Os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) cumpriram agenda em Campinas (SP) e Belém (PA), respectivamente, na manhã deste sábado (8).
Lula falou com jornalistas e participou de uma caminhada na cidade. Bolsonaro esteve presente na celebração do Círio de Nazaré, tradicional festa católica, em Belém. As informações são da CNN Brasil.
Antes da caminhada, Lula destacou o encontro que teve na sexta (7) com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e anunciou que FHC escreveu uma declaração de apoio e pedido de votos para ele. “A reunião com Fernando Henrique Cardoso foi extraordinária. Ele fez uma declaração que falta só publicar pedindo voto para mim”, disse.
O candidato do PT também afirmou que irá se encontrar com outros nomes do PSDB e com ex-presidentes do partido. “Eu vou me encontrar com muita gente que outrora não votava em mim e que agora está querendo votar porque a pessoa vê na candidatura Lula-Alckmin a possibilidade de recuperar a democracia desse país”, acrescentou Lula.
Jair Bolsonaro esteve na celebração católica do Círio de Nazaré acompanhado das deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Carla Zambelli (PL-SP). O presidente não fez discurso.
O chefe do Executivo participou da Romaria Fluvial, embarcado no navio Garnier Sampaio, da Marinha, para um percurso na Baía do Guajará que dura cerca de três horas.
O Círio de Nazaré é um evento da Igreja Católica, sob a responsabilidade da Arquidiocese de Belém. Trata-se de uma “grandiosa manifestação de fé e devoção à Nossa Senhora de Nazaré”, segundo a arquidiocese.
Bolsonaro chegou à capital paraense na sexta (7) à noite para participar das festividades. Ele deve retornar a Brasília ainda hoje.
Eleita a deputada estadual mais votada de Pernambuco, com mais de 146 mil votos, Dani Portela (PSOL) comemou resultado das urnas na noite de ontem (4), no comitê central de sua campanha, no bairro da Boa Vista, no Recife. Em discurso, a parlamentar destacou o caráter coletivo da vitória e o papel das mulheres negras na política. Com informações do Blog da Folha.
“Essa vitória é o resultado de uma luta coletiva. Construída com as mãos de todas e todos que vieram antes de nós. Tenho um orgulho imenso de ser uma das autoras da lei de cotas raciais. É isso que uma mulher negra faz quando entra na política. E eu só acredito na política que é feita assim: ouvindo o povo, pisando o chão que o povo pisa. Sou só gratidão pelo resultado!”, destacou.
A comemoração reuniu representantes do Movimento Negro, do movimento feminista e de organizações da sociedade civil. Durante o mandato, Dani Portela foi líder da oposição ao governo Raquel Lyra na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Ela também presidiu a Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular e ocupou a vice-presidência da Comissão da Mulher.
Reeleito deputado federal com a maior votação de Pernambuco, Pedro Campos (PSB) usou a coletiva de imprensa da Frente Popular, realizada no Hotel Luzeiros, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife, para projetar os próximos anos em Brasília. O parlamentar agradeceu a votação e afirmou que o novo mandato será marcado pela defesa do presidente Lula (PT) diante de um Congresso desafiador.
“Eu só tenho a agradecer ao povo pernambucano, que é grato, que sabe reconhecer a quem trabalha, a quem transforma sonhos em realidade. E eu não tenho dúvida que isso nos levou à vitória também e agora a responsabilidade é de fazer mais, de defender nosso presidente Lula (PT), apesar de o cenário no Senado nacional ser muito desafiador”, disse.
Pedro Campos também comentou sobre a polarização política no país e a dificuldade de diálogo entre os diferentes campos. “É uma questão que vamos ter que enfrentar pelos próximos anos no Brasil e como a gente vai conviver com esses dois Brasis que não conseguem sentar, dialogar, conversar e têm visões de mundo tão diferentes, que muitas vezes são instrumentalizadas, inclusive, por interesses externos, que querem criar problema dentro do nosso país. E a gente enquanto nação, povo, precisa encontrar os caminhos para que a gente possa viver e conviver com isso e eu não tenho dúvida que será muito importante também a eleição do presidente Lula e a nossa atuação dentro do Congresso Nacional para ajudar a buscar a agenda do povo”, completou.
