Presença de suposto líder de ‘gabinete do ódio’ no Palácio complica versão de Raquel
Documentos revelados pelo Metrópoles registram ao menos duas entradas de Amisadai Andrade no Campo das Princesas e dão novo peso à gravação em que ele afirma ter feito reunião no Palácio para tratar de atuação contra João Campos. A revelação de que Amisadai Andrade da Silva, apontado como suposto articulador de uma rede de ataques contra adversários da governadora Raquel Lyra (PSD), esteve ao menos duas vezes no Palácio do Campo das Princesas acrescenta um elemento objetivo a um caso que, até então, estava concentrado principalmente no conteúdo das gravações exibidas pela TV Record.
Os registros de acesso revelados pelo Metrópoles não comprovam, por si só, o conteúdo das reuniões, mas confirmam que Amisadai efetivamente frequentou a sede do Governo de Pernambuco. E isso complica politicamente a posição da governadora. A informação ganha ainda mais relevância porque surge poucas horas depois de Raquel contestar publicamente o relato do próprio Amisadai e cobrar “provas”.
Leia maisNa gravação divulgada pela Record, ele afirma que houve reunião no Palácio e diz que o Governo do Estado teria enxergado a rede como um canal para tentar “desidratar” João Campos (PSB). Agora, documentos obtidos pelo Metrópoles mostram que Amisadai entrou no Palácio em 22 de julho de 2024, com destino à Casa Civil, e retornou em 30 de setembro daquele ano.
O ponto central é a mudança de patamar da controvérsia. A presença de Amisadai no Palácio não demonstra que as reuniões tenham tratado de ataques políticos, nem comprova participação de Raquel Lyra. Mas reduz o espaço para tratar como inteiramente inverossímil a parte do relato em que ele afirma ter mantido reuniões na sede do governo.
A partir de agora, a questão deixa de ser apenas se ele esteve no Campo das Princesas e passa a ser com quem se reuniu, para tratar de quê e a convite de quem. Há outro detalhe que amplia a pressão. Na primeira entrada identificada pelo Metrópoles, Amisadai teve como destino justamente a Casa Civil, uma das estruturas centrais de articulação política e administrativa do governo.
Na segunda, apresentou-se como representante do Portal da Prefeitura, veículo que, segundo a reportagem, recebeu R$ 642,5 mil do Governo de Pernambuco durante a gestão Raquel Lyra.
As novas informações também precisam ser lidas em conjunto com a reportagem da TV Record.
Segundo o Metrópoles, a emissora revelou uma investigação da Polícia Federal envolvendo uma rede supostamente ligada a Amisadai e formada por cerca de 300 canais on-line. No vídeo divulgado pela Record, ele diz operar páginas e perfis dedicados a “desidratar” João Campos e afirma que o pagamento pelo suposto serviço estaria relacionado a contratos de publicidade do governo.
Após a repercussão do caso, Raquel exonerou Amisadai. É justamente a combinação dos elementos que torna o episódio mais delicado para o governo. Isoladamente, uma entrada no Palácio pode ter inúmeras explicações legítimas. Isoladamente, uma gravação também precisa ter suas afirmações verificadas.
Quando o homem que aparece na gravação dizendo ter feito reunião no Palácio aparece nos registros oficiais de acesso ao próprio Palácio, porém, surge uma correspondência factual que exige respostas mais específicas.
A estratégia de simplesmente negar conhecimento ou minimizar a posição ocupada por Amisadai tende, portanto, a se tornar insuficiente. O governo passa a ter diante de si perguntas objetivas que podem ser respondidas documentalmente: quem autorizou as duas entradas? Com quais integrantes da Casa Civil ele se encontrou? Há registros das agendas? Qual era a pauta? Por que retornou ao Palácio como representante de um veículo que mantinha relação comercial com o Estado?
A situação também coloca sob maior escrutínio a reação adotada pelo governo depois da divulgação da reportagem. Amisadai era servidor da Caixa Econômica Federal cedido ao Estado e estava lotado na Secretaria de Turismo. Sua exoneração ocorreu somente após o caso ganhar repercussão nacional com a reportagem da Record.
Politicamente, portanto, a revelação do Metrópoles cria um problema maior para Raquel Lyra porque oferece um primeiro elemento documental que converge com uma parte importante do relato apresentado na gravação: houve presença de Amisadai no Palácio do Campo das Princesas, inclusive com registro de acesso à Casa Civil.
Isso não encerra a investigação nem comprova as acusações mais graves, mas torna mais difícil responder ao episódio apenas com uma negativa genérica. A partir daqui, o caso passa a depender menos de versões e mais de documentos. Se o próprio sistema de controle de acesso do Governo registra a presença do suposto operador da rede dentro do Palácio, esclarecer quem o recebeu e o que foi discutido nessas reuniões tornou-se uma questão central para Raquel.
