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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quarta-feira que a advocacia da Casa dará apoio a parlamentares que enfrentem questionamentos judiciais no exercício do mandato. A declaração ocorre após o ministro Gilmar Mendes acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir a investigação do senador Alessandro Vieira por abuso de autoridade.
Ao ser questionado sobre o caso, Alcolumbre disse que o Senado atuará na defesa de suas prerrogativas institucionais.
— A advocacia do Senado Federal dará todo e total apoio a qualquer senador que, diante das suas prerrogativas, precisar deste apoio institucional — afirmou. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisNesta quarta-feira, Gilmar fez um pedido de investigação contra Vieira. No relatório final apresentado à CPI do Crime, o senador propôs o indiciamento do próprio Gilmar, além dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade no contexto das investigações sobre o caso Banco Master.
O documento também sustenta que decisões do Supremo Tribunal Federal ao longo dos trabalhos da CPI limitaram medidas aprovadas pelo colegiado, como quebras de sigilo e convocações, e contribuíram para um ambiente de “judicialização intensa” que, segundo o relator, comprometeu o avanço das apurações.
A proposta, no entanto, foi rejeitada pela CPI por 6 votos a 4, após mudanças na composição do colegiado.
No ofício enviado à PGR, Gilmar afirmou que houve “desvio de finalidade” na condução dos trabalhos e sustentou que o relator extrapolou as atribuições de uma comissão parlamentar ao propor indiciamentos sem respaldo em elementos concretos. O ministro também argumentou que a iniciativa avançou sobre competências do Judiciário e pode se enquadrar na Lei de Abuso de Autoridade.
Em nota, Vieira afirmou que responderá à representação “com absoluta tranquilidade e dentro do rigor técnico devido”. Segundo ele, “é cristalino que um senador, ao manifestar sua avaliação jurídica sobre fatos concretos em voto proferido no âmbito de uma CPI, não comete abuso de autoridade e está resguardado pela imunidade parlamentar”. O senador acrescentou que “ameaças e tentativas de constrangimento não vão mudar o curso da história”.
Em pronunciamento no plenário do Senado, pouco antes da formalização do pedido de investigação, Vieira havia reagido às críticas e afirmado que exerceu sua prerrogativa ao apresentar o voto como relator. Ele classificou como “absurdo extremo” a possibilidade de ser responsabilizado por sua manifestação parlamentar.
— Eu estou sendo ameaçado e criminalizado por um voto — disse, ao citar declarações de Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
O senador também fez um apelo direto a Alcolumbre e questionou qual será a posição institucional do Senado diante do episódio.
— O Senado tem que se rebaixar ao ponto de tolerar esse tipo de ameaça? — afirmou.
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O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que representantes dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reúnem nestas quarta (15) e quinta-feira (16) em Washington (EUA) para discutir a investigação aberta pela Casa Branca contra o Brasil.
A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos. As informações são do g1.
Leia maisA Seção 301 é um procedimento administrativo conduzido exclusivamente pelos Estados Unidos, sem caráter judicial ou semelhança com os painéis da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A abertura da investigação comercial contra o Brasil foi anunciada em julho do ano passado pelo governo Trump, sob a alegação de que o país adota práticas econômicas desleais relacionadas ao PIX e ao etanol, por exemplo.
Na ocasião, o governo Trump também alegou que o Brasil tem adotado “há décadas” uma série de medidas para restringir o acesso de exportadores americanos ao mercado brasileiro.
Nos últimos meses, diante da investigação dos EUA relacionada ao PIX, o presidente Lula tem dito em discursos públicos que “ninguém” vai fazer o Brasil fazer mudanças no modelo de transações financeiras instituído pelo Banco Central.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás somente da China.
A relação entre os dois países é superavitária para os americanos, ou seja, considerando o valor agregado, os Estados Unidos mais exportam para o Brasil que importam.
