Lula tenso com investigações envolvendo o filho
As notícias sobre o avanço das investigações envolvendo Fábio Luís, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), num possível tráfico de influência com seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e a lobista Roberta Luchsinger, abalam a estrutura do Planalto e o humor do chefe da Nação.
Conforme adiantou, ontem, a colunista Bela Megale, de O Globo, integrantes do governo relataram que o Lula piadista e bem-humorado de poucas semanas ficou para trás. O Lula tranquilo e confiante deu lugar a um presidente apreensivo e preocupado com sua campanha à reeleição.
Embora em público o discurso do presidente tenha sido no sentido de que não vai interferir nas investigações e os que cometerem erros devem pagar, em reservado, o presidente admite que é difícil dissociar sua imagem das crises envolvendo seu filho e seu ex-auxiliar e que isso pode ter um impacto eleitoral decisivo.
Leia maisOutro tema que tem incomodado Lula, segundo a colunista, são as disputas internas no PT e entre membros de sua campanha por espaços de poder. O presidente defende que é hora de união e de colocar a mão na massa.
A pesquisa Datafolha divulgada recentemente mostrou que, no segundo turno, Lula oscilou um ponto percentual para baixo desde julho, ficando com 47% das intenções de voto. Já Flávio permaneceu com 43%.
Na avaliação de integrantes da campanha petista, o desgaste envolvendo as investigações de Lulinha e Marcola já foi contabilizado no levantamento. O movimento de queda do presidente acendeu um alerta, mas, como ocorreu dentro da margem de erro, trouxe alívio aos petistas.
DERROTA NA JUSTIÇA – A Justiça de São Paulo negou, por ora, o pedido de Fábio Luís para que fosse retirado das redes sociais um vídeo publicado por Flávio Bolsonaro com o título: “Missão: localizar Lulinha”. O conteúdo, produzido com recursos de inteligência artificial, atribui ao filho do presidente Lula a condição de “suspeito de ter roubado milhões de idosos no Brasil”, em referência às fraudes envolvendo beneficiários do INSS. Na ação, Lulinha afirma que seu nome foi citado em investigação relacionada à Operação Sem Desconto, mas que não lhe foi atribuída participação nas fraudes contra aposentados e pensionistas.

Números iguais – A pesquisa Quaest sobre a sucessão estadual em Pernambuco, divulgada ontem pela Globo, confirmou o que o Datafolha já havia antecipado na disputa entre Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB), uma vantagem de oito pontos para a governadora, um a mais que o Data, que deu sete pontos. Já os números para o Senado em nada mudaram. Marília Arraes (PDT), que integra a chapa de João, permanece na liderança, enquanto Túlio Gadelha, o queridinho de Raquel, estagnou em 3%.
Paes lidera no Rio – No Rio, o candidato do PSD, Eduardo Paes, continua na liderança para o Governo do Estado, com 37%, enquanto Douglas Ruas (PL) tem 14%. O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) aparece com apenas 7%. No último levantamento da Quaest, divulgado em julho, Paes marcava de 38% a 42% das intenções de voto nos cenários da pesquisa estimulada, e os adversários mais próximos dos números de Paes, Garotinho e Ruas, marcavam 10%. Apesar do indicativo de avanço de Ruas após o início da campanha eleitoral, as duas pesquisas não são diretamente comparáveis, pois a última tinha o ex-governador Wilson Witzel (DC) entre os candidatos.
Tarcísio abre 13 pontos sobre Haddad – Já em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) mantém a liderança sobre o ex-ministro Fernando Haddad (PT) nas eleições pelo Palácio dos Bandeirantes, com 40% das intenções de voto contra 27% do petista no primeiro turno. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Depois aparecem Policial Edjane (Agir, 2%), Vera Lúcia (PSTU, 1%), Carlos Machado (PCB, 1%) e Vivian Mendes (UP, 1%). O levantamento também mostra que 13% dos entrevistados estão indecisos. Os brancos e nulos marcam 14%.

O desastroso Zema – Na entrevista de estreia da bancada do Jornal Nacional, o candidato a presidente pelo Novo, Romeu Zema, teve um desempenho classificado como “titubeante” e “simplório” pelos colunistas de O Globo, recebendo nota média 2 numa escala que vai de 1 a 5. Quanto maior o número atribuído pelo jornalista, melhor a atuação do candidato. Zema apostou no papel de linha auxiliar do bolsonarismo: defendeu anistia a golpistas, fim da vacinação obrigatória e megapresídios inspirados em Bukele. Tentou se apresentar como self-made man, mas omitiu ser herdeiro de um império familiar. Cobrado sobre a alta dos feminicídios em Minas, enrolou-se e prometeu “uma série de programas contra as mulheres”.
CURTAS
DEBOCHE 1 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a divulgar em aplicativos de mensagem um jingle político em ofensiva contra o principal adversário na disputa pela Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). A canção cita o pedido de dinheiro de Flávio a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a compra de uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília.
DEBOCHE 2 – A música também menciona a prisão do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado. A música distribuída pelos petistas tem como inspiração um jingle, de dez anos atrás, que virou meme nas redes sociais nesta eleição. A gravação original, em ritmo de forró acelerado, contém acusações contra um candidato à prefeitura de Cocal dos Alves (PI) em 2016.
EMPATE – Em São Paulo, Estado mais populoso do país, Flávio Bolsonaro (PL) teria hoje 30% dos votos e Lula também 30% no primeiro turno. Flávio perdeu uma vantagem pequena que tinha e agora está empatado com seu adversário, segundo pesquisa da Quaest divulgada ontem.
Perguntar não ofende: Lulinha pode atrapalhar a reeleição do pai?
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