RACHADINHA – Ex-chefe de gabinete do deputado estadual Joel da Harpa (PP), Jeieli da Costa Silva Santos teria retido salários de servidores comissionados sob a justificativa de sanar dívidas da campanha do parlamentar, em esquema popularmente conhecido como “rachadinha”, segundo um inquérito civil do Ministério Público de Pernambuco. A prática, segundo revelou o site do DP, teria acontecido entre fevereiro de 2015 e junho de 2017, durante o primeiro mandato de Joel da Harpa. Em nota, a Prefeitura de Paulista, em que Jeieli atualmente é secretária municipal, disse que o processo mencionado pela matéria já foi devidamente analisado e solucionado, com a adoção das providências cabíveis.

Rede de ódio – Do candidato do PSB a governador, João Campos, vítima, mais uma vez, do suposto gabinete do ódio montado pela governadora Raquel Lyra (PSD), conforme reportagem da TV Record em nível nacional: “Quem senta na cadeira para governar Pernambuco não pode estar coordenando uma milícia digital, não pode estar criando uma rede do ódio, porque isso não vale em uma democracia”. A reportagem apresentou uma série de acusações sobre uma suposta rede de páginas e perfis nas redes sociais que atuaria para atacar adversários da governadora durante o período eleitoral. Segundo o material, a estrutura utilizaria recursos provenientes de contratos de publicidade firmados com órgãos públicos estaduais.
Militares expulsos – Nove policiais militares foram excluídos da corporação após crimes cometidos em Pernambuco, segundo decisões publicadas no Diário Oficial do Estado. As punições tiveram como base investigações conduzidas pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social. Um dos punidos com a exclusão foi o 2º sargento Luiz Carlos da Silva, condenado a oito anos e três meses de prisão por homicídio qualificado. O crime ocorreu em um bar no município de Caruaru, em 26 de junho de 2021. O segundo foi o 1º sargento Samuel do Carmo Santos. A SDS afirmou, em portaria, que ele foi investigado por agredir a filha com socos, puxões de cabelo e coronhadas. Ele estaria sob efeito de bebida alcoólica no momento da violência, em 27 de maio de 2025.
Agora vai – O presidente Lula fechou, ontem, um acordo com o presidente do Senado e da Câmara para votar pautas de interesse do Governo. A proposta que terá andamento mais rápido será a medida provisória (MP) que trata do fim da chamada “taxa das blusinhas”, que será votada na próxima semana, segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O texto do fim da escala 6×1 e a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança serão analisados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) também na semana que vem, embora não haja garantia de votação no plenário.

Reação aos efeitos Lulinha – O presidente Lula decidiu endurecer o tom adotado ao abordar as suspeitas envolvendo o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para tentar se afastar do desgaste eleitoral causado pelas investigações que miram suspeitas de tráfico de influência. Integrantes da campanha afirmam que o petista está convencido da necessidade de ser mais incisivo ao afirmar que não vai tentar interferir nas investigações. Lula passará a reforçar que “ninguém está acima da lei” no governo dele e que não irá trocar delegado ou investigadores para beneficiar o filho. Com o avanço das investigações, que mostram suspeitas sobre a atuação de Lulinha em parceria com uma lobista, o tema se tornou um dos pontos mais vulneráveis da sua campanha à reeleição.
CURTAS
MANEIRAR – O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, voltou a pedir ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu irmão, que reduza os ataques públicos a aliados durante a campanha eleitoral. O telefonema para Eduardo, que mora nos Estados Unidos, ocorreu depois que ele compartilhou e endossou, no último domingo, um vídeo com críticas à candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal.
CACHÊ COM EMENDA – A cantora Ana Castela receberá R$ 850 mil para se apresentar na Expo São Fidelis. O show da artista será o primeiro dos quatro dias de apresentações musicais gratuitas na 14ª exposição agropecuária do município, que também contará com a participação de Tiee, Maiza Lima e da dupla Junior e Gustavo. O cachê da cantora, que se autointitula “boiadeira”, faz parte de uma verba de R$ 1 milhão destinada pela deputada Dani Cunha (PL-RJ) por meio de emenda parlamentar.
PODCAST – Em razão do adiantamento do podcast Direto de Brasília de ontem, com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, resolvi antecipar o podcast com o presidente da Fundação João Mangabeira, Carlos Siqueira, para hoje. Estava previsto para ir ao ar na próxima terça. Ele vai falar sobre o livro “O novo perfil eleitoral no Brasil, como pensa e como vota o brasileiro”.
Perguntar não ofende: Qual a verdadeira extensão do gabinete de ódio montado pela governadora?
Leia menos


