O relacionamento comercial do Brasil com os Estados Unidos é marcado por predominância da economia norte-americana, segundo números da série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC
Nesse contexto, a diplomacia brasileira afirma que, apesar de declarações públicas de autoridades americanas contra o Brasil, a ordem é negociar a questão comercial e chegar a um consenso.
Desde o ano passado o presidente Lula e Donald Trump se falaram pessoalmente e por telefone, assim como o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, chefe da diplomacia do governo Trump.
Em linhas gerais, o governo brasileiro vem dizendo ser a favor das negociações com representantes da Casa Branca, do Departamento de Estado, do Tesouro americano e também do escritório do representante comercial.
Paralelamente, contudo, o Congresso Nacional aprovou a chamada Lei da Reciprocidade Econômica, caso o Brasil decida adotar medidas econômicas para proteger produtos brasileiros diante de produtos americanos.
Quem participa?
De acordo com o Itamaraty, do lado brasileiro, participam das reuniões em Washington representantes de vários ministérios, entre eles:
Encontro na ONU mudou relação entre Trump e Lula
Ao longo do ano passado, Trump fez uma série de ameaças ao Brasil, afirmando, por exemplo, que adotaria medidas econômicas contra o país em razão do processo ao qual o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Enquanto as ameaças de Trump tinham esse tema como base, o governo brasileiro não aceitou negociar, entendendo que era uma questão de soberania.
Entretanto, após um rápido encontro entre Lula e Trump em setembro, num corredor na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), Trump disse ter sentido uma “química” com Lula.
Desde então, segundo relatos obtidos pela Globonews, as conversas entre representantes dos dois governos passou a fluir.
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O Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu uma liminar, nesta quarta-feira (15), para a interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Com a decisão proferida pela 2ª Vara da Família e Sucessões, o filho Paulo Henrique ficará como curador provisório. Ele já cuidava da vida financeira e cotidiana do pai há alguns anos, tendo o próprio ex-presidente o escolhido para tratar desses assuntos. As informações são do Metrópoles.
Leia maisA medida contou com o apoio das filhas de FHC, Luciana e Beatriz, e ocorreu por intermédio dos advogados Caetano Berenguer, Fabiano Robalinho e Henrique Ávila, do Bermudes Advogados.
O pedido de interdição dos familiares ocorreu após o agravamento do estado de saúde do ex-presidente, especialmente em razão de um quadro avançado de Alzheimer.
Um laudo médico recente aponta que a doença comprometeu significativamente suas funções cognitivas.
FHC tem 94 anos, já não administrava questões financeiras nem decisões do dia a dia e passou a depender de acompanhamento constante de uma equipe de saúde.
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Os ex-deputados estaduais Leonardo Dias, filiado ao PSB à época dos fatos, e seu pai, Romário Dias (PL) – que também é ex-presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), foram alvos da Operação Draft, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), nesta quarta-feira (15). Eles são suspeitos de chefiar um esquema de desvio milionário em gabinetes da Alepe.
Os nomes foram dados inicialmente pelo jornalista Ricardo Antunes e confirmados pelo Diario.
Segundo a corporação, o montante desviado é de mais de R$ 2,8 milhões, podendo chegar a R$ 6 milhões. Ao todo foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão realizados no Recife, em Olinda e em Jaboatão, na Região Metropolitana. As informações são do Diario de Pernambuco.
Leia maisDe acordo com a Polícia Civil, os alvos são ou foram agentes públicos que atuaram com os parlamentares entre 2015 e 2024, período em que aconteceram os desvios. Além de Leonardo e Romário, a operação teve como alvo:
Rodrigo Antonio Martorelli Silva de Almeida
Ario Krishnamurti Machado de Albuquerque
Arthur Valença de Luna
Carlos Tavares Bernardo
Schebna Machado de Albuquerque
José Natanael Mendes de Sá
Ex-deputado resistiu ao cumprimento do mandado
Segundo o Boletim de Ocorrência, obtido pelo Diario, a equipe que efetuou o mandado de busca e apreensão na casa de Leonardo Dias passou cerca de uma hora tentando contato com o ex-deputado do lado de fora de seu apartamento, localizado na Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
“Após diversas tentativas, ao entrar na porta principal, blindada, a equipe conseguiu entrar em sua residência no qual verificou que havia outras portas blindadas e que o alvo se encontrava trancado no seu quarto”, diz trecho do BO.