O deputado ainda parabenizou os senadores eleitos pela Frente Popular, Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), que “vão estar nas trincheiras da população que mais precisa deles lá no Senado”. Ele também elogiou a votação de João Campos para governador e dos demais aliados eleitos para cargos de deputados estaduais e federais.
Com 99,90% das urnas apuradas, Pedro Campos atingiu 261.186 votos, cerca de 13 mil à frente do segundo colocado, Jones Manoel (PSOL), que somou 248.996 votos. Os dois disputaram a liderança durante quase toda a apuração.
Raquel é mais forte do que imaginam. E, com a sua força, Raquel derrota até aliados, quando lhe convém. Quer um exemplo? Em Caruaru, sua terra, Anderson Luiz (candidato do prefeito Rodrigo Pinheiro) fez a maior e mais cara campanha de deputado estadual que a cidade já viu.
Para se vingar de Rodrigo, que não acertou com ela a estratégia de lançar Anderson, lançou em Caruaru mais dois candidatos — Ana Lucia e Carlos Braga, para impedir a eleição de Anderson.
Conseguiu derrotar Anderson e, por consequência, Rodrigo. Fez a sua chapa ao Senado visando apenas o fortalecimento próprio. Derrotou Dudu da Fonte e Túlio. Estimulou Mendonça a entrar e depois se afastou dele. Ficou com os bolsonaristas votando nela e ela sem apoiar Bolsonaro e sem votar nele.
Resumindo: deu tudo certo para Raquel. Só pra ela!
A estratégia de marketing político para a consagradora eleição da deputada cearense Luizianne Lins (Rede), ontem, para o Senado, foi coordenada pelo marqueteiro e publicitário pernambucano Marcelo Rios, da Vídeotaipe, com sede no Recife. Para mim, não foi surpresa. Marcelo é um excelente profissional e vem de uma trajetória exitosa em campanhas eleitorais.
Especialista em Comunicação e Marketing Eletrônico, Político e Eleitoral, Rios atua na área há mais de 30 anos. Coordenou, produziu e prestou consultoria para mais de 90 campanhas políticas, no Brasil, do extinto PCB ao extinto PFL.
Trabalhou em campanhas como as de Miguel Arraes para governador, Leonel Brizola, Eduardo Campos, Gustavo Krause, João Paulo e Anthony Garotinho, e coordenou, para Duda Mendonça, a campanha de José Riva para governador do Mato Grosso.
Fez Humberto Costa o Senador mais votado em 2018, elegeu no 1º turno Ivo Gomes Prefeito de Sobral e levou Teresa Leitão a ser a 1ª senadora de Pernambuco. A nova senadora cearense, eleita na chapa do governador reeleito Elmano de Freitas, já foi vereadora por Fortaleza, prefeita da cidade (2005-2013), deputada estadual e atualmente é deputada federal pelo Ceará.
As eleições de 2026 deixaram uma mensagem política que merece ser lida com atenção. O eleitor demonstrou um forte sentimento de mudança, retirando das urnas nomes que, durante anos, ocuparam posições de enorme influência no Congresso Nacional.
Mais do que derrotas individuais, o resultado revela uma transformação na composição política do país e poderá produzir efeitos importantes na relação entre os Poderes da República.
No Senado, ficaram pelo caminho nomes de grande peso político, como Ciro Nogueira (PP-PI), Renan Calheiros (MDB-AL), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Gleisi Hoffmann (PT-PR). Também não conseguiram renovar seus mandatos Esperidião Amin (PP-SC), Leila Barros (PDT-DF), Weverton (PDT-MA), Zenaide Maia (PSD-RN), Eliziane Gama (PSD-MA), Fabiano Contarato (PT-ES), Sérgio Petecão (PSD-AC), Carlos Viana (PSD-MG), Vanderlan Cardoso (PSD-GO), Angelo Coronel (Republicanos-BA), Chico Rodrigues (PSB-RR), Carlos Fávaro (PSD-MT), Marcos do Val (Avante-ES) e Zequinha Marinho (Podemos-PA).
