Em 30 dias de campanha, Raquel fez 26 agendas em horário do expediente
Os primeiros 30 dias de campanha eleitoral mostram que Raquel Lyra (PSD) não vem conciliando as agendas políticas com o expediente que precisa dar como governadora. Das 45 atividades públicas como candidata em dias úteis, 26 foram cumpridas em horários em que ela precisaria trabalhar como chefe do Poder Executivo, o que corresponde a 57% do total.
Em ao menos um terço do calendário já transcorrido, ela não teve como cumprir as oito horas de serviço como governadora. O expediente oficial do Governo de Pernambuco vai das 8h às 17h, com uma hora de almoço, conforme determinado pela Secretaria de Administração.
Leia maisHá dias, contudo, em que, segundo a agenda divulgada pela assessoria da candidata, Raquel não conseguiu dar nem quatro horas de expediente dentro desse período. Em 20 de agosto, por exemplo, ela esteve em uma sabatina às 11h, gravou o guia eleitoral às 14h e teve que estar numa caminhada na Várzea, na Zona Oeste do Recife, às 17h, horário em que, à luz da legislação vigente, já estaria livre de sua jornada de trabalho como governadora.
Outro dia com possível expediente reduzido foi 26 de agosto. Às 8h, já em horário de expediente, a governadora fez um panfletaço na Avenida Agamenon Magalhães, no Recife. Depois, às 14h, esteve em uma sabatina, e às 16h, gravando seu guia eleitoral. No dia seguinte, a situação se repetiu.
Segundo a agenda oficial, das 7h30 às 8h20, Raquel participou de uma sabatina online na sala de sua casa. Ela teve que gravar inserções para a televisão às 15h, participar de uma caminhada em Igarassu, no Grande Recife, às 16h30, e inaugurar o comitê de um aliado na Zona Sul do Recife, às 20h.
Em 2 de setembro, das 11h às 15h, Raquel esteve ocupada em duas sabatinas presenciais no Recife, das quais participou como candidata. Às 17h, já teve que estar em uma caminhada no Ipsep, na Zona Sul da capital, o que praticamente tomou todo o dia dela com atividades de campanha. A rotina de candidata prevaleceu sobre as agendas de governadora também em 10 de setembro.
Raquel gravou para o guia eleitoral às 10h e se dirigiu a uma sabatina em Caruaru às 14h. Embora candidatos à reeleição tenham a vantagem de concorrer sem sair do cargo, a legislação eleitoral veda a participação em atos de campanha no horário de expediente para preservar o princípio da impessoalidade e evitar abuso de poder econômico que desequilibre a disputa.
Mesmo cumprindo expediente reduzido como governadora, Raquel segue embolsando seu salário integralmente. Como é procuradora do Estado e optou pela remuneração de sua carreira, a candidata tem ganhos mensais acima de R$ 60 mil, o que já foi tema de denúncia durante a campanha e vem sendo contestado judicialmente.
INVERDADES – A governadora Raquel Lyra (PSD) parece ter escolhido a inverdade como método de campanha. O que prometeu, por exemplo, não entregou ao longo dos quatro anos. Nos debates, tenta apresentar como realização aquilo que não fez. E agora não condiz com a verdade também sobre o futuro, fazendo novas promessas como se os pernambucanos não pudessem cobrar o que ficou para trás. Mas há algo ainda mais grave: a Justiça Eleitoral acaba de desmentir a própria Raquel. A governadora divulgou um conteúdo apresentado como “Direito de Resposta” contra João Campos, tentando passar ao eleitor a impressão de que havia conquistado uma decisão judicial contra o candidato do PSB.

Gravíssima desinformação – O desembargador eleitoral Paulo Augusto de Freitas Oliveira foi claro ao apontar que não existia, naquele processo, decisão concedendo direito de resposta a Raquel. Mais do que isso, determinou a retirada imediata do conteúdo das redes sociais da candidata e das páginas que reproduziram a peça. O magistrado também destacou que a utilização da expressão “Direito de Resposta” poderia induzir o eleitorado ao erro e classificou a prática como “gravíssima desinformação institucional”. Ou seja: não foi João Campos quem desmentiu Raquel. Foi a própria Justiça Eleitoral.
Golpe da Transnordestina – O candidato do PSB a governador, João Campos (PSB), acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de retirar o trecho pernambucano da Transnordestina da concessão federal e dar um “golpe em Pernambuco”. A declaração foi dada à TV Globo. Em seguida, prometeu, caso seja eleito, pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que transfira ao Estado a responsabilidade pela obra e afirmou que pretende inaugurá-la em quatro anos.
Faltou empenho de Raquel – Em dezembro de 2022, um aditivo ao contrato da Transnordestina Logística excluiu da concessão o trecho Salgueiro-Suape, em Pernambuco, que retornou à responsabilidade do governo federal. João afirmou que Lula se comprometeu a executar o ramal, mas acusou o governo de Raquel Lyra (PSD) de não assumir o protagonismo necessário para tirar a obra do papel.

Independentes e o Sudeste puxam Flávio – Pela primeira vez em pesquisa da Quaest, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ultrapassou numericamente Lula (PT), com 42% contra 40% do petista. A vantagem foi puxada, entre outros grupos, por eleitores independentes, aqueles que não se classificam como de esquerda ou lulistas, tampouco de direita ou bolsonaristas. Entre eles, o senador tem agora dez pontos a mais que o adversário (36% a 26%). Outro estrato importante para ilustrar a evolução de Flávio é o regional. No Sudeste, região mais populosa, a diferença entre ele e Lula é agora de 16 pontos; na semana passada, era de nove. As variações ocorreram dentro da margem de erro de três pontos percentuais nas duas pesquisas, mas indicam uma curva positiva para o bolsonarista.
CURTAS
EFEITOS DA CRISE 1 – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista ao portal Neofeed que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) atrapalha muito a economia e traz uma instabilidade muito ruim para o país. Além disso, disse que há um preconceito do mercado com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e repetiu que tem compromisso com a responsabilidade fiscal e aprofundará medidas sobre isso num possível próximo mandato.
EFEITOS DA CRISE 2 – “Esse tipo de instabilidade é muito ruim. Eu tenho que reconhecer isso. O presidente Lula tem dito isso, que é muito importante. O Poder Judiciário tem que ser um poder independente do Legislativo, do Executivo, e ao mesmo tempo harmônico, e tem que ter uma postura de ganhar mais credibilidade, de abrir os processos sem escolhas seletivas do que está sendo vazado, não vazado. É preciso fazer isso à luz do que está sendo vazado”, disse Durigan.
NA PRISÃO – O Tribunal de Justiça de Pernambuco manteve o afastamento das funções públicas do policial penal Alessandro Barbosa Martins de Sousa, ex-diretor da Penitenciária Doutor Edvaldo Gomes, em Petrolina. Ele é suspeito de participação num esquema de corrupção que garantia privilégios a presos em troca de propina.
Perguntar não ofende: A sessão do Supremo acaba em pizza?
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