Se o leitor não conseguiu acompanhar a entrevista com historiador e pesquisador Gustavo Alonso, em tributo ao cantor Wilson Simonal, ao quadro “Sextou”, do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, não se preocupe. Clique aqui e confira. Está incrível!
A comunidade de Serraria, no Cabo de Santo Agostinho, ganhará em breve um moderno Complexo Educacional. As obras para a construção da unidade foram iniciadas ontem, reforçando o compromisso da Prefeitura com a ampliação da rede municipal de ensino e a oferta de uma educação pública de qualidade.
O equipamento será implantado na área onde funcionava o antigo Alfredão e reunirá um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), destinado ao atendimento de crianças de 1 a 5 anos, e uma Escola Municipal em Tempo Integral, voltada aos Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental. Com capacidade para atender cerca de 500 estudantes, o complexo contará com uma estrutura moderna e completa, composta por amplas salas de aula, laboratórios, biblioteca, quadra poliesportiva, playground, refeitório e uma pista de cooper ao redor do complexo.
O prefeito Lula Cabral destacou que o investimento representa mais um passo na transformação da educação do município. “Estamos construindo uma escola preparada para o presente e para o futuro. Queremos que nossas crianças e adolescentes tenham acesso a uma estrutura moderna, segura e acolhedora, com todas as condições necessárias para aprender, se desenvolver e construir um futuro melhor. Investir em educação é investir nas pessoas e no crescimento do Cabo de Santo Agostinho”, afirmou.
Cristiano Vasconcelos é bom de prosa. Não por acaso, é pernambucano e, portanto, o tom é de bate-papo, para assuntos sérios, inclusive. E o sotaque não nega as raízes – mesmo ele (quase) um carioca da gema, não no sentido genuíno da expressão, claro.
É que quando se trata de abraçar a cidade do Rio de Janeiro em causas artísticos-culturais, ele se torna nato. Diretor-executivo do Museu do Amanhã – equipamento gerido pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão, o IDG, o mesmo à frente do Paço do Frevo, no Bairro do Recife.
Recentemente ele assumiu também a diretoria do Museu do Jardim Botânico, espaço de importância indiscutível para a arte, mas também, decerto principalmente, para propósitos ambientais.
Assim como o equipamento da Praça Mauá e o Museu das Amazônias, em Belém (PA), o Museu do Jardim Botânico fecha a tríade de espaços geridos pelo IDG voltados para a ciência.
E é por lá que o moço “Leão do Norte” passa a dividir o seu tempo, com o mesmo e evidente desejo de torná-lo mais um destino de excelência a moradores e visitantes da ‘Cidade Maravilhosa’.
“A gente passa a ser um grupo de museus no Brasil voltado para a ciência (…) Vai tendo muita convergência e adensamento de saberes, o que contribui com a nossa gestão”, frisou Cristiano Vasconcelos, em conversa com a Folha de Pernambuco.
O Instituto, aliás, segue com a ideia de ampliar a gestão a outras localidades, com outros museus, conta Cristiano. “Várias experiências que estão dando certo no Museu do Amanhã estamos levando para o Jardim Botânico, e temos trazido também de lá para cá. Eu acho que o Instituto vem se consolidando como uma instituição de terceiro setor, uma OS (Organização Social), em formato de grupo”, salienta.
Independência
Como diretor, para além das incumbências inerentes à função, Cristiano Vasconcelos faz o papel de maestro, como ele mesmo denominou ao ser indagado sobre os próximos passos na nova empreitada.
Mas, assim como ocorre no Museu do Amanhã, no Jardim Botânico a independência curatorial o posiciona como líder que respeita a equipe. “A função de um diretor executivo é muito mais de maestro, do que efetivamente de entrar na curadoria. Tenho muito cuidado e zelo ao trabalho do curador”, ressalta ele, complementando sobre o limite de interferir nos planos do museu.
“As pessoas estão ali estudando, com dedicação à pesquisa. A instituição está estruturada e o que a gente faz é tentar otimizar as coisas”, pontua o diretor que, na plenitude dos seus trinta e poucos anos, admite felicidades de estar onde está, e fazendo o que faz em equipamentos culturais tão importantes quanto o Museu do Amanhã e agora o Museu do Jardim Botânico.
