O senador Humberto Costa (PT-PE) participou, nesta sexta-feira (6), no Bairro do Recife, de uma mesa de debate do Estuário Mercado de Cinema sobre a regulação das plataformas de streaming no Brasil. O encontro ocorreu no Núcleo de Empreendedorismo e Residência Digital (Nerd), do Porto Digital, e reuniu produtores, realizadores e profissionais do setor, além de Ulisses Brandão, conselheiro da Brasil Audiovisual Independente, e João Vieira Jr., da Carnaval Filmes.
Durante o debate, Humberto abordou propostas em discussão no Congresso Nacional, entre elas a cobrança da Condecine sobre serviços de vídeo sob demanda, a presença mínima de conteúdo brasileiro nos catálogos e regras para o intervalo entre a exibição de filmes nos cinemas e a chegada às plataformas. O senador também defendeu apoio à produção independente e à regionalização dos investimentos. “Qual é o sentido do fundo do audiovisual? É que sirva exatamente pra você estimular a produção, estimular a produção independente, estimular quem deseja apresentar um projeto e não quer estar vinculado a um streaming”, afirmou.
Humberto, que apresentou em 2023 uma proposta sobre o tema, defendeu que a regulamentação seja votada ainda este ano. “Pernambuco é um estado que é conhecido pela qualidade do trabalho que é feito no audiovisual, com grandes diretores e filmes que fizeram grande sucesso e que marcam a nossa diversidade cultural”, disse. Segundo o parlamentar, o setor também tem peso econômico pela geração de empregos e pela movimentação de recursos nos estados e municípios.
Os anos podem caber numa fotografia, numa sucessão de calendários esquecidos ou na memória de acontecimentos que o tempo se encarrega de reorganizar, mas, quando dedicados à construção de um romance, adquirem uma dimensão particular, porque deixam de ser apenas uma medida cronológica e passam a constituir o espaço de uma convivência prolongada com personagens que nascem da imaginação, amadurecem na linguagem e, pouco a pouco, conquistam uma existência tão própria que o escritor, inicialmente senhor de seus movimentos, acaba descobrindo que também precisa aprender a escutá-los.
Hoje, ao concluir os 132 capítulos de O Beijo Subversivo, experimento uma emoção que me surpreende pela intensidade e pela dificuldade de traduzi-la, embora tenha passado uma parte considerável da existência procurando justamente nas palavras uma maneira de compreender o mundo e oferecer alguma duração àquilo que a passagem dos anos costuma dispersar. Não se trata apenas da satisfação natural de quem termina um trabalho de grandes proporções, mas de uma sensação mais complexa, na qual a alegria da realização convive com o espanto de perceber que uma construção literária alimentada durante tantos anos alcançou finalmente sua última página.
Durante esse longo percurso, Ednardo Timberg e Lavínia Belmont deixaram de ser apenas dois nomes inscritos nas primeiras anotações de um projeto literário para adquirir a densidade de personagens que pertencem a um universo próprio, atravessado por encontros, divergências, aproximações, inquietações e circunstâncias que desafiam a compreensão mais imediata dos sentimentos humanos. Acompanhei suas trajetórias com a atenção que a criação romanesca exige, procurando compreender suas escolhas, reconhecer suas contradições e permitir que cada acontecimento encontrasse dentro da narrativa as consequências que lhe fossem próprias, sem reduzir a complexidade da existência à facilidade das explicações ou à conveniência dos desfechos.
Um romance não se constrói apenas com acontecimentos. É preciso que os personagens possuam uma vida interior, que suas palavras revelem mais do que aquilo que pretendem dizer, que seus silêncios tenham consequências e que as circunstâncias históricas, sociais e familiares não apareçam como simples cenários, mas como forças capazes de interferir nos destinos individuais. Foi essa compreensão que orientou a longa elaboração de O Beijo Subversivo, uma obra que procura examinar o amor em confronto com o poder, os interesses, as convenções e as diversas formas de violência que podem surgir quando a liberdade de escolher a própria felicidade contraria expectativas estabelecidas.
A literatura sempre me pareceu uma das expressões mais extraordinárias da liberdade humana, justamente porque permite criar existências que não dependem da identidade de quem as imaginou, embora carreguem as perguntas, os conhecimentos e as inquietações que alimentam toda criação artística. Dostoiévski não precisou ser Raskólnikov para compreender os abismos da consciência, assim como Tolstói não precisou viver a existência de Anna Kariênina para oferecer à literatura uma personagem cuja complexidade continua interrogando leitores de diferentes gerações. O romancista observa, imagina, investiga, transforma e constrói, até que suas criaturas possam caminhar com uma liberdade que já não se confunde com a biografia de seu criador.
