Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno das eleições, as pesquisas de intenções de voto vêm projetando cenários apertados para a sucessão presidencial, que pode ser decidida por pequenos detalhes. Um dos principais fatores, segundo a cientista política e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (ABRAPEL), Mara Telles, é a abstenção, que, este ano, terá um poder ainda maior para definir o resultado eleitoral.
“Nas pesquisas, quando perguntamos os fatores que influenciam na abstenção, está principalmente a distância da urna até a casa do eleitor. Quanto mais distante, menor é a disposição desse eleitor de votar. Isso ocorre especialmente entre a população que ganha de zero a dois salários mínimos, e que visivelmente integra o eleitorado lulista”, observou Mara Telles, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
“As pesquisas não conseguem capturar a abstenção. Um momento de apatia pode gerar um menor comparecimento às urnas. E isso ocorre mais no eleitorado lulista e do Nordeste, que mora mais distante do local de votação, portanto se abstém mais”, completou.
“Temos também a questão da corrupção, que é muito complexa, principalmente quando se discute a questão do Supremo Tribunal Federal (STF). Se o eleitor passa a perceber que todos são corruptos, isso desmobiliza a campanha. Além disso, outros elementos podem entrar, como compra de votos. Afinal, o dinheiro também mobiliza o comparecimento, com aqueles que buscam e levam o eleitor para votar. Não para presidente, mas em eleições proporcionais”, concluiu Mara.
