“A gente trabalha com uma coisa muito boa, né? Numa instituição com um propósito muito maneiro, com entregas significantes. O que a gente faz aqui é uma execução de uma política pública cultural, uma parceria com o Estado, com o Governo Federal”, enaltece o entusiasmado pernambucano, pronto para despedir-se da prosa e seguir para efetivar outros ideais certeiros, ora para o Museu do Amanhã, ora para a flora brasileira repousada no Jardim Botânico.
A senadora Teresa Leitão (PT-PE) vê-se à frente de um desafio complicado. Teve que substituir na liderança do Governo um dos mais experientes políticos de seu partido, o senador Jaques Wagner (BA), guindado pelo rolo do Banco Master. Teresa Leitão não tem toda a experiência de Wagner. Foi deputada estadual por cinco vezes em Pernambuco e está no seu primeiro mandato como senadora.
Para além da experiência menor, assume a liderança num momento complicado. É ano eleitoral em um país que segue muito polarizado. Com uma forte oposição que, no Senado, viu-se fortalecida pelos problemas correntes na relação mais recente do governo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Teresa Leitão não enxerga uma crise nesse relacionamento, uma situação de atrito mais difícil de se resolver. Mas ela admite: “Houve um mal-estar profundo”.
Teresa Leitão se refere à quase inédita situação na qual uma indicação do presidente da República para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada pelo Senado. Quando o Senado derrubou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, fez algo que só tinha acontecido antes em 1894, no governo Floriano Peixoto, o segundo e complicado presidente da República brasileira, que governou o tempo quase todo em Estado de Sítio, com poderes ditatoriais. Desde então, azedou o relacionamento Alcolumbre.
“Tenho trabalhado para resolver isso desde que assumi a liderança”, diz a líder do Governo. O Correio Político participou de entrevista com Teresa Leitão ao programa ‘Direto de Brasília’, do jornalista Magno Martins em parceria com a Folha de Pernambuco. E essas respostas são decorrentes das perguntas feitas por este colunista. “O presidente Lula teve um nome que não foi aprovado. Bola para a frente”, diz ela. O problema é tocar essa bola adiante, como a senadora deseja, com as pautas de interesse do governo.
“Davi Alcolumbre está muito visado, por conta do fim da 6×1”, entende Teresa Leitão. Para a líder do Governo, esse hoje é o ponto maior do conflito. O fim da escala de trabalho 6×1 é uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sua tentativa de reeleição. Passou com certa facilidade na Câmara dos Deputados, porque lá teve o apoio do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O fim da 6×1, porém, empaca no Senado desde que lá chegou no dia 28 de maio. Nem enviada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a primeira etapa de tramitação, ela foi. Teresa Leitão ainda tinha esperança de ver o tema votado este semestre na CCJ. Não conseguiu. Esta sexta-feira (17) é o último dia antes do recesso.
Assim, ficará tudo para o próximo semestre, premido pelas eleições em outubro deste ano. O tempo será muito curto. O desejo do governo é conseguir aprovar o fim da 6×1 ainda em agosto, quando o Congresso retornar. Trata-se de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que exige quórum qualificado e votação em dois turnos.
Se o Senado alterar alguma coisa no projeto, ele ainda terá de voltar para a Câmara. Apesar de tudo isso, Teresa Leitão evita aumentar o “mal estar” com Alcolumbre. “Posso me gabar de não ter recebido nenhum não de Alcolumbre até agora”, diz a líder do Governo. “Pautas têm sido acolhidas. Outras têm sido adiadas”, diz ela.
“Institucionalmente, as relações prosseguem”, afirma a senadora. “Se há algum atrito com o presidente Lula, o que não acredito, que tenha perdurado até hoje, isso pode ser resolvido”, prossegue. “Havendo problema, se o presidente Lula tiver que conversar com o presidente Alcolumbre, essa conversa haverá”, confia a líder do governo.
Teresa Leitão também relativiza o papel de Alcolumbre na aprovação da pauta-bomba da redução da aposentadoria dos agentes de saúde, aprovada na terça-feira (14). O Ministério da Fazenda calcula um impacto de R$ 27 bilhões no orçamento. Para a senadora, Alcolumbre não tinha saída, dada a pressão dos demais parlamentares.