Entre as derrotas mais simbólicas estão Renan Calheiros, que deixa o Senado depois de décadas de protagonismo político, Ciro Nogueira e Benedita da Silva, que buscava mais um mandato na Casa.
A renovação também alcançou a Câmara. Na Câmara dos Deputados, o sentimento de mudança também atingiu nomes históricos da política nacional. José Dirceu, Vicentinho, Rui Falcão e Paulo Teixeira, figuras ligadas à história do PT, não conseguiram retornar ou permanecer na Câmara. O resultado demonstra que a insatisfação do eleitor não ficou restrita a um partido ou a uma corrente ideológica. A mensagem das urnas foi mais ampla, renovação e mudança na representação política.
Um novo equilíbrio de forças e o resultado poderá produzir uma mudança significativa na correlação de forças do Senado a partir de 2027. A nova composição terá uma presença expressiva de parlamentares identificados com uma agenda conservadora, entre eles Carlos Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Filipe Barros, Deltan Dallagnol, Carlos Portinho, Carlos Jordy, Sanderson, Marcel van Hattem, Gustavo Gayer, Carol de Toni e Zé Medeiros, entre outros.
Essa nova configuração poderá alterar o debate sobre temas institucionais relevantes e, especialmente, sobre a responsabilização de autoridades dos demais Poderes.
Impeachment de ministros do STF. É nesse ponto que a nova composição do Senado ganha especial importância. O impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal depende de um processo político-jurídico próprio e dos quóruns constitucionalmente estabelecidos.
Há, inclusive, uma questão relevante envolvendo o quórum para a instalação do processo. Em 2025, o ministro Gilmar Mendes, em decisão cautelar nas ADPFs 1.259 e 1.260, suspendeu a interpretação segundo a qual bastaria maioria simples do Senado para instaurar o processo e estabeleceu, cautelarmente, a exigência de 2/3 dos senadores.
Como o Senado possui 81 senadores, 2/3 correspondem a 54 votos. Assim, considerando essa decisão cautelar, 54 votos seriam necessários tanto para a instauração do processo quanto para a condenação e consequente perda do cargo, esta última já prevista constitucionalmente no quórum de dois terços.
É importante fazer uma ressalva. A eleição de um senador não significa automaticamente que ele apoiará um pedido de impeachment. Cada parlamentar terá liberdade para formar sua convicção e votar de acordo com sua interpretação da Constituição e dos fatos. Mas é inegável que uma composição mais favorável à discussão desses mecanismos poderá colocar novamente o tema no centro do debate nacional.
A mensagem das urnas
Mais do que a derrota de políticos tradicionais, as eleições de 2026 podem ser interpretadas como uma manifestação de parcela expressiva do eleitorado por renovação, alternância de poder e mudança na representação política.
O eleitor não quis apenas trocar nomes. Quis mudar a forma como o poder é exercido. Agora, o novo Congresso terá uma enorme responsabilidade, representar a vontade popular, preservar a independência entre os Poderes e, acima de tudo, respeitar rigorosamente a Constituição.
A renovação não pode significar apenas a troca de personagens. Ela precisa representar mais equilíbrio institucional, mais fiscalização, mais responsabilidade e maior respeito à vontade soberana das urnas. Porque, no fim, a democracia não pertence a partidos, grupos ou políticos. Pertence ao povo.
O resultado da eleição em Pernambuco escreve uma outra página que merece um estudo político e sociológico: todos os políticos com projeto majoritário que a governadora colocou debaixo do seu guarda-chuva levaram a pior e saíram desmoralizados.
Pela ordem, Miguel Coelho: recebeu a promessa de que seria o candidato a senador na chapa da governadora e acabou sofrendo a maior traição da sua carreira pública. De última hora, teve que improvisar uma candidatura a deputado federal, botou Raquel nos ombros, literalmente, numa caminhada em Petrolina, e perdeu a eleição para o irmão Fernando Filho.
Túlio Gadêlha, a segunda vítima, tinha uma reeleição praticamente garantida para a Câmara dos Deputados, caiu no canto da sereia para disputar o Senado e foi o lanterninha. Está desempregado!