Ainda de acordo com o documento, a comunicação teria sido estabelecida após a mãe do ex-deputado ter confirmado a presença da polícia na residência. Leonardo resistiu por alguns minutos até que saiu do quarto, onde foi apreendida uma pistola .380, cujo porte estava vencido, munições, duas barras de prata, cédulas de diferentes países, um celular e documentos.
Na residência de Ario Krishnamurti, a polícia apreendeu um celular e contracheques. Já na casa de José Natanael, que foi chefe de gabinete de Romário na Alepe, a equipe levou documentos, um tablet, um celular e um CD gravável. E na de Schebna foram apreendidas diversas folhas de contrato de compra e venda, 18 folhas de cheques assinadas, um cartão de banco e dois celulares.
Por fim, na casa de Romário, pai de Leonardo, e dos investigados Carlos Tavares, Arthur Valença e Rodrigo Antônio, a polícia apreendeu celulares.
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O deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL) deixou o centro de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), em Orlando, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (15).
Ramagem foi detido pelos agentes do ICE em Orlando, na Flórida, na última segunda-feira (13/4), e levado para um centro de detenção devido a questões migratórias. Ele perdeu o passaporte diplomático após ter o mandato de deputado federal cassado pelo Congresso Nacional, em dezembro de 2025. As informações são do Metrópoles.
Leia maisO ex-parlamentar está nos Estados Unidos desde setembro de 2025. A fuga ocorreu durante o julgamento dele na trama golpista, em que o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a 16 anos de prisão.
Em 30 de dezembro de 2025, o Ministério da Justiça formalizou o pedido de extradição de Alexandre Ramagem à Embaixada do Brasil em Washington, que enviou a documentação ao Departamento de Estado dos EUA.
Investigadores da PF descobriram que Ramagem deixou o Brasil pela fronteira com a Guiana, em Bonfim (RR). A investigação apurou que, após chegar a Roraima, o parlamentar seguiu de carro e cruzou a fronteira – onde apenas um rio separa os dois países.
A fuga ocorreu no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, votou para condená-lo. Com isso, o magistrado decretou a prisão de Ramagem.
Já na Guiana, Ramagem embarcou para Miami (EUA). Há registro da chegada dele em 11 de setembro ao país norte-americano. Ele chegou ao território norte-americano sozinho, mas passou a viver no país acompanhado da esposa e dos filhos.
Quem é Ramagem
Alexandre Ramagem é delegado da Polícia Federal e dirigiu a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no período entre julho de 2019 e março de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Ele ganhou destaque dentro do núcleo bolsonarista ao chefiar a segurança de Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018.
Em 2020, Bolsonaro tentou nomear Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu a nomeação poucas horas antes da cerimônia de posse.
A decisão acolheu o pedido apresentado pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), além de ter considerado que haveria necessidade de impedir o ato devido às declarações do então ministro da Justiça, Sergio Moro – o qual, à época, afirmou que Bolsonaro queria interferir na PF para livrar o filho Flávio de investigações.
Segundo Moro, Bolsonaro tinha a intenção de colocar “alguém do contato pessoal dele” para “colher informações de investigações em andamento”.
Com a popularidade, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, em 2022, com 59 mil votos.
Em 2024, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PL, com apoio da família Bolsonaro. O pleito foi vencido por Eduardo Paes (PSD) no primeiro turno, e Ramagem ficou na segunda colocação, com 30,81% dos votos.
Em dezembro de 2025, a Mesa Diretora da Câmara cassou o mandato dele, após o STF condená-lo por envolvimento na trama golpista.
