O escritório de advocacia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu notas fiscais que somam ao menos R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026. A informação, confirmada pelo GLOBO, foi revelada pelo UOL, que analisou 62 documentos fiscais emitidos pela banca do senador.
O escritório de Flávio está sediado na própria casa onde ele mora, em Brasília, e é administrado à distância por uma funcionária que mora na periferia da capital federal. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisSegundo o UOL, as notas fiscais indicam que os pagamentos ao escritório de Flávio foram direcionados a contas bancárias mantidas no Santander e no BRB. A conta do Santander identificada em um dos documentos é a mesma que, segundo a Polícia Federal (PF), teria apresentado vínculos com Flávio e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam ter compartilhado uma conta bancária.
Ainda de acordo com o portal, o maior cliente do escritório de Flávio, entre os identificados nas notas fiscais, é o Nilo & Almeida Advogados Associados, que tem como sócio o advogado Edvaldo Nilo de Almeida, nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a Comissão de Ética Pública da Presidência em 2022.
O escritório aparece em duas notas fiscais de R$ 2 milhões cada, emitidas em agosto e outubro de 2025. Juntas, elas representam 29% do faturamento documentado da banca do senador.
Os documentos descrevem os serviços como “assessoria jurídica”, sem identificar processos ou detalhar os trabalhos realizados. Ambas as notas indicam uma conta do escritório de Flávio no Banco de Brasília (BRB) para o pagamento. Ao UOL, Edvaldo Nilo afirmou que os valores estão relacionados a um contrato firmado em abril de 2025 e negou qualquer irregularidade.
Ao GLOBO, o escritório afirmou que os pagamentos realizados pelo Nilo & Almeida Advogados Associados à Flavio Sociedade de Advocacia “decorreram de contrato de prestação de serviços advocatícios celebrado em abril de 2025”.
“Os serviços foram regularmente prestados conjuntamente pelos dois escritórios a clientes privados, sem qualquer envolvimento de recursos públicos ou participação de entes federativos. Após a efetiva prestação dos serviços, as respectivas notas fiscais foram emitidas e os valores correspondentes foram pagos em 06/08/25 e em 21/10/25, data em que se encerrou a relação contratual”, registra a nota.
Levantamento feito pelo GLOBO mapeou ao menos 18 casos pelo país em que a banca consta como parte — processos sob sigilo não aparecem na conta. Ainda que tímida no volume, a presença nas Cortes engloba temas diversos: o parlamentar já assinou petições nas áreas criminal, civil e empresarial.
De acordo com o Estatuto da OAB, não há impedimento para que um parlamentar exerça a advocacia, desde que ele não atue em processos que tenham a União ou algum órgão público como parte. A entidade também veda o trabalho para entidades ou empresas concessionárias de serviço público.
Flávio se formou na Faculdade de Direito na Universidade Candido Mendes, no Rio, e chegou a estagiar na Defensoria Pública do estado.
Em um dos processos mapeados pelo GLOBO, Flávio atua ao lado da banca de seu amigo Willer Tomaz, investigado, junto com o senador, em um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O caso envolve uma briga judicial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) envolvendo o controle de uma das maiores fábricas de balas e pirulitos do Brasil.
Junto com Willer, o senador representa um dos sócios da indústria, sediada no Rio Grande do Norte, que tenta evitar a execução de R$ 159 milhões nas contas e bens da empresa como expropriação para um familiar, que se retirou do negócio. O imbróglio se arrasta há mais de 20 anos.
Já na esfera criminal, também no STJ, o senador e advogado apresentou em 2025 um pedido de habeas corpus que pedia o trancamento de uma ação penal contra dois ex-sócios de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins, preso acusado de comandar um esquema bilionário de captação de criptoativos — ele nega as irregularidades.
Em outro processo, que tramitou no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Flávio moveu uma ação como advogado e parte interessada, exigindo do seu ex-sócio a prestação de contas do faturamento de uma loja de chocolates que ficava em um shopping no Rio. Flávio decidiu entrar na Justiça depois que foi notificado pelo ex-parceiro por uma dívida de R$ 1,5 milhão. O pedido foi indeferido pelo juiz em dezembro de 2023.
