A cerimônia em que Ronaldo Caiado (PSD) oficializará Gilberto Kassab como candidato a vice-presidente, nesta quarta-feira, deverá ocorrer sem a presença da maior parte dos governadores da própria legenda. Ao menos quatro chefes de Executivo estaduais do PSD não devem comparecer ao evento, em Brasília. Outros dois não responderam à reportagem até a publicação deste texto.
A solenidade ocorre em uma semana considerada decisiva para os governadores. Na sexta-feira entram em vigor as restrições previstas pela legislação eleitoral, levando chefes de Executivo a concentrar inaugurações, entregas de obras e agendas administrativas nos estados. Nos bastidores, porém, integrantes do PSD reconhecem que as ausências também refletem a dificuldade de Caiado em converter a candidatura oficial do partido em apoio efetivo entre as principais lideranças da legenda. As informações são do jornal O GLOBO.
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Como mostrou o GLOBO, Caiado anunciará Kassab como candidato a vice em evento nesta quarta-feira. Os dois se reúnem nesta terça-feira, em São Paulo, para acertar os últimos detalhes da composição da chapa e definir a estratégia eleitoral para os próximos meses.
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra não deve participar da cerimônia. Segundo interlocutores, ela já tinha compromissos previamente agendados no estado, em meio à reta final de inaugurações e entregas de obras antes do início das restrições eleitorais.
Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões também não irá a Brasília. Além de ter compromisso na posse do novo presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Vicente de Oliveira Silva, auxiliares lembram que Simões foi vice de Romeu Zema e integra o projeto político do ex-governador do Novo, adversário de Caiado na disputa presidencial.
— Tenho a posse do presidente do Tribunal de Justiça de Minas, infelizmente não consigo — disse Simões ao GLOBO.
No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite permanecerá no estado. Sua assessoria informou que o governador cumprirá agendas previamente marcadas no interior gaúcho.
Já o governador do Paraná, Ratinho Júnior, está em licença de caráter pessoal e também não participará da cerimônia.
Os governadores Marcos Rocha, de Rondônia, e Fábio Mitidieri, de Sergipe, não responderam aos contatos da reportagem até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestação.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que parte dos governadores tomou conhecimento do evento apenas nesta terça-feira, pela imprensa, o que reforçou o sentimento de distanciamento em relação à pré-candidatura de Caiado.
As ausências, no entanto, ocorrem em um momento de constrangimento dentro da legenda. Além de presidente nacional do PSD, Kassab passará a integrar a chapa presidencial. É dele a palavra final sobre a estratégia nacional da sigla e sobre a distribuição dos recursos do fundo partidário e do fundo eleitoral, utilizados nas campanhas de governadores, senadores, deputados federais e estaduais.
A escolha de Kassab para a vice-presidência buscou justamente enfrentar um dos principais problemas da campanha de Caiado: a dificuldade para unificar o PSD em torno de sua candidatura. Desde que o ex-governador foi lançado como presidenciável da legenda, a maior parte dos governadores e lideranças estaduais manteve alianças regionais com adversários do goiano, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e Zema, dificultando a construção de um palanque nacional único.
Na avaliação de aliados, levar Kassab para a chapa amplia o peso político da candidatura dentro do próprio PSD e fortalece a capacidade de articulação da campanha. A expectativa é que o presidente nacional da legenda atue para reduzir resistências internas e ampliar o engajamento dos diretórios estaduais nos próximos meses.
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