Avante avalia candidatura de Cury, mas segue alinhado a Lula, diz Waldemar Oliveira
A entrevista de ontem do novo líder do Avante na Câmara, Waldemar Oliveira, ao podcast Direto de Brasília, trouxe à tona o debate interno do partido sobre a possibilidade de lançamento de uma candidatura própria à Presidência da República, ao mesmo tempo em que mantém alinhamento com o presidente Lula.
Waldemar confirmou que foi o responsável por apresentar o psiquiatra e escritor Augusto Cury ao presidente nacional da sigla, Luís Tibé. Segundo ele, o nome do intelectual está sendo discutido como pré-candidato. “Ele (Tibé) está com essa ideia de lançar o nome (de Cury) como pré-candidato a presidente da República e ver o que a população acha dessa possibilidade”, afirmou, acrescentando que a iniciativa partiu de uma aproximação construída ao longo dos últimos anos.
Ao comentar o perfil de Cury, o deputado destacou a formação acadêmica e o posicionamento do possível candidato. “É uma pessoa muito culta, muito inteligente, muito preparado, com doutorado, diversos livros escritos, professor universitário. É um cara extremamente equilibrado, que não é radical e não gosta de radicalismo”, disse. Em outro momento, voltou a mencionar o ambiente político atual para justificar a discussão em torno de novos nomes. “O Congresso e o Brasil estão precisando de muita razoabilidade, de pessoas equilibradas”, afirmou.
Leia maisNa avaliação do parlamentar, o ambiente de polarização tem prejudicado o debate legislativo. “Às vezes a gente está no Congresso discutindo um projeto de lei de direito ambiental, meio ambiente, e vem alguém para dizer que Lula é presidiário e o outro para dizer que Bolsonaro é homicida. Isso não tem nada a ver com o projeto de lei”, declarou. Ele relatou ainda que já defendeu maior controle sobre esse tipo de intervenção em plenário. “Se você está ali para discutir a questão do projeto de lei, você tem que discutir essa questão”, completou.
Apesar da possibilidade de candidatura própria, Waldemar reafirmou que o partido segue alinhado ao presidente da República. “A gente está alinhado com a reeleição do presidente Lula”, disse, destacando que a decisão final sobre eventual candidatura do Avante ainda dependerá de avaliação interna e do cenário político.
Sobre a viabilidade do nome de Cury, o líder do Avante indicou que o desempenho em pesquisas será determinante. “Vai ser feita uma pesquisa, ele vai analisar se realmente vale a pena ou não a candidatura. Acho que a tendência natural é que, se ele crescer nas pesquisas, ele seja candidato. Senão, acho que ele vai fazer como o Janones fez, retirar a candidatura”, afirmou, ao lembrar o movimento do ex-correligionário em 2022.
Waldemar também comentou o cenário nacional e admitiu dúvidas sobre a candidatura de Lula à reeleição, citando fatores como idade e o desgaste de uma campanha presidencial. “O presidente já foi candidato diversas vezes, está com 80 anos de idade, indo para 81. Acho que já prestou o seu serviço à nação. Não sei se ele realmente vem candidato. Eu tenho dúvida. Se eu fosse ele, eu iria descansar”, declarou. Em seguida, ponderou: “Mas, para derrotar o Flávio Bolsonaro, teria que ser o presidente (Lula). Senão facilita a vida do Flávio”.
No plano estadual, o deputado avaliou que a disputa em Pernambuco, concentrada entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB), tende a ser definida ainda no primeiro turno. “Acho que a eleição em Pernambuco vai ser dura. Vejo Raquel crescendo e João caindo. Acho que não está decidida, mas que pode ser decidida no primeiro turno sim”, afirmou. Segundo ele, o Avante está alinhado com a governadora Raquel Lyra e participa das articulações para a formação da chapa majoritária.