Essa independência dos personagens constitui uma das maiores conquistas do romance. Ednardo e Lavínia pertencem à ficção, e é nesse espaço que devem ser conhecidos, interpretados e compreendidos, porque uma obra literária alcança sua verdadeira dimensão quando deixa de depender da explicação de quem a escreveu e encontra leitores capazes de estabelecer com ela suas próprias relações de sensibilidade, conhecimento e imaginação.
Ao longo desses anos, experimentei também as dificuldades que acompanham a elaboração de uma narrativa extensa, os momentos em que determinado capítulo exigia um novo olhar, as ocasiões em que uma frase precisava amadurecer antes de encontrar seu lugar, as mudanças de ritmo impostas pelo desenvolvimento da história e a necessidade permanente de preservar a coerência de um universo ficcional habitado por personagens de temperamentos distintos, interesses conflitantes e maneiras diferentes de compreender a vida. Escrever um romance dessa dimensão é aprender a conviver com a demora, reconhecendo que a literatura não obedece inteiramente à pressa de quem deseja concluí-la.
Talvez por isso a chegada à última página produza uma emoção tão singular. Durante anos, o escritor se acostuma à ideia de que sempre existe um capítulo à espera, uma cena que ainda precisa respirar, uma conversa interrompida que reclama continuidade, uma situação que exige maior profundidade psicológica. Quando finalmente escreve o encerramento, percebe que aquela convivência cotidiana com o universo da obra adquiriu uma importância que não se mede apenas pelo número de páginas produzidas, mas pela dedicação intelectual e afetiva que se tornou necessária para construí-las.
O ponto final, entretanto, não representa o desaparecimento dos personagens. Ao contrário, é justamente depois dele que começa uma das experiências mais interessantes da literatura, quando a narrativa deixa o espaço reservado de sua elaboração e se prepara para encontrar os leitores, levando consigo perguntas que poderão receber respostas diferentes conforme a experiência, a sensibilidade e a imaginação de cada pessoa.
Não pretendo oferecer explicações definitivas sobre O Beijo Subversivo, muito menos antecipar interpretações que pertencem legitimamente a quem se dispuser a percorrer suas páginas. Uma obra literária precisa conservar suas zonas de reserva, seus aspectos ambíguos e aquela liberdade essencial que permite ao leitor descobrir sentidos que nem sempre foram previstos pelo próprio escritor. Explicar demasiadamente um romance antes que ele seja lido seria privá-lo de uma parte importante de sua capacidade de surpreender.
O que posso afirmar, neste momento, é que a conclusão dessa longa narrativa representa uma realização profundamente significativa em minha trajetória de escritor, não apenas pela extensão do trabalho, mas pela oportunidade de desenvolver, ao longo de tantos anos, uma reflexão ficcional sobre o amor, a condição humana, a dignidade, a liberdade e as relações entre os indivíduos e as estruturas de poder que procuram determinar seus caminhos.
A emoção que hoje experimento nasce também da consciência de que nenhum livro se conclui verdadeiramente no instante em que seu autor escreve a última palavra. Depois da criação, permanecem o trabalho cuidadoso de revisão, a preparação editorial e o encontro com aqueles que, ao abrir suas páginas, darão aos personagens uma existência renovada. O manuscrito alcançou seu encerramento narrativo, mas a obra ainda seguirá seu percurso até chegar às mãos dos leitores.
E é bonito pensar que, depois de tantos anos de convivência com uma história ainda inédita, chegará o momento em que Ednardo Timberg e Lavínia Belmont deixarão de habitar exclusivamente o universo reservado de sua criação para alcançar a imaginação de pessoas que talvez nunca tenham ouvido falar de suas vidas ficcionais, mas que poderão reconhecer em suas experiências algumas das grandes interrogações que acompanham a humanidade desde que começamos a contar histórias.
Hoje, diante dos 132 capítulos concluídos, sinto uma alegria serena, acompanhada pela emoção de quem reconhece a dimensão de um trabalho construído com persistência, imaginação e fidelidade à literatura. Não desejo transformar este instante numa despedida, porque os livros, mesmo depois de terminados, continuam oferecendo possibilidades de descoberta, e os personagens que conquistam verdadeiramente uma existência literária jamais permanecem confinados ao número de páginas que os acolheu.
O Beijo Subversivo chegou à sua última página.
E, enquanto me preparo para iniciar os cuidados que antecedem sua publicação, compreendo que a conclusão de um romance não representa o esgotamento de sua história, mas o instante em que uma narrativa, finalmente inteira, começa a preparar sua chegada ao mundo.
Porque o escritor encerra o manuscrito.
