Avanço de Cury sinaliza despertar da terceira via, diz cientista de dados
Com 11% das intenções de voto em duas pesquisas presidenciais divulgadas nos últimos dias, Augusto Cury (Avante) começa a abrir espaço para uma terceira via na disputa pelo Palácio do Planalto. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o estrategista e cientista de dados Alek Maracajá apontou o desempenho do escritor no ambiente digital como um dos fatores por trás desse avanço. “Acredito muito que a gente está indo para o despertar da terceira via. Cury é a grande surpresa”, afirmou.
Para Maracajá, o desempenho do candidato ainda precisará ser observado nas próximas semanas para saber se ganhará consistência, mas já provocou uma mudança no cenário da disputa. “Ele furou a bolha e chegou em várias pessoas. Agora a decisão está nas pessoas. Ele vai aparecer mais ainda e vai despertar o interesse de muita gente, então acredito que ele vai crescer ainda mais”, projetou.
Leia maisO estrategista atribui a ascensão de Cury à combinação entre exposição em veículos de grande alcance e uma operação digital baseada na circulação de cortes e na participação de microinfluenciadores de diferentes segmentos. Segundo dados levantados por Maracajá, o escritor passou de 8,3 milhões para 10,8 milhões de seguidores após ampliar sua participação em debates e sabatinas. “O grande segredo hoje do mundo digital é atenção, e ele conseguiu puxar a atenção para ele”, resumiu.
A passagem pelo Jornal Nacional, na avaliação do especialista, exemplifica essa dinâmica. A exposição na televisão aberta deu alcance nacional ao candidato, mas foi a reprodução de trechos da entrevista nas redes que ampliou o efeito da aparição. “Apenas a audiência do JN não significa tudo. Ele pegou cortes e colocou na internet, e chegou a um crescimento exponencial de mais de 2,4 milhões de novos seguidores”, observou. Maracajá também identifica semelhanças entre a estratégia de Cury e a de Renan Santos (Missão), embora veja diferenças no posicionamento dos dois candidatos.
Esse processo, segundo ele, é parte de uma transformação mais ampla da comunicação eleitoral. Se no início dos anos 2000 as campanhas eram estruturadas principalmente para o horário eleitoral e as ruas, hoje até o conteúdo produzido para rádio e televisão já nasce pensando em sua circulação nas plataformas digitais. “O guia hoje é pensado mais para a internet, para os cortes, do que para o próprio guia”, destacou.
Maracajá considera que o comportamento nas redes também precisa ser levado em conta na interpretação das pesquisas. Enquanto os levantamentos tradicionais medem a intenção declarada de voto, o ambiente digital permite observar buscas, compartilhamentos, engajamento e a força com que determinadas narrativas se espalham. “Hoje acredito que o que pode interferir em uma pesquisa de campo é o movimento digital. Todos estão conectados. Então uma narrativa digital pode interferir, sim, na pesquisa de campo”, explicou.
Nesse novo ambiente eleitoral, a inteligência artificial aparece como o maior desafio de 2026, na avaliação do cientista de dados. Maracajá alerta para a facilidade com que ferramentas de IA permitem produzir, manipular e distribuir conteúdos em larga escala e questiona a capacidade da Justiça Eleitoral de fiscalizar esse universo. “Hoje a Justiça Eleitoral não tem braço nem perna para poder fiscalizar e combater isso”, advertiu. Para ele, o país avançou rapidamente em conectividade, mas ainda não desenvolveu, na mesma proporção, a capacidade de identificar desinformação e distinguir conteúdos verdadeiros de materiais falsos ou manipulados.
Renan liberado – O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Dias Toffoli liberou a campanha digital de Renan Santos, do Missão, à Presidência da República. A decisão foi tomada ontem, após ter restringido a campanha digital do candidato neste final de semana. O ministro liberou a realização de propaganda eleitoral e também o direito de participar de debates em rádio, televisão, podcasts ou quaisquer outros meios de comunicação e de receber repasses do Fundo Eleitoral. Na decisão, o ministro determinou ainda que as plataformas de redes sociais restabeleçam o funcionamento dos perfis do candidato. A decisão vale também para o candidato a vice-presidente Aroldo Medina.

