A prefeita de uma cidade de 50 mil habitantes na Califórnia, dos Estados Unidos, renunciou na segunda-feira (11) após admitir ser uma agente da China.
Eileen Wang, de 58 anos, concordou em se declarar culpada perante a Justiça norte-americana por disseminar propaganda em nome do governo chinês. Wang é ré em uma acusação federal que alega que ela atuou como agente estrangeira da China. As informações são do g1.
Wang renunciou ao cargo de prefeita e também do conselho municipal de Arcadia horas após o caso se tornar público, segundo o gabinete do administrador da cidade, Dominic Lazzaretto. Ela havia assumido em fevereiro em um sistema de rodízio.
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Arcadia é uma cidade que fica no subúrbio de Los Angeles, a cerca de 20 km da metrópole, e tem grande população sino-americana. A cidade, com cerca de 53 mil habitantes, tem maioria asiática e uma alta concentração de residentes de origem chinesa.
Wang compareceu perante a um juiz federal na segunda e, com o auxílio de um intérprete de mandarim, ela foi informada da data da audiência em que se declarará culpada formalmente.
A política fechou um acordo judicial com o Departamento de Justiça dos EUA, no qual ela concorda em se declarar culpada de uma única acusação criminal: atuar como agente de um governo estrangeiro. (Leia mais abaixo)
“Indivíduos em nosso país que, de forma encoberta, executam ordens de governos estrangeiros minam nossa democracia”, disse o procurador federal Bill Essayli ao anunciar o caso.
O gabinete de Dominic Lazzaretto disse em comunicado que nenhum recurso financeiro ou funcionário da prefeitura esteve envolvido. “Queremos deixar claro: esta investigação diz respeito à conduta individual, e as acusações são por ações que cessaram após a Sra. Wang tomar posse em dezembro de 2022”, afirmou.
Um comunicado divulgado pelos advogados de Wang afirma que ela “pede desculpas e lamenta os erros que cometeu em sua vida pessoal”.
Agente da China
No acordo judicial, Wang admitiu ter promovido propaganda favorável à China “sob direção e controle” de autoridades do governo chinês entre o fim de 2020 e 2022, quando foi eleita para um mandato de quatro anos no conselho municipal de Arcadia.
A acusação prevê pena de até 10 anos de prisão federal. A fiança foi fixada em US$ 25 mil (cerca de R$ 123 mil).
Especificamente, ela ajudou a operar um site chamado “U.S. News Center”, que se apresentava como uma fonte legítima de notícias para a comunidade local majoritariamente de origem chinesa, mas que, na prática, funcionava como porta-voz do governo de Pequim, segundo o acordo.
Wang recebia e executava instruções de autoridades chinesas para publicar conteúdo pró-China no site, incluindo artigos que contestavam relatos de abusos de direitos humanos contra uigures na região chinesa de Xinjiang.
Ao responder a uma mensagem de texto elogiosa de um funcionário do governo chinês reconhecendo seu trabalho, Wang escreveu “Obrigado, líder”, ainda de acordo com o acordo judicial.
Segundo o documento, Wang trabalhou em estreita colaboração com um associado chamado Yaoning “Mike” Sun, que ela já havia descrito publicamente como seu noivo e que chegou a ser listado brevemente como conselheiro financeiro de campanha.
Sun, de 65 anos, foi condenado em fevereiro a quatro anos de prisão após se declarar culpado, em outubro de 2025, de uma acusação de atuar como agente ilegal de um governo estrangeiro.
Entre os contatos de Wang com o governo de Pequim, promotores alegaram a participação de uma figura do Partido Comunista Chinês chamada John Chen, que, segundo documentos judiciais, era um membro de alto nível do aparato de inteligência chinês e se reuniu pessoalmente com o presidente chinês Xi Jinping.
Chen foi condenado em novembro de 2024 a 20 meses de prisão após um acordo semelhante de confissão de culpa.
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