Para onde vão mais R$ 2 bilhões em empréstimos?
A governadora Raquel Lyra (PSD) joga pedras no ex-governador Paulo Câmara injustamente. Dele, recebeu, ao contrário do que propaga, um Estado enxuto, ajustado financeiramente. Do contrário, não teria contratado cerca de R$ 15,2 bilhões em operações de crédito. Adicionalmente, foram aprovados US$ 275 milhões para a reestruturação e refinanciamento de dívidas antigas do Estado.
O montante acumulado por meio dessas diversas operações de crédito é dividido entre contratos já executados e novas autorizações de captação concedidas pela Assembleia Legislativa.
Ontem, a Alepe aprovou mais R$ 2 bilhões sem conhecer, com clareza, onde os recursos serão aplicados, quais serão as condições dos empréstimos e quanto essa conta custará aos cofres públicos.
Leia maisO projeto enviado pela governadora à Assembleia Legislativa prevê autorização para contratar até R$ 1,935 bilhão em operações de crédito, inclusive sem garantia da União, oferecendo receitas estaduais, como ICMS e FPE, como garantias.
Estamos falando de dinheiro público e de compromissos que poderão alcançar os próximos governos e comprometer receitas futuras. Por isso, algumas perguntas precisam ser respondidas: quais obras e projetos serão beneficiados? Quanto será destinado a cada um? Quais serão os juros, os prazos e o custo total dos financiamentos?
Não se trata de impedir Pernambuco de captar recursos. Trata-se de exigir planejamento, transparência e responsabilidade na utilização do dinheiro público. A Assembleia Legislativa tem o dever de discutir, fiscalizar e conhecer a destinação desses recursos antes de conceder uma autorização dessa dimensão.
O desenvolvimento de Pernambuco exige investimentos, mas também exige responsabilidade com o dinheiro dos pernambucanos. Investimentos, sim. Cheque em branco, não. Pernambuco não pode assumir mais uma dívida de quase R$ 2 bilhões sem saber exatamente o que está financiando, quanto vai pagar e quem ficará responsável por essa conta.
BRASÍLIA BURBULHA – Em Brasília, o que não falta é especulação sobre a montagem do novo ministério do Governo Lula 4. Comecemos pela equipe econômica. O ministro da Fazenda não seria Geraldo Alckmin nem o governador reeleito do Piauí, Rafael Fernandes (PT), mas alguém com perfil mais técnico e não político. Fernando Haddad iria para o BNDES no lugar de Aloizio Mercadante e este seria remanejado para a CEF ou o Banco do Brasil.

Veras na Agricultura – O atual ministro da Agricultura, André de Paula, o entrevistado de ontem no meu podcast Direto de Brasília, não seria mantido. Em seu lugar, assumiria outro pernambucano, mas do PT: o deputado Carlos Veras, atual primeiro-secretário da Câmara dos Deputados. A explicação é a de que o presidente Lula gosta muito do deputado Renildo Calheiros (PCdoB), não reeleito e que assumiria o mandato na condição de suplente da federação PT-PV-PCdoB.
Valdemar ministro, Rands deputado – Ainda tem mais: o deputado reeleito Valdemar Oliveira (Avante) assumiria o Ministério da Ciência e Tecnologia, numa articulação direta de Fernando Haddad, amigo do peito do ex-deputado Maurício Rands, que assumiria o mandato na condição de primeiro suplente do Avante. Esta equação parece um pouco sem lógica por um simples detalhe: Lula precisa de votos na Câmara e o Avante só elegeu quatro deputados. Passa a ter sentido se houver a federação do PSB, PDT e Avante, mas a senadora eleita Marília Arraes ameaça deixar o PDT, caso a federação se concretize.
João no Desenvolvimento Regional – Já o presidente nacional do PSB, João Campos, não teria a menor empolgação pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. Nos seus planos, o Ministério do Desenvolvimento Regional, recheado de políticas públicas voltadas para o Nordeste, tendo como principal braço para os programas de demanda dos Estados a Codevasf, de orçamento robusto. A pasta também é responsável pela execução de programas de enfrentamento aos ciclos periódicos de seca, agravados com o fenômeno do El Niño.

Dudu, o nome do PP para o Ministério – Por fim, o deputado Eduardo da Fonte, presidente estadual da federação PP-UB, não eleito para o Senado, estaria na bolsa de apostas para um gabinete na Esplanada dos Ministérios desde que viesse a ser indicado pela bancada do PP. Dudu, como é conhecido e tratado carinhosamente em Brasília, tem prestígio na federação, circula bem entre todos os partidos no Congresso e não seria nenhuma surpresa o PP, com o respaldo da federação, bancar a sua indicação.
CURTAS
DERRETEU – A vitória dos democratas nas eleições para governador e Senado no Texas provocou uma perda de mais de US$ 120 bilhões em valor de mercado para as empresas de Elon Musk. As ações da Tesla e da SpaceX caíram 2,4% e 4,9%, respectivamente, após o resultado eleitoral no estado onde o bilionário concentra seu império empresarial.
RISCO – A vitória expressiva do partido em todo o país acrescenta uma nova camada de risco, uma vez que Musk é um importante financiador dos republicanos. Antes do dia da eleição, analistas de mercado alertavam que o domínio democrata nas urnas poderia fortalecer a capacidade do partido de dificultar o desenvolvimento da inteligência artificial, investigar a conduta de Musk e impedir uma possível união entre Tesla e SpaceX.
PACIFICAÇÃO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um pronunciamento à nação em que dará recado sobre a saúde das contas públicas no seu quarto mandato. Na primeira fala para rádio e TV após ser reeleito, Lula fará, segundo aliados, um discurso de pacificação nacional e agradecerá pelos 64 milhões de votos. O pronunciamento foi gravado na terça-feira e está previsto para ser exibido no próximo domingo.
Perguntar não ofende: Por que a governadora não especificou o destino do novo empréstimo de R$ 2 bilhões?
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