Mendonça cria escola do bolsonarismo oportunista
Mendonça Filho, que trocou de última hora o União Brasil pelo PL, calculou meticulosamente sua candidatura ao Senado. A projeção se deu a partir do instante em que a governadora Raquel Lyra (PSD) rifou, literalmente, o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, optando pelo presidente da federação União Progressista, Eduardo da Fonte.
Pelos seus cálculos, com Miguel no páreo, não teria a menor chance correndo por fora. Mas com Eduardo, imagina que sim. Mendonça está iludido. E a ilusão da política é pior do que a do amor, como disse Agamenon Magalhães. Eduardo da Fonte é competentíssimo, tem serviços prestados ao Estado, sobretudo na saúde, onde equipou hospitais do SUS para o povão ter acesso a tratamento digno em enfermidades graves, como câncer.
Leia maisMendonça também acha que conquistará o eleitorado de direita e, principalmente, os bolsonaristas. Outro ledo engano. Mendonça é de direita e ultraconservador, mas nunca foi bolsonarista. Aliás, desconheço qualquer vínculo dele com Bolsonaro, que não quis sua continuidade no Ministério da Educação, pasta que ocupou na gestão Temer.
Quando relator da PEC da Segurança Pública, Mendonça flertou com a esquerda, não fez concessões aos bolsonaristas, nem ao Centrão, tampouco à direita. Gerou resistências entre governadores devido a preocupações com a perda de autonomia dos estados e o controle sobre as forças de segurança. Governadores e setores da oposição viram risco de centralização ou interferência na gestão das polícias estaduais.
Mendonça acha que repete o fenômeno Gilson Machado nas eleições de 2022, que teve 1,3 milhão de votos, 30% dos votos úteis. Mas Mendonça está sonhando. Ainda não acordou para uma dura realidade: não tem — e nunca teve — identidade com o eleitorado bolsonarista. Gilson, sim. Sempre foi e continuará sendo o político legitimamente mais identificado com o ex-presidente Bolsonaro em Pernambuco.
Virar bolsonarista de última hora atende pelo nome oportunismo. Político oportunista é aquele que muda de lado, de discurso ou de alianças apenas para obter vantagens pessoais ou manter o poder, sem se importar com ética, moral ou com o bem da população.
REMOÇÃO DAS REDES – O Tribunal Regional Eleitoral determinou, em decisão liminar proferida pelo desembargador Luiz Gustavo de Mendonça, a remoção de publicações nas redes sociais que atribuíam ao governo de Raquel Lyra (PSD) a operação de um suposto “gabinete do ódio” contra o candidato adversário João Campos (PSB). Segundo a petição, perfis nas redes sociais usaram um trecho de reportagem exibida pela TV Record para afirmar, de forma categórica, que a matéria comprovaria a existência de um “gabinete do ódio” financiado pelo governo estadual para atacar João.

O “banho” do Ceará em Pernambuco – Saiu, ontem, o ranking de competitividade dos Estados brasileiros feito por uma instituição do Governo Federal e Pernambuco tomou um “banho” do Ceará, governado por Elmano Freitas (PT), que ficou em primeiro lugar no Nordeste e décimo-primeiro no País. Na gestão de Raquel, Pernambuco ficou em quinto no Nordeste, perdendo até para a Paraíba. O Ceará aparece em primeiro lugar em competitividade no NE (indicador geral), em Capital Humano, em Educação e em Eficiência da Máquina Pública. Também em primeiro lugar em Investimento Público do Nordeste, o terceiro do País.
Evolução da espécie – Flávio Bolsonaro deu uma nova contribuição à teoria de Darwin. Mostrou-se mais assertivo que o pai ao mentir, distorcer e renegar o que já disse. É a evolução da espécie, segundo descreveu o jornalista Bernardo Mello Franco. Em entrevista à TV Globo, o candidato do PL fingiu desconhecer os fatos que levaram o capitão à cadeia. Descreveu como “golpe da Disney” a conspiração que destruiu as sedes dos Três Poderes e quase arrastou o país para uma nova ditadura. O senador ainda chamou de petista o ex-comandante da Aeronáutica que, depois de votar em Jair Bolsonaro, recusou-se a manchar a farda para impedir a alternância de poder.
Polarização refletida para o Senado – As primeiras pesquisas de intenção de voto para o Senado nesta largada de campanha eleitoral apontam uma tendência de aumento da polarização na Casa em que 54 cadeiras, duas por Estado, estão em disputa este ano. Considerando os 27 parlamentares em metade de mandato e os candidatos numericamente à frente nos levantamentos, os partidos do Centrão perderiam espaço, mas o bolsonarismo e a esquerda ainda estariam distantes de formar maioria para aprovar projetos de seu interesse que dependem de quórum qualificado. O Partido Liberal (PL), do presidenciável Flávio Bolsonaro, foi a legenda que mais lançou candidatos a senador: são 33 postulantes a uma vaga em 25 Estados — só não há representantes no Amapá e em Alagoas, onde o partido apoia Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Lula e Flávio empatados – Pesquisa do Vox Brasil aponta empate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de 2º turno pela Presidência. O congressista tem 45,1% das intenções de voto, ante 44,5% do petista. A pesquisa Vox Brasil ouviu 2.100 eleitores em todo o território nacional, de 25 a 27 de agosto de 2026. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-05519/2026.
CURTAS
SOLIDARIEDADE – O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), postou um vídeo em suas redes de solidariedade ao candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB), após a divulgação de denúncias envolvendo uma suposta estrutura organizada para promover ataques ao socialista. Alckmin afirmou que está ao lado de João Campos e defendeu uma disputa eleitoral sem práticas de perseguição ou ataques coordenados.
COM A MÃE – A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), levou a mãe Márcia Lyra para agenda de campanha na comunidade do Bode, sábado passado. Ao lado da mãe, Raquel lembrou que aprendeu a fazer campanha de rua com a genitora ainda aos 12 anos de idade e listou os aprendizados.
PODCAST – No podcast Direto de Brasília de amanhã, o cientista de dados, publicitário, empresário e pesquisador Alek Maracajá vai falar sobre o impacto das pesquisas eleitorais, se elas influenciam o eleitor, se a multiplicidade de institutos e levantamentos causam algum tipo de confusão na cabeça do eleitor e o impacto que recorte de pesquisas estão causando nas redes sociais.
Perguntar não ofende: Agamenon Magalhães foi um sábio ao afirmar que a ilusão da política é pior do que a do amor?
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