E a literatura, quando encontra seus leitores, começa outra vez.
*Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras
A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprovou, numa votação que durou 30 segundos, um projeto que permite aumentar em até 80% o uso das verbas de gabinete para os deputados estaduais que desempenham algum cargo na Casa. Desde 2019, ano da última alteração na lei, esse limite era de 70%.
A nova mudança foi aprovada durante sessão realizada na quarta-feira (4). A medida foi publicada no Diário Oficial da Alepe desta quinta (5) e passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2027. As informações são do portal G1/PE.
A verba de gabinete corresponde aos recursos que os parlamentares têm à disposição para manter suas atividades, incluindo gastos como locação de imóveis e pagamento de assessores. O valor base do auxílio pode chegar a R$ 60 mil por mês para cada deputado, conforme lei aprovada em 2024.
Porém, os parlamentares que desempenham algum cargo dentro da Alepe, como os líderes de bancada, têm direito a uma cota “extra”. O pagamento funciona da seguinte maneira:
um deputado tem R$ 60 mil por mês para investir nas despesas do gabinete;
porém, se esse parlamentar tiver algum cargo dentro da Casa, como líder de bancada ou presidente de alguma comissão, tem direito a expandir esse valor em 80%;
desta forma, esse único deputado pode gastar até R$ 108 mil.
Deputados beneficiados
De acordo com a Lei 10.568/1991, que dispõe sobre as atividades de apoio aos Gabinetes dos Deputados, o valor “extra”, que agora é de 80%, se aplica para os cargos de:
Primeiro e Segundo Vice-Presidentes da Mesa Diretora;
Segundo, Terceiro e Quarto Secretários da Mesa Diretora;
Líderes e Vice-Líderes do Governo e da Oposição;
Líderes e Vice-Líderes Partidários e de Líderes e Vice-Líderes Blocos Parlamentares;
Presidentes de Comissões Permanentes, excetuada a Comissão de Ética Parlamentar.
Já para o cargo de presidente da Alepe, o benefício não foi alterado, pois ele já recebe 100% de ampliação do valor base. O mesmo vale para o Primeiro-Secretário da Mesa Diretora, que já tem 95% de ampliação da verba.
A Polícia Civil de Pernambuco realizou uma coletiva de imprensa, hoje, para apresentar detalhes da investigação que envolve o deputado estadual eleito Emerson Freitas (MDB), réu pelos crimes de extorsão majorada, exploração de prestígio e lavagem de capitais. O processo tramita na 15ª Vara Criminal de Pernambuco. Somadas, as penas máximas previstas para os três crimes podem ultrapassar 20 anos de reclusão.
Segundo o delegado do Grupo de Operações Especiais (GOE), Jorge Pinto, responsável pela investigação, o parlamentar teria utilizado o alcance de suas redes sociais, onde reúne mais de um milhão de seguidores, para exigir pagamentos de pessoas envolvidas com atividades criminosas em troca de não publicar ou retirar conteúdos que as relacionassem a práticas ilícitas.
De acordo com a investigação, as cobranças incluíam pagamentos em espécie, a exemplo de R$ 20 mil, além de valores mensais para impedir novas publicações. Também foram identificadas transferências via Pix realizadas para contas de terceiros.
O inquérito, inicialmente, foi instaurado para investigar possíveis práticas criminosas de organizações criminosas, incluindo denúncias sobre supostos toques de recolher. Durante as diligências, a Polícia Civil identificou relatos de pessoas que afirmaram ter sido vítimas de extorsão atribuída ao deputado eleito.
Jorge Pinto explicou que Emerson entrou no radar da investigação por ser um dos principais responsáveis por impulsionar, nas redes sociais, as informações sobre os supostos toques de recolher. No decorrer das apurações, porém, os investigadores identificaram denúncias de práticas que extrapolavam o objeto inicial do inquérito.
“(O inquérito) foi aberto para apurar condutas criminosas perpetradas supostamente por organizações criminosas e, de maneira fortuita, a gente descobre esses crimes que estariam sendo praticados pelo indiciado. E por que a vinculação desse indiciado com o objeto inicial do inquérito? Porque ele era o principal impulsionador dessas matérias que estavam sendo veiculadas na época da abertura do inquérito policial, que seriam supostamente esses toques de recolher emanados por organização criminosa”, explicou o delegado.
Um dos episódios identificados pela Polícia Civil ocorreu em um mercado no Recife, onde Emerson teria recebido R$ 20 mil em espécie para deixar de publicar conteúdos contra uma pessoa envolvida com a criminalidade violenta.