Segundo a líder do governo, o presidente do Senado tinha sobre a sua mesa um requerimento assinado por 60 senadores pedindo a colocação do projeto na pauta. Segundo Teresa Leitão, o cálculo é mais do que simples. No total, são 81 senadores. “Ou seja, era pautar e votar”, diz ela. Só houve um voto contrário. O mal-estar entra em recesso.
O Congresso Nacional entra em recesso deixando uma impressão difícil de ignorar: quando se tratou de enfrentar os grandes problemas do país, faltou urgência; quando o assunto envolveu disputas políticas e projetos de elevado impacto sobre as contas públicas, a velocidade foi outra.
O Senado Federal nasceu para ser a Casa da prudência. Sua missão constitucional é revisar propostas, medir consequências e impedir que decisões tomadas sob pressão comprometam o futuro do Brasil. Nos últimos meses, porém, essa vocação parece ter sido substituída por outra lógica: a do cálculo político.
O exemplo mais emblemático foi a aprovação da PEC da aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. O reconhecimento da importância desses profissionais é indiscutível. O problema nunca foi o mérito da categoria. O problema é criar despesas permanentes sem indicar, com clareza, quem pagará essa conta. O próprio governo alertou para o impacto orçamentário da medida antes da votação.
Enquanto isso, uma longa lista de temas diretamente ligados ao cotidiano da população foi empurrada para depois. A regulamentação da inteligência artificial, a atualização do limite do MEI, a PEC da Segurança Pública, a discussão sobre o fim da escala 6×1 e outras matérias consideradas prioritárias permanecem sem conclusão.
O calendário agrava esse cenário. Com o recesso parlamentar e o avanço do período eleitoral, a tendência é que o funcionamento do Congresso seja reduzido nos próximos meses, concentrando votações em poucos períodos previamente marcados. Na prática, a campanha eleitoral passa a disputar espaço com a atividade legislativa justamente quando o país enfrenta desafios econômicos, fiscais e sociais que exigiriam atenção permanente.
É nesse contexto que cresce a responsabilidade política das presidências da Câmara e do Senado. São elas que definem prioridades, organizam a pauta e estabelecem o ritmo das votações. Quando projetos estruturantes permanecem parados enquanto matérias de elevado custo fiscal avançam, a sociedade tem o direito de questionar quais critérios estão orientando a agenda do Congresso.
A metáfora do ninho de cobras continua atual. Cada bote parece atender a um interesse específico. Um agrada determinada categoria. Outro atende um segmento organizado. Um terceiro rende dividendos políticos imediatos a este ou aquele grupo. Mas o veneno não fica restrito aos protagonistas da disputa em Brasília. Ele contamina as contas públicas, reduz a capacidade de investimento do Estado e enfraquece a confiança da sociedade nas instituições.
Há quem enxergue nessas decisões apenas vitórias ou derrotas do governo do momento. Essa é uma leitura estreita. Governos passam. As despesas permanentes permanecem. O desequilíbrio fiscal não escolhe partido nem ideologia. A conta chega para todos os brasileiros.
O mais preocupante é que o Congresso inicia o recesso transmitindo a sensação de que o interesse nacional pode esperar. O cidadão comum continuará enfrentando problemas de segurança, saúde, educação, infraestrutura e geração de emprego, enquanto Brasília entra em modo de campanha.
A democracia pressupõe eleições. Mas pressupõe também responsabilidade institucional. O Parlamento não existe para funcionar apenas quando lhe convém politicamente. Existe para representar a sociedade todos os dias.
Quando o Congresso troca a agenda nacional pela agenda eleitoral, renuncia à missão que justificou sua própria existência: representar o interesse permanente da sociedade. O país entra em compasso de espera, mas seus problemas não. Eles continuam crescendo enquanto Brasília fecha as portas para o recesso e abre os palanques da campanha. Essa talvez seja a mais perversa de todas as pautas-bomba: a que explode contra o próprio Brasil.
O ex-vice-prefeito de Jataúba, no Agreste de Pernambuco, Fábio Mamão, declarou apoio ao projeto de reeleição do deputado federal, Silvio Costa Filho. O anúncio reforça o movimento de ampliação das articulações políticas conduzidas por Silvio em diversas regiões do estado, consolidando novas alianças com lideranças municipais.
