O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez nesta quarta-feira um discurso contra os questionamentos do PL ao resultado da eleição presidencial, horas depois de o partido lançar Rogério Marinho (RN) como candidato ao comando da Casa. A manifestação ocorreu em meio a um embate com a oposição após a decisão de adiar a votação da proposta de redução da maioridade penal, que provocou críticas à condução dos trabalhos pelo senador.
Alcolumbre ironizou o fato de o partido de Flávio Bolsonaro ter comemorado a eleição de deputados e senadores no primeiro turno, mas passado a contestar a confiabilidade das urnas eletrônicas após a derrota do candidato para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são do jornal O GLOBO.
Leia mais— O pior de tudo isso é que, no primeiro turno, a urna prestou. Abriu a urna eletrônica e ela serviu para eleger 120 candidatos a deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição e serviu para eleger 20 e tantos senadores. Serviu para comemorar no primeiro turno uma eleição vitoriosa do adversário ao presidente Lula. Mas, quando abriu no segundo turno, não prestou mais a urna — afirmou.
O discurso ocorreu depois de Alcolumbre retirar da pauta a proposta de redução da maioridade penal. O presidente do Senado justificou a decisão com um pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para aguardar a conclusão da análise do tema pelos deputados.
A mudança provocou reclamações de senadores da oposição. O líder do PL, Carlos Portinho (RJ), acusou Alcolumbre de descumprir um entendimento construído para viabilizar a votação e afirmou que não faria novos acordos com o presidente da Casa.
Diante das críticas, Alcolumbre fez um discurso de oito minutos sobre as dificuldades de presidir o Congresso em um cenário de polarização política. O senador reclamou de ataques pessoais e mencionou lideranças que foram ao Amapá, seu estado, para criticá-lo, em referência ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) que fez um ato durante as eleições. Também fez referência às cobranças para que autorize a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
— Não achei um para dizer que estava errado desde o primeiro turno. Foi a mesma urna eletrônica. Eu estou pedindo a vossas excelências para que nós possamos pensar o que vamos fazer para melhorar a vida dos brasileiros — declarou.
O episódio ocorre em meio à disputa pelo comando do Senado a partir de fevereiro de 2027. Nesta quarta-feira, o PL reuniu senadores eleitos e aliados para oficializar a candidatura de Marinho, que pretende unificar a oposição contra a reeleição de Alcolumbre. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também mantém sua candidatura, e os dois afirmam que buscarão um entendimento para evitar a divisão dos votos contrários ao atual presidente.
Alcolumbre tenta consolidar apoios entre partidos governistas e do Centrão para permanecer no cargo. A eleição será realizada por voto secreto, o que amplia a importância das negociações individuais com os senadores.
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