Mendonça Filho, que tinha sua reeleição também garantida para Câmara Federal, foi seduzido pela governadora para ser seu candidato “informal” ao Senado, na maior traição da governadora a sua chapa oficial, com Túlio e Eduardo da Fonte. Como Túlio, também está desempregado e coleciona mais uma derrota majoritária.
Por fim, Eduardo da Fonte, que entrou na chapa como candidato a senador levando o maior trunfo para a coligação de Raquel: o fundo eleitoral e o tempo de televisão da Federação União Progressista. Dudu assistiu, até em palanques, como o triste episódio em que Raquel se afastou de Mendonça, que estava ao seu lado discursando, a governadora o apunhalar em várias ocasiões. Fica sem mandato e perde a força que detinha antes de se aproximar da governadora.
O governador reeleito da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), já tem o seu primeiro compromisso político, um dia depois de arrebatar a eleição de 2026 em primeiro turno, com 64,30% dos votos. Lucas foi convocado pelo presidente Lula (PT) para reunião com governadores em Brasília, nesta segunda-feira (5). A primeira trincheira para reagir à vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. Lula precisará muito dos aliados. Principalmente, os que saíram das urnas com força e tamanho político. Como é o caso de Lucas, na Paraíba.
A eleição de Gilson Machado para deputado federal, com mais de 155 mil votos, e de Gilson Machado Filho para deputado estadual, com mais de 132 mil, revela a força política de uma parceria construída com identidade, presença e capacidade de mobilização.
Os dois disputaram uma parcela do eleitorado que, além de minoritária no estado, estava dividida entre várias candidaturas de direita. Nesse cenário, conquistar duas votações tão expressivas demonstra a capacidade de transformar reconhecimento e confiança em voto.
Do ponto de vista do marketing político, a campanha teve uma escolha clara: integrar marcas, discurso e posicionamento. Pai e filho caminharam juntos, com fidelidade a Jair Bolsonaro e uma identidade que o eleitor reconhecia de imediato. Essa coerência deu força à comunicação e ajudou a consolidar a dobradinha.
O apoio da família Bolsonaro também tem uma história por trás. Gilson construiu essa relação com capacidade de gestão, articulação e, sobretudo, lealdade. Esteve presente nos momentos de força e também nos mais difíceis. Quem acompanha essa convivência sabe o espaço de confiança que ele ocupa junto ao ex-presidente.
Em Pernambuco, onde a esquerda mantém forte presença eleitoral, o resultado dos Gilsons ganha ainda mais relevância. Mostra uma direita capaz de se mobilizar e reconhecer lideranças com posicionamento firme.
Acompanhei de perto essa caminhada. Desde a primeira campanha do presidente Bolsonaro, passando pela famigerada facada, a sua participação ativa na transição e os cargos de confiança dados a Gilson como missão da cota pessoal do presidente. Testemunhei o empenho dos dois, a construção da campanha e o reconhecimento de Bolsonaro por Gilson Machado como um nome de sua confiança pessoal.
Gilson Filho chega à Alepe depois de um trabalho que já vinha ganhando reconhecimento na Câmara Municipal do Recife. A juventude, somada à experiência que começa a acumular, abre espaço para uma trajetória política de longo prazo.
Gilson Machado, por sua vez, leva à Câmara Federal a experiência de quem foi secretário nacional, presidiu a Embratur e comandou o Ministério do Turismo e Cultura. Tem condições de ocupar um papel relevante em um eventual governo de direita e de entrar no debate sobre a futura sucessão estadual.
Os Gilsons saem dessa eleição fortalecidos como referências do bolsonarismo em Pernambuco. Agora, o desafio é levar à Alepe e à Câmara Federal a mesma sintonia demonstrada na campanha, transformando a confiança recebida nas urnas em atuação, entregas e representação para os pernambucanos.
Alguém além do território pernambucano pode olhar para o resultado da eleição no Estado e perguntar: por que o PT reelegeu Humberto Costa o mais votado, passando Marília Arraes (PDT) e João, como cabeça de chapa, não foi eleito governador?