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Por Cláudio Soares*
O presidente da Câmara Municipal de Arcoverde, Luciano Pacheco, vereador com sete mandatos consecutivos, enfrenta um cenário de tensão política que ameaça a continuidade de seu mandato. Reconhecido por pautar sua trajetória pública na ética, responsabilidade e atuação legislativa consistente, Pacheco construiu ao longo dos anos uma base sólida de representatividade no município.
Além da experiência no Legislativo, Luciano também já disputou três eleições para deputado, tendo alcançado, em sua última candidatura, a expressiva marca de mais votado em Arcoverde, superando inclusive lideranças tradicionais da política local. Sua oratória firme e presença ativa no parlamento municipal consolidaram sua imagem como uma das vozes mais influentes da cidade.
Leia maisNos bastidores, entretanto, o clima é de acirramento. Aliados do vereador apontam que a atual crise teria origem em divergências políticas com o Poder Executivo. O estopim teria sido sua articulação bem-sucedida para assumir a presidência da Câmara Municipal, contrariando interesses do prefeito, que até então integrava o mesmo grupo político nas eleições municipais de 2024.
Outro fator que teria contribuído para o desgaste com o prefeito foi o anúncio de sua pré-candidatura a deputado federal, aliado a movimentações estratégicas no cenário estadual, incluindo aproximações com o ex-prefeito do Recife e pré-candidato a governador João Campos e lideranças políticas de campos opostos ao atual gestor municipal. Esse reposicionamento político teria ampliado as tensões e provocado reações no núcleo do Executivo.
No campo jurídico, uma tentativa de questionar sua conduta profissional também veio à tona. A alegação gira em torno da atuação de Luciano Pacheco como advogado em um júri realizado fora de seu estado de origem, o que, segundo críticos, configuraria violação ao Estatuto da Advocacia.
Especialistas, no entanto, ponderam que eventual discussão sobre o exercício profissional deve ocorrer no âmbito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), órgão competente para apurar possíveis infrações ético-disciplinares. Ressaltam ainda que não há, a princípio, prejuízo à sociedade ou impedimento absoluto para atuação jurídica em outras unidades da federação, desde que observadas as normas administrativas da própria Ordem.
Segundo Luciano Pacheco, a situação configura uma perseguição política articulada nos bastidores. Ele afirma que a iniciativa teria partido de Mércia Lira, irmã da secretária municipal de Assistência Social, Neila Lira, e cunhada do procurador do município, o que, em sua avaliação, demonstra a existência de um núcleo político-administrativo atuando de forma coordenada. “Trata-se de uma perseguição política arquitetada. O pedido de cassação teria sido incentivado pelo atual prefeito, Zeca Cavalcante”, declarou o presidente da Câmara.
Diante do contexto, apoiadores do presidente da Câmara classificam as acusações como frágeis e apontam motivação política por trás das investidas, interpretadas como tentativa de enfraquecer sua liderança e atuação institucional.
O caso segue repercutindo no meio político local e deve ganhar novos desdobramentos nos próximos meses, em um cenário marcado por disputas, articulações e reposicionamentos estratégicos rumo às eleições futuras.
*Advogado criminalista e jornalista
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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), entregou nesta quarta-feira à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de investigação contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, por abuso de autoridade.
A reação ocorre após a apresentação de uma minuta de relatório final da CPI, que chegou a propor o indiciamento de Gilmar, além dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, e também do próprio chefe da PGR, no contexto das investigações sobre o caso Banco Master. O texto, no entanto, foi rejeitado pela comissão e não seguiu adiante. As informações são do jornal O GLOBO.
No ofício encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, Gilmar afirma que houve “desvio de finalidade” na condução dos trabalhos da comissão e sustenta que a conduta do senador pode se enquadrar em tipos penais previstos na Lei 13.869/2019, conhecida como Lei do Abuso de Autoridade, além de outros dispositivos criminais.