“Um encontro se deu em um mercado aqui na capital, onde o indiciado recebeu em mãos R$ 20 mil e, como contraprestação, ele não mais realizaria qualquer publicação em desfavor de uma pessoa envolvida com a criminalidade violenta”, relatou Jorge Pinto.
Provas e falsa influência
Além dos depoimentos reunidos no inquérito, a Polícia Civil afirma ter encontrado provas técnicas a partir da análise de dados extraídos de aparelhos celulares. Segundo Jorge Pinto, o material contém conversas nas quais o próprio investigado exigiria pagamentos em dinheiro para não realizar publicações nas redes sociais.
“Além da farta prova testemunhal já documentada no inquérito, a gente tem uma prova técnica muito robusta, obtida a partir da análise de dados de celular, onde o próprio indiciado mantém conversas diretas e muito claras exigindo pagamento em dinheiro de pessoas envolvidas com a criminalidade em troca de seu silêncio em suas redes sociais”, afirmou.
A investigação também identificou que Emerson alegava ter influência sobre integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público. Segundo o delegado, o parlamentar prometia interferir no andamento de processos e investigações em curso, oferecendo às vítimas a possibilidade de paralisação dos procedimentos em troca de novos pagamentos.
Jorge Pinto afirmou, no entanto, que essa influência não existia e seria utilizada como argumento para convencer as vítimas a realizar os pagamentos. “Ele utilizava de uma falsa influência perante membros da magistratura e do Ministério Público como forma de obter novos benefícios. Condicionava a suposta paralisação de processos ou de investigações em andamento perante o Ministério Público ao novo recebimento de valores. Só que essa influência nunca existiu, era mais um engodo que ele utilizava para mentir para essas vítimas e obter toda essa vantagem ao longo de dois anos”, declarou.
A investigação também apontou uma relação de proximidade entre o deputado eleito e pessoas apontadas como lideranças de facções criminosas, especialmente na Zona Norte do Recife. Segundo Jorge Pinto, os valores cobrados variavam conforme o grau de proximidade com o investigado. Áudios reunidos pela polícia indicariam que pessoas sem relação próxima com ele eram submetidas a cobranças maiores.
O delegado também mencionou semelhanças entre o modo de atuação identificado no caso e uma investigação conduzida em 2023. Ele, porém, não entrou em detalhes sobre o procedimento anterior, que ainda tramita sob segredo de Justiça. Para Jorge Pinto, houve uma escalada na gravidade das condutas, especialmente pela tentativa de atribuir influência indevida sobre instituições públicas.
Servidora
Uma servidora do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE), amiga do deputado eleito, também foi indiciada no inquérito. Segundo a Polícia Civil, ela teria disponibilizado a própria conta bancária para receber valores destinados a Emerson, funcionando como intermediária nas movimentações financeiras.
De acordo com Jorge Pinto, a mulher tinha conhecimento ou, ao menos, condições de saber que os recursos poderiam ter origem criminosa. Mesmo após ser alertada sobre a possibilidade de o investigado receber dinheiro de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas, ela teria continuado recebendo os valores.
A servidora responde por lavagem de capitais, permanece em liberdade e também se tornou ré após o recebimento da denúncia pela Justiça.
Perseguição
O delegado-geral da Polícia Civil de Pernambuco, Felipe Monteiro, também participou da coletiva e afirmou que a instituição decidiu apresentar sua versão diante da repercussão do caso e das manifestações do investigado, de sua defesa e de outras pessoas nas redes sociais.
“Essa coletiva é importante para a gente restabelecer a verdade dos fatos, mostrar exatamente o que foi a operação e o que, de fato, foi feito pelo trabalho do GOE nesse primeiro momento, e desmistificar algumas coisas que estão sendo passadas nas redes sociais, na mídia, por outras pessoas e que não dizem respeito exatamente ao objeto dessa investigação”, afirmou.
Felipe Monteiro também afastou a possibilidade de motivação política ou perseguição contra o deputado eleito. Segundo ele, a investigação trata de crimes que teriam sido praticados de maneira reiterada, e não de uma apuração relacionada às denúncias de supostos toques de recolher.
“O que está mostrado aqui é a prática de uma série reiterada de crimes. A gente fez questão de trazer os crimes em que ele está envolvido, como extorsão, e mostrar esses eventos narrativos equivocados para que não tenha nenhuma dúvida do que é que a gente está combatendo e do que é que a Polícia Civil foi atrás”, declarou.
Segundo o delegado-geral, os fatos que chegaram ao conhecimento da polícia mais recentemente apontam para a continuidade das condutas e o surgimento de novas vítimas.
“Os fatos que apareceram no passado foram tratados devidamente no passado e os responsáveis foram responsabilizados. Mas o que aconteceu depois, e Jorge deixou muito claro aqui, mostrando, é que os fatos do passado nunca ficaram no passado. Eles continuaram sendo praticados de forma reiterada, com novas vítimas”, afirmou.
