Com o início da propaganda eleitoral, a comunicação ganha outro foco na disputa eleitoral. Para o estrategista e analista de dados Alek Maracajá, a inteligência artificial será o grande desafio deste pleito, e possivelmente dos próximos. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o especialista analisou a evolução da comunicação digital nas últimas décadas e falou das perspectivas para o cenário atual.
“Em 2000, todo o planejamento de uma campanha era para o guia eleitoral e para a rua. Em 2010, já entra o poder da internet, as pessoas interagindo sobre o guia. Em 2018, na campanha de Jair Bolsonaro (PL), já vimos o movimento presente do digital, então as pessoas estavam muito conectadas. A primeira tela do brasileiro hoje é o smartphone, já há mais de 15 anos. E em 2026, além de toda a conectividade, a gente tem um ponto extremamente importante, que é a inteligência artificial, que acelera, não apenas o vídeo, a manipulação, mas a facilidade de espalhar o conteúdo de forma massiva para o Brasil todo. Hoje o grande desafio nessas eleições é a IA”, pontuou Alek.
Leia mais“As campanhas passaram por muitas mudanças, mas a grande mudança é que o guia hoje é pensado mais para a internet, para os cortes, do que para o próprio guia. Poucas pessoas acompanham aquele momento do horário eleitoral. Eu acompanho sempre pelo rádio, porque estou no carro, mas hoje o guia é direcionado para o mundo conectado. Todos estão conectados e dentro das suas bolhas”, completou.
Por esse ambiente conectado é que Maracajá considera que o grande desafio é fiscalizar o uso correto da IA. “O grande trabalho que o ministro Kássio Nunes (presidente do Tribunal Superior Eleitoral) tem nesse pleito de 2026. A velocidade das informações e o combate à desinformação. Hoje a pauta do TSE é sobre se pode ou não usar um vídeo manipulado, se vai condenar ou não esse uso. Hoje a Justiça Eleitoral não tem braço nem perna para poder fiscalizar e combater isso. O Brasil moderno, de 25 anos de uma conectividade muito presente na vida dos brasileiros, a gente cresceu, mas não amadureceu. Temos uma sociedade não madura para entender se algo é fake news ou não, se é verdade ou mentira. Hoje o combate à desinformação básico é muito presente no dia a dia dos brasileiros”, concluiu.
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