Por Igor Maciel – JC
A disputa entre Miguel Coelho (União Brasil) e Eduardo da Fonte (PP) por uma vaga na chapa de Raquel Lyra (PSD) finalmente começou a caminhar para uma solução. O entendimento em construção entre o PSD e a Federação União Progressista aponta para Eduardo como candidato ao Senado. O avanço ocorreu depois de uma quinta-feira (23) em que o grupo da governadora tentou resolver duas vagas com três candidaturas avulsas. Algo questionável sob vários pontos de vista e que causou muita estranheza no meio político.
Pela proposta que circulou, Miguel, Eduardo e Túlio Gadelha (PSD) seriam lançados ao Senado pelo mesmo palanque, sem estar no palanque. Depois de meses procurando um nome para completar a chapa, apareceu a alternativa de não escolher ninguém e entregar três nomes ao eleitor. A proposta aumentou a confusão antes de qualquer chance para uma solução. E foi rejeitada.
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Raquel convocou deputados e prefeitos do PP para uma conversa no Palácio do Campo das Princesas pela manhã. Eduardo, presidente estadual do partido e da federação, foi chamado somente depois. Para alguns interlocutores, a ordem pareceu uma tentativa de pressioná-lo por meio de seus aliados. Pode não ter sido essa a intenção, mas foi a leitura produzida pelo método.
O resultado apontou na direção contrária. O efeito foi inverso. Prefeitos e deputados reafirmaram apoio a Eduardo. Em vez de encontrar uma base disposta a convencê-lo a desistir, o Palácio ouviu um grupo unido em torno dele. A pressão, caso tenha sido essa a estratégia, voltou acompanhada de uma demonstração de força.
Avulsos
A conta dos três candidatos era política e juridicamente questionável, pra dizer o mínimo. Não encerraria o conflito entre União Brasil e PP, obrigaria aliados da governadora a disputar estrutura e votos dentro do mesmo campo e levaria para a campanha a divergência que os partidos não conseguiram resolver numa sala. A solução, no caso, seria transformar o impasse em método eleitoral. “O que não está resolvido, resolvido está”. Não tinha como dar certo.
O PP recusou. Lógico. Eduardo manteve a candidatura e defendeu que a Federação União Progressista fizesse a indicação. Mesmo repetida por Miguel durante o dia, a tentativa dos três avulsos terminou antes de ganhar forma. Restou a Raquel devolver a decisão ao colegiado da federação União Progressista. Todo o movimento do dia foi estranho no Palácio. E nada de solução até ali.
Liderança
A demora começou a preocupar inclusive quem apoia a governadora fora da política. Segundo fontes da coluna, a inquietação se concentra na imagem de liderança de Raquel, que sempre demonstrou capacidade de decidir e comandar sua base. Mas o conflito sobre a vaga do Senado se arrasta há meses sem que a líder do processo consiga encerrá-lo.
Também há questionamentos sobre a liberdade dada a Miguel para fazer declarações em nome da governadora. Na mesma quinta-feira, ele voltou a dizer que permanece candidato e possui o apoio de Raquel e da vice-governadora Priscila Krause (PSD).
Quanto mais Miguel sustenta o discurso, mais a muito provável indicação de Da Fonte poderá soar como “derrota do Palácio”, mesmo que resulte do cumprimento das regras partidárias e acordos prévios. É essa impressão de falta de liderança, e não apenas o nome escolhido, que vinha preocupando interlocutores ouvidos pela coluna.
Convergência
E ao fim do dia em que toda essa confusa articulação se desenrolou, uma saída ganhou forma. Segundo apuração da jornalista Terezinha Nunes, publicada neste JC, Eduardo e Lula da Fonte (PP) reuniram-se com advogados do PSD para tratar das exigências jurídicas das convenções do partido da governadora e da Federação União Progressista.
O encontro começou finalmente a colocar um entendimento no papel. A federação asseguraria apoio à reeleição de Raquel e preservaria o direito de indicar o candidato ao Senado. Também passou a ser discutida a antecipação da convenção do colegiado, marcada para 5 de agosto, para que a decisão esteja formalizada antes da convenção do PSD, no dia 2.
Depois de meses de conversas políticas, o impasse avançou quando chegou à mesa dos advogados. As duas convenções precisam aprovar decisões compatíveis. A reunião criou o caminho para que deixem de caminhar em direções opostas. É o primeiro passo para que, finalmente, o palanque de Raquel e seu provável candidato ao Senado se entendam.
Desfecho
Resta pouca dúvida sobre o nome que a federação deve indicar. O PP possui cinco dos sete integrantes da Executiva estadual. O União Brasil tem dois. A correlação apareceu na votação que escolheu Eduardo, com cinco votos favoráveis e duas abstenções. A decisão continua válida.
Antônio Rueda, presidente nacional da federação e dirigente do União Brasil, e Ciro Nogueira, vice-presidente e dirigente do PP, não chegaram a um acordo para substituir a deliberação estadual. Miguel pode recorrer, judicializar ou insistir politicamente. Nenhum desses caminhos lhe entrega hoje a maioria interna ou uma decisão nacional favorável.
Eduardo reúne os votos e os instrumentos partidários necessários para ser candidato. É também com ele que o jurídico do PSD começou a organizar o desfecho na noite da quinta. Faltam o entendimento formal e as convenções, mas o cenário está bem menos aberto do que as declarações públicas fazem parecer.
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