“Silvio Costa Filho é um político sério, acessível e que tem demonstrado competência e compromisso com Pernambuco. É uma liderança que sabe ouvir os municípios, trabalha pelo desenvolvimento e tem construído resultados importantes. Tenho convicção de que merece continuar esse trabalho e, por isso, declaro meu apoio ao seu projeto de reeleição”, afirmou Fábio Mamão. Para Silvio Costa Filho, o apoio representa mais um passo importante na construção de um projeto voltado ao fortalecimento dos municípios pernambucanos.
Interlocutores do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) torciam por um adiamento do novo “tarifaço” promovido pelo governo dos Estados Unidos. Mas, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou, na quarta-feira (15), a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho.
A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. As informações são do blog do Valdo Cruz.
Caso a medida fosse adiada, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro já tinha o discurso pronto. Teria conseguido evitar o tarifaço depois de conversar com a equipe de Donald Trump e com o próprio presidente norte-americano. Mas o plano não saiu como o desejado, que chegou até a ser registrado em carta enviada pelo senador do PL ao governo dos EUA.
Agora, Flávio Bolsonaro busca divulgar que o tarifaço adotado por Trump é de responsabilidade do presidente Lula. Em diversos pronunciamentos nas redes sociais, o senador defendeu que a decisão norte-americana é um resultado das falhas na capacidade de negociação do atual governo.
O senador respondeu a uma publicação nas redes sociais do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na qual o norte-americano defende que as políticas adotadas pelo governo brasileiro são “ruins para os americanos e ruins para os brasileiros” e acusa Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos.
Mas, o fato é que o eleitorado não enxerga desta forma. Como foi, inclusive, registrado pela pesquisa Quaest. O levantamento mostrou que a maioria dos brasileiros avalia que o tarifaço é ruim para o país e ficam mais ao lado do presidente Lula neste tema. Além disso, a pesquisa registrou também que o tarifaço aumenta a vontade de votar em Lula e diminui em relação ao pré-candidato do PL.
Questionados pelo instituto sobre quem teria motivado o tarifaço (se Flávio Bolsonaro, ao pedir a Trump a sanção contra o Brasil, como acusa Lula, ou se o próprio Lula, ao provocar os Estados Unidos, como alega Flávio), 51% concordam com a versão de Lula e 30% com a de Flávio.
O mesmo padrão aparece quando o tema é o motivo das tarifas:
49% concordam com Lula de que a medida seria retaliação ao Pix;
contra 33% que aceitam a versão de Flávio de que as tarifas seriam resposta a declarações do presidente contra os EUA;
Em junho, a diferença era de 46% a 36%.
Reservadamente, aliados de Flávio Bolsonaro reconhecem que o tema mais desgasta o senador. E que, o ideal, é que o assunto saia do noticiário o mais rápido possível. Mas, ele voltará na campanha, porque será explorado pela equipe do presidente Lula.
O Sextou de hoje traz um emocionante tributo ao cantor e compositor Waldick Soriano, um dos maiores ícones da música romântica popular brasileira. Ex-garimpeiro e caminhoneiro, notabilizou-se pelo visual de terno preto e óculos escuros, compondo clássicos como “Eu Não Sou Cachorro, Não” e “Tortura de Amor”.
Quem vai falar sobre a trajetória do cantor baiano de Caetité é o gabaritado escritor Paulo César de Araújo, autor do livro “Eu não sou cachorro não”, uma profunda e estimulante pesquisa sobre a carreira do artista. Um dos mais importantes escritores da temática MPB, Paulo César de Araújo também é autor de outras obras, como a biografia não autorizada, e depois liberada, do rei Roberto Carlos.
O Sextou vai ao ar logo mais, das 18 às 19 horas, pela Rede Nordeste de Rádio, formada por 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no link do Frente a Frente acima ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na play store.
Agricultores e lideranças locais realizam um protesto na BR-428, na manhã de hoje, em Santa Maria da Boa Vista, no Sertão do São Francisco. Eles cobram do Governo de Pernambuco a pavimentação asfáltica da PE-571, considerada um importante vetor de escoamento da produção de frutas daquela região. As informações são do blog do Carlos Britto.
