Por Djnaldo Galindo*
As pesquisas mais recentes apontam o mesmo cenário: empate técnico entre Raquel Lyra e João Campos dentro da margem de erro. Para quem está no Palácio, o resultado acende um alerta. Para quem está na oposição, traz tranquilidade.
Havia uma expectativa natural no meio político de recuperação da governadora. É o efeito da visibilidade do cargo. De um lado, a governadora com a estrutura do estado, de avião, com o apoio da maioria dos prefeitos, com ordens de serviço e inaugurações. Do outro, João Campos, já fora da Prefeitura do Recife, em pré-campanha pelo interior andando apenas de carro.
Leia maisEsse ciclo, no entanto, se encerrou. Com a chegada dos limites impostos pela legislação eleitoral, a propaganda institucional milionária sai de cena, as contratações ficam limitadas e as inaugurações perdem força. A pressão dos prefeitos sobre as bases vai continuar, mas sem o reforço direto da máquina estadual. O período de treino com vantagem terminou. O jogo equilibrado começa agora.
Outro ponto é o perfil do eleitorado captado até aqui. As pesquisas refletem sobretudo o eleitor mais ligado à política. O número de indecisos é considerável e relevante e pode decidir a eleição. É um contingente que não foi alcançado pela força da máquina nem pelo volume de publicidade institucional e que tende a decidir mais à frente, de forma mais autônoma.
Nesse momento, o fator nacional ganha peso. Pernambuco é um estado extremamente lulista e será inevitável saber qual o peso real do apoio de Lula. Raquel Lyra governa e está sendo apoiada por bolsonaristas, o que cria um desafio evidente de posicionamento. Não há como virar Diana do Pastoril, trocando de cor e de fantasia a cada cena, numa situação de uma eleição nacional em que se precisa ter posição explícita em razão da forte polarização.
João Campos chega a essa fase com a vantagem da coerência de palanque e com um ativo político importante: a dificuldade da governadora em montar sua chapa para o Senado. Num processo em que caberia ao Palácio impor agenda e dissuadir dissidentes com o poder da caneta e do orçamento bilionário do estado, essa dificuldade acaba sendo lida como sinal de ausência de liderança e de dificuldade de coordenação política.
A história eleitoral de Pernambuco também pesa na análise. Desde a Nova República, o padrão tem sido o governador eleito arrastar a chapa dupla para o Senado. Aconteceu em 1986, 2002, 2010 e 2018. A única exceção foi 1994, quando Carlos Wilson se elegeu senador junto com Roberto Freire — Wilson, ainda assim, saiu das entranhas do próprio arraesismo que elegeu Miguel Arraes governador. Hoje, nas pesquisas para o Senado, os dois nomes ligados ao palanque de João Campos lideram com folga.
Se o Senado costuma ser termômetro da disputa majoritária, o sinal atual é favorável à oposição.
Raquel Lyra teve, até aqui, vento a favor, máquina e tempo de exposição, e chegou a uma leve liderança numérica. João Campos fez uma pré-campanha de estrada, no corpo a corpo. A partir de agora, com as regras mais rígidas, o jogo efetivamente começa.
Analista político*
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