Leia maisSegundo o ministro, a proposta de indiciamento incluída no relatório não tem respaldo em elementos concretos e foge do escopo original da CPI, que foi criada para investigar organizações criminosas, como milícias, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
O decano do STF afirma que o texto recorre a um “jogo de palavras” para tentar justificar o enquadramento por crime de responsabilidade, categoria que, na avaliação do magistrado, não se confunde com ilícitos penais e, portanto, não poderia ser objeto de apuração por comissão parlamentar de inquérito.
Gilmar também sustenta que o relator teria avançado sobre competências que não cabem à CPI nem ao próprio Senado, ao propor um “indiciamento” — ato que, pela legislação, é privativo de autoridades policiais no âmbito de investigações criminais.
No documento, o magistrado ainda argumenta que a iniciativa invadiu atribuições do Poder Judiciário ao questionar decisões tomadas no âmbito do STF, como concessões de habeas corpus.
“Porquanto a proposta de endereçamento da CPI do Crime Organizado apresentada pelo seu relator não apenas tangencia, como adentra diretamente em matérias afetas ao mérito de decisões concessivas de habeas corpus proferidas pelo requerente, é manifesta a arbitrariedade praticada pelo seu relator quando da realização do pretenso indiciamento”, escreve Gilmar.
Ao final, Gilmar pede a apuração dos fatos e a adoção das medidas cabíveis, sustentando que a atuação do relator pode configurar abuso de autoridade.
“O claro desvio de finalidade enveredado pelo relator da CPI do Crime Organizado não encontrou guarida sequer entre os seus pares, que deliberadamente optaram por não aprovar o texto de endereçamento final por ele sugerido”, diz ainda Gilmar.
Como mostrou O GLOBO, já havia dentro do STF a expectativa de que a PGR apure eventual abuso de poder na condução dos trabalhos da comissão, após a crise provocada pelo relatório final que sugeriu o indiciamento de ministros do tribunal. Nos bastidores, integrantes do STF afirmam que houve extrapolação das atribuições da CPI e apontam que o documento avançou sobre decisões judiciais, o que, na avaliação desses ministros, pode configurar desvio de finalidade.
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O deputado federal Alfredo Gaspar e o senador Carlos Viana entregaram, nesta quarta-feira (15), o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ao Supremo Tribunal Federal (STF). O documento foi encaminhado aos ministros André Mendonça e Luiz Fux e reúne as conclusões das investigações realizadas pela comissão, incluindo a indicação de 216 pessoas para responsabilização.
Segundo Alfredo Gaspar, o encaminhamento direto ao STF teve como objetivo garantir o avanço das apurações. “Optamos por levar o relatório ao STF, ao ministro André Mendonça, relator da investigação, e ao ministro Luiz Fux. Ficou definido que as provas serão anexadas à investigação conduzida pela Polícia Federal”, afirmou. De acordo com o parlamentar, o material reúne dados da própria CPMI, além de informações do Tribunal de Contas da União, da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal.
O deputado também comentou a diferença entre o relatório apresentado pela comissão e outro documento paralelo. “Apresentamos um relatório robusto, com 216 indiciados, fundamentado em dados técnicos. Não houve blindagem”, disse. Ele acrescentou que a expectativa é de que o material contribua para o aprofundamento das investigações e eventuais responsabilizações.
O deputado estadual Antonio Coelho (União Brasil) defendeu, nesta quarta-feira (15), a competência exclusiva da Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação na tramitação do projeto de remanejamento da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.
Presidente do colegiado, o parlamentar também reconheceu a possibilidade de alterações no PLO 3694/2026 em Plenário. A declaração foi feita durante reunião do colegiado em resposta a uma questão de ordem sobre o tema. As informações são do Blog da Folha.
Leia maisO questionamento, apresentado pelo deputado Joãozinho Tenório (PSD), solicitou esclarecimentos quanto ao alcance da decisão que determinou a aplicação do regime especial de tramitação da lei orçamentária ao projeto, especialmente no que se refere aos turnos de votação em Plenário.