Porque simplesmente o PT traiu João. Humberto foi apoiado pela avassaladora máquina de prefeitos que receberam dinheiro a rodo do Estado para garantir uma votação de tal magnitude para tirar a desvantagem de Raquel no Recife e Região Metropolitana. Humberto foi apoiado, inclusive, pelo prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro.
Humberto, o mais votado, foi arrastado, portanto, pela mesma máquina que elegeu Raquel. O senador não transferiu votos para João. Nesta eleição, a máquina de Raquel subverteu uma ordem histórica: senadores eleitos numa chapa de um governador derrotado.
O PT é um partido traira, que vai pagar um preço caro pela traição. O próprio Lula ajudou Raquel, quando encheu seus cofres de dinheiro e quando veio ao ato em favor de João, no Recife Antigo, não bateu na governadora, diferente do seu comportamento no Ceará e na Bahia.
Mas o seu partido sai como o maior derrotado. Só elegeu três federais em Pernambuco, seis senadores no País, perdeu para o PL na Câmara dos Deputados, que passa a ter a maior bancada. Históricos do partido receberam um não do eleitor, como José Dirceu, em São Paulo, e Gleisi Hoffman, no Paraná.
Se Lula perder no segundo turno, o PT encerra um ciclo e pode até desaparecer.
Dedico este glorioso artigo ao meu colega o filósofo grego Platão, idealizador da República dos sonhos da humanidade e que inspirou os amores platônicos de minha vida animalesca
José Adalbertovsky Ribeiro, periodista, escritor e quase poeta
MONTANHAS DA JAQUEIRA – As eleições mais que gerais deste ano irão decidir o destino dos demiurgos da República, criaturas etéreas que flutuam entre o céu e a terra. Os demiurgos de capa preta são os mais poderosos da história desde os tempos da República de Platão. Os demiurgos se autoproclamam donos da democracia e da República.
O Chapeuzinho Vermelho vinha cantando alegremente na floresta encantada do poder quando se deparou com uma boiada. E assim falou: esta floresta é pequena demais para nós duas. A evolução da fauna democrática depende da perpetuação do ancião de barbas de fogo no poder e do aparelhamento das instituições do Estado. Ele está no mando de campo há quase 20 anos, apenas, e foi aconselhado a dobrar a meta por aquela senhora que estocava ventos orgânicos uivantes.
Os bovinos Sapiens defendem a tese de que a rotatividade do poder é o maior refrigério para a democracia, assim como a luz do sol é o melhor desinfetante. A democracia precisa ser oxigenada, nitrogenada e lubrificada para não enferrujar. Os rios e as florestas sentem falta de ar. A democracia precisa de respiração boca a boca.
O maior gângster da história do Brazil, o cara que subornou gregos e troianos e republicanos, e sua parelha o careca do INSS, atualmente hibernam feito ursos e contam com uma guarda pretoriana poderosa em sua proteção. Quando saírem da hibernação irão desfilar em carro de bombeiro como heróis nacionais.
Eu não estou delirando. Um demiurgo invocou o código de ética da Cosa Nostra e comparou o caso Master com a Operação LavaJato. Gotham City é aqui. A moralidade das elites nacionais é um hímen complacente. O Doutor Chuchu redimiu todos os pecados da cena do crime, somente não redimiu sua trajetória de pusilânime.
PREVISÕES BOMBÁSTICAS –Anotem minhas previsões de agora para conferir depois: número 1: daqui a 5 anos, nove meses e 15 dias, no ano 2031, depois das eleições presidenciais, o programa Fantástico irá revelar um novo escândalo de corrupção bilionária, de dimensões maiores que os casos Master e INSS, com o envolvimento de potestades da República. Um aiatolá do Planalto dirá que acredita na inocência do neto, mas se ele tiver cometido algum pecado capital terá que rezar três Ave Marias de penitência.
Número 2: já proclamado como ficha limpa com trânsito em julgado em todas as instâncias, o banqueiro ex-gângster será ungido como pastor de uma seita messiânica e irá rezar pela salvação das almas, mediante o pagamento de indulgências via Pix.