Um dos articuladores da mobilização, o agricultor Mariano Caldas justifica que Santa Maria é o terceiro maior município em extensão territorial do Estado e produz acerola, maracujá e uva, além de ser o maior produtor de banana e goiaba no país. Apesar de todo esse potencial agrícola, ele alega que Santa Maria nunca recebeu investimentos estaduais.
“A PE -571 é uma estrada de chão que não pode ver chuva. Não conseguimos escoar nossas mercadorias, perdemos nos preços dos produtos, é um sofrimento grande”, desabafou. Em seu primeiro ano de mandato, a governadora Raquel Lyra idealizou o Programa ‘PE na Estrada’, que tem requalificado várias rodovias do Estado. O grupo espera que esse benefício também possa chegar à PE-571.
A Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça, investiga a Logo Caruaruense, empresa da família da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), após denúncia sobre ausência de vistorias técnicas exigidas e sucateamento dos ônibus. O caso foi revelado pelo Metrópoles, em janeiro de 2026.
Logo Caruaruense, responsável por transporte intermunicipal, deveria ser fiscalizada pelo Governo de Pernambuco, chefiado por Raquel Lyra, que já foi sócia da empresa. Após as reportagens, a Logo Caruaruense anunciou o encerramento das atividades. As informações são do portal Metrópoles.
A Senacon instaurou averiguação preliminar para apurar o caso. Em março, o órgão federal deu 15 dias para que a empresa apresentasse informações e documentos que esclareçam as circunstâncias do encerramento das atividades e as providências adotadas em relação aos contratos e serviços em curso. A Logo Caruaruense enviou resposta em 8 de abril, que segue em análise pela Senacon.
Na notificação à empresa, a Senacon apontou que “há relatos consistentes de irregularidades na execução do serviço, as quais podem caracterizar infração às disposições do Código de Defesa do Consumidor, especialmente aos arts. 6º, 20 e 22 da Lei nº 8.078/1990”.
A Senacon também solicitou dados sobre as vistorias técnicas, fiscalizações ou inspeções realizadas na frota nos últimos anos em operação, com apresentação de relatórios, laudos e registros.
No documento, a secretaria nacional disse que as concessionárias de serviços públicos, como é o caso da empresa de ônibus que operava no estado de Pernambuco, são obrigadas a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros.
No caso específico da Logo Transporte, a Senacon afirmou que “os indícios relatados na denúncia, especialmente aqueles relacionados à ausência de vistorias periódicas, à circulação de veículos em desconformidade com os limites legais de fabricação e ao estado de conservação da frota, apontam, em tese, para a inobservância do dever legal de prestação adequada e segura do serviço público concedido”.
Em nota enviada ao Blog, o agricultor Mariano Caldas, um dos idealizadores do ato e importante liderança local, informou que a população fará um protesto na BR-428, em Santa Maria da Boa Vista, no Sertão do São Francisco. O motivo do ato é cobrança da pavimentação asfáltica da PE-571. Confira abaixo o comunicado na íntegra:
É importante para todos os políticos do estado saberem que Santa Maria da Boa Vista é um grande presente para Pernambuco. Somos o terceiro maior município em extensão territorial do estado, somos a cidade que tem a maior margem do Rio São Francisco, somos fortes na fruticultura, na produção de acerola, maracujá, uva, e somos o maior produtor de banana e goiaba do Brasil.
Possuímos um belíssimo ponto turístico, o Monte Carmelo no Quilombo do Serrote. A principal fonte de renda vem justamente da agricultura, com forte contribuição econômica para Pernambuco e o Brasil.
Apesar de tanto potencial, nunca recebemos investimentos por parte do governo do estado.
A PE-571 é uma estrada de chão que não pode ver chuva que não conseguimos escoar nossas mercadorias, perdemos nos preços dos produtos, é um sofrimento grande, e ninguém nos ver, ninguém nos enxerga. São somente 37 km de estrada, passando por dezoito comunidades, dentre elas três Comunidades Quilombolas com mais de 260 anos de história.
Qual é a lógica de não investir em quem já faz tanto por Pernambuco como Santa Maria? Qual é lógica de não querer proporcionar mais crescimento e desenvolvimento para Pernambuco?
Investir em Santa Maria é estratégico para nosso estado ficar cada vez mais forte. Somos o terceiro maior município em extensão territorial, terceiro lugar também é pódio medalha de prata e cadê o terceiro maior investimento na agricultura do estado em Santa Maria?