Na intervenção, o deputado Antonio Coelho esclareceu que o projeto de remanejamento trata de ajustes no texto da LOA 2026, no entanto, não prevê a criação de novas dotações orçamentárias nem propõe modificações nas dotações já vigentes. “Não se trata, portanto, de um projeto de lei orçamentária propriamente dito”, pontuou.
Com base nesse entendimento, o parlamentar apontou que a tramitação exclusiva na Comissão de Finanças decorre da natureza técnica da matéria. Ele ressaltou que não é possível aplicar à matéria todas as restrições regimentais previstas para projetos orçamentários. E citou como exemplo disso a exigência de turno único de discussão e de votação em Plenário.
O presidente da Comissão mencionou outros projetos com situação semelhante, que tramitaram e foram aprovados pela Assembleia Legislativa em dois turnos de votação. Na conclusão da fala, o deputado ressaltou a possibilidade de alteração do projeto em Plenário, por meio de apresentação de emendas.
O deputado Antonio Coelho disse que o posicionamento apresentado na reunião desta quarta tem como propósito contribuir para a superação do impasse.
“Nosso objetivo é oferecer os subsídios necessários para que o Plenário possa deliberar com segurança jurídica sobre a tramitação e o mérito do projeto”, afirmou.
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O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) recomendou à Câmara de Vereadores de Verdejante a rejeição das contas do ex-prefeito Haroldo Tavares, referentes ao exercício de 2020. O parecer, relatado pelo conselheiro Dirceu Rodolfo de Melo Júnior, aponta 17 irregularidades na gestão, incluindo falhas na execução orçamentária e inconsistências nos demonstrativos fiscais.
De acordo com o relatório, houve déficit financeiro de R$ 8,6 milhões nas contas do município, além de desequilíbrio atuarial de R$ 25,7 milhões no Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). O documento também registra pagamento insuficiente de contribuições previdenciárias, tanto ao regime próprio quanto ao Regime Geral de Previdência Social, além da inscrição de despesas sem disponibilidade de caixa.
O TCE também identificou irregularidades como abertura de créditos sem autorização legislativa, despesas superiores à arrecadação e falhas na apuração da Receita Corrente Líquida. O voto do relator pela rejeição das contas foi acompanhado pelos conselheiros Rodrigo Novaes e Carlos Neves, resultando em decisão unânime do tribunal.
A Câmara dos Deputados não pretende recuar na opção de tratar o fim da escala 6×1 por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) mesmo com o envio pelo Palácio do Planalto de um projeto de lei com urgência constitucional para tratar do assunto.
Um dos principais entusiastas do envio do PL foi o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL-SP). As informações são da CNN.
Leia maisNo Planalto, uma ala afirma que o assunto já está em fase de resolução com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na Câmara, integrantes da bancada do PT reconhecem que a prioridade será a PEC.
Governistas apresentam algumas justificativas para a insistência de Lula no envio de um projeto próprio sobre o assunto, apesar da sinalização do legislativo de dar prioridade à PEC.
Aliados de Lula lembram o histórico sindicalista do presidente e afirmam que ele quer marcar posição em um tema de relevância para o Partido dos Trabalhadores.
Outros ponderam que a PEC “nasce e morre” no Congresso Nacional. O rito prevê a promulgação pelo próprio legislativo, o que inviabilizaria eventuais vetos. A preocupação é que a pauta seja usada para a negociação de jabutis, ou seja, matérias estranhas ao texto e de interesse dos parlamentares.
Há ainda uma terceira visão de que o embate criado sobre o formato ajuda a mobilizar o tema nas redes, o que beneficia o governo. O legislativo, no entanto, não recebe bem a ideia por entender que levanta novamente o mote do “congresso inimigo do povo”.
A Câmara, por outro lado, quer ter protagonismo na discussão. Líderes próximos de Hugo Motta defendem que a discussão foi encabeçada pelo legislativo e que a PEC é uma maneira de marcar essa posição.