Se algum leitor da poderosa Folha de Pernambuco ou do magnífico Blog de Magno Martins duvidar destas minhas previsões, por favor, levante o braço. Ninguém. Eu sou o novo oráculo da Jaqueira. Oh glória!
João Campos (PSB) perdeu a eleição pela onda bolsonarista, a mesma que arrastou o presidente Lula (PT) para um segundo turno mais favorável ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Aos 81 anos, ir ao segundo turno num cenário incerto, não estava no radar do petista. João foi vítima também do extremo desgaste do Governo Lula. Perdeu também pela baixa performance no Recife e Região Metropolitana. O Recife não traiu João. O que houve foi uma avalanche de votos à direita, fenômeno que ocorre na América do Sul.
João foi vítima principalmente do uso abusivo e ostensivo da máquina do Estado pela governadora, que teve 150 prefeitos moendo suas estruturas em favor dela. A máquina é um peso em qualquer eleição. João tinha consciência disso e apostou na estratégia de vincular seu nome ao prestígio de Lula no Estado.
Mas não deu certo. João fez a campanha mais brilhante. Venceu todos os debates, fez os maiores e mais vibrantes atos de campanha. Moveu e mexeu com corações, mas havia uma máquina moendo em prol de Raquel, que só usou em seu favor, desprezando os seus candidatos ao Senado.
Raquel cometeu erros primários na campanha e incitou a ira das mulheres ao sugerir num vídeo uma laqueadura sem consentimento de uma pobre mulher, já com sete filhos. Ao ser reeleita e não eleger um único senador, provou também que só usou a máquina apenas em seu favor, ou seja, ela só coça do seu umbigo para baixo.
Em Pernambuco, nunca um governador se elegeu sem puxar um único senador. Traduzindo: os pernambucanos não aprovaram Raquel. João foi derrotado pela onda anti-Lula, pelo avanço da direita e do conservadorismo na América do Sul.
A eleição estadual, além do peso da máquina, foi fortemente atrelada a corrida presidencial, fortemente vinculada ao Congresso. O PL sai das urnas com o maior número de senadores e a maior bancada na Câmara dos Deputados.
Senado sem surpresas – Na disputa para o Senado em Pernambuco, as pesquisas se confirmaram. Ao longo da campanha, em nenhum momento a candidata do PDT, Marília Arraes, perdeu a liderança. Abertas as urnas, a única surpresa foi Humberto bater Marília, mas isso tem lá suas explicações que faço na nota abaixo.
Estrutura de Raquel bombou Humberto – Humberto chegou ao primeiro lugar na disputa para o Senado por dois motivos: seu nome está muito mais vinculado ao presidente Lula do que Marília. O segundo e mais importante motivo: Humberto conseguiu o apoio da mesma máquina nos municípios que garantiu a reeleição de Raquel, 150 prefeitos. Até o prefeito de Caruaru, terra de Raquel, Rodrigo Pinheiro, apoiou Humberto ostensivamente, assim como outros prefeitos com DNA Raquelzista, como Pollyana Abreu, de Sertânia.
O Brasil se livrou desses senadores – Para o Senado, não foram reeleitos ou eleitos: o pernambucano Randolfe Rodrigues (PT-AP), Ciro Nogueira (PP-PI), Túlio Gadelha (PSD-PE), Carlos Viana (PSD-MG), Soraya Thronicke (PSB-MS), Gleisi Hoffman (PT-PR), Simone Tebet (PSB- SP), Marina Silva (Rede-SP), Esperidiao Amim (PP-SC), Paulo Pimenta (PT-RS), Manuela Dávila (Psol-RJ), Marcelo Crívela (Republicanos-RJ), Magno Malta (PL-ES), Benedita da Silva (PT-RJ) e Roseana Sarney (MDB-MA).
