Do UOL
O Ueno Bank, banco digital no centro da crise do Paraguai, foi um dos financiadores de um evento da extrema direita que aconteceu em Mar-a-Lago, clube do presidente americano Donald Trump, nos EUA, em fevereiro deste ano, e contou com a participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro foi palestrante. O evento “Hispanic Prosperity Gala” reuniu políticos da extrema direita apoiadores de Donald Trump. Entre os palestrantes estavam Javier Milei, Keiko Fujimori, Robert F. Kennedy Jr e até o jogador brasileiro Ronaldinho Gaúcho, segundo o site do evento. O presidente argentino não esteve presencialmente no evento, ele participou enviando um vídeio.
Leia maisO evento premiou o argentino Fernando Cerimedo. Ele mantém uma rede de desinformações com influência na América Latina a partir do portal “La Derecha Diario”. Em 2022, fez uma live com informações falsas sobre as urnas eletrônicas brasileiras que foi repercutida por bolsonaristas com alegações infundadas de fraude eleitoral. As desinformações propagadas por ele foram usadas em relatório de teor golpista produzido pelo PL, que pedia a invalidação de votos de urnas de modelos anteriores ao de 2020. Em 2024, o argentino chegou a ser indiciado pela PF pela tentativa de golpe, mas não foi denunciado pela PGR.
Cerimedo é próximo de Eduardo Bolsonaro. Atualmente, o argentino está preso na Bolívia por tentativa de feminicídio. O La Derecha Diario foi um dos organizadores do evento em Mar-a-Lago. As informações foram publicadas pelo site argentino Chequeado e confirmadas pelo UOL. Na ocasião, ele foi agraciado com um prêmio de “consultor político hispânico do ano”.
O Ueno Bank foi um dos patrocinadores da categoria Diamond, segundo o site paraguaio ABC. O valor é de US$ 100 mil. As publicações do X em que os organizadores anunciavam o patrocínio do banco paraguaio não estão mais disponíveis. Assim como também não aparece mais a lista de financiadores do evento no site oficial. No entanto, ainda é possível encontrar publicações com as informações no Instagram e no Facebook.
Crise com o banco derrubou o presidente paraguaio. Após processo de impeachment, Santiago Peña foi preso ontem. Ele tentou renunciar, mas a renúncia não foi analisada pelo Congresso por falta de quórum. Peña foi acionista da Ueno Holding, empresa que tinha o Grupo Vázquez entre seus sócios. O conglomerado, por sua vez, era o principal acionista do Ueno Bank. O ex-presidente deixou a holding em março de 2025.
Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank na segunda-feira. A decisão foi tomada após a autoridade monetária apontar que a instituição não cumpria os requisitos mínimos de solvência. O banco digital administrava cerca de US$ 850 milhões em fundos públicos.
Milhões de clientes ficaram sem acesso ao próprio dinheiro. A crise levou à renúncia do presidente do Banco Central do país, Carlos Carvallo. O caso também envolve suspeitas de irregularidades e ligações com o governo paraguaio.
Quase metade da população paraguaia tem conta no banco. São cerca de 2,9 milhões de clientes em um país de aproximadamente 6,4 milhões de habitantes. Após o anúncio da intervenção, correntistas fizeram filas em frente às agências, na tentativa de recuperar suas economias. A situação provocou protestos em Assunção, capital do país.
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