Esse mesmo comércio foi alvo de uma quebra de sigilo bancário numa investigação do Ministério Público, que apurava um suposto esquema de rachadinha no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o que foi negado pelo parlamentar. A denúncia do caso foi anulada pelas instâncias superiores.
A atuação de Flávio também se estende ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde ele aparece como advogado em dois casos. Um deles era a execução penal do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em razão da condenação no caso da trama golpista.
O outro tratava de uma queixa-crime apresentada por Flávio em causa própria contra o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, pedindo a condenação do petista por calúnia, difamação e injúria, e retratação, por ele ter dito que o senador comprou mais de cem imóveis com dinheiro da suposta rachadinha. A ação foi apresentada no início de 2025.
Os registros da Receita Federal mostram que o escritório do presidenciável é administrado por Letícia Caetano dos Reis. Com atuação na área contábil, ela é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, preso sob suspeita de participação nas fraudes do INSS. O escritório de contabilidade dele prestava serviços para Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, segundo a Polícia Federal. A defesa de Alexandre Caetano afirmou que ele “apenas exerce sua profissão, sem participação em supostos ilícitos”.
O GLOBO esteve na casa onde Letícia mora, a 35 quilômetros da sede da banca de advocacia e casa de Flávio, comprada por ele por R$ 5,97 milhões em 2021. Letícia não quis conversar com a reportagem, que foi atendida pelo seu marido, Raphael Silveira. Ele afirmou que a mulher atua para o escritório de contabilidade do irmão, antes presencialmente e agora em home office, mas não quis responder sobre o trabalho dela para o escritório de Flávio — o senador também não se manifestou.
Flávio alega questões de sigilo para não revelar a lista de clientes, mas uma nota fiscal mostrou que ele foi remunerado em R$ 500 mil em abril do ano passado após prestar serviços de “assessoria jurídica” a uma empresa ligada a uma consultoria que recebeu R$ 58 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. Informações que constam do documento indicam que o escritório de Flávio emitiu ao menos 41 notas fiscais e que o trabalho contábil é feito pelo mesmo escritório do irmão de Letícia.
— Vocês podem vasculhar a vida da minha esposa que não vão encontrar nada. As contas dela estão todas abertas para quem quiser investigar — afirmou Silveira.
Na única vez em que se manifestou, Letícia disse à Agência Pública em 2022, ano seguinte à abertura do escritório, que não tinha acesso aos contratos firmados por Flávio e mantinha contato com ele só por WhatsApp. Requerimentos de quebra dos sigilos e de convocação dela à CPI do INSS chegaram a ser apresentados por petistas, mas não foram votados pela comissão.
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, disse nesta terça-feira (20) que a Corte não participou das alterações de locais de votação para o segundo turno das eleições, no próximo domingo (25).
Segundo Nunes Marques, a mudança é de responsabilidade dos TREs nos estados e ocorre por problemas registrados durante o primeiro turno, como danos estruturais em escolas e desabamentos em razão das chuvas. As informações são da Agência Brasil.
Leia mais“O TSE não tem nenhuma participação na alteração de endereço de local de votação. Ele não solicita, não autoriza, não há nenhum tipo de cancelamento. Isso é uma demanda que é detectada pelo cartório eleitoral e é resolvida pelos tribunais regionais eleitorais”, afirmou.
Durante a abertura de sessão desta noite, o ministro explicou que a diferença entre o número de mudanças de locais ocorreu porque o sistema eletrônico usado para comunicar as alterações estava desatualizado. No início desta semana, o site do TSE indicava que cerca de 4 mil locais seriam alterados para o segundo turno. Depois, os dados foram atualizados caindo para 102 locais de votação em todo o país com alteração.
A inconsistência de dados foi sanada após o TSE enviar um ofício aos tribunais regionais eleitorais (TREs) para pedir, por escrito, a atualização imediata das informações.
