Por Cláudio Soares*
O presidente da Câmara Municipal de Arcoverde, Luciano Pacheco, vereador com sete mandatos consecutivos, enfrenta um cenário de tensão política que ameaça a continuidade de seu mandato. Reconhecido por pautar sua trajetória pública na ética, responsabilidade e atuação legislativa consistente, Pacheco construiu ao longo dos anos uma base sólida de representatividade no município.
Além da experiência no Legislativo, Luciano também já disputou três eleições para deputado, tendo alcançado, em sua última candidatura, a expressiva marca de mais votado em Arcoverde, superando inclusive lideranças tradicionais da política local. Sua oratória firme e presença ativa no parlamento municipal consolidaram sua imagem como uma das vozes mais influentes da cidade.
Leia maisNos bastidores, entretanto, o clima é de acirramento. Aliados do vereador apontam que a atual crise teria origem em divergências políticas com o Poder Executivo. O estopim teria sido sua articulação bem-sucedida para assumir a presidência da Câmara Municipal, contrariando interesses do prefeito, que até então integrava o mesmo grupo político nas eleições municipais de 2024.
Outro fator que teria contribuído para o desgaste com o prefeito foi o anúncio de sua pré-candidatura a deputado federal, aliado a movimentações estratégicas no cenário estadual, incluindo aproximações com o ex-prefeito do Recife e pré-candidato a governador João Campos e lideranças políticas de campos opostos ao atual gestor municipal. Esse reposicionamento político teria ampliado as tensões e provocado reações no núcleo do Executivo.
No campo jurídico, uma tentativa de questionar sua conduta profissional também veio à tona. A alegação gira em torno da atuação de Luciano Pacheco como advogado em um júri realizado fora de seu estado de origem, o que, segundo críticos, configuraria violação ao Estatuto da Advocacia.
Especialistas, no entanto, ponderam que eventual discussão sobre o exercício profissional deve ocorrer no âmbito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), órgão competente para apurar possíveis infrações ético-disciplinares. Ressaltam ainda que não há, a princípio, prejuízo à sociedade ou impedimento absoluto para atuação jurídica em outras unidades da federação, desde que observadas as normas administrativas da própria Ordem.
Segundo Luciano Pacheco, a situação configura uma perseguição política articulada nos bastidores. Ele afirma que a iniciativa teria partido de Mércia Lira, irmã da secretária municipal de Assistência Social, Neila Lira, e cunhada do procurador do município, o que, em sua avaliação, demonstra a existência de um núcleo político-administrativo atuando de forma coordenada. “Trata-se de uma perseguição política arquitetada. O pedido de cassação teria sido incentivado pelo atual prefeito, Zeca Cavalcante”, declarou o presidente da Câmara.
Diante do contexto, apoiadores do presidente da Câmara classificam as acusações como frágeis e apontam motivação política por trás das investidas, interpretadas como tentativa de enfraquecer sua liderança e atuação institucional.
O caso segue repercutindo no meio político local e deve ganhar novos desdobramentos nos próximos meses, em um cenário marcado por disputas, articulações e reposicionamentos estratégicos rumo às eleições futuras.
*Advogado criminalista e jornalista
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