Questionado sobre possíveis consequências da prisão e da investigação para a diplomação de Emerson Freitas, Felipe Monteiro explicou que a atuação da Polícia Civil se limita à apuração criminal, mas que os fatos podem ter desdobramentos em outras esferas.
Judiciário
Durante a coletiva, Jorge Pinto afirmou que a investigação não identificou participação de magistrados ou integrantes do Ministério Público em qualquer esquema de corrupção. “De forma absolutamente segura, nós tivemos todo o cuidado em checar essas informações. Fizemos o levantamento de todos os processos criminais em curso e já arquivados e não constatamos qualquer tipo de irregularidade”, afirmou.
O delegado acrescentou que alguns dos processos citados tiveram andamento regular e resultaram em condenações. Segundo ele, a análise não apontou interferência indevida por parte de integrantes do Judiciário.
Jorge Pinto também explicou os procedimentos adotados para cumprir o mandado de prisão preventiva, expedido em 29 de outubro, contra Emerson. Ainda de acordo com o delegado, a medida foi solicitada à Justiça diante do risco de reiteração criminosa, considerando a existência de uma investigação anterior, de 2023, e a continuidade das práticas nos anos de 2024 e 2025.
Após tentativas de localizar o investigado nos endereços que costumava informar como domicílio, a Polícia Civil solicitou um mandado de busca domiciliar. O delegado rebateu questionamentos sobre o cumprimento da ordem em um imóvel que seria de um terceiro.
“Essa casa até poderia ser de terceiro, mas o próprio réu teria fornecido voluntariamente uma declaração de próprio punho onde apontava esse endereço como sendo seu local de domicílio. Então, a polícia não entrou na casa de ninguém sem levantamento de informações, havendo indicativos concretos de que lá ele pudesse se encontrar”, afirmou.
O delegado também negou que o investigado tenha sido impedido de acessar os elementos da investigação ou que tenha sofrido cerceamento de defesa. Segundo ele, três advogados foram constituídos ao longo do procedimento e os dois primeiros tiveram acesso integral ao material documentado no inquérito.
Jorge Pinto afirmou que o terceiro advogado também recebeu acesso aos autos antes do interrogatório de Emerson. Além disso, os dados brutos extraídos dos aparelhos celulares foram disponibilizados à defesa e continuam acessíveis para consulta.
Sobre o conhecimento do mandado de prisão, o delegado afirmou que a ordem estava inserida no Banco Nacional de Mandados de Prisão, o que tornou pública a informação e permitiu sua rápida circulação em grupos de mensagens e redes sociais.
A prefeita de Olinda, Mirella Almeida, iniciou mudanças na composição do primeiro escalão da gestão municipal. As primeiras alterações envolvem as secretarias de Fazenda e de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. Cynthia Ramos assume a pasta da Fazenda, enquanto Maria do Socorro Sá Rodrigues Gonçalves passa a comandar a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.
As mudanças fazem parte de um processo de reorganização administrativa que terá continuidade nos próximos dias, alcançando outras secretarias e cargos da estrutura municipal.
As mudanças fazem parte do planejamento da gestão para fortalecer a estrutura administrativa, aprimorar os processos internos e garantir mais eficiência na execução das políticas públicas. A proposta é integrar experiências e competências técnicas às necessidades do município, qualificando os serviços prestados à população e dando continuidade às ações prioritárias da Prefeitura de Olinda.
A vitória nas urnas aumenta a responsabilidade do presidente: enfrentar a violência agora, com comando competente, integração e resultados na vida da população
Ao derrotar Flávio Bolsonaro em 25 de outubro, a maioria dos brasileiros deu a Lula a oportunidade de exercer um quarto mandato. Mas o presidente cometerá um grave erro se confundir essa confiança com paciência ilimitada. A vitória trouxe uma cobrança que precisa chegar ao centro do governo: queremos viver sem medo.
Quem sai de casa de madrugada para trabalhar não pode esperar janeiro para ter segurança no ponto de ônibus. Quem compra um celular em doze prestações não aceita entregá-lo a um assaltante, sob ameaça de morrer. Para os mais pobres, a violência rouba patrimônio, liberdade e vida. E cobra essa conta todos os dias.
A aprovação da PEC da Segurança Pública é um avanço. Mas a população precisa sentir seus efeitos fora do Diário Oficial. O Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), que já existe em lei, precisa funcionar nas ruas, nas investigações e na cooperação entre as instituições. A vitória legislativa aumenta a obrigação de entregar resultados.