JHC derrota Renan e elege esposa para o Senado – O ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC, foi eleito governador de Alagoas. Renan Filho (MDB), ex-governador e ex-ministro dos Transportes de Lula (PT), terminou em segundo lugar. Lenilda Luna, da Unidade Popular (UP), ficou em terceiro, enquanto Márcio Jambo, do Democrata, somou 0,05% e acabou em quarto. Natural da capital alagoana, JHC tem 39 anos, é formado em Direito e também construiu sua carreira política entre cargos no Legislativo e no Executivo. Foi deputado estadual entre 2011 e 2014, deputado federal de 2015 a 2018 e prefeito da capital por dois mandatos, em 2021 e 2025. A vice-governadora eleita é a também tucana Célia Rocha. Além de derrotar o clã Renan, JHC elegeu a esposa Marina senadora.
Humilhado e desempregado – O neo-direitista Túlio Gadêlha (PSD), que até então era deputado federal, mas se arvorou a ser candidato a senador com o apoio da governadora Raquel Lyra (PSD), se prestou ao papel de virar o articulador da direita na campanha da governadora. Na realidade, ela usou todos, inclusive ele, um inocente que não percebeu. O resultado disso é prático: ele começou a eleição com 7% e terminou com 6%. A partir de janeiro, ou Raquel Lyra arruma um emprego para ele, ou ele estará literalmente desempregado.
CURTAS
A MAIS VOTADA – A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) se tornou a mulher mais votada da história em uma eleição para a Câmara dos Deputados, com mais de 1.5 milhão de votos. A parlamentar superou o recorde de Joice Hasselmann, que recebeu 1.078.666 votos em 2018, quando foi eleita deputada federal por São Paulo pelo PSL.
EM CIMA DO MURO – Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, afirmou que o resultado foi pior do que esperava, tanto para sua campanha quanto para o partido. Em fala a apoiadores transmitida pelas redes sociais, o candidato disse que a quarta colocação no pleito ficou muito distante de suas expectativas. Ele ainda avaliou que Flávio Bolsonaro (PL) “deve vencer a eleição no segundo turno”. O político afirmou que não apoiará nenhum dos dois candidatos, mas que sua militância “pode fazer o que quiser”.
XANDÃO QUE SE CUIDE – O PL saiu das urnas ontem com o maior número de senadores eleitos, 19 na totalidade. O MDB veio em segundo, com sete senadores, O PP elegeu três, o União Brasil dois e o PSDB dois, todos aliados a Flávio Bolsonaro, que, se eleito, pode abrir no Senado o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Perguntar não ofende: Depois dessa avalanche direitista, Lula ainda tem chances no segundo turno?
O escritor Augusto Cury (Avante) disse na noite deste domingo (4) que não vai apoiar nenhum candidato à Presidência da República no segundo turno das eleições. Ele afirmou que manterá silêncio sobre o pleito.
“Os dois candidatos, se quiserem aproveitar nossas propostas, elas estão disponíveis para serem aproveitadas”, disse. “Eu me silencio completamente em relação aqueles que estarão no segundo turno”, afirmou à imprensa. As informações são da CNN.
Segundo apuração do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno no próximo dia 25 de outubro.
O presidenciável ressaltou que “ninguém está autorizado” a usar o nome dele e de seu candidato a vice-presidente, Júlio Delgado (Avante), para demonstrar apoio “a qualquer um dos candidatos”.
Cury ainda disse que não vê propostas consistentes por parte dos dois nomes que vão ao segundo turno. Também acusou o petista de querer o quarto mandato e disse que Flávio quer “resolver o 8 de janeiro”, em relação aos ataques aos Três Poderes, em 2022.
Além disso, o candidato do Avante destacou que não vai continuar na política e que pretende se dedicar a projetos internacionais que tenham impacto para a sociedade.
“Hoje, não vou continuar na política. Tenho convicção que não continuarei. Fico muito triste que a polarização vai continuar, mas respeito a decisão das pessoas”, disse ele. “Provavelmente não vou voltar para a política”, reforçou.
Questionado se aceitaria participar do próximo governo eleito, Cury negou, mas disse que concordaria em ser “uma espécie de conselheiro”.
“Eu não quero ser ministro de nenhum governo, tenho vários projetos, mas estaria aberto para ser uma espécie de professor e conselheiro, sem participação em nenhum governo. Mas vou me silenciar aos dois de segundo turno”, finalizou.