O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, conversaram sobre a crise que atinge a Corte em uma reunião restrita antes do evento de sanção de projetos que cria fundos para a Justiça Federal, Ministério Público e Defensoria Pública da União (DPU) nesta sexta-feira, no Palácio do Planalto.
Também participaram do encontro no gabinete de Lula, que durou cerca de meia hora, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luis Felipe Salomão, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, que chegou ao final. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisDos presentes, Gonet e Rodrigues são citados na leva de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro reveladas nesta semana.
De acordo com presentes, Lula e Fachin trataram da crise no Supremo, mas não se aprofundaram na discussão de caminhos para contornar a situação. Ambos anteciparam temas que depois abordariam no discurso público durante o evento. O presidente do Supremo falou, por exemplo, que não pode haver precipitação e que as coisas vão acontecer dentro dos prazos jurídicos. Lula abordou a necessidade de dar respostas à sociedade.
Ainda segundo os participantes, os nomes dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça —os dois principais atores dessa crise no Supremo—foram citados apenas de forma lateral na conversa.
Na quinta-feira, Moraes enviou a Fachin relatórios de inteligência da Polícia Federal que apontam supostas irregularidades cometidas por Mendonça na condução das investigações sobre o caso Master e as fraudes no INSS. Na decisão, Moraes afirma haver “fortes indícios” da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade pelo colega.
O evento desta sexta também marcou o encontro entre Messias e Andrei Rodrigues. O advogado-geral da União foi citado no relatório da PF usado por Moraes contra Mendonça. Na avaliação feita pelo AGU a pessoas próximas, a Polícia Federal se vingou por ele não ter atendido o pedido da corporação apresentado em julho para contestar iniciativas de Mendonça no inquérito que investiga fraudes no INSS.
Nas conversas internas, Messias aponta a existência de uma aliança que envolve Moraes, o ministro Flávio Dino e Rodrigues para desgastá-lo. Mesmo com esse desconforto, ao fim do evento no Planalto, chamou a atenção o fato de Messias ter convidado Rodrigues para se juntar à foto que estava sendo tirada com os participantes da cerimônia.
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