Lula precisa agir agora. Apresentar prioridades, mobilizar recursos, estabelecer metas e cobrar execução. Não se desmonta o crime organizado com discursos. É preciso atingir seu dinheiro, interromper o abastecimento de armas, enfrentar o tráfico de drogas e prender quem financia, protege e comanda essas estruturas. Ao mesmo tempo, é urgente combater o assalto que transforma o caminho do trabalho numa ameaça.
A escolha de quem comandará o já anunciado Ministério da Segurança Pública será decisiva. O cargo exige competência comprovada, capacidade de gestão e autoridade para coordenar operações e instituições. Não pode virar prêmio de consolação para aliado, acomodação partidária ou vitrine ideológica. O presidente precisa escolher alguém capaz de fazer a máquina funcionar. O padrinho não pode valer mais que o currículo.
Esse comando terá de articular governadores, prefeitos e outros ministérios. Segurança envolve inteligência, investigação, policiamento, sistema prisional, educação e oportunidades. Recuperar territórios submetidos ao crime exige presença permanente do poder público, com proteção e serviços para quem mora ali.
Há um erro político à espreita: acreditar que a derrota eleitoral da extrema direita diminuiu a urgência da segurança. A frustração de quem continua refém do medo alimenta justamente os vendedores de soluções autoritárias.
Presidente, a eleição terminou. O sofrimento de quem vive sob ameaça diária, continua. Seu quarto mandato começa em janeiro, mas o senhor já está na Presidência.
O povo lhe deu mais quatro anos. Quem está na mira do crime pode não ter nem mais quatro minutos de paciência.
Tem coisas na política que um amador não deve fazer. A primeira delas é se convidar para um governo sem ter sido incentivado pelo próprio para isso. Mas é o que a presidente da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Francilene Procópio Garcia, vem fazendo nos bastidores da comunidade científica.
Tomei um baita susto quando vi o Alerta do Google anunciar a SBPC e vir essa notícia.
A primeira gafe cometida é ser a presidente de uma entidade que vive pendurada no orçamento do MCTI e ao mesmo tempo estar tramando para ocupar o cargo da ministra que libera esse orçamento. Sem primeiro procurar saber se Luciana Santos está realmente sendo descartada pelo presidente Lula (PT) e não se opõe à ação de uma “subordinada”.
Não pega bem e será preciso explicar mais tarde como a SBPC poderia ocupar o MCTI, sendo a pasta quem mantém a sobrevivência administrativa-financeira da entidade. Isso não poderia ser caracterizado como “conflito de interesses”?
O segundo problema é a presidente da SBPC achar que o “Exército da Francilene” seria capaz de concorrer com uma velha raposa da política e do Centrão como Gilberto Kassab (PSD), ou com o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), dois nomes cotadíssimos para ocupar o MCTI, caso o presidente decida ejetar Luciana Santos e o PCdoB da pasta.
Sem esquecer que ainda há um outro componente político que ainda não colocou a cara na janela para apanhar: o PT.
Francilene faria muito mais pela Ciência, se dissesse o que vem realizando de relevante até agora no comando da SBPC. Mas eu digo ação efetiva. Ficar aporrinhando a paciência do ministro do Planejamento, Bruno Moretti, por mais dinheiro para o setor, não pode ser computado como ação. Grana é o que não falta para a Ciência.
*Esse povo cientista é muito esquisito. Mas pelo menos valeu a informação de que existe uma tal de “Rede Estação Democracia” circulando na Internet.
O ex-ministro do Turismo e deputado federal eleito, Gilson Machado (Podemos), participa, em Palm Beach, nos Estados Unidos, de uma agenda política ligada ao movimento conservador internacional, ao lado de Eduardo Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro (PL) e outras lideranças da direita.
Conhecido por sua lealdade e proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Gilson mantém sua trajetória de compromisso com os princípios e valores que sempre defendeu: Deus, pátria, família e liberdade. A participação no encontro, logo após as eleições de 2026, demonstra que sua atuação política continua firme, agora também voltada à organização e à formação de novas lideranças conservadoras.
Embora Flávio Bolsonaro não tenha alcançado o resultado esperado no pleito presidencial, a expressiva votação de mais de 60 milhões de brasileiros, segundo números citados por integrantes do movimento, é vista por aliados como uma demonstração da força, do crescimento e da consolidação da direita no cenário político nacional.
Pernambuco poderá receber seminário internacional da direita em 2027
Uma das principais novidades articuladas por Gilson Machado é a proposta de realizar, no Recife, durante o segundo semestre de 2027, um grande seminário internacional de formação política conservadora.