Temos muita terra e muita água, só precisamos que o Estado nos veja, nos enxergue, e nos ajude a ajudar ainda mais Pernambuco.
Com a gestão em crise às vésperas das eleições, a governadora Raquel Lyra (PSD) segue fazendo remanejamentos controversos no orçamento do Estado. Publicação feita nesta semana no Diário Oficial comprova a retirada de R$ 25 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) para pagar empréstimos contraídos. Do total, R$ 3,6 milhões saíram do CNH Popular, o que representa um corte de 52% nos investimentos e no custeio da iniciativa.
O programa social foi criado em 2007 pelo ex-governador Eduardo Campos (PSB) para garantir a Carteira Nacional de Habilitação gratuita para beneficiários do Bolsa Família, do Chapéu de Palha, jovens do sistema socioeducativo, entre outros públicos de baixa renda.
Em 2014, ainda no governo do PSB, a ação chegou a ter um orçamento de R$ 16,9 milhões. Na gestão de Raquel, porém, sofreu um apagão. Em 2025, por exemplo, só R$ 3,1 milhões foram previstos para o CNH Popular.
A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 até mostra um montante maior alocado para essa ação – R$ 7,042 milhões –, mas o corte feito por Raquel, que remanejou R$ 3,642 milhões dessa fonte de recursos, baixou em mais da metade o orçamento inicial do programa.
Outros R$ 21,3 milhões foram retirados do Detran, totalizando R$ 25 milhões remanejados por decreto. O novo destino dos recursos é a Secretaria da Fazenda, que os utilizará na amortização da dívida interna do Estado, ou seja, para pagar parcelas de empréstimos contraídos junto a bancos nacionais.
A gestão de Raquel contratou, desde 2023, mais de R$ 13 bilhões em operações de crédito, conta que já começa a chegar e afetar programas sociais. A LOA prevê que, só este ano, o governo pagará mais de R$ 1,5 bilhão em parcelas dos vários empréstimos contratados.
RECIPROCIDADE – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou a imposição, pelos Estados Unidos, de tarifas de 25% sobre a importação de produtos brasileiros, confirmada pelo governo Trump. Em nota, afirmou que a data “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”. O Governo, segundo a nota, “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade” e “retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)”.
Que papelão! – A governadora Raquel Lyra não confirma nem desmente que o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, será o segundo nome na disputa ao Senado na sua chapa, ao lado de Túlio Gadelha. Ninguém está entendendo. Aliás, os próprios aliados dela têm dito, em reserva, que nunca assistiram a tamanha trapalhada, digna de uma novela mexicana sem pudor.
Convite feito, convite aceito – A governadora ligou, ontem, no início da tarde, para o deputado Eduardo da Fonte, presidente estadual da Federação União Progressista, e o convidou para acompanhá-la nos eventos religiosos da Festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do Recife. Mais um sinal de que continua alimentando o impasse pela segunda vaga ao Senado entre Miguel Coelho e o próprio Da Fonte, que havia sumido da agenda de pré-campanha da governadora à reeleição.
Mobilização pela ferrovia – O senador Humberto Costa garante que as mobilizações pelo ramal da Transnordestina, referente ao trecho Salgueiro–Porto de Suape, vão continuar. “A decisão do TCU é um avanço, porque destrava etapas preparatórias essenciais, mas não podemos baixar a guarda. O início efetivo das obras ainda depende de novas sinalizações do tribunal. Por isso, defendo que a mobilização continue firme e permanente em defesa da obra, envolvendo todos os setores que lutam por essa ferrovia, que é vital para o desenvolvimento de Pernambuco”, afirmou.
Injusta e descabida – O novo tarifaço americano afeta cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA. Isso equivale a US$ 7,4 bilhões, considerando o ano de 2024. Se considerado o valor de 2025, a participação desses setores atingidos pelo tarifaço cai para 15%, ou US$ 5,8 bilhões. O Executivo prepara um programa para socorrer os setores afetados. “A medida é injusta e descabida”, disse o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), lembrando que os EUA têm superávit com o Brasil. “Descabida porque os argumentos partem de uma base totalmente falsa”, acrescentou.