Mudanças em locais de votação
Até o momento, as mudanças em locais de votação ocorrerão nos seguintes estados: Mato Grosso do Sul (1 local); Sergipe (1); Amapá (1); Rio de Janeiro (1); Amazonas (3); Pernambuco (3); Rondônia (3); Mato Grosso (1); Bahia (3); Paraíba (4); Espírito Santo (4); São Paulo (4); Ceará (6); Rio Grande do Sul (7); Paraná (9); Maranhão (13); Pará (11); Piauí (4) e Minas Gerais (17).
O Distrito Federal e os estados do Acre, Goiás, Roraima, Santa Catarina, Alagoas e Tocantins não tiveram alterações nos locais de votação.
Como saber
Para verificar se houve mudança no local de votação, o eleitor pode acessar o aplicativo E-título, Autoatendimento eleitoral ou ChatVote.
Mesmo que o eleitor tenha consultado o local de votação com antecedência, ele deve verificar novamente a informação no dia da eleição, no domingo (25), antes de sair de casa.
Outra dica é votar pela manhã, para ter mais tempo de se deslocar caso a seção eleitoral tenha mudado de lugar.
Nos últimos dias, têm circulado diversas mensagens em grupos de WhatsApp ou nas redes sociais com links não oficiais sobre locais de votação que não são confiáveis.
O eleitor não deve consultar o local de votação em links que não sejam os oficiais da Justiça Eleitoral.
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Aliado de Flávio Bolsonaro (PL), o ex-coach Pablo Marçal desdenhou de eleitores de Renan Santos (Missão) ao provocar o candidato derrotado à Presidência na segunda-feira. A declaração ocorreu após Renan optar pela neutralidade no segundo turno, sem declarar apoio ao bolsonarista ou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
— Você que votou no Renan, fica com esse voto, anula, põe onde você quiser. E acabou — disse Marçal em entrevista ao podcast IronTalks TV. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisMarçal também menospreza a performance eleitoral do rival:
— Renan, seu sonho foi cortado quando o pesadelo aqui chegou. Em três dias, eu te passei em uma pesquisa. Fiquei candidato a presidente por tês dias até ser barrado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Você ficou um ano contando lorota e não deu em nada.
Na semana passada, Renan afirmou que há maior perigo de acúmulo de poder em caso de vitória de Flávio.
— Eu acho que, em termos de acúmulo de poder, o perigo do acúmulo do poder, do acúmulo específico, é maior com o Flávio. Eu acho isso aqui, da turma do PT, é o maior argumento que eles têm. Porque, com o Lula, se ganhar a eleição, o Lula não tem poder para passar PEC, para passar nada — disse Renan.
A declaração ocorreu durante entrevista ao programa Alt Tebet, do Uol. Na ocasião, Renan disse que não pretende votar no segundo turno.
— Eu não vou votar. A última vez, eu pedi voto nulo. Dessa vez, eu tô falando: “votem em quem quiserem” — afirmou Renan, que completou: — Eu não posso pegar o meu partido político, que eu acredito que o futuro glorioso que eu criei os meus discursos passa necessariamente pelo meu projeto. Eu não posso pegar ele e macular na defesa de outra causa.
Renan teve 2.675.887 votos no primeiro turno (2,24% do total), aparecendo na quarta colocação. Ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), ele entrou na disputa com a defesa de uma agenda de direita e a tentativa de construir uma identidade própria em relação ao grupo político de Jair Bolsonaro. Ao longo da campanha, procurou se diferenciar tanto do PT quanto do bolsonarismo.
Para isso, a campanha de Renan atacou tanto Flávio quanto o presidente Lula. Após a apuração do primeiro turno, o presidenciável derrotado negou ter sido procurado por lideranças do PT ou do Centrão para uma possível aliança de segundo turno.