Inspirado no modelo da Conservative Political Action Conference (CPAC), o encontro pretende reunir importantes lideranças nacionais e internacionais para debater liberdade, valores conservadores, participação política e os desafios do Nordeste.
A iniciativa também prevê a possibilidade de promover formações periódicas para preparar novas lideranças políticas, especialmente jovens e futuros candidatos às eleições municipais de 2028.
Compromisso com o futuro da direita no Nordeste
A movimentação de Gilson Machado reforça sua disposição de continuar contribuindo para o fortalecimento do movimento conservador, independentemente das disputas eleitorais.
Em Pernambuco, a proposta busca ampliar o debate político, incentivar a participação popular e preparar uma nova geração de lideranças comprometidas com os princípios defendidos pela direita.
Embora a programação e os convidados ainda dependam de confirmação oficial, a expectativa é que novas informações sejam anunciadas nos próximos meses.
A presença de Gilson Machado nos Estados Unidos mostra que, para o ex-ministro, o trabalho político não termina nas urnas. Pelo contrário: a articulação internacional e a formação de novas lideranças podem marcar o início de uma nova etapa para a direita em Pernambuco e em todo o Nordeste.
Depois do susto em 2022, o deputado federal Felipe Carreras (PSB) reposicionou o mandato para o interior do estado. E deu muito certo. Só tinha Sivaldo Albino (Garanhuns) o apoiando em 2022 e durante o mandato acrescentou mais 9, totalizando 10 prefeitos. Foi o deputado federal mais votado em todas as cidades governadas por eles e também em Brejo da Madre de Deus (onde foi apoiado por 3 vereadores e o deputado estadual eleito Fábio Aragão).
Das 11 cidades onde foi deputado federal majoritário, Felipe Carreras quebrou o recorde de votação para o cargo em 6 delas. Felipe não teve apoio político em 2022 em nenhum destes municípios onde foi majoritário em 2026, à exceção de Garanhuns. Isso é a demonstração de que o seu trabalho, respaldado por uma forte articulação em Brasília, chegou antes da votação e teve o reconhecimento da população.
Mantendo a disciplina que o fez quase dobrar a votação de uma eleição para a outra, Felipe Carreras não sossegou e já esteve essa semana com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin e com o ministro da saúde, Alexandre Padilha, tratando de temas de interesse dos seus municípios.
A repercussão do amplo, produtivo e democrático debate sobre o pós-eleição, ontem, na Câmara de Caruaru, que deu sequência ao primeiro evento em Olinda, três dias após a eleição presidencial de segundo turno, tem gerado efeitos positivos para envolver a sociedade pernambucana na temática.
A presidente da OAB, Ingrid Zanella, acabou de me ligar. Quer levar a instituição a um grande debate sobre o assunto, no auditório da instituição, no Recife. Muito bom a sociedade despertar. Isso é cidadania!
Uma emergência lotada é um retrato de sofrimento. De quem espera por atendimento, de quem acompanha um familiar e, muitas vezes, de quem trabalha sem as condições necessárias para cuidar como gostaria.
Mas é também um cenário propício a julgamentos apressados. Basta uma câmera ligada, uma autoridade indignada e uma acusação para que, em poucos minutos, profissionais sejam condenados diante de uma plateia que não conhece todos os fatos.
Segundo o relato que motivou esta reflexão, um prefeito de uma cidade do interior de Pernambuco entrou no estar médico e acusou dois profissionais, um casal, de negligenciar pacientes e de estar “namorando” durante o plantão. Uma acusação grave, que exige provas e apuração, sobretudo quando expõe publicamente a honra de duas pessoas.
Se houve negligência, que seja investigada. Se comprovada, que haja punição proporcional à gravidade da conduta. O diploma de medicina não concede imunidade ao erro nem dispensa ninguém de responsabilidade.
O cargo de prefeito também não.
Fiscalizar um serviço público é legítimo e necessário. Humilhar profissionais ou apresentar suspeitas como verdades é outra coisa. Uma câmera pode registrar uma cena; dificilmente explica, sozinha, tudo o que aconteceu antes dela.
Estar no repouso médico, por si só, não comprova abandono de pacientes. É preciso verificar a escala, a jornada, as condições do serviço, os atendimentos realizados e se havia alguém precisando de assistência imediata sem recebê-la. É para isso que existe apuração.
Há ainda uma discussão que costuma desaparecer quando a indignação escolhe um culpado: a emergência começa a lotar muito antes da porta do hospital.
Começa quando falta acesso à atenção básica. Quando uma consulta não acontece, um tratamento não tem continuidade ou um problema que poderia ser acompanhado na unidade de saúde termina buscando acolhimento no pronto-socorro.