CURTAS
MEDIDAS 1 – Ainda sobre o tarifaço de 25% sobre os produtos brasileiros exportados para os EUA, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo já tem prontos os mecanismos para proteger empresas e empregos.
MEDIDAS 2 – “Ampliaremos e reforçaremos o Brasil Soberano (plano de socorro às empresas)”, disse. “Alguns setores podem ser afetados, não a economia como um todo”, disse o ministro.
SETORES – Os setores mais atingidos são, basicamente, madeira, máquinas, equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Esses setores poderão contar com a ajuda do governo federal de diferentes modos, segundo o ministro.
Perguntar não ofende: No impasse pelo Senado na chapa de Raquel, o tertius pode ser Fernando Dueire?
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (16) que os argumentos do governo dos Estados Unidos contra o Pix são desculpas para tentar criar algum tipo de “lógica” para a imposição de tarifas a produtos brasileiros.
“Fica evidente que a argumentação realmente passa por uma tentativa de inventar alguma lógica para a aplicação de tarifas” disse Galípolo, em coletiva sobre a nova tarifa imposta pelos EUA na noite de quarta-feira, 15. As informações são do Estadão Conteúdo.
O banqueiro central afirmou que a argumentação utilizada pelo governo americano faz pouco sentido, e, em uma analogia, disse que seria mais ou menos como tentar dizer que a criação do saneamento básico prejudica a receita de quem tem caminhão pipa.
Galípolo frisou, na sequência, que essa lógica também não é verdadeira. “Uma vez analisado o que aconteceu efetivamente a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito cresceu 150%”, mencionou.
Ele ponderou que quem perdeu espaço com o Pix foram os cheques e o dinheiro físico, o que mencionou ser absolutamente desejável, já que esses meios têm alto custo de transação.
Na quarta-feira, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A taxação é uma punição por práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano. O USTR acusou o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico – como o Pix -, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.
‘Pix é reconhecido internacionalmente por FMI e BIS’
Durante a entrevista Gabriel Galípolo, enfatizou que o Pix produziu benefícios para a sociedade brasileira como um todo e é reconhecido internacionalmente por isso, com manifestações nesse sentido do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês).
“O caso da implementação do Pix consegue se configurar como um desses em que ele é benéfico para quem demanda e para quem oferta, para o setor público e para o setor privado”, disse. Ele participou de entrevista coletiva sobre a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Galípolo mencionou que o BC brasileiro já assinou termos de cooperação técnica com mais de 47 bancos centrais pelo mundo para o desenvolvimento de sistemas semelhantes ao Pix. “Estados Unidos, Europa, China, Índia, Singapura e uma série de outros bancos centrais já implementaram ou estão estudando implementar sistemas de pagamento instantâneo, como o Pix, que é claramente o futuro. Isso vai avançar de maneira bastante clara.”
O banqueiro central também ressaltou que o BC vai seguir fornecendo o Pix como algo gratuito, seguro e instantâneo, além de seguir na evolução técnica do meio de pagamentos, com cooperação com outros bancos centrais.
‘É difícil de compreender demanda dos EUA sobre o Pix, infraestrutura é aberta’
O presidente do Banco Central também disse ser difícil compreender a posição dos Estados Unidos sobre o Pix, uma vez que a infraestrutura é aberta.
“Se você olhar para o resto do mundo, é normal que o sistema de pagamento funcione como uma infraestrutura pública e, no caso do Brasil, ela é aberta para que todos os participantes possam acessar e produzam a concorrência entre eles”, disse o presidente da autoridade monetária. “A gente assistiu isso. O Brasil está na fronteira do ponto de vista tecnológico de inclusão financeira e competição dentro do nosso sistema financeiro”, emendou.
Galípolo disse que, de forma curiosa, os argumentos expostos pelos EUA são quase pontos que justificariam a infraestrutura permanecer pública. “O custo antes era maior para todo mundo. Ao ter essa infraestrutura o custo caiu.”
Repetiu, na sequência, que o caso do Pix talvez seja o mais flagrante de empilhar desculpas para justificar a tarifa.
Além de Galípolo, participaram da coletiva o vice-presidente da República Geraldo Alckmin; o ministro da Fazenda, Dario Durigan; o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; e o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco. A coletiva ocorre na sede do MDIC, em Brasília.