Na ocasião, Renan disse que vai evitar contatos desse tipo e mirar “prioridades”, como a estruturação do Missão, que só conseguiu eleger dois dos 483 nomes lançados nesta corrida eleitoral. Ele também negou que apoiaria Flávio ou Lula no segundo turno, chamou ambos de “bandidos” e ressaltou que a militância “pode fazer o que quiser”.
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O debate presidencial transmitido pela TV Bandeirantes no último domingo (18) rendeu muita polêmica e críticas. O sociólogo e cientista político Antônio Lavareda fez coro às críticas, afirmando que é preciso “repensar” o modelo. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o estudioso comparou o encontro entre os candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) a uma luta de artes marciais e apontou a influência do coach Pablo Marçal, apoiador do liberal, na condução do candidato durante o embate.
“É preciso repensar os debates. Aquilo está mais para MMA do que para debate de campanha presidencial. Acho que tem um consenso de que foi o pior debate presidencial dessas dez eleições, desde 1989 até agora. Quando acabou, comentei que quem teria adorado seria o (marqueteiro) Duda Mendonça, porque ele adorava briga de galo, era criador (risos). Aquilo não ajuda, e é preciso lembrar que os debates avançaram muito na degradação a partir das eleições municipais de 2024, da famosa eleição em São Paulo. E quem teve papel de protagonista naquela degradação? Pablo Marçal, que estava orientando, era uma espécie de coach do Flávio no domingo. Ou seja, Pablo teve papel especialíssimo na degradação da qualidade do debate”, disparou Lavareda.
Leia mais“Não digo que Flávio foi o único responsável, mas é muita coincidência o Pablo Marçal estar dirigindo um dos candidatos. Enfim, o debate precisa mudar, os jornalistas precisam ter papel maior, pois são as perguntas deles as mais orientadas para políticas públicas, que respondem aos anseios dos eleitores com relação a tópicos essenciais aos cidadãos, como saúde, educação, emprego, crédito e outras. Acho que foi lastimável assistirmos a esse último debate, o formato precisa ser repensado. Também precisamos pensar os debates do primeiro turno, a multidão de candidatos em uma sala, às vezes seis ou sete. Isso não ajuda a democracia”, ressaltou.
Apesar das críticas ao formato dos debates, Lavareda defendeu a importância da TV aberta para o processo eleitoral. “A propaganda na TV tem um alcance fenomenal. A TV aberta brasileira ainda é muito poderosa. Quando falamos da importância das redes sociais, é importante não esquecer que a TV tem a capacidade de mandar uma mensagem alcançando mais de 100 milhões de pessoas diariamente. Porque se dá em todas as emissoras e consegue furar as bolhas, diferentemente das redes sociais. Isso é estratégico na campanha eleitoral. Esse ano ocorrerão as eleições intermediárias nos Estados Unidos, e lá estão quase 12 bilhões de dólares, e metade disso é com televisão. Então, a TV continua a ser um instrumento poderoso lá, que é o nascedouro das redes sociais. Aqui no Brasil não poderia ser diferente, com certeza tem um papel importante”, concluiu Lavareda.
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O crescimento da campanha do presidente Lula (PT) à reeleição na última semana foi evidenciado nas pesquisas, com o petista chegando ao empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) em parte dos institutos. Para o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, no entanto, ainda é cedo para cravar uma virada, como vêm afirmando aliados do petista. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o analista diz que é preciso aguardar as próximas pesquisas, entre elas a Quaest, nesta quarta-feira (21), e o Datafolha, na quinta-feira (22), para verificar se houve consolidação do movimento.
“É incontestável que a mudança de cenário da primeira para a segunda semana do segundo turno ocorreu por conta de uma onda produzida a partir de dois vetores, que foram as ruas e as redes sociais. Houve uma intensa movimentação, de certa forma inédita, já que há mais de dez anos não se via a esquerda e os progressistas terem tantas pessoas mobilizadas nas ruas. Mas nós veremos se essa onda, com as pesquisas a partir de amanhã, continua. Se continuar, torna-se absolutamente plausível a hipótese de ultrapassagem de Lula sobre Flávio na reta final. Se a onda continuar e o movimento assinalado pelas pesquisas da semana passada ganhar impulso e se for evidenciado na Quaest e Datafolha, mostrando uma hipotética maior capitalização das circunstâncias do debate por Lula, será plausível esse quadro”, pontuou Lavareda.
