Por Áureo Cisneiros*
Meu caro presidente Lula,
Receba meus parabéns pela histórica vitória e pela bela demonstração de democracia que o povo brasileiro protagonizou durante a sua campanha. Foi algo grandioso, emocionante e histórico. Uma alegria de ver, de viver e de participar, e também a certeza de que escolhemos o lado certo da história, que será implacável com a omissão e o silêncio de tantos.
Como sindicalista e presidente do SINPOL, dirijo-me ao senhor para propor uma ampla e democrática escuta da sociedade civil e dos trabalhadores da segurança pública. O Brasil precisa reunir essas vozes para construir um grande pacto nacional pelo direito à segurança pública e para enfrentar, com firmeza e inteligência, o crime organizado que tanto aflige o nosso país.
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Garantir segurança pública é também proteger a soberania nacional. É assegurar que cada território brasileiro pertença, de fato, à população: aos trabalhadores, às famílias e às comunidades que vivem sob a ameaça e o controle de organizações criminosas. Precisamos unir esforços para extirpar, de uma vez por todas, o crime organizado e devolver esses territórios à cidadania.
Chegou a hora de o Brasil construir uma grande frente nacional pela segurança pública como direito fundamental, e não apenas como serviço prestado pelo Estado. Um direito que precisa ser garantido a todas as pessoas, com políticas públicas permanentes, integração entre os entes federativos e compromisso com a democracia e a cidadania.
Essa construção exige reconhecer que não existe segurança pública de qualidade sem profissionais valorizados. É preciso garantir direitos, oferecer condições dignas de trabalho, promover a valorização salarial e cuidar da saúde mental de quem está diariamente na linha de frente. Valorizar esses trabalhadores é fortalecer as instituições e melhorar a proteção oferecida à sociedade.
Há mais de dez anos, atuo como sindicalista progressista e lulista. Nesse percurso, aprendi que desafios nacionais dessa dimensão só podem ser enfrentados com diálogo, participação e união. E é justamente o diálogo que mais cobro: diálogo entre os governos, os profissionais da segurança pública, suas entidades representativas, pesquisadores, acadêmicos e a sociedade. Defendo um grande mutirão nacional que reúna essas vozes para construir, coletivamente, os caminhos para uma segurança pública democrática e efetiva.
Presidente Lula, o país precisa pactuar um projeto nacional que trate a segurança pública como um direito de todos e uma responsabilidade compartilhada. Um projeto capaz de proteger vidas, recuperar territórios para a cidadania e assegurar dignidade tanto à população quanto aos profissionais que a protegem.
Nós, sindicalistas e demais representantes classistas das forças de segurança, estamos prontos para colaborar, em nome da segurança pública do nosso país, na construção desse pacto e de caminhos concretos para acabarmos com o crime organizado.
Estamos certos de que o Brasil vai avançar nessa direção. Mas, para isso, é necessário abrir espaço para a escuta, construir consensos e transformar a segurança pública em uma prioridade democrática e nacional.
*Presidente do SINPOL
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