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O governo federal estima que o salário mínimo suba para R$ 1.717 em janeiro de 2027, com pagamento a partir de fevereiro.
A projeção está no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, que será enviado nesta quarta-feira (15) ao Congresso Nacional.
A LDO é a norma que define as metas e prioridades do governo para o ano seguinte. Ela precisa ser aprovada pelo Congresso e orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), que representa o Orçamento do ano. As informações são do g1.
Leia maisO valor, entretanto, ainda pode mudar. O salário mínimo definitivo só será conhecido em dezembro deste ano — quando será divulgado o INPC de novembro.
Cálculo do reajuste
Pelo formato adotado, o reajuste corresponde à soma de dois índices:
No governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, a correção do salário mínimo se dava apenas pela inflação do ano anterior, sem aumento real.
No início do terceiro mandato do governo Lula, o salário mínimo passou a ser corrigido pela soma da inflação do ano anterior com a variaçã do PIB de dois anos antes (modelo do governo petista de Dilma Rousseff).
Em 2024, porém, o governo propôs, e o Congresso aprovou, uma limitação do aumento real (acima da inflação) a um teto 2,5% (o mesmo do arcabouço fiscal para as demais despesas).
A medida tem como objetivo adequar o crescimento do piso salarial do país aos limites definidos pelo novo arcabouço fiscal. O teto valerá até 2030.
Referência para 61,9 milhões de pessoas
De acordo com informações divulgadas em maio pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 61,94 milhões de pessoas no Brasil.
Além dos trabalhadores que, por contrato, recebem um salário mínimo (ou múltiplos do mínimo), há também as aposentadorias e benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) vinculados ao mesmo valor.
O Dieese calcula que 29,27 milhões de beneficiários do INSS têm seus rendimentos atrelados ao salário mínimo.
“O peso relativo da massa de benefícios equivalentes a até um salário mínimo é de 46% e corresponde a 70,8% do total de beneficiários, segundo o Boletim Estatístico da Previdência de setembro de 2025”, informou o Dieese, em janeiro deste ano.
90 anos de história
Instituído em janeiro de 1936 no governo Getúlio Vargas por meio da lei 185, o salário mínimo completou 90 anos de existência no começo deste ano.
“Embora definido em 1936 com base nas necessidades alimentares do trabalhador e da trabalhadora, logo se percebeu que a legislação precisava especificar que o salário mínimo deveria ser aplicado a homens e a mulheres, e mais tarde que deveria considerar as necessidades das famílias trabalhadoras. Ao longo dos anos, porém, seu valor veio sendo corroído, atendendo cada vez menos às necessidades básicas do trabalhador e da trabalhadora”, avaliou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, em publicação do Dieese sobre o tema.
O próprio Dieese calcula que o salário mínimo mínimo mensal necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.425,99, ou 4,58 vezes o mínimo reajustado em R$ 1.621.
O cálculo leva em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
Ajuste das contas públicas
Economistas ponderam, entretanto, que o reajuste real do salário mínimo, ou seja, acima da inflação do ano anterior, é um fator de forte aumento de gastos públicos — o que pressiona para cima a taxa de juros da economia e prejudica o crescimento sustentado do país.
A recomendação de alguns analistas é de que o governo volte a adotar o formato anterior, do governo Bolsonaro, sem alta acima da inflação, ou seja, “desindexe” a correção do salário mínimo do PIB.
Somente a limitação do aumento real do salário mínimo a 2,5%, proposta da equipe econômica do governo Lula no fim de 2024, por exemplo, gerou uma redução de gastos com pagamento de benefícios previdenciários e assistenciais de R$ 110 bilhões entre 2025 e 2030.
Estudo do consultor de Orçamento da Câmara, Paulo Bijos, ex-secretário de Orçamento Federal, estima uma redução de gastos acima de R$ 1 trilhão em dez anos com a correção do salário mínimo apenas pela inflação do ano anterior.
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