Leia maisO cientista político ressaltou a importância de observar a intenção de voto espontânea nas novas pesquisas. “Temos que estar atentos a esse dado, que será mais refletido nos números finais do que na pesquisa estimulada. Significa que as pessoas já têm claramente definido um candidato, faltando três ou quatro dias para a eleição, então vai ser cada vez mais importante a questão da espontânea. Também vamos ver finalmente pesquisas com a avaliação do debate, quem ganhou, quem perdeu, ganhou mais ou menos. Porque essa discussão vai continuar até o próximo, e essa percepção pode ir contagiando mais indecisos até a sexta-feira (23), com o debate da Globo. Então, olhemos esses aspectos, além do montante de indecisos, e prestemos atenção naqueles eleitores que admitem votar em qualquer um dos candidatos. É muito importante olhar quem pode votar no Flávio cruzado com quem pode votar no Lula e ver o tamanho desse percentual, as características desse público. E a partir daí, podemos imaginar o que teria maior probabilidade até o domingo da eleição”, completou Lavareda.
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O acirramento da disputa presidencial, segundo as pesquisas de intenção de voto, tende a prevalecer até sábado (24), véspera da eleição. Para o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, Flávio Bolsonaro (PL) segue favorito, mas em condição vulnerável. Esse quadro, porém, pode voltar a se tornar mais confortável para o candidato, a depender da evolução dos próximos levantamentos, avaliou em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
Segundo as projeções de Lavareda, mesmo que Flávio chegue à véspera da eleição numericamente empatado com o presidente Lula (PT), ainda terá mais chances de vencer o segundo turno por causa da abstenção. “Chamo a atenção para o fato de que, se o presidente chegar empatado numericamente no sábado à noite, minha leitura é de que as chances serão de 55% para Flávio contra 45% para Lula. A justificativa é a abstenção, que afetou no primeiro turno e provavelmente afetará no segundo. Embora a abstenção costume afetar a todos, o problema é o diferencial dela, que é adverso para Lula. E se Flávio chegar com uma diferença de 1,5 ou dois pontos, a chance se abre para 70% para ele, contra 30% para Lula, nas minhas projeções”, detalhou o cientista político.
Leia maisLavareda também analisou a evolução da campanha e classificou como “até surpreendente” a reação do petista. “Na primeira semana, Flávio abriu seis pontos na pesquisa, então ele era o favorito absoluto, indiscutível. Esperava-se que o segundo turno fosse só uma caminhada sem maiores problemas em direção à vitória dele. Mas, no final da primeira semana, o que assistimos foi à reação da campanha de Lula em duas dimensões, nas ruas e nas redes sociais.”
Segundo ele, o desempenho do PT nas redes e a retomada das mobilizações de rua alteraram o cenário. “Movimentos até surpreendentes, porque o PT e Lula nunca haviam tido nas redes o desempenho que conseguiram ter sob o comando do deputado André Janones (PT-MG). E há muito tempo os chamados progressistas não colocavam tanta gente nas ruas, que estavam praticamente monopolizadas pelos bolsonaristas”.
“Na segunda semana, a eleição continuou tendo Flávio como favorito, mas ele perdeu a condição de absoluto e passou a vulnerável, já que a maior parte das pesquisas estabelecia um empate técnico. Precisamos ver a Quaest nesta quarta-feira (21), que será a primeira pesquisa realizada totalmente após o debate do domingo, e que será sequenciada pela Datafolha na quinta-feira (21). A sinalização nos dirá se Flávio continua favorito vulnerável ou se voltou a absoluto. Precisamos aguardar as próximas pesquisas para ver se esse quadro de empate técnico se altera”, explicou.