“Esqueceu dos colegas milicianos” – O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, ontem, que o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) se “esqueceu dos seus colegas milicianos” no relatório da CPI do Crime Organizado. “Quando vi o meu nome inserido nessa tal lista de indiciados por parte do senador relator deste caso, eu disse: é curioso. Ele se esqueceu dos seus colegas milicianos e decidiu envolver o Supremo Tribunal Federal por ter concedido um habeas corpus”, afirmou. O comentário foi feito após o senador propor o indiciamento de Gilmar, dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Dino diz que foi ‘irresponsabilidade e erro’ – O ministro Flávio Dino (STF) também reagiu ao pedido de indiciamento dos colegas. Ele classificou como um “gigantesco erro histórico” a tentativa de apontar a Corte como “o maior problema nacional”. “É uma irresponsabilidade investigar o crime organizado e não tratar sobre milicianos, traficantes de drogas, vendedores de armas ilegais, garimpos ilegais, facções que controlam territórios, matadores e pistoleiros”, disse. “É um imenso erro, para dizer o mínimo. Friso: gigantesco erro histórico, que exige uma melhor reflexão quanto às consequências”, pontuou Dino.
Reação dos procuradores – A Associação Nacional dos Procuradores se insurgiu às imputações da Comissão Parlamentar de Inquérito, que atribui ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, “inércia”, “desídia” e “blindagem” de ministros do Supremo Tribunal Federal. O órgão rebateu as conclusões e afirmou que “não há qualquer cenário de omissão institucional” por parte do PGR e que “as investigações mencionadas seguem em regular andamento no âmbito da Polícia Federal”.
“Todo mundo passando dos limites” – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que o País vive “uma agressão permanente às instituições republicanas”. Durante a posse do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, ele reclamou de “agressões” aos Três Poderes em um momento em que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e políticos do Legislativo e do Executivo são ligados ao escândalo do banco Master. “Está muito bom agredir as instituições republicanas, seja do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário. Está todo mundo passando dos limites institucionais que norteiam a boa convivência na relação republicana”, afirmou.

Colapso no metrô do Recife – O deputado federal Pedro Campos (PSB) denunciou, ontem, mais um colapso no sistema metroviário do Recife. Durante a manhã, as linhas Centro e Sul ficaram paralisadas devido a problemas de energia, afetando a rotina de milhares de usuários que dependem do transporte público na Região Metropolitana. Para o deputado, a proposta de condicionar investimentos de cerca de R$ 4 bilhões à concessão do sistema não atende à urgência do problema. “Prometem bilhões apenas após a privatização, mas, no presente, oferecem trens antigos. A população precisa de investimento imediato, porque depende do metrô para viver e trabalhar”, declarou. As informações são do blog da Folha.
CURTAS
RELATÓRIO REJEITADO – Ao fim do dia, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitou o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator dos trabalhos. O parecer foi rejeitado por 6 votos a 4. O texto pedia o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República (PGR).
ÔNIBUS NAS ELEIÇÕES – Os eleitores da Região Metropolitana do Recife terão direito ao transporte gratuito de passageiros nas linhas de ônibus sob concessão do Grande Recife Consórcio de Transporte nas Eleições 2026, tanto no 1º quanto no 2º turno, no próximo mês de outubro. A medida atende à solicitação da Presidência do Tribunal Regional de Pernambuco (TRE-PE) e foi informada à Justiça Eleitoral ontem pelo governo do estado, responsável pelo Grande Recife Consórcio.
ÔNIBUS NAS ELEIÇÕES II – O TRE-PE também enviou às Prefeituras de Caruaru (Agreste), Petrolina (Sertão) e Garanhuns (Agreste), todas cidades com sistema de transporte público pelo regime de concessão, o pedido para que fossem incluídas as previsões, nas respectivas Leis Orçamentárias Anuais (LOAs), dotações orçamentárias para viabilizar a gratuidade de passagens de ônibus para as eleições deste ano.
Perguntar não ofende: Quem herda o lugar de Lula se ele não for candidato?
Leia menos









