Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, comunicou que entrará com um processo contra o deputado federal Ricardo Salles (SP). Desde 2024, Ricardo Salles está no partido Novo. Mas sempre é bom lembrar que ele foi eleito pelo mesmo PL presidido por Valdemar e foi ministro do Meio Ambiente do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Hoje, o Novo tem candidato à Presidência, Romeu Zema. Mas há conversas para que o ex-governador de Minas Gerais venha a ser vice do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). De qualquer modo, não há muita dúvida sobre quem Zema apoiaria num eventual segundo turno para o qual passasse Flávio. Ou seja, Valdemar e Salles estão no mesmo lado do jogo político.
Leia maisA briga entre os dois é mais uma a mostrar que, no caso da direita, usando o jargão das redes sociais, as definições de fogo amigo foram atualizadas. O que aconteceu? Ricardo Salles afirmou, em entrevista ao podcast Iron Talks, que os indicados do partido de Valdemar no Ministério dos Transportes durante os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff desviaram dinheiro quando lá estiveram.
Disse ainda Salles que o hoje governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, quando esteve no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) no governo Dilma barrou esse esquema. Bem, o fato é que houve mesmo denúncias contra os nomes do PL (antigo PR). Anderson Adauto, o primeiro ministro indicado por Valdemar no início do primeiro governo Lula, chegou a ser réu no Mensalão. E Alfredo Nascimento foi demitido por Dilma em 2011 quando surgiram contra ele denúncias de superfaturamento em obras.
Há quem diga que sempre houve certa desconfiança de Valdemar com Tarcísio por ter dificultado o acesso de Valdemar à área de transportes no Dnit. Mas o que de fato está por trás dos ataques de Salles a Valdemar é, mais uma vez, o caráter limitador da estratégia do PL na formação das suas alianças. Problema de Santa Catarina repete-se agora em São Paulo.
Em Santa Catarina, o fator de discórdia foi a transferência de Carlos Bolsonaro do Rio para o estado para disputar uma vaga pelo Senado. Defenestrou, assim, o senador Esperidião Amin (PP), que foi tentar a reeleição por outra chapa. Em São Paulo agora, é Ricardo Salles quem se vê sem espaçopara o Senado.
Dos EUA, Eduardo Bolsonaro quer que a vaga para o Senado seja do deputado estadual André do Prado (PL). E que seja ele, Eduardo, o suplente de senador na chapa. No mesmo Iron Talks, Ricardo Salles bateu pesado no filho 03 de Jair Bolsonaro, dizendo que as suas ações nos Estados Unidos só atrapalharam.
Dirigindo-se para as câmeras como se falasse diretamente com Eduardo Bolsonaro, Ricardo Salles disse que ele nos EUA fez um “monte de m…, inclusive trabalhando contra o Brasil na história do tafiraço”. Claramente, Ricardo Salles viu-se sem espaço na composição que a direita planeja para São Paulo.
Então, Eduardo respondeu dizendo que Salles, quando saiu do Ministério do Meio Ambiente, queria de Jair Bolsonaro um “carguinho” em algum conselho. “Dá dó de ver isso, Salles”, disse Eduardo. Salles disse que Eduardo só se mantém nos EUA porque o “papai” ajuda. “Você queria ajuda do papai também Sallles”, pergunta Eduardo.
O problema é que os planos da direita até agora em São Paulo, com exceção de Tarcísio de Freitas, não estão dando muito certo. As pesquisas mostram vantagem das ex-ministras do Planejamento e do Meio Ambiente Simone Tebet e Marina Silva e o ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França.
Essas brigas estreitam a formação dos palanques regionais. A sorte de Flávio Bolsonaro é que isso também vem acontecendo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com brigas como a do Maranhão, que já contamos. Há um estranho clima de UFC na disputa eleitoral. E só cabem dois no octógono.
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