Metrópoles
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne, hoje, no Palácio da Alvorada, com um grupo de conselheiros de sua confiança para discutir os rumos da economia no quarto mandato. A ideia é encontrar caminhos que preservem os benefícios sociais, mudem a trajetória da dívida pública e atraiam investidores estrangeiros interessados em soluções ambientais e geológicas.
Segundo informação à coluna, foram chamados o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad; o atual titular da pasta, Dario Durigan; o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que não pôde comparecer devido a outro compromisso; e o vice-presidente Geraldo Alckmin. O ex-ministro Guido Mantega também quer ser ouvido, entre outros conselheiros.
Leia maisLula foi reeleito em 25 de outubro com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL). A dívida pública ultrapassou 82% do PIB no atual governo, o que representa uma alta de cerca de 10 pontos percentuais ao longo do mandato. Cada conselheiro deve chegar à mesa com uma visão diferente sobre como enfrentar o problema.
Durigan, que assumiu a Fazenda quando Haddad saiu para disputar o governo de São Paulo, tem sido aconselhado por economistas mais ortodoxos. O ministro está preocupado com o crescimento das despesas e defende ajustes mais complexos e de longo prazo nas contas públicas, com medidas graduais, porém consistentes. Ele também enxerga potencial nos investimentos estrangeiros como alavanca para o crescimento. Justamente por apostar na entrada de capital externo interessado nos recursos naturais do país, Durigan tem ojeriza a qualquer medida que possa ser interpretada como controle de capitais. A avaliação na Fazenda é que um sinal nessa direção afastaria os investidores que o governo pretende atrair.
Galípolo deve defender um Banco Central independente e autônomo, a continuidade da meta de inflação e a posição do mercado financeiro tradicional, que cobra disciplina fiscal e sinais concretos de controle dos gastos como condição para a queda dos juros. Como a taxa básica pesa diretamente sobre o custo da dívida, a avaliação do Banco Central é considerada decisiva para qualquer estratégia de estabilização.
Haddad defende a junção dos benefícios sociais em novo desenho. Ainda como ministro, em fevereiro, ele propôs nova arquitetura para os gastos assistenciais, com a unificação de programas, nos moldes do que foi feito em 2003, quando iniciativas dispersas foram reunidas no Bolsa Família.
Alckmin defende levar para Brasília a mesma fórmula que aplicou no governo de São Paulo. Como governador, ele tratou o ajuste fiscal como tarefa permanente, com contingenciamento do Orçamento logo no início de cada gestão, corte de despesas de custeio, redução de cargos comissionados e revisão de contratos, preservando, ao mesmo tempo, a capacidade de investimento do Estado.
Para Alckmin, o governo federal precisa dar o primeiro exemplo antes de pedir sacrifícios a outros setores, cortando gastos supérfluos e os supersalários do funcionalismo. O vice também pretende rever o fundo eleitoral e as emendas parlamentares, que consomem fatia crescente do Orçamento e reduzem a margem do Executivo para investir.
Mantega representa a ala desenvolvimentista do PT. O ex-ministro sustenta que o principal problema da economia brasileira está na política monetária, que ele já classificou como irracional, e não no excesso de gastos. Na visão dele, os juros altos encarecem a dívida, travam o investimento produtivo e limitam o crescimento, que seria o melhor caminho para reequilibrar as contas. Mantega comandou a Fazenda entre 2006 e 2014, período em que a dívida líquida caiu de 49% para 33% do PIB, conforme lembram defensores de sua gestão.
Além do ajuste das contas, o governo quer usar a transição energética e os recursos minerais, como as terras-raras, como vitrine para o capital estrangeiro. A aposta é que investimentos em energia limpa, preservação ambiental e mineração estratégica tragam dólares, crescimento e arrecadação, sem pressionar o Orçamento.
Na reunião, Lula deve, como costuma fazer nesses encontros, mais ouvir do que falar, sobretudo porque está poupando a voz para a gravação do pronunciamento.
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