas em 2018.
O governador afirmou também que foi o pré-candidato à Presidência que mais cresceu nas redes sociais nos últimos meses e disse que continuará percorrendo o País para ampliar o conhecimento de seu nome fora de Minas Gerais.
Ao comparar sua candidatura com a dos demais nomes da direita, Zema afirmou que nenhum outro pré-candidato critica tanto os “intocáveis” quanto ele. “Não tenho rabo preso. O Brasil precisa de um presidente que chegue lá à prova de chantagem”, disse.
Como credenciais para disputar a Presidência, Zema destacou sua trajetória na iniciativa privada e as duas vitórias sobre o PT em Minas Gerais. “Eu venho do setor privado. Já ganhei do PT em Minas duas vezes e consertei tudo aquilo que o PT estragou”, afirmou.