Mesmo com visualização única – Parte das mensagens de Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram enviadas no modo de visualização única, mas puderam ser recuperadas por conta de outros rastros, informou a Polícia Federal. Em relatório que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do STF, a PF afirmou que Vorcaro enviou cinco mensagens de visualização única a Moraes em 17 de novembro de 2025, um dia antes de ser preso e ter seu celular apreendido na Operação Compliance Zero. Segundo o documento, essas mensagens foram recuperadas por meio de programas usados pela PF. Mas Vorcaro tinha muitas outras interações pelo aplicativo sem visualização única que também puderam ser analisadas.
A promiscuidade entre os poderosos e o poder – As mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantam suspeitas sobre os limites da relação entre um integrante da Corte e um empresário investigado e justificam uma apuração aprofundada dos fatos, avaliaram juristas ouvidos pelo portal Estadão. Para Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça, os diálogos revelam uma “promiscuidade entre poderosos e o poder” e podem envolver advocacia administrativa. Para o jurista, a relação exposta pelas mensagens mostra uma proximidade que ultrapassaria uma interlocução episódica entre o banqueiro e o magistrado. “O ministro atua de uma forma muito próxima, dando conselhos, fiscalizando ou revendo, fazendo uma revisão de contrato. Ou seja, tudo isto leva a uma descredibilidade da instituição junto à população”, afirma.
Briga feia – Ao saber que o ministro André Mendonça havia pedido o aprofundamento de investigações que acabaram por descortinar suas conversas com Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes quase chegou às vias de fato com o colega do Supremo. Moraes pediu, na segunda, uma conversa com Mendonça, que o recebeu em seu gabinete. O encontro desandou. O portal Metrópoles apurou que o clima esquentou, o tom ficou ríspido de parte a parte e, por pouco, a discussão não descambou para agressões físicas. Mendonça quis saber como Moraes tomou conhecimento dessa investigação, que é sigilosa e está sob sua relatoria. “Eu tenho minhas fontes. Fui ministro da Justiça”, respondeu Moraes. Moraes acusou o colega de direcionar as investigações para ele. Para investigar um ministro do Supremo, é preciso ter a concordância de todos os ministros da Corte.

Alcolumbre resiste a impeachment de Moraes – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou, ontem, a aliados que não pretende dar andamento, por enquanto, a pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, segundo matéria do jornal O Globo. A posição foi mantida mesmo após a oposição ampliar a pressão sobre o ministro com a divulgação de conversas entre ele e Daniel Vorcaro durante a crise do Banco Master. No plenário, Flávio Bolsonaro (PL) cobrou diretamente uma reação de Alcolumbre, enquanto o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), anunciou que apresentará um novo pedido de impeachment contra Moraes e uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República. Marinho também afirmou que pedirá ao Governo Federal a demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O nome de Andrei aparece em uma mensagem na qual Vorcaro pediu a Moraes que intercedesse junto a “Andrei e Paulo”, em referência também ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
CURTAS
QUEM VIU? – O candidato da Frente Popular de Pernambuco, João Campos (PSB), questionou a existência dos cartazes apócrifos contra a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD). Durante a sabatina da Rádio Folha FM 96,7, o postulante afirmou: “Pedi que a nossa equipe jurídica procurasse. Eles não encontraram nenhum panfleto desse que foi postado. Encontraram um panfleto que fazia ataque à honra; do que foi postado, nenhum”, enfatizou.
FLÁVIO E MICHELLE – O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) publicou uma mensagem de solidariedade à governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), após ataques direcionados a ela e à sua família durante o período eleitoral. A candidata ao Senado Michele Bolsonaro (PL) também manifestou solidariedade à governadora, ao republicar um reel da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), em apoio à pernambucana.
DEBATE – O portal G1/PE realizará, hoje, às 14h, um debate com candidatos ao Senado por Pernambuco. O encontro será mediado pelo jornalista Márcio Bonfim. Foram convidados os candidatos de partidos e federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. Em Pernambuco, são os seguintes: Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadêlha (PSD).
Perguntar não ofende: O que mais vai sair do celular de Vorcaro?
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