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O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a cobrar que o também candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) autorize a quebra do sigilo bancário. A cobrança foi feita durante carreata do petista que partiu de Juazeiro, na Bahia, até Petrolina, em Pernambuco, nesta terça-feira (20).
Mais cedo, Lula protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a autorização para que os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de sua família sejam liberados desde que Flávio faça o mesmo. As informações são da Folha de Pernambuco.
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“Se ele (Flávio) apresentar um documento autorizando quebrar o sigilo (bancário), vai ter debate. Se não, ele não pode ir no debate, porque o presidente da República não pode debater com ladrão”, disse.
Ainda durante o discurso, Lula agradeceu à população de Petrolina e de Juazeiro pela votação e afirmou que não permitirá que “um ladrão” governe o país.
“Eu sei quantas vezes eu ganhei a eleição em Pernambuco e ganhei a eleição na Bahia. Por isso, eu sou muito grato a vocês. E vou dizer uma coisa: enquanto eu tiver perna para andar, braço para trabalhar, cabeça para pensar e boca para falar, o ladrão não vai governar o Brasil”, afirmou.
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O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que a eleição representa uma escolha sobre os rumos do Brasil e defendeu a soberania nacional durante discurso em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Na ocasião, o candidato questionou se o país deve manter uma postura de defesa dos interesses nacionais ou se aproximar dos Estados Unidos.
Lula também destacou os investimentos em educação e a proposta de criação de uma modalidade universitária do programa Pé-de-Meia. As informações são do JC.
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“O que está em jogo no dia 25 não é uma simples eleição. O que está em jogo é a gente definir que tipo de Brasil a gente quer. Se a gente quer um Brasil que vai beijar a bandeira brasileira ou que é o Brasil que vai ficar ‘de quatro’ para a bandeira americana. É isso que está em jogo neste país”, declarou.
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A senadora eleita Marília Arraes (PDT) participou, nesta terça-feira (20), de uma caminhada ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. O ato reuniu apoiadores e lideranças políticas e marcou a última agenda de campanha de Lula nos dois estados antes do segundo turno.
Também participaram da mobilização o presidente nacional do PSB, João Campos, o governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), o governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), o presidente estadual do PT em Pernambuco, Carlos Veras, o senador Humberto Costa (PT) e a senadora Teresa Leitão (PT). No primeiro turno, Lula obteve 60,2% dos votos válidos em Petrolina e 63,30% em Juazeiro.
Antes da caminhada, Marília afirmou, em entrevista à imprensa local, que pretende atuar em demandas de Petrolina, como acesso à água e obras de infraestrutura, incluindo o novo hospital regional. Já Lula falou sobre o Bolsa Família, combate à pobreza e voltou a afirmar que autorizou a abertura de seus sigilos bancário e telefônico ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O presidente Lula (PT) participou, nesta terça-feira (20), de um ato que une Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), no Vale do São Francisco, a cinco dias do segundo turno.
Ao lado de aliados políticos, como a eleita senadora Marília Arraes (PDT), o governador do Piauí Rafael Fonteles (PT) e o governador da Bahia Jerônimo Rodrigues (PT). As informações são do Diario de Pernambuco.
A concentração teve início às 14h na Orla 2, em Juazeiro, na Bahia, e seguiu para Petrolina, em Pernambuco, ao atravessar a ponte Presidente Dutra.
A expectativa é reunir caravanas do Sertão de Pernambuco, do norte da Bahia e do sul do Piauí. Antes, Lula esteve em São Luís, no Maranhão. Na convocação, ele disse que “Pernambuco e Bahia serão os responsáveis pela grande vitória no domingo”.
Durante o evento, o petista afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa presidencial, é “podre” quando se trata de honestidade. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva no ato de campanha realizado entre Petrolina, no Sertão de Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia, a cinco dias do segundo turno das eleições.