A população procura a porta que encontra aberta. Não merece ser culpada por isso. Mas o médico que está atrás dessa porta também não pode responder sozinho por todas as falhas do caminho.
Quem conhece a medicina nos pequenos municípios sabe que há plantões com equipes insuficientes, falta de medicamentos, dificuldades para realizar exames e obstáculos para transferir pacientes. Essas condições precisam ser examinadas junto com a conduta dos profissionais. Cobrar responsabilidade exige olhar para toda a cadeia de responsabilidades.
Nos comentários das redes sociais, entretanto, o julgamento costuma chegar antes da investigação. A conduta atribuída a dois médicos vira sentença contra uma profissão inteira.
Há maus profissionais na medicina, como em qualquer atividade. Devemos enfrentá-los com seriedade. Generalizar a suspeita apenas amplia a injustiça e enfraquece a confiança de que o cuidado precisa.
Espero que o Conselho Regional de Medicina apure a conduta dos médicos e que as demais autoridades competentes examinem também a atuação do prefeito. Se os profissionais erraram, que respondam. Se houve acusação falsa, abuso ou exposição indevida, que seu autor também responda, inclusive criminalmente, se assim couber após a devida apuração.
Nós, médicos, precisamos nos solidarizar e nos mobilizar. Cabe discutir um dia de mobilização na rede ambulatorial, organizado com responsabilidade, comunicação prévia e proteção aos pacientes, preservando integralmente as urgências e emergências. Um movimento que torne visíveis as condições de trabalho e cobre compromissos concretos de quem administra a saúde.
A dor da população merece atendimento. A conduta médica exige responsabilidade. E a autoridade pública deve prestar contas da forma como exerce o poder.
Não defendo o erro. Defendo a apuração. E exijo respeito — porque nenhum cargo autoriza alguém a transformar a dignidade alheia em espetáculo.
A sucessão da Mesa Diretora da Câmara Municipal de São José do Egito promete reeditar uma disputa que marcou o início da administração do prefeito Fredson Brito. Dois anos depois de uma eleição movimentada por mudanças de apoio, desistências e rompimentos políticos, os bastidores da Casa Legislativa voltam a registrar articulações em torno de diferentes candidaturas.
Na disputa anterior, o envolvimento político de Fredson foi registrado pela imprensa regional. Em dezembro de 2024, o Blog Nill Júnior noticiou que o então prefeito eleito havia articulado uma maioria em torno do vereador Aldo da Clips, movimento que naquele momento enfraqueceu a candidatura de Albérico Tiago, parlamentar reeleito para o quarto mandato.
A composição, entretanto, não resistiu às reviravoltas dos últimos dias daquele ano. Albérico retirou sua candidatura e passou a apoiar Romerinho Dantas, enquanto Aldo desistiu para apoiar Vicente de Vevéi. O resultado foi a eleição de Romerinho, em 1º de janeiro de 2025, por sete votos contra seis.
A vitória representou uma derrota política para a composição apoiada pelo prefeito eleito e foi seguida pelo rompimento entre Fredson e Albérico, até então integrantes do mesmo grupo político.
Agora, com a aproximação do biênio 2027–2028, os nomes de Romerinho Dantas, Aldo Lima e Patrícia de Bacana voltam a movimentar as conversas sobre o comando do Legislativo municipal.
Segundo relatos de bastidores, Fredson também estaria acompanhando as articulações da nova sucessão, desta vez com menor exposição pública. A extensão de sua participação e os apoios efetivamente definidos ainda precisam ser esclarecidos.
A disputa ocorre em um momento de maior projeção regional do prefeito, que coordenou a campanha de Raquel Lyra no Pajeú e passou a ter seu nome associado a outras articulações políticas, incluindo a sucessão no CIMPAJEÚ.
O cenário coloca novamente em evidência uma questão que acompanha a política de São José do Egito: até onde vai a influência do Executivo na escolha de quem preside um Legislativo constitucionalmente independente?
A resposta dependerá das alianças que se consolidarem nas próximas semanas. A experiência de 2024, contudo, deixou uma lição: no xadrez político egipciense, maiorias anunciadas nem sempre são maiorias confirmadas nas urnas.
O vice-presidente da Câmara Municipal de Caruaru, vereador Jorge Quintino (Podemos), também fez uma avaliação positiva da palestra ministrada por mim, ontem, na Casa Legislativa, sobre o cenário político brasileiro após as eleições presidenciais. O parlamentar acompanhou o debate, promovido por iniciativa do presidente da Câmara, Bruno Lambreta (PSDB), que reuniu vereadores, secretários municipais, advogados, radialistas e lideranças políticas. Segundo Quintino, o debate pós-eleição deveria ser levado a todas as casas legislativas do Estado. Confira!