O Globo
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para o quarto mandato fortaleceu o PT do Nordeste, que assumiu a linha de frente da campanha no segundo turno. Um dia depois do triunfo eleitoral sobre Flávio Bolsonaro (PL), com a pressão do mercado financeiro e o derretimento da Bolsa, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, passou a ser cotado para o ocupar o cargo de maior destaque na Esplanada, o Ministério da Fazenda. Outro que deve ter participação central é o senador Camilo Santana (PT-CE), apontado como um nome para a Casa Civil.
Para o posto de chefe da equipe econômica, além de Fonteles, é citado o vice reeleito, Geraldo Alckmin, que teve uma atuação relevante na segunda etapa do pleito. Durante quase todo o terceiro mandato do petista, Alckmin acumulou o cargo de ministro da Indústria e Comércio.
Leia maisMobilização digital
Com forte mobilização social nas semanas finais das eleições, o novo governo deve aproveitar a atuação de parlamentares jovens nas redes sociais e o trabalho do deputado reeleito André Janones (Rede-MG), que administrou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, com mais de 10 milhões de usuários.
A temporada de negociações para a formação do governo se inicia, porém, com uma incógnita relevante: o destino do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. Antes das eleições, ele era dado como praticamente certo para ocupar a Casa Civil.
Mas, como seu desempenho para o governo de São Paulo foi abaixo do esperado, outros nomes do PT, como Camilo Santana, passaram a ser cotados para o principal posto do governo, ainda que o paulista siga no páreo.
Haddad passou a ser considerado também para pastas como o Ministério das Relações Exteriores (MRE). Um aliado diz ser preciso nacionalizar a imagem de Camilo para projetá-lo como possível sucessor de Lula. O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e Haddad também devem buscar destaque.
A proximidade de Haddad com Lula conta a seu favor, mas outros protagonistas emergiram do segundo turno. Aliados dizem que Haddad não quer voltar à Fazenda ou à Educação, nem assumir uma pasta com disputas internas. Pessoas próximas afirmam que ele considera retomar as aulas na Universidade de São Paulo (USP) e ficar fora do governo.
No caso do MRE, a justificativa seria que é uma pasta de peso, à altura do tamanho político de Haddad e que mantém a proximidade dele com o presidente, que tem na diplomacia um tema muito caro.
Além disso, o ex-chefe da economia teve um certo protagonismo na agenda das finanças internacionais, em fóruns como G20, Brics e na própria COP30. Com a boa interlocução que construiu no exterior, poderia ajudar Lula no esforço de acalmar o capital internacional.
Ao destino de Haddad está atrelado o do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Com o forte estresse ontem no mercado financeiro, Lula será pressionado a dar sinalizações mais relevantes e rápidas sobre qual será o rumo econômico nesse quarto mandato, que muitos aliados dizem que já começa hoje.
No terceiro mandato, Lula distribuiu ministérios a partidos de centro — PP, União Brasil, MDB, PSD e Republicanos — em busca de governabilidade, mas a relação com o Legislativo teve altos e baixos.
Partidos aliados
O petista deve trabalhar pela recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União -AP) às presidências da Câmara e do Senado; ambos devem influenciar a escolha da equipe.
A Esplanada pode incluir lideranças de partidos que apoiaram formalmente Flávio no segundo turno, mas permaneceram com Lula, sobretudo alas do MDB e do PSD e quadros nordestinos do Republicanos, PP e União Brasil.
Ministros bem avaliados podem continuar, ainda que em outras funções, como Esther Dweck (Gestão), Leonardo Barchini (Educação) e Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário). Lula pode também acomodar Gleisi Hoffmann (PT-PR), que foi derrotada na disputa ao Senado, e José Guimarães, que ficou no governo a pedido de Lula e não concorreu.
No domingo, após a vitória, personalidades no palco no discurso da vitória evidenciaram uma campanha mais diversa e mais jovem. Além de Camilo, Fonteles e Janones, estavam jovens parlamentares, como o deputado federal eleito Guilherme Cortez (PSOL-SP), Ana Elisa (PT-MG), Luna Zarattini (PT-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP).
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