“Ele certamente não vai ter coragem de abrir o sigilo dele, não vai ter coragem de abrir o sigilo telefônico, nem a conta bancária, e não vai ter coragem nem de abrir [os dados] de pessoa jurídica, porque ele sabe que a vida dele é podre quando se trata da honestidade.”
O presidente disse que já protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um requerimento autorizando a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados de familiares e de uma empresa da qual é sócio, desde que Flávio Bolsonaro aceite fazer o mesmo.
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Se o leitor não conseguiu assistir à exibição ao vivo do podcast Direto de Brasília com o cientista político Antonio Lavareda, clique no link abaixo e confira. Está imperdível!
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva escalou o vice-presidente Geraldo Alckmin para explorar uma das principais propostas econômicas de Flávio Bolsonaro na reta final do segundo turno, o corte de quase R$ 200 bilhões do Orçamento federal. Em vídeo divulgado nesta terça-feira nas redes sociais do petista, Alckmin questiona quais despesas seriam atingidas pela medida e recorre ao exemplo da Argentina, governada por Javier Milei, para comparar as propostas econômicas do adversário com as políticas de ajuste fiscal adotadas no país vizinho.
A equipe do candidato do PL estuda um ajuste equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro ano de um eventual governo, cerca de R$ 200 bilhões. Coordenadora da agenda econômica, a ex-presidente da Caixa Daniella Marques defende rever o arcabouço fiscal, a âncora criada pelo governo Lula, e trocá-lo por uma regra que leve em conta a trajetória da dívida pública. A campanha também fala em reduzir supersalários, cargos comissionados e ministérios, e em envolver os outros Poderes no esforço fiscal. Não h[a detalhes ainda, porém, de onde sairia a economia para sustentar o ajuste já no início da gestão. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisA gravação aposta em um formato mais informal. Enquanto passa um café, Alckmin enumera medidas de austeridade adotadas no país vizinho, como mudanças nas políticas de reajuste de aposentadorias, restrições ao seguro-desemprego e redução de programas de distribuição gratuita de medicamentos. O vice-presidente faz referência a declarações de integrantes da equipe econômica de Flávio, que já defenderam a adoção de medidas semelhantes às implementadas na Argentina, embora o senador negue a intenção de cortar benefícios sociais.
— Flávio Bolsonaro disse que pretende cortar quase R$ 200 bilhões do Orçamento. A pergunta que ele nunca responde é de onde pretende cortar esse dinheiro. A equipe econômica dele já disse que quer copiar as políticas adotadas na Argentina — afirma Alckmin.
A estratégia da campanha petista é colocar em dúvida a viabilidade do ajuste fiscal anunciado por Flávio sem mudanças em despesas que atingem diretamente a população. No vídeo, Alckmin busca associar a proposta do adversário à perda de direitos e de benefícios.
— Apesar de prometer esse tesouraço e dizer que a Argentina é o modelo a ser seguido, Flávio jura de pé junto que não pretende cortar benefícios sociais. E é por isso que a conta não fecha de jeito nenhum — diz o vice-presidente.
Alckmin também endurece o discurso contra o adversário e menciona episódios envolvendo o Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro, o caso das rachadinhas e a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 para questionar a credibilidade das promessas feitas pelo candidato do PL.
— Ou ele está mentindo para você, eleitor, e não vai fazer corte nenhum, ou ele está escondendo quem vai perder com esse corte — afirma.
A nova ofensiva ocorre após a campanha petista sofrer um revés na Justiça Eleitoral ao abordar o mesmo tema. No início do mês, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de uma propaganda que associava os cortes defendidos por Flávio à redução de recursos de programas como Farmácia Popular, Pé-de-Meia e Minha Casa, Minha Vida. A decisão apontou falta de elementos que sustentassem a atribuição dessas intenções ao candidato.
Desta vez, a campanha concentra o ataque na cobrança por detalhes sobre o ajuste fiscal e utiliza a experiência argentina como referência para questionar as consequências da proposta. Flávio tem defendido a necessidade de reduzir despesas públicas, mas nega que o plano envolva